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segunda-feira, janeiro 17, 2011

Davi

Impressionante pensar
que em sua mente não existe ainda
nenhuma lembrança...

Impressionante pensar
que estou escrevendo sua história
à minha imagem e semelhança!

Impressionante
sua capacidade incessante
de mudar minha realidade
a cada instante.

E de agora em diante
cada dia uma novidade...

impressionante!

domingo, dezembro 26, 2010

Davi viu a uva?

Davi,
Queria te fazer um poema
Pra te falar sobre a chuva, e pronto...
Mas que problema!
Toda rima que encontro
Não tem nada a ver com o tema!

Por exemplo:
Chuva rima com uva,
Mas chupar uva na chuva
Não dá!
É perigoso engasgar!

Rima também com Catanduva
Mas nem posso tentar,
Nem conheço esse lugar!

Chuva rima ainda com luva
Mas nem mesmo isso se encaixa,
Pois ficamos horríveis na chuva
De galocha e luva de borracha!

Acho que vou pegar emprestado
O finalzinho do nome da mamãe: Patrícia!
Pois a uva, huuummmm, rima com delícia!

segunda-feira, dezembro 13, 2010

segunda-feira, novembro 29, 2010

Vazio

Tem nada aqui dentro.
Nada.
E ainda é necessário escrever.

Tem nada nesse peito.
Vazio.
De doer.

Tem nada mais pra se dizer.
Nenhum carinho, nenhuma palavra
de festejo ou de lamento.

Não há nada além da imensidão do momento.

segunda-feira, novembro 15, 2010

Laralarala

Ligo o rádio por ora.
Estações evangélicas.
Sertanejo 24 horas.
Oras, ninguém mais ouve música de qualidade?
O que houve com a arte?

Calipso, tecnobrega, axé.
Pra quem gosta de merda, prato cheio.
Pra quem não gosta, receio
que não haja nada a se fazer.

Benditos celulares mp3 e suas portas USB!

segunda-feira, novembro 08, 2010

Segunda-feira

O chão está mais perto da minha cabeça
ou foi o céu que se distanciou?
E esse azul pálido preenchendo-me a manhã?

Pensei que o sol fosse remédio pra tudo,
mas descobri que o calor não é garantia de nada.

As formigas, inquietas, tentam me consolar
com suas lições já manjadas de vida.
Mas elas não aprenderam minha linguagem.

Então espero por algo que me preencha,
mesmo conhecendo meus furos um a um.

segunda-feira, novembro 01, 2010

Triste

E então
tua mão pousou em minha mão
como quem pede perdão.

E eu nào
acredito que não
sou mais quem você ama.

E o que me dói saber
é que nem amo você!
Só queria estar em sua cama!

segunda-feira, outubro 25, 2010

Súplica

Amor, me chama de louca,
mas por favor,
me entope a boca
com tua língua, teus beijos e tua saliva.
Me faz viva
novamente
como naquele dia
em que eu quase desfalecia,
dormente,
enquanto teu pau me arrombava por dentro
e minha vida escorria pelo cimento.

Amor, me chama de puta,
me sacode, me assusta,
me mete enquanto grita comigo.
Me inflinge qualquer castigo.
Chicote, tapas, desprezo...
mas derrama em cima de mim
(por favor)
novamente teu peso.

Me faz novamente, por favor
tua escrava, tua cadela.
Depois pega esse amor torto
e exibe pela janela.

Faz de mim, meu amor, teu troféu.
Eu fico aqui no chão, lambendo,
teus pequenos pedacinhos de céu.

segunda-feira, outubro 18, 2010

Vazio

E esse deserto?
E esse ninguém-por-perto?
E esse nada-nada-nada-a-fazer?

E essa saudade impossível de você?

segunda-feira, outubro 11, 2010

Paz

Sabe aquela flor
que coloquei em meus cabelos?
Vi em seus olhos
teu carinho
desenrolando-se em novelos.

E notei que ainda podemos.
Apesar do que se passou.

E notei que algo ainda restou.

sabe aquela flor
que coloquei em meu vestido?
Senti teu desejo
percorrer-me
cada canto escondido.

E eu soube que dançaremos.
Apesar de tudo isso.

E sei que deitaremos
nossos corpos
em nossos sorrisos.

segunda-feira, outubro 04, 2010

Pé de página

Não sei mais se sou mulher
ou se sou macho.
Não sei, não me acho.
Meus hormônios, completamente ensandecidos.
E a barra da minha calça
se enrosca à barra do meu vestido.

Há algo aqui dentro pululando.
E preciso corrigir-me, sem engano:
Às segundas sou Maria Ana,
mas o resto do tempo
sou eu, o Moacir Caetano.

Mas acho que não há problema:
todos nós temos algo de homem
e algo de fêmea.

Então continuo essa brincadeira
com eira e com beira:
Pra viver em paz com meu lado mulher
deixo Maria Ana aparecer
pra meter sua colher!

segunda-feira, setembro 27, 2010

Chuva

Saudade é chuva.
Sabe, a chuva,
quando se está na rua?

Unse seguem andando, devagar,
sem ao menos se preocupar.

Outros correm que nem loucos
sem nem mesmo olhar pra trás
e acabam se molhando ainda mais.

Uns olham pro céu
e gritam um monte de palavrão
e há os que se escondem em qualquer desvão.

E tem aqueles que ficam
sorrindo, gritando e pulando
que nem loucos em bando.
Aproveitando o que há na chuva de melhor.
E sabem-se um ao outro de cor.

segunda-feira, setembro 20, 2010

Serelepe

Atrás das pedras
ela se escondia, nua...

Olhando sorridente pros carros
do outro lado da rua!

segunda-feira, setembro 13, 2010

Trato

Então fica assim:
eu não te digo nada
e você nem olha pra mim.

Então fica assim:
a gente finge que isso
não é o fim.

Então fica assim:
nem eu telefono
nem você me liga.

Agora é assim:
sem sonhos, sem sono.
Só esse frio na barriga!

segunda-feira, setembro 06, 2010

Marcas

O que são essas marcas em mim?

Tuas unhas sem cuidado?
Teus arrancos e solavancos?
Ou a lembrança do quanto
temos nos afastado?

E apenas nos restou o suor?
E agora o que há de melhor
são os momentos de tesão
onde podemos lustrar nossa brutalidade
com requintes de ilusão?

O que são essas marcas em mim?
Restos de uma noite que não termina
ou o anúncio impiedoso do fim?

segunda-feira, agosto 30, 2010

Horizonte

Ele chegou
e deitou
seu peito nu sobre o meu peito.

Eu, sem jeito,
segurei-lhe as mãos
e dormimos nessa posição.

Ali o mundo se bastava
em um desejo doce
e uma paz inesperada.

segunda-feira, agosto 23, 2010

Triste

Lembra quando eu te disse?
Eu sou triste, muito triste.

E não há nada que se compare
ao barulho que meu coração faz
quando você segue e eu fico pra trás.

Ficam faltando pedaços inteiros
banhados com seu suor e seu cheiro
perdidos nos vãos vazios da minha imaginação.

e apesar dos meus lamentos
jogados um a um ao vento
você me diz que não, não.

Lembra quando eu te disse?
Eu sou triste, muito triste.

segunda-feira, agosto 16, 2010

Saudade

A saudade é esse negócio engraçado.

Planta em nossos olhos outros olhos
e em nossas sinapses
outras bocas e mãos e cabelos
e sorrisos...
ah, os sorrisos!

E gruda em nossas narinas uns cheiros,
em nossas bocas uns sabores,
em nossa pele uns toques...

E mesmo uma mulher durona como eu
entende muito de saudades.
De olhares ao longe.
De instantes intermináveis.
Imaginando.
Relembrando.

A saudade é essa coisa engraçada.
Faz com que cada segundo
dure uma eternidade.
E faz com que o tempo não seja nada.

segunda-feira, agosto 09, 2010

Frugal

E me alimento do teu pouco amor.

Me acostumo às poucas calorias.
Aos beijos sem açúcar.
Aos abraços diet.

Me contento com os minutos contados.
Com os sorrisos furtivos.
Com telefonemas entrecortados.

Uma vez por semana, banquete.
E no resto dos dias, saudade.

...me alimento do teu pouco amor.
Aos poucos, quase sem vontade.

segunda-feira, agosto 02, 2010

Rondônia

Vivo numa terra
onde todos são reis.
Onde cada um
escreve suas próprias leis.
Onde só existe o mundo do eu
e fodam-se todos vocês.

Vivo numa terra
onde ainda se resolvem
quase todas as coisas à bala.
Onde todos querem viver a vida
mas não têm tempo pra amá-la.
Onde quem cala consente
e quem não mente se cala.

Vivo numa terra estranha
de humildade pouca e raiva tamanha.
Terra de homens-deserto
e mulheres sem poesia por perto.

Vivo numa terra
em que todos se julgam donos.
Estranhamente, uma terra de ninguém.
E é do abandono
que me alimento.
Sempre distante, sempre além.