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terça-feira, março 01, 2016

baile de máscaras


você já notou que,
às vezes,
as coisas não são o que parecem?

você me perguntou
naquela festa.

a voz ao meu ouvido é
seca a voz ao meu ouvido é
desconhecida

embora seja sua.


você já notou que,
às vezes,
as coisas não são o que parecem?

você já notou que,
às vezes,
as coisas não são o que parecem?

meus olhos se estreitaram
horizonte
meus olhos clarearam dentro
                do esforço            vão         em entender

are you talking about you?

eu te perguntei
naquela festa.


você já notou que,
às vezes,
as coisas não são o que parecem?


aquela festa:
sua vida: tão baile de máscaras

invisíveis

caindo

caindo

caindo

sem fazer barulho:

apenas realidade.


você já notou que,
às vezes,
as coisas não são o que parecem?

you were talking about you.


sábado, fevereiro 06, 2016

talvez

você tenha aprendido a
amar
com os gatos

ainda recém-nascido foi resgatado,
pergunto.


talvez

você tenha aprendido a
andar
com os gatos

talvez

você tenha aprendido a
se comunicar
com os gatos

aquela integração em:
voz corpo personalidade,

você domina

a prática em
não permanecer.


talvez

você tenha aprendido a
amar
com os gatos

mas eu

eu faço parte daquele time
que não entende
gatografia.


sexta-feira, agosto 05, 2011

meu amor

meu amor tem um gosto de mar e
                não apenas gosto, tem a ressaca & o refluxo

como praias brasileiras, em julho.


meu amor acorda cedo aos domingos
                xícara de café & cigarros nas mãos

ainda assusta-se com minhas olheiras e cabelos desgrenhados,
                embora sejam os anos.


meu amor tem a urgência de quem não anda,
                meu amor não acredita nos relógios:
                                as horas estão sempre erradas
               
                                                quando o móbile não se move,
                                                                mesmo com tempestades.


meu amor tem o peso de um morto.


meu amor, meu amor deixa os sapatos à porta, antes de entrar
                é sua maneira de não permanecer.

sexta-feira, julho 29, 2011

não notei quando me furtei.

amor foi embora, mas
..........pode devolver minhas palavras?

quarta-feira, julho 13, 2011

da Lubi Prates

E, o fim.

fui-me antes que o início tecesse a si mesmo
você disse e
eu calei que não sabia mudar meu não-estar

e o início já era o fim
como mares
que minhas lágrimas não pingam

os olhos secos
pela poeira do encanto
que liberta-se
do que invadiu
num instante
num piscar de olhos
dos moços anônimos
do tempo
dos seus
que eram meus
e que já não são

e já não são a mesma nota nossas vozes
e não são uma nossas carnes
nossas almas
agora
faltando metade
que é você
e
não sou eu

meu coração
canta adeus porque acabou
eu continuo
e verão
quem não sei e quem não sou
o que
se dá de

mim

inabitada

meu coração
conta a deus que acabou
sem crer
e continua pulsando intenso
enquanto
tento
trans[cre]ver
o fim

o fim imposto
que verso
sem querer
renegando cada linha
que se faz nó na minha mão

sejamos nós atados com a vida que ainda resta
sejamos razoáveis, ao menos

e deixa

a solidão
talvez
já me acostumou
já se acostumou com meu ser só
estado

independência

mas você ainda vai sentar
e esperar o amor que virá
e que não fui eu

meu coração despede-se
despedaça-se
sem sangrar:

adeus amor
meu

*

Para Raimundo Neto

e do que era antes
(apenas
caminhar pela casa
descalça
sacudindo os cabelos)
agora
o nunca
minha voz
rompendo teu silêncio
as palavras
como um rasgo na garganta.

- me salva.

mas, do quê, Lubi?

- da loucura.


*

Ela mesma, a Poesia

é despertar e enxergar além de o ou a
visão audição olfato tato paladar.
entregar-se para o sentir e perceber.
a Poesia é aprofundar-se
e procurar em si palavras
e substitui-las substitui-las substitui-las
perdê-las e insistir em
re e construir até que
perfeitamente.
e cuspir sem silêncio o que
a Poesia.
cuspir sem silêncio
e não implorar ouvintes
mas quando
seduzir e penetrar e abusar
porque a Poesia é
acariciar todo o sofrimento em
não esquecer a obrigação de
unir-versos.

