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sábado, fevereiro 27, 2016
Ester
As irmãzinhas
a vigiam das alturas.
Tremeluzem
vozes dizendo que a amam.
Piscam piscam
anos-luz de saudades.
Caída e solitária,
contempla a noite clara.
As irmãzinhas
lhe brilham as lágrimas.
Gotas:
B7C [10 anos],
ellemos
quarta-feira, fevereiro 03, 2016
Quando não há sol,
não gosto assim tanto do sol
quanto gosto do anonimato.
Prefiro o céu baixo
de nuvens escuras
para um mundo mais pequeno.
Os operários do inconsciente
trabalham trabalham; produzem lentes
de ver do ângulo mais bonito das coisas.
Na hora da despedida,
a lágrima tempera o novo caminho
e lubrifica o ferrolho da janela.
E, de uma primeira tristeza,
o desejo de saudade no futuro.
Gotas:
B7C [10 anos],
ellemos
quinta-feira, julho 14, 2011
cinco pedaços da Elaine Lemos
Presente
Fui ter com o futuro debaixo de uma lona.
Enquanto uma boca vermelha e uns dentes
dourados proferiam previsões que eu não ouvia,
sentia um cheiro de chocolate,
um cacau de ar, despertador desta saudade.
Saí derrubando cadeira numa pressa.
Caloteei o que não viria.
Um caminho muito conhecido passa
por mim rapidinho de trás para frente.
Continuo correndo, o peito chiando vontades,
tentando alcançar meu hoje, embora eu saiba
que já fizeste as malas.
Loquacidade
Invento palavras nas lacunas das conversas.
Abismo meus mistérios.
Compreendam meus silêncios.
Safra
No jardim das fadas boas
há sempre um nariz carregando verruga
chovendo tristeza nas sementes.
Em um outono azul, colhem-se os frutos.
Ester
As irmãzinhas
a vigiam das alturas.
Tremeluzem
vozes dizendo que a amam.
Piscam piscam
anos-luz de saudades.
Caída e solitária,
contempla a noite clara.
As irmãzinhas
lhe brilham as lágrimas.
Quase 70 musicais
sempre que tocaste a minha gaita
com teus dedos ditos inocentes
e em ela puseste a boca incauta
sempre que quiseste que tua flauta
gemesse doce nas minhas mãos
cantasse o canto da minha língua
jorramos juntos as notas mais lindas
num ostinato, quase setenta vezes
soamos, suados, nosso uníssono gozo
Fui ter com o futuro debaixo de uma lona.
Enquanto uma boca vermelha e uns dentes
dourados proferiam previsões que eu não ouvia,
sentia um cheiro de chocolate,
um cacau de ar, despertador desta saudade.
Saí derrubando cadeira numa pressa.
Caloteei o que não viria.
Um caminho muito conhecido passa
por mim rapidinho de trás para frente.
Continuo correndo, o peito chiando vontades,
tentando alcançar meu hoje, embora eu saiba
que já fizeste as malas.
Loquacidade
Invento palavras nas lacunas das conversas.
Abismo meus mistérios.
Compreendam meus silêncios.
Safra
No jardim das fadas boas
há sempre um nariz carregando verruga
chovendo tristeza nas sementes.
Em um outono azul, colhem-se os frutos.
Ester
As irmãzinhas
a vigiam das alturas.
Tremeluzem
vozes dizendo que a amam.
Piscam piscam
anos-luz de saudades.
Caída e solitária,
contempla a noite clara.
As irmãzinhas
lhe brilham as lágrimas.
Quase 70 musicais
sempre que tocaste a minha gaita
com teus dedos ditos inocentes
e em ela puseste a boca incauta
sempre que quiseste que tua flauta
gemesse doce nas minhas mãos
cantasse o canto da minha língua
jorramos juntos as notas mais lindas
num ostinato, quase setenta vezes
soamos, suados, nosso uníssono gozo
Gotas:
ellemos,
Semana B7C [5 anos]
terça-feira, janeiro 25, 2011
Top 10 do adeus
Ouve minhas dez pedidas:
- não desperdices lágrimas
- sente sempre o derradeiro abraço
- não compres coroas pomposas
- ri dos tropeços dados com mãos unidas
- não te cubras de tules negros
- tem por certo que é culpa dos caminhos
- não queimes as fotografias
- lembra-te dos comuns segredos
- não consumas dor por analgésico
- escreve saudade em teus poemas
Fico por aqui. No meu último post.
