sexta-feira, maio 27, 2011

não sei aonde está
então
conheço o verdadeiro
da palavra

desamparo

quando decide
caminhar o que é
desconhecido
para mim

(o vento assombra as árvores)

e ainda assim
estado comum:

as ruas e avenidas
ou estar parado

pudesse, fumaria mil cigarros

para terminar
a ausência das mãos
o intervalo entre ter e não
esse calor que apenas sai
em fumaças

apenas sai, não entra:

desamparo.

quinta-feira, maio 26, 2011


É difícil distinguir o real daquilo que sinto.
Eu tento me mover até um ponto no tempo
em que o estado das coisas seja um estado de espírito.
Tantas vezes quero parar
e tentar entender um pouco
isto que parecem ser os seus pensamentos.
Alguns deles são seus mesmo,
outros invenção minha.
Não há uma razão lógica para a tristeza.
Nada está latejando através dos dias.
Não é bom dizer que você vai ser sempre minha.
Essas piadas que nunca tem controle.
Eu sei que você está na minha vida
e a sensação de que o que é bom pode se repetir é suficiente.
Eu tenho essa mania de imaginar
cada razão para que tudo dê errado.
Cada quilômetro que ando vale por cinco
e tudo no caminho pode apresentar uma cara falsa,
cada assassinato permanecer impune.
Esse tipo de queda mantém
a saudade constante do que passou,
do que pode ser,
do que é.

quarta-feira, maio 25, 2011

Eu queria que fosse tudo diferente
queria que houvesse seu carinho
que eu tivesse você como espelho
da minha dedicação, sonhos e zelo

Você não seria só uma possibilidade
seria meu abraço quente
meus domingos cheios de mimos
meu ciúme sem fundamento mas bonitinho

Se pelo menos tivesse havido uma chance
também poderia ter havido o melhor beijo
ao lado da maior batida de coração
e dos olhos que mais demoram a abrir

Mas você, que nem culpa tem
preferiu escolher outros braços
e eu fico aqui com meus versos bobos
que, incansáveis, ainda me toleram

(Luiz Guilherme Amaral)

sexta-feira, maio 20, 2011

seus grãos de beleza



estou apaixonando-me
                repetidamente
pelas pequenas coisas

em você.

diria: coração em loop.

grains de beauté nas suas costas:
                que eu não enxerguei antes dos fins

novos caminhos
                para minhas mãos minha língua

para eu chegar em casa.

