feliz 2011 :D
Tudo que é novo
É belo
Porque ainda não é
Como a luz branca que contém cada matiz do espectro
A folha é branca ainda é tudo de mais lindo
Que a gente vai escrever
E só o deixa de ser
Se a gente escreve
feliz 2011 :D
Tudo que é novo
É belo
Porque ainda não é
Como a luz branca que contém cada matiz do espectro
A folha é branca ainda é tudo de mais lindo
Que a gente vai escrever
E só o deixa de ser
Se a gente escreve
Te procurei com mil olhos
novecentos e noventa e oito, inventados
te procurei com olhos que eu não tinha
retive miragens na retina
encontrei só o que se desfazia ao primeiro roçar de mãos.
Deixei cair mil olhos.
Mentira, guardei dois,
fechados pra mais tarde.
Livre de imagens para ficar em paz
livre de imagens pra caminhar sem pressa
e aí: você
o que é pra ser a gente acha
até quando tropeça.
Anoitecer com sol:
o calor entre um
e outro lençol
Que nenhuma lágrima sua
Tenha o meu nome
Eu ando gastando pedaços incríveis do meu tempo,
baldes de horas e minutos.
Atrasando projetos e horários, irritando um monte de gente muito séria.
É que tem acontecido de, por uns instantes, eu nem me lembrar mais
que pertenço a esse mundo de dias ruins e dias tristes, em que o que
mais importa é o trabalho, as metas e cronogramas. Espero que as pessoas
não se magoem demais, mas eu ainda quero ficar mais um pouco assim.
Deixando o tempo voar para longe. Vivendo cada um desses momentos.
Me aquecendo nas fagulhas que saem dos olhos dela.
já tinha postado no Sabedoria, mas...
O tempo pára enquanto anita segura o jornal
O jornal aberto em espelho
Não mostra um trem descarrilhado
Milhares de mortos, uma criança perdida
É o caderno cotidiano
Os benefícios da reciclagem
E uma nota no canto esquerdo
O marido de anita está fora
Ele anda na rua e não sabe
Na coleira vai Rodolfo, nariz úmido colado ao chão
O cão pára frente ao sinal
Na rua ele não é um cachorro
É um soldado, uma enfermeira, um pai amoroso
Não há tempo para postes e latas de lixo
Não há tempo para latir para o carroceiro que passa
Há que se levar este homem que não enxerga para casa
Esse homem que leva ovos e leite e lhe dará um biscoito quando chegarem
Quando ele poderá se coçar e ser um cachorro
Anita não decora a casa há anos
Nada jamais muda de lugar
A banqueta um pouco à direita é um tropeção
Uma porta inadvertidamente aberta, um hematoma
Cada coisa em seu lugar e é como se Rubens enxergasse
10 passos entre a porta e a cozinha
escova de dentes: 1 palmo à esquerda da pia
E por isso a casa idêntica por pelo menos 20 anos
O mesmo perfume há 30
Rubens e o cão no elevador
Um signo de pontinhos: terceiro andar
São 10 passos até a cozinha, um biscoito
Uma nota na página esquerda
Caderno cotidiano
Desimportante
Um perfume que sai de linha
Uma fragrância que não mais se fabrica
O único rosto que um marido conhece
O mesmo cheiro dos lençóis, dos travesseiros
Que a três passos adentro da porta diz:
Anita já chegou
Anita está na cozinha
Anita está na sala e come pipocas vendo televisão
Anita que será uma estranha
Ao fim de dois dedos
Dentro de um vidro
sobre a penteadeira
3 palmos à esquerda de uma caixa de bijuterias
a 20 cm do espelho
a 1 metro e meio
do chão.
meus amigos são tentáculos. me levam além do que sou.
meus amigos são mágicos. afastam a tristeza quando aparecem.
meus amigos são desafios. não permitem que seja fácil demais.
meus amigos são quânticos. interagimos por partículas subatômicas.
meus amigos são guias. de fora mostram o que eu não vejo.
o sublime, o louco, o ridículo na minha vida.
meus amigos são fenômenos naturais. suas leis me escapam.
humanos, errados, curiosos os meus amigos.
são só uns poucos, por isso mais reais.
Amigos. E meus.
Serra, prega e aparta
aquilo que já foi semente.
Somente Noé sabe
quanto bicho cabe
na arca
e não importa quantos para fora
ele deixe
virarão
comida
de peixe