- não desperdices lágrimas
- sente sempre o derradeiro abraço
- não compres coroas pomposas
- ri dos tropeços dados com mãos unidas
- não te cubras de tules negros
- tem por certo que é culpa dos caminhos
- não queimes as fotografias
- lembra-te dos comuns segredos
- não consumas dor por analgésico
- escreve saudade em teus poemas
Fico por aqui. No meu último post.
Gotas:
ellemos,
terças insanas
terça-feira, novembro 23, 2010
Dia da Consciência
Pelo menos por um dia
ler as mentes dessa gente
com as mãos.
Entender o que pensam
das vagas das águas negras
universitárias diplomadas
subscrevendo com os dedos.
(Deviam usar os dedos médios!)
E da lei que vem impressa
nas caixinhas longa-vida
abundantes vertendo
até encher as barriguinhas.
(Lei te dá exclusão!)
E do princípio do politicamente correto
que nos impõe a hipocrisia eufêmica
dos dizeres ininteligíveis
sobre diferenças não aceitas.
(Dezenas de autóctones tiveram suas vidas
suprimidas por infantes de dezessete anos,
descendentes de alguém, que brincavam
com o produto da combustão de
materiais inflamáveis!)
Pelo menos por um dia
pensar os pensamentos
com as próprias mãos.
Porque enquanto tudo isso, os garotinhos
pilotam aviõezinhos de papel
no morro cartão-postal.
(Se não sabem ler,
como tiraram brevê?)
Porque enquanto tudo isso.
...
ler as mentes dessa gente
com as mãos.
Entender o que pensam
das vagas das águas negras
universitárias diplomadas
subscrevendo com os dedos.
(Deviam usar os dedos médios!)
E da lei que vem impressa
nas caixinhas longa-vida
abundantes vertendo
até encher as barriguinhas.
(Lei te dá exclusão!)
E do princípio do politicamente correto
que nos impõe a hipocrisia eufêmica
dos dizeres ininteligíveis
sobre diferenças não aceitas.
(Dezenas de autóctones tiveram suas vidas
suprimidas por infantes de dezessete anos,
descendentes de alguém, que brincavam
com o produto da combustão de
materiais inflamáveis!)
Pelo menos por um dia
pensar os pensamentos
com as próprias mãos.
Porque enquanto tudo isso, os garotinhos
pilotam aviõezinhos de papel
no morro cartão-postal.
(Se não sabem ler,
como tiraram brevê?)
Porque enquanto tudo isso.
...
Gotas:
ellemos,
terças insanas
terça-feira, setembro 21, 2010
Poesia do dia
É hora de ir pra escola, menina.
Não é hora de poesia!
E a menina ia...
cumprimentando formiguinhas
colhendo flores nos sorrisos
É hora de trabalhar, menina.
Não há tempo pra poesia!
E a menina trabalhava...
ouvindo lisonjas nas ordens
vendo cores nos desmandos
É hora de arrumar a casa, menina.
Agora, nada de poesia!
E a menina arrumava...
cantando ao som da vassoura
valsando com a poeira no ar
É hora de cuidar das crianças, menina.
Pra depois, a poesia!
E a menina cuidava...
fazendo monstros com as papinhas
sendo princesas nas histórias
E nunca chegava a hora
da poesia da menina
segundo o que lhe diziam
Até que a menina
adormeceu no final do dia
toda poesia
Não é hora de poesia!
E a menina ia...
cumprimentando formiguinhas
colhendo flores nos sorrisos
É hora de trabalhar, menina.
Não há tempo pra poesia!
E a menina trabalhava...
ouvindo lisonjas nas ordens
vendo cores nos desmandos
É hora de arrumar a casa, menina.
Agora, nada de poesia!
E a menina arrumava...
cantando ao som da vassoura
valsando com a poeira no ar
É hora de cuidar das crianças, menina.
Pra depois, a poesia!