quarta-feira, maio 18, 2011

Eu entendo você. É que, daí de cima, onde você pode ver tudo, torna-se muito fácil ser quem você é. Porque, daqui de baixo, eu sou apenas um cara preocupado com coisas chatas e que carrega uma bolsa cheia de palavras que, de vez em quando, tomam a direção dos seus ouvidos. Não acredito, porém, que elas possam te arrebatar, já que, para você, eu sou muito pouco. Seu silêncio e passividade delatam isso. Talvez eu seja pouco. Talvez eu seja um voucher para situações sem calor. O que me agride é a falta de honestidade, pois eu tanto anseio e tão pouco recebo que às vezes penso que é porque não mereço. Talvez eu não mereça, mesmo. Há tantas pré-configurações para quem devemos ser, que devemos fazer, quem devemos olhar... É porque eu não faço parte do padrão contemporâneo. Você não sabe o que é passar despercebido ou não chegar onde se quer. Porque você tem tudo. Você tem dúzias de admiradores ao seu redor, construindo degraus com pedras ao ver-te andar, e eu sempre fui péssimo em competições. Jamais competiria com todos eles. Porque eu sou um mau competidor da minha própria equipe. Eu sou a largada a partir dos boxes. É por isso que eu te entendo. Eu racionalizo tanto as coisas que faço-as perder a magia. Eu sei tão claramente qual é meu lugar neste universo que não te culpo por não ter o menor interesse em mim ou nas coisas que levo comigo. Eu devo ser finito para seus anseios. Eu não devo ser quem você, ao botar a cabeça no travesseiro, cria situações dentro da mente. Mesmo quando você lê o que eu penso e diz que de alguma forma se encantou, não deve ser perene. São palavras que criam um choque instantâneo, mas indignas de serem levadas adiante, já que seu mundo é perfeito demais para ser tatuado com palavras incrustadas de vazios. São sábados sem sol. Eu e meus planos por vezes ocupam um espaço que te incomoda e você não entende que, por trás dessa enxurrada de dúvidas e constatações, existe apenas a vontade de ser reconhecido como digno de ocupar um pedaço do seu coração. Mas isso não é para pessoas como eu. Porque eu e minhas pilhas de cadernos e palavras somos indignos de ter a atenção de alguém tão especial. É por isso que eu sou meio-termo. Porque eu me visto meio-termo, alimento-me meio-termo e ando meio-termo. E não importa se a população é de dois mil ou dois milhões, não há encaixe para mim. Hoje eu sou alguns bons anos de experiência, tropeços e levantes, e, ainda assim, não há espaço suficiente para que eu possa dar alguma contribuição. Porque eu não sou válido de compartilhamento. Ao meu lado, tanto faz. Há tantas coisas na sua vida que fazem mais sentido e que criam um espectro mais bonito. Eu tenho meus valores, algum talento e tantos sonhos... Indivisíveis como eles também é a necessidade de que eu esteja. Porque nada em mim é suficiente para que você sinta plenitude. Não há atributos suficientes em mim para que você esteja confortável e vislumbre algo mais completo para sua vida. Tudo é muito óbvio como olhar no espelho e ver que simplesmente não há como ser representativo para você. Não há nada em mim que possa te dar algum brilho nos olhos ou dar-te algum orgulho simplesmente porque suas expectativas são muito altas e, aqui embaixo, a única coisa que você vai encontrar são vontades de deixar um sorriso. Mas eu entendo você. E eu também me entendo. É por isso que eu aceito esta minha plena incapacidade de fazer você sonhar. Porque eu sou um dispositivo pontual: se você precisa, recorre; se não precisa, não há motivos para dirigir-se a mim. Ainda que eu traga nos meus escritos todas as perfeições que você sempre esperou ouvir mas não havia quem as proferisse, ainda assim torna-se mais válido não tê-las por lembrar de onde elas vieram. Não há a necessidade, portanto, de ensaiar alguma apropriação. Entendo-me tão bem que entendo você por saber que nada do que está aqui pode ser bom para quaisquer cinco minutos da sua vida. É sempre uma pena, eu sempre serei compreensível e o desapontamento comigo mesmo sempre produzirá conjecturas que servem para situações alheias. A certeza é só a de que eu não sou merecedor do seu mundo, mas não por exigência sua, e sim por improbidade minha. E corro o sério risco de assinar minha própria derrota por desmascarar-me de forma tão latente assim, que você provavelmente chamará de "um surto de um idiota que não sabe ser agradável ou simplificar as coisas". Talvez você esteja certa, sim. Eu passarei com a cabeça baixa diante da verdade, porque é o que me compete. Daqui de baixo. Observando-te quando me for a hora de levantar os olhos.

segunda-feira, maio 16, 2011

em tarde ser

Nesta tarde
em que o sol veio tarde
eu o espero!
(espero que você não tarde)

quinta-feira, maio 12, 2011



Apenas uma vontade,
uma idéia de sair e estar com você.

Dia após dia escapando à tristeza,
o nó na garganta.

É estranho precisar desses momentos,
longe da balbúrdia das coisas ?

Você e eu, quietos aqui.

Passando o tempo, deixando estar.

Um dia tão quente, cheio de clamores.

O mundo correndo lancinante.

Você e eu,
você e eu e as árvores e o vento
Lá fora tudo passando.


quarta-feira, maio 11, 2011

Quando nós namorávamos, brigava muito com meu mau humor porque minha definição de "sua felicidade" é saber que você deveria sempre sorrir comigo. Portanto, era comum você me ver com uma antologia debaixo do braço, ou um caderno em frangalhos pela constante manipulação, mas com versos e mais versos com seu nome e seu perfume.