*

Janeiro, 25.

era dia de
amargar com seu cigarro
com o gosto de na sua boca
nada daquele gosto menta
infância pureza e ou castidade
que freia defende
das pastilhas baratas
vendidas pelos garotos no semáforo
Paulista X Augusta
quando não limpam para
brisas ou pedem.
no nosso meio-beijo despedida
o não saber se voltará ou esse verbo
esse mesmo verbo
na primeira pessoa do plural do futuro indicativo.

era dia de
desvendar sem mapas
nossos caminhos espalhados pelo corpo
em todos os anos até agora e aqui
nas inúmeras tatuagens
se fosse calor de quase nudez e suores
os trinta graus e mais
meu olhar bem perto
a pele os poros e pêlos
com calma típica interior
que é meu avesso e não deixa de
enquanto citássemos dizendo billy corgan
suffer my desire for you - suffer my desire
ou qualquer verso que fosse
intensidade a nossa.

e era dia de
a noite cair alaranjando
os olhos da cidade adormecendo lentos
entre os barulhos de poetas ama-dores
na mesa com cervejas e
as buzinas alardeando por outros
nosso admitir não querer e ser detalhes
nos meus gestos significando sempre
sempre um demais mesmo quando estátua
e enquanto caminhássemos apressados para
o salto o nosso e estilhaçar-se
na realidade absurda
tentar prender as últimas ilusões
linha frágil entre os trilhos e a plataforma do
consolação, tentar mas não.

*

Sobre mar de carne e osso

ele contorna meu corpo com o seu
por instantes é mar:
água e sal
- não só os olhos desse azul
                que acinzenta-se quando tempestades
atrás de lentes escuras.
vertigem e me entrego
- sei a impossibilidade
de avessar naturezas conturbadas:
não há margem ou poro desafetado
                                pela penetração
perturbação de língua respiração e pêlos
ávidos por afogar sentimentos
                                barriga dentro e fora
então acredito em qualquer gota antes
como prenúncio de essa inundação
porque toda água nasce e vibra
                                invasão apenas
para após refluxo, a distância.

sexta-feira, maio 27, 2011

não sei aonde está
então
conheço o verdadeiro
da palavra

desamparo

quando decide
caminhar o que é
desconhecido
para mim

(o vento assombra as árvores)

e ainda assim
estado comum:

as ruas e avenidas
ou estar parado

pudesse, fumaria mil cigarros

para terminar
a ausência das mãos
o intervalo entre ter e não
esse calor que apenas sai
em fumaças

apenas sai, não entra:

desamparo.

sexta-feira, maio 20, 2011

seus grãos de beleza



estou apaixonando-me
                repetidamente
pelas pequenas coisas

em você.

diria: coração em loop.

grains de beauté nas suas costas:
                que eu não enxerguei antes dos fins

novos caminhos
                para minhas mãos minha língua

para eu chegar em casa.

sexta-feira, abril 29, 2011

venero tudo o que não é meu
você,
por exemplo.

meu maior pecado capital
nesse caso
não sei se é
inveja ou luxúria.

sexta-feira, abril 22, 2011

céu para duas estrelas

fugisse para acerca do Rio Jordão
            meu medo de águas calmas me impediria de chegar
                        pela negação do que me é oposto
ou muito muito além:
St. Petersburg, Ljubljana, Tokio
            qualquer outro caminho para mim desconhecido
talvez e eu disse talvez
nosso elo de mesmo desenho estampando as pernas
fosse rompido por apenas
            esquecimento e ou o tempo
porque se nunca quisemos o afastamento
essas estrelas em p&b realizaram-se um equilíbrio
no ser no estar no poder ficar
em nós, um céu em singular mesmo dois corpos.

sexta-feira, abril 15, 2011

longe de outros

teus olhos me falam sobre
o mar. além da cor azul
que acinzenta-se,
a tendência afogar
quando há entrega e
outro corpo torna-se teu:
acariciar tão leve na distância
- gotículas ao vento procurando pele
para invadir até ser
o último suspiro.

sexta-feira, abril 01, 2011

a delicadeza da sua cabeça amparada
                pelo meu ombro esquerdo
e eu fecho meus olhos

é compartilharmo-nos como refúgio

momentos de esquecer a realidade

sua barba roçando na minha pele
                o prazer que é até a dor

como o barco que chega ao cáis, mas risca
                seu caminho nas ondas do mar,

são tantas essas nossas cicatrizes. 

sexta-feira, março 18, 2011

ignorar os atalhos
do seu corpo: ignorar

não ir direto ao ponto

ligar todos os seus poros com dedos
e língua

caminhar por seu corpo
sem usar meus pés.

sexta-feira, fevereiro 25, 2011

vazio


encontrar lugar onde haja areia suficiente
                para tapar esse abismo
                                no meu peito.

se antes me distraia
                jogando pedrinhas em mim mesma
                                para ouvir aquele eco

agora já não consigo mais.