E a menina cuidava...
fazendo monstros com as papinhas
sendo princesas nas histórias
E nunca chegava a hora
da poesia da menina
segundo o que lhe diziam
Até que a menina
adormeceu no final do dia
toda poesia
Gotas:
ellemos,
terças insanas
terça-feira, agosto 24, 2010
Mágica
Transformo desespero
em risco
(não em traço)
tiro o sentido do olho
tal qual cisco
tento errar o passo
mas tudo o que eu queria
era ter o dom da magia
dissolver o desespero
em folhas de papel almaço
em risco
(não em traço)
tiro o sentido do olho
tal qual cisco
tento errar o passo
mas tudo o que eu queria
era ter o dom da magia
dissolver o desespero
em folhas de papel almaço
Gotas:
ellemos,
terças insanas
terça-feira, julho 27, 2010
Tenho passado os dias
a pisar o crec-crec das folhas
secas do inverno
A cabeça sempre baixa
os olhos procurando alvos
Sigo assim cosendo passos
o tempo me passando
sem sentir
a pisar o crec-crec das folhas
secas do inverno
A cabeça sempre baixa
os olhos procurando alvos
Sigo assim cosendo passos
o tempo me passando
sem sentir
Gotas:
ellemos,
terças insanas
terça-feira, junho 15, 2010
I
Cala-se o grilo solitário
por falta de assunto.
A madrugada nem sempre faz barulho.
O brejo está distante;
os sapos, não se ouvem de aqui.
Passos no asfalto,
somente os das sombras notívagas;
os bêbados dormem sem roncar.
Hoje até o vento colabora com o silêncio
descobrindo o céu num sopro manso.
---------------------------------------
A minha música era Pétala do Djavan. Também achei que ia ser fácil...
----------------------------------------
http://duaspartes.blogspot.com
por falta de assunto.
A madrugada nem sempre faz barulho.
O brejo está distante;
os sapos, não se ouvem de aqui.
Passos no asfalto,
somente os das sombras notívagas;
os bêbados dormem sem roncar.
Hoje até o vento colabora com o silêncio
descobrindo o céu num sopro manso.
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A minha música era Pétala do Djavan. Também achei que ia ser fácil...
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Gotas:
convidado especial,
ellemos
terça-feira, junho 08, 2010
Pontas de estrelas
Tenho gotas de ouro no céu,
minha fortuna.
Acordei.
Minhas flores estelares
chovem-me suavemente as pontas.
Minha vida agora
é querer-te e querer-te
faz-me viver.
Meu amor é esse amor,
o amor.
Derrama e fascina.
Entrou-me e me basta.
http://duaspartes.blogspot.com
minha fortuna.
Acordei.
Minhas flores estelares
chovem-me suavemente as pontas.
Minha vida agora
é querer-te e querer-te
faz-me viver.
Meu amor é esse amor,
o amor.
Derrama e fascina.
Entrou-me e me basta.
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Gotas:
ellemos,
Semana Música e Poesia
terça-feira, junho 01, 2010
As galinhas vão crescendo pelos pés;
os ovos já passando de maduros.
O gigante sonolento não rasgou ainda tudo,
ao contrário, rasgou pouco.
Pouco mais do que o que, a tinta,
fora marcado no dorso.
As garras inertes da fera temem
guardar sangue.
Pretende voar, mas seu potro tem
as asas fracas e bebe leite.
http://duaspartes.blogspot.com
os ovos já passando de maduros.
O gigante sonolento não rasgou ainda tudo,
ao contrário, rasgou pouco.
Pouco mais do que o que, a tinta,
fora marcado no dorso.
As garras inertes da fera temem
guardar sangue.
Pretende voar, mas seu potro tem
as asas fracas e bebe leite.
http://duaspartes.blogspot.com
Gotas:
convidado especial,
ellemos
terça-feira, maio 25, 2010
Presente
Fui ter com o futuro debaixo de uma lona.
Enquanto uma boca vermelha e uns dentes
dourados proferiam previsões que eu não ouvia,
sentia um cheiro de chocolate,
um cacau de ar, despertador desta saudade.
Saí derrubando cadeira numa pressa.
Caloteei o que não viria.
Um caminho muito conhecido passa
por mim rapidinho de trás para frente.
Continuo correndo, o peito chiando vontades,
tentando alcançar meu hoje, embora eu saiba
que já fizeste as malas.
http://duaspartes.blogspot.com
Enquanto uma boca vermelha e uns dentes
dourados proferiam previsões que eu não ouvia,
sentia um cheiro de chocolate,
um cacau de ar, despertador desta saudade.
Saí derrubando cadeira numa pressa.
Caloteei o que não viria.
Um caminho muito conhecido passa
por mim rapidinho de trás para frente.
Continuo correndo, o peito chiando vontades,
tentando alcançar meu hoje, embora eu saiba
que já fizeste as malas.
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Gotas:
convidado especial,
ellemos
terça-feira, maio 18, 2010
Adorno
Passou distraído, tropeçou na flor, eu vi.