Quando nós namorávamos, havia um consenso de que se divertir era melhor que discutir. Por mais que não houvesse nada a fazer, só de ficar deitado com a barriga para cima já era um divertimento. Mas, mesmo quando entrávamos em alguma discussão, éramos democráticos. É impossível não haver algo que não incomode, seja uma atitude ou uma mania, mas sabíamos admitir erros e consertá-los. E até mesmo respeitá-los, afinal, sabemos o quanto a individualidade é importante.

Quando nós namorávamos, não éramos somente namorados, mas camaradas. Claro que podíamos contar um com o outro. Numa situação mais difícil (aqueles fins de semana sem grana para sair) ou quando nem sabíamos por onde começar de tantas coisas a fazer, nós preferíamos estar juntos. Nossa obviedade de vida era estar juntos quando havia sol e chuva, porque, ora!, trabalhamos tanto e mal nos falávamos! Não era justo que qualquer bobagem impedisse-nos de ter um fim de semana. E, mesmo com as brechas durante a semana, só queríamos aproveitar.

Quando nós namorávamos, éramos muito carinhosos. Você sempre dizia que meu ponto forte era minha gentileza e eu adorava dizer como você iluminava todos os lugares onde aparecia. Acho que foi esse respeito mútuo e essa admiração que nos fez ser tão colados um no outro. Lembro-me da cara que você fez quando eu abri a porta do carro para você entrar. "Nunca me fizeram isso", você disse. E éramos tão interessantes um para o outro que conseguíamos conversar por horas a fio sem dar um beijo na boca sequer. Esquecíamos disso! Era tanto assunto que virávamos a madrugada...

No entanto, a única parte que é mentira nesta história toda é que nós ainda não namoramos. Mas eu quero que você seja minha namorada para que tudo isso aconteça. Agora você já sabe como eu te vejo e como eu espero que você me veja. Não sou adepto da predestinação, mas não posso me furtar a reconhecer que nós nascemos para ficar juntos. No sol, na chuva, no silêncio ou onde quer que estejamos.

domingo, maio 08, 2011

high-cais*

High-cai 1

I'm so sorry
but I could not
reach the sky


Poema de outono

Ah, folhinha...
Soltos no vácuo,
chegaríamos juntos!


Senvergonheza

sem verdade
mas com bagagem, muita história pra contar:
sem vergonha

sábado, maio 07, 2011

haikinhos

Estar sempre alerta

encontrar a vida

De guarda aberta

--

Se insiste na fúria cega

Por que tem olho

O furacão?

--

Show de mágica

Sob a luz dos holofotes

Duas caras-metades

Separadas a serrote

--

Diversão ao cubo

Encontrar 3 outros lados

Pra qualquer lado de tudo

quarta-feira, maio 04, 2011

I

Por você, grande afeto
sobre mim, um teto
de sonhos e desejos

II

pensei "a vida é só minha"
mas essa saudadinha
é dividir-me em "eu e você"

III

Em vão medir desejo!
o tempo de cada beijo
é o tique sem taque do relógio

(Luiz Guilherme Amaral)

segunda-feira, maio 02, 2011

meus haicais preferidos

brincando de haicai

baila a rima
e paira:
bailarina

(do livro O texto sentido)




hai-quase

Lua alta e brilhante
minha alma se extenua
Se me falta o amante

domingo, maio 01, 2011

HAIKAIS DE CONTO DE FADAS

I

Susto na cama
Pensava em princesa
Era mulher-dama.

II

-Beija o sapo.
Ela beijou.
Fez-se poeta, não príncipe.

sexta-feira, abril 29, 2011

venero tudo o que não é meu
você,
por exemplo.

meu maior pecado capital
nesse caso
não sei se é
inveja ou luxúria.

quinta-feira, abril 28, 2011


Ás vezes o passado
revoluteia
como uma ampulheta
e a areia espalhada
da circunstância
cega meus olhos
para você.

A chuva
desenha idéias no vidro da janela
e faz renascer
os padrões mais loucos
na minha mente.

