Súbito,
o oásis estava diante de mim.
Ela era riacho,
água pura, cristalina.
E eu era todo sede.
Infinita, infinda sede.
Debrucei-me, porém não bebi.
Fiquei ali, parado,
entre o paraíso e o inferno,
entre aquela boca e o abismo.
Fiquei ali, parado,
prolongando o prazer do momento.
******************************************
Algo em torno de 1989.
Não foi o primeiro poema que escrevi.
Mas foi o primeiro com, digamos, alguma substância.
O primeiro a apresentar características da minha poesia de hoje.
O ritmo, principalmente.
Apesar de me parecer hoje inocente, bobinho, foi o poema que me fez pensar que poderia realmente um dia brincar de fazer poesia.
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sábado, agosto 23, 2008
sexta-feira, agosto 22, 2008
Cinzas
I
Um traço de sangue
Entre os dedos
Separa minha dor
Dos teus medos
Um risco de luz
Entre os desejos
Separa teu silêncio
Dos meus devaneios
Cinzas de amor
E a vida abrasa
Um traço de sangue
Entre os dedos
Separa minha dor
Dos teus medos
Um risco de luz
Entre os desejos
Separa teu silêncio
Dos meus devaneios
Cinzas de amor
E a vida abrasa
II
A paixão desmedida
O encontro de bocas
A alma lavada
O desejo bravio
Só o tempo acalma
As cinzas do fogo
e da dor
Isto que chamam
de amor
III
Meu corpo queima
Apetece de vontade
Tateia tua ausência
Nesta noite cinza
~~~
este poema é de fevereiro de 2006 e não sei explicar bem o porquê dele ser marcante. coisas do amor, sabe?
quinta-feira, agosto 21, 2008
porta-retrátil
Hoje faz ontem em mim.
caem do teto
gotas de lembranças.
abro a gaveta,
vejo em slides: dias de Brasília,
numa tardia primavera...
ouço Capital, Legião...
bato a “poeira
escondida pelos cantos...”,
dobro cartas re-lidas,
sinto, saudades em dobro
de vidas a granel.
rostos, vozes antigas,
idas num vento frio...
em copas,
fecho a gaveta,
e nos olhos meus,
noventa e um parece ontem.
este poema é um divisor de mágoas. marcante pelo que representa, retrato de um momento em minha vida que traçou caminhos para sempre.
quarta-feira, agosto 20, 2008
em minha noite
Meus versos amanhecem
Enquanto durmo
Deleitam-se ao meu lado
Brincam com meus cabelos
E me fazem quase acordar.
Amanheço em manjedoura
Lírica de verso e prosa
Banho-me no deleite poético
Alimento-me de rima e pranto.
Não sou vespertina
O pôr-do-sol assusta-me
Com seus crepúsculos
Contenho-me e chego a lagrimar.
Renasço ao anoitecer.
Sou noturna
Me visto de lua e a noite me basta.
Sussurros e delírios me acompanham
Devassa é a madrugada
E por dentro fervo e me desfaço.
Permito-me anoitecer todos os dias.
A noite é minha morada.
.
.
caros,
esta é minha contribuição para semana poema marcante
difícil foi escolher um poema dentre tantos que marcaram tanto
estes, particularmente, são noturnos.
é isto.
terça-feira, agosto 19, 2008
Narcisista*
Seus olhos são espelhos d'água
Um lago
límpido
claro...
Por um instante
me vi refletido nele...
Quis nadar
Mergulhar de cabeça
Invadir teu íntimo
Me buscar
Me perder
nas profundezas
de tua alma...
Mas meu reflexo se desfez
O espelho se quebrou
Seus olhos gélidos
Lago congelado
Me trouxeram uma imagem
Uma miragem
Ilusão
inalcançável...
- Eu não estou em você!
Mas eu me perdi
em teus olhos
Preciso me encontrar
Amor...
Um lago
límpido
claro...
Por um instante
me vi refletido nele...
Quis nadar
Mergulhar de cabeça
Invadir teu íntimo
Me buscar
Me perder
nas profundezas
de tua alma...
Mas meu reflexo se desfez
O espelho se quebrou
Seus olhos gélidos
Lago congelado
Me trouxeram uma imagem
Uma miragem
Ilusão
inalcançável...
- Eu não estou em você!
Mas eu me perdi
em teus olhos
Preciso me encontrar
Amor...
Este é um dos melhores poemas que consegui escrever, sem dúvida! Mas, dentre todos, "Narcisista" é o meu preferido! Por diversos motivos! Mas um, em especial...
