quarta-feira, agosto 23, 2006

Avesso

Me vira do avesso com seu cheiro de cor
Emaranhando meus pensamentos de amor
Obedecendo os sentidos, senhor.

Me faz ouvir a sua prece crua
Estremecendo minha carne nua
Oferecendo os desejos, tua.

Me abraça com jeito de céu
Escusando meu lento véu
Ofegando os sorrisos, lua-de-mel.

terça-feira, agosto 22, 2006

bolero de babel

pulou do último andar
do mais alto prédio,


nasceu coragem, m
o
r
r
e
u


t
é
d i o.


segunda-feira, agosto 21, 2006

Justificativa

Do que adiantaria
E o nada valeria
Minhas rimas brancas
E sem estima.

O não valer a pena
De cada dia
Remete-se
À todas as minhas
Frustrações.

Ciente estou
E ao indefinido vou
Em busca
De frases completas.

Rabiscando em borrões
Eu vou...
Em verso
E Prosa
Metaforizando a realidade.

domingo, agosto 20, 2006

JOANINHAS DE COPACABANA

Caras joaninhas da praia de Copacanana,

vocês são tantas
tão lindas
e tão atrapalhadas
as vejo subir e descer seus morrinhos
meio indecisas, meio objetivas
parecem-nos tão fáceis seus intentos
e no entanto viram-se de cabeça-pra-baixo
a todo momento, sem mais nem menos
onde querem chegar, pequeninas?
e haverá vento por lá?
vejo que possuem ágeis asas
mas parece que se esquecem de usar
seria sua sina quedar-se a girar?

Joaninhas de Copacabana,
não lhes digo mentira,
se eu fosse menina,
me chamaria Joana.
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música que recomendo: "Os 'pingo' da chuva" dos Novos Baianos

sábado, agosto 19, 2006

Semáforo

Ainda me lembro
daquele sono sem sonhos,
daquelas noites sem sono,
do meu viver andarilho,
da vida fora dos trilhos.

Ainda me lembro
das madrugadas sem fim,
do meu eu-mesmo sem mim,
do meu sorriso em preto-e-branco,
do meu feroz desencanto.

Ah, ainda me lembro
como se fosse ontem.
Não preciso que me lembrem,
muito menos que me apontem,
cada um dos meus erros...
Eles me assombram
o tempo inteiro.

Por isso vou devagar
e paro em cada esquina,
olho pra todos os lados
e corro ao som de buzina.

Uma pista de cada vez,
paciência
e determinação.
Só não quero ir sozinho...

Vem, me dá sua mão!

quinta-feira, agosto 17, 2006

Ah, hoje tive um dia cheio...


Há um copo cheio de
Vida
bem à minha frente...
...mas eu mesmo não estou com muita sede...

Tomo metade do copo só pra engolir meu calmante e vou dormir.

quarta-feira, agosto 16, 2006

Espirituosidade Do Universo

A vida é tanto, que se repete...
É a espirituosidade do universo.
É o próprio fundamento.
É todo o acabamento.
E nem se entrega ao sepultamento.

A vida é tanto, que se repete...
É a força que regula.
É o ânimo da ressaca.
É o tempo que nos mede.
Até finge que acaba.

A vida é tanto, que se repete...
É o fogo que não apaga.
É a fonte no meio da praça.
É o nascimento e a desgraça.
Ela começa, permeia e atravessa.

Enfim, a vida é tanto, que sempre se repete...


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Pessoas, desculpem-me por postar antecipadamente...
Amanhã, quarta, viajarei o dia todo e não terei como acessar
a net... Espero que vocês leiam o post anterior ao meu como
se eu não "estivesse aqui", tá bem? :)
Obrigada a todos pela compreensão...
E monte de beijinhos no coração de vocês!!!

terça-feira, agosto 15