Agora estou aqui
reconstruindo o meu silêncio
tentando enganar o tempo
perdendo a minha cabeça.


quarta-feira, abril 27, 2011

Eu gostaria que você entendesse
que eu só quero ficar ao seu lado
em dias de calmaria ou de rojões
tanto a mil por hora quanto parado

Eu só preciso que você entenda
que nós merecemos ficar juntos
temos tantos sorriso a nossa frente
e grilar terras dos nossos mundos

Por favor, entenda de uma vez
não estou pedindo em casamento --ainda
nem que tenhamos contas conjuntas
(tão década de 1980)
só quero que sejamos nós dois, linda
até onde nós quisermos que seja

(Luiz Guilherme Amaral)

terça-feira, abril 26, 2011

[...]


moça
ouça o que proponho

se é pra cair na real
saia do meu

sonho




segunda-feira, abril 25, 2011

garatujas

Te rabisco
Com meus lápis de dor
Desisto do risco
Tento o amor-aquarela
Invento outro traço
traço outra reta
Mas só vejo o esboço
(do desenho que não fiz)
Estampado no teu rosto
Com o pó da cera
De giz

sábado, abril 23, 2011

O silêncio é um convidado desagradável

Se agarra aos pés da mesa e comete faltas graves

Gruda chiclete nas poltronas

Tranca as crianças para fora

O silêncio entra nas casas

E se esquece de ir embora

sexta-feira, abril 22, 2011

céu para duas estrelas

fugisse para acerca do Rio Jordão
            meu medo de águas calmas me impediria de chegar
                        pela negação do que me é oposto
ou muito muito além:
St. Petersburg, Ljubljana, Tokio
            qualquer outro caminho para mim desconhecido
talvez e eu disse talvez
nosso elo de mesmo desenho estampando as pernas
fosse rompido por apenas
            esquecimento e ou o tempo
porque se nunca quisemos o afastamento
essas estrelas em p&b realizaram-se um equilíbrio
no ser no estar no poder ficar
em nós, um céu em singular mesmo dois corpos.

quarta-feira, abril 20, 2011

Vamos bater nos tamborins
enviar sinais de fumaça
fazer danças da chuva
qualquer coisa
menos esse programa de índio
que é ficar tão longe de você

(Luiz Guilherme Amaral)

terça-feira, abril 19, 2011

[...]





 
não escreva
o que eu digo

esse meu olhar perdido
não vai além do umbigo









segunda-feira, abril 18, 2011

(nor)destino

Para Carlos Galdino

Na lida nordestina
sua rima se arruma
na vida clandestina
que se consuma
sua sina:
Suassuna

sexta-feira, abril 15, 2011

longe de outros

teus olhos me falam sobre
o mar. além da cor azul
que acinzenta-se,
a tendência afogar
quando há entrega e
outro corpo torna-se teu:
acariciar tão leve na distância
- gotículas ao vento procurando pele
para invadir até ser
o último suspiro.

quarta-feira, abril 13, 2011

Eu não peço muito a você
mas quero o primordial:
que você me veja com bons olhos
que sinta minha falta à tarde
que tenha vontade de me escrever uma carta
e que sinta (mesmo de longe)
minha mão no seu rosto

Não me permito cobrar nada
apenas que devolta na mesma moeda
todo o bem que eu quero para você

(Luiz Guilherme Amaral)

quinta-feira, abril 07, 2011


O tempo não é muito mais
do que a memória que guardamos.
Oceanos de luzes e cores que
vêm e vão e nunca desaparecem.
As mais amargas estão
sempre rodopiando bem perto.
Porque o esquecimento é a única cura
e o esquecimento não vem.
Vivemos a mil por hora buscando
alívio para as tristezas do passado.
E isso é bobo, são apenas memórias.
Ás vezes perfeitas
em sua capacidade de
não perceber os destroços que deixam.
Se as memórias não olham para
os destroços, destroços existem ?