A coitadinha pendeu, mas voltou,
manteve-se no seu papel de enfeitar.
Passou de novo muito, muito concentrado em si.
Pisou, quebrou, uma pétala caiu, chorou.
Corri, cuidei, ergui.
Chamaram-no meus dedos cheios de formigas.
Dei-lhe minha flor cansada, doída,
que insistia no seu papel de enfeitar.
Enfeitou-lhe o rosto, fê-lo sorrir.
http://duaspartes.blogspot.com
A coitadinha pendeu, mas voltou,
manteve-se no seu papel de enfeitar.
Passou de novo muito, muito concentrado em si.
Pisou, quebrou, uma pétala caiu, chorou.
Corri, cuidei, ergui.
Chamaram-no meus dedos cheios de formigas.
Dei-lhe minha flor cansada, doída,
que insistia no seu papel de enfeitar.
Enfeitou-lhe o rosto, fê-lo sorrir.
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Gotas:
convidado especial,
ellemos
terça-feira, maio 11, 2010
Loquacidade
Invento palavras nas lacunas das conversas.
Abismo meus mistérios.
Compreendam meus silêncios.
Mais um roubado de lá: Metade e Pedaço.
Abismo meus mistérios.
Compreendam meus silêncios.
Mais um roubado de lá: Metade e Pedaço.
Gotas:
convidado especial,
ellemos
terça-feira, maio 04, 2010
Escolhas nem sempre são possíveis
ainda que se escolha reafirmá-las nos dias
até o último.
Qureres têm que nos querer.
Permanece um poste ou uma lua gorda
iluminando a calçada, a calada,
mas sentimentos medos
sombreiam os peitos.
Um facho sai de tuas mãos.
http://duaspartes.blogspot.com
ainda que se escolha reafirmá-las nos dias
até o último.
Qureres têm que nos querer.
Permanece um poste ou uma lua gorda
iluminando a calçada, a calada,
mas sentimentos medos
sombreiam os peitos.
Um facho sai de tuas mãos.
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Gotas:
convidado especial,
ellemos
terça-feira, abril 27, 2010
Sem planos
Não vejo outra coisa, amor, do nosso futuro:
morreremos.
Tudo o que me é escuro não é futuro, amor,
é o ir vivendo.
http://duaspartes.blogspot.com
morreremos.
Tudo o que me é escuro não é futuro, amor,
é o ir vivendo.
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Gotas:
convidado especial,
ellemos
terça-feira, abril 20, 2010
Promessa
- Esperar-te-ei enquanto houver cigarros!
Até o último, os acenderei! -
Foi minha promessa.
Não pude cumpri-la.
Cigarros, ainda os tenho.
Meus cinzeiros é que estão cheios.
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Até o último, os acenderei! -
Foi minha promessa.
Não pude cumpri-la.
Cigarros, ainda os tenho.
Meus cinzeiros é que estão cheios.
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Gotas:
convidado especial,
ellemos
terça-feira, abril 13, 2010
Safra
No jardim das fadas boas
há sempre um nariz carregando verruga
chovendo tristeza nas sementes.
Em um outono azul, colhem-se os frutos.
http://duaspartes.blogspot.com
há sempre um nariz carregando verruga
chovendo tristeza nas sementes.
Em um outono azul, colhem-se os frutos.
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Gotas:
convidado especial,
ellemos
terça-feira, abril 06, 2010
Lida
Invariavelmente
todo santo dia
faço uma boa ação
exerço a cidadania:
durante o meu turno
dou todo o meu sangue
a um sedento vampiro diurno!
http://duaspartes.blogspot.com
todo santo dia
faço uma boa ação
exerço a cidadania:
durante o meu turno
dou todo o meu sangue
a um sedento vampiro diurno!
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Gotas:
convidado especial,
ellemos
terça-feira, março 30, 2010
pusilanimidade
Uma lança no estômago
um javali pendurado na orelha
uma bola de ferro em cada pé
de uma borboletinha tonta
que só tem vontade de só voar
e pousar naquela flor azul.
Roubado de mim mesma, lá do Metade e Pedaço.
um javali pendurado na orelha
uma bola de ferro em cada pé
de uma borboletinha tonta
que só tem vontade de só voar
e pousar naquela flor azul.
Roubado de mim mesma, lá do Metade e Pedaço.
Gotas:
convidado especial,
ellemos
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