Este poema tem uma história peculiar: foi a primeira tentativa minha em escrever algo que falasse de amor -- ou que, pelo menos, usasse a palavra "amor"...
E não é que ficou bonito, o bendito?
O que acham?
Este poema tem uma história peculiar: foi a primeira tentativa minha em escrever algo que falasse de amor -- ou que, pelo menos, usasse a palavra "amor"...
E não é que ficou bonito, o bendito?
O que acham?
segunda-feira, agosto 18, 2008
farrah falsett
Me dá um pouco de paz, eu te dou um pouco do meu desassossego
Nasci de uma mãe com mancha castanha no olho verde e esquerdo
E é por isso
Eu sou habitada por um cardume de criaturas cegas
Que comem morcegos
E é por isso que eu tenho tantos nomes
E nenhum deles é meu.
Cuidado com o nome que chama,
Você pode trazer os demônios à baila
E me diga
Você já
Dançou com o demônio
À luz do luar*
?
Porque às vezes eu sou ciano
E às vezes, cianureto
E às vezes eu sou pinóquio
E às vezes, gepeto
Porque às vezes eu sou nuvem de inverno e às vezes
eu sou o demônio de mãos pequenas
e caninos vermelhos.
Cuidado com o nome pelo qual me chama
Não convide os monstros pra montar
Cidades de lego
Porquê às vezes eu sou bambuzal
e às vezes,
sou prego.
E Cuidado com o modo que me chama
porque
Enquanto Samantha canta
Enquanto Eduarda guarda
Enquanto Sônia sonha,
Clara pára
Rita grita
Emma toma.
--
bom, esse poema é de abril do ano passado e, bom, acho que dá pra ver que ele bem...meu.
rima, absurdez, humor, mau-humor...*tem até frase roubada do filme velho do bátima.
tá tudo aí.
e depois eu gosta dele. e pronto.
fim. bêjo.
Nasci de uma mãe com mancha castanha no olho verde e esquerdo
E é por isso
Eu sou habitada por um cardume de criaturas cegas
Que comem morcegos
E é por isso que eu tenho tantos nomes
E nenhum deles é meu.
Cuidado com o nome que chama,
Você pode trazer os demônios à baila
E me diga
Você já
Dançou com o demônio
À luz do luar*
?
Porque às vezes eu sou ciano
E às vezes, cianureto
E às vezes eu sou pinóquio
E às vezes, gepeto
Porque às vezes eu sou nuvem de inverno e às vezes
eu sou o demônio de mãos pequenas
e caninos vermelhos.
Cuidado com o nome pelo qual me chama
Não convide os monstros pra montar
Cidades de lego
Porquê às vezes eu sou bambuzal
e às vezes,
sou prego.
E Cuidado com o modo que me chama
porque
Enquanto Samantha canta
Enquanto Eduarda guarda
Enquanto Sônia sonha,
Clara pára
Rita grita
Emma toma.
--
bom, esse poema é de abril do ano passado e, bom, acho que dá pra ver que ele bem...meu.
rima, absurdez, humor, mau-humor...*tem até frase roubada do filme velho do bátima.
tá tudo aí.
e depois eu gosta dele. e pronto.
fim. bêjo.
domingo, agosto 17, 2008
Braile
Tenho em relevo, na pele,
os sinais e apelos
à espera das tuas digitais
para lê-los
os sinais e apelos
à espera das tuas digitais
para lê-los
POEMAS MARCANTES
Esta semana, neste blog, desfilarão os poemas que marcaram a vida destas cabeças!
Cada um postará aquele poema guardado com carinho no repertório... o poema que, seja lá por que for, é considerado o "mais mais"!
No meu caso, "BRAILE" é o poema abre-alas... É que foi com este poema, feito para Múcio como convidada na (Primeira) Semana de Convidados deste blog, que consegui criar "coragem" e mostrar minha escrita para pessoas que não frequentavam a "blogosfera"!
Este poema é um divisor de águas (adoro clichês!!) na minha correnteza poética!
Esta semana, neste blog, desfilarão os poemas que marcaram a vida destas cabeças!
Cada um postará aquele poema guardado com carinho no repertório... o poema que, seja lá por que for, é considerado o "mais mais"!
No meu caso, "BRAILE" é o poema abre-alas... É que foi com este poema, feito para Múcio como convidada na (Primeira) Semana de Convidados deste blog, que consegui criar "coragem" e mostrar minha escrita para pessoas que não frequentavam a "blogosfera"!
Este poema é um divisor de águas (adoro clichês!!) na minha correnteza poética!
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