quarta-feira, abril 06, 2011

Tens seus mistérios, eu sei
E mais ainda tuas fantasias
Onde não encenam crepúsculos
Pois, assim, tuas queridas flores
Pequeninas, não entristecem
Mas tens também um coração
E nele cabe o amor que queres
Pudera eu gravar meu nome nele!
Então só assim poderia me gabar
De que até quando não lembramo-nos
Seremos tão ligados por laços
Por dedos, por fios de aço
Que não caberiam palavras
Nas cores que ornamentam teus olhos

(Luiz Guilherme Amaral)

sexta-feira, abril 01, 2011

a delicadeza da sua cabeça amparada
                pelo meu ombro esquerdo
e eu fecho meus olhos

é compartilharmo-nos como refúgio

momentos de esquecer a realidade

sua barba roçando na minha pele
                o prazer que é até a dor

como o barco que chega ao cáis, mas risca
                seu caminho nas ondas do mar,

são tantas essas nossas cicatrizes. 

quinta-feira, março 31, 2011

Amor



O amor é um jardim decorado com canteiros de corações partidos onde vivemos nossas incríveis estórias. Aventuras irresponsáveis que ressuscitaremos em nossos travesseiros pelo próximo milhão de noites. Pequenos suicídios emocionais, overdoses de arrebatamento, angústia, orgulho.

(Quando seus lábios encostam-se aos meus, eu penso nela. Mas sempre que ela se aproxima de mim, eu lembro de você.)


Escolhemos a confusão, nos perdemos numa mata de meias-palavras. Lembranças duvidosas, olhares de viés, promessas que jamais poderemos cobrar.

(Você trespassou o coração do meu coração como uma adaga renascentista. Eu preparei este sonho para você, mas você devorou a minha mão.)


O tempo foge e de repente é a vertigem: longe demais para chegar, muito para tentar entender, muito tarde para mergulhar. O lago secou.


(Vem a madrugada e o mundo é um borrão de fracassos úmidos. Eu volto ao conforto da montanha, meu útero freudiano no meio da floresta.)

Então nos recolhemos e aceitamos nosso papel. Somos mártires sacrificados em nome do amor. Sangramos o enredo da nossa estória, a mais triste jamais contada. Cultuamos nossa dor, procuramos a redenção. Como um epitáfio para o sonho destruído, um exorcismo, um grito lancinante.

(Porque todo o amor que sou capaz de roubar, pedir ou emprestar, não basta para aplacar essa dor. O que é o amor? Apenas um prelúdio para a tristeza. Seu objetivo é construir os verdadeiros silêncios)

Trágico é aquele que anda pelas colinas e olha atrás de si o paraíso perdido. Não tem mais nada, não é mais nada. Quer obrigar o mundo a aceitar suas lágrimas, engolir seu silêncio. O mundo tem mais o que fazer. O sol brilha. As flores são belas. O amor é patético.


quarta-feira, março 30, 2011

Antes éramos naturais
como um longo abraço
como Something após Come Together
ou descrever seu largo sorriso

Hoje tenho pouco mais que lembrança
tenho saudade
talvez saber que não deveria ser assim
ou porque em muitos lugares ainda há você

Haverá você
em cada canto do coração

Onde estão suas histórias
suas preocupações com os números
e você se vestindo para outra festa?
Antes havia sua mão
levando-me pelas calçadas

Antes éramos reflexos nas vitrines
tornamo-nos luzinhas distantes
nada mais não-natural
quando se sabe tanto um do outro

Antes éramos camaradas
hoje somos tristes quilômetros

terça-feira, março 29, 2011

giramundo




lembras?
éramos meninos
a ver o mundo a girar

e meninos
girávamos com o mundo
giros de luz ao luar

e girando
íamos girândolas
girando

girando lá...

domingo, março 27, 2011

(ainda)

http://escuchameporra.blogspot.com


olhar
e pensamento
vagos
perdidos

em algum lugar

longe

lá dentro

uma lágrima
foi encontrada

ela virou nascente
de uma cascata
que se formou
em seu rosto

ficou feliz,
sua busca não foi em vão

: (ainda)
havia vida
dentro de si

quinta-feira, março 24, 2011


Você acha que ninguém entende nada.

Olham com essas caras vazias e te

dizem; prossiga.

E as coisas te parecem tão do avesso, tudo errado.

Olha, eu tentei, fiz o que podia.

Você não acreditou.

Ás vezes é inútil querer espreitar tudo o que há por trás.

E agora,

você se sente mal ? Está perdida ? Eu te deixei sozinha ?

Díficil te dizer que sim, isto acontece.

É sempre mais fácil pensar que são os outros que não entendem o que é

estar só.


Mãos hermanas juntas
mulltiplicam o revide em mil
em defesa do que é nosso
sendo roubado pela rosa vil
soldado: busque o sangue
velho ou novo, seja o mais servil

Não se fala inglês aqui
Não se fala inglês na Patagônia

Mísseis e navios, todos são poucos
a honra do sol é maior
rasguem-lhes as fardas, deixem-nos loucos
protejam todos os nossos bens
a donzela inglesa jamais é bem-vinda
e seus soldadinhos sentirão nossa dor

Não se fala inglês aqui
Não se fala inglês na Patagônia

***

Esta é uma homenagem ao estilo "Run to the Hills", mas, situada na história da América Latina -- neste caso, a Guerra das Malvinas --, pois, neste próximo sábado, assistirei mais uma vez ao show do Iron Maiden.

Up the Irons!

(Luiz Guilherme Amaral)

terça-feira, março 22, 2011

plano A




quero
chegar de mansinho
sem guerra
sem briga
e destronar
esse rei

da tua barriga

domingo, março 20, 2011

(Para Carol)


Minha poesia é rebelde
Precipita-se
Se joga diante do lábio,
Antes vermelho,
Desbotando o batom no encontro das bocas.

Minha poesia rebelde
Acalma-se depois de seus sorrisos.

Depois de seus beijos
Minha poesia espaçada,
Vai termina zen
Poesia sossegada.

sexta-feira, março 18, 2011

ignorar os atalhos
do seu corpo: ignorar

não ir direto ao ponto

ligar todos os seus poros com dedos
e língua

caminhar por seu corpo
sem usar meus pés.

quarta-feira, março 16, 2011

Não há nada mais triste
do que a sombra de quem
deixou de segurar sua mão
e se distancia pelo horizonte.

terça-feira, março 15, 2011

mais com mais [by bb]



 

ainda
vou arrumar um meio
de me tornar inteiro

pra no teu mundo
a cada segundo
ser o primeiro

 

sábado, março 12, 2011

Estamos em 2011

Gastamos os dias à espera de que os maias

Possam dizer ainda outra vez

Rá, estávamos certos.

Tomamos notas diárias

Sobre tsunamis, terremotos, enchentes

O cataclisma nosso de cada dia

E nos perguntamos se (rá) os profetas não erraram

Por uns míseros 300 dias

Deixamos passar o tempo

Quem nesses dias se importa com o carnaval?

O ano novo começa

Depois que o mundo acabar.

quarta-feira, março 09, 2011

Você tem tantas coisas bonitas que não há como não te querer. E seus defeitos te completam de uma maneira tão única que, mesmo sendo defeitos, ainda assim você continua sendo uma das pessoas mais lindas que eu conheço -- OK, você é a mais linda, só não queria que você além de perfeita também ficasse convencida. E por você ser assim tão incrível, eu não teria outra reação em sua presença que não fosse apenas colocar minhas mãos no seu rosto e dizer o quanto meu mundo é melhor por você ser você, e, principalmente, por você me permitir tocar no seu rosto neste momento tão especial que é estar em sua frente -- o que tem que acontecer logo, porque é difícil ficar longe tanto tempo assim.

Um beijo.

terça-feira, março 08, 2011

uma balada para dois



eu
sem
mim
sou
o fim

fico
assim
sem
saber
o que
fazer
o que
ser

agora
imagina

eu
sem
você

...

pra Lu

quarta-feira, março 02, 2011

Fecho-me como livro.
Agora sou apenas folhas soltas
Esperando por um bom vento.