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sábado, julho 24, 2010

impaciência

o sábado não vem de súbito
é uma recompensa infinitamente aguardada
impacientemente evocada
ao se amarrar os sapatos
em reuniões enfadonhas e a cada erro
404
o sábado não vem de súbito
é delineado no ar centenas de vezes
em 26 dos dias de todos os meses
semana que termina com a mesma ternura do sol a se por
o pote no fim do arco íris
a sétima
cor.

quinta-feira, julho 22, 2010


Depois de um punhado de dias em que o sol

é rotineiramente arremessado e depois afunda de novo,

é difícil ver sentido na pequeneza das coisas.

A vida é um pouco como essa semana;

os começos cada dia mais distantes,

a qualquer momento começam os finais.

Quinta-feira.

Sempre a sensação de borbulha quase explodindo,

de vai-ser- agora.

Momento tão desarrumado, cheio de ecos

do passado que correm e se misturam com as expectativas do futuro.

Dias inquietos como crianças no escorregador.


quarta-feira, julho 21, 2010

Abrem-se as cortinas
chegam os artistas.

Hoje é o dia de torcer e comemorar
é dia de convidar os amigos para beber
Todos viram especialistas
sacodem as mãos mostrando suas aflições

Sim, meu caros!
É dia de futebol na televisão!

Quarta-feira:
o dia em que temos ópio gratuito
eletrônico

Santa Quarta-feira!

(Luiz Guilherme Amaral)

segunda-feira, julho 19, 2010

Anunciação

Foi numa segunda-feira que ele chegou.
Aquele que nunca havia existido.
Aquele que mal me olhou
e já foi me arrancando o vestido.
Aquele que não me esperou
e em menos de um minuto em mim jorrou
seu gozo feroz e compulsivo.

Foi numa segunda que ele me arrancou
do mundo em que eu havia sempre estado.
Beijou minha boca, me agarrou
e me jogou num quarto desarrumado.
Me mordeu, meteu, me conspurcou,
me fez esquecer quem fui, quem sou
e me deixou com esse olhar apaixonado.

E foi nessa mesma segunda, já quase terça-feira,
que ele me deixou jogada na poeira,
me chamou de piranha e vagabunda
e bruto, me meteu o pé na bunda,
e foi embora sem dizer pra onde ia,
sem boa noite, boa tarde ou bom dia.

E foi nessa segunda,
já quase em terça transvestida,
que beijei a boca da morte
e abandonei os braços da vida.

domingo, julho 18, 2010

Domingo eu te compro uma flor.

Andar de trás pra frente,

Reinventar o riscado,

Tudo certo e quase nada.

Dia de bingo!

Sorte ou azar?

O que vale é ter amigos!

Ter o que reinventar.

A sunday in a sunny day. Sunday!

Assim, feito ode,

Ou quase ódio para outros,

O meu, o teu, o nosso (que nem comercial depois do Faustão)

Domingo pede cachimbo,

Também pede carinho

E que compre uma flor.

Ode aos dias

Senhoras e senhores, caros webpectadores!

Quem acompanha este blog já viu que ultimamente estamos passando por várias mudanças.
Desta vez, perdemos Moa e Jeff, duas das cabeças mais antigas...
mas não se preocupem! A sua poesia diária está assegurada com a presença de Maria Ana e Luiz Guilherme :)
E é com grande prazer que apresentamos a semana Ode aos dias: cada poeta vai escrever em homenagem a seu dia da semana.

Vem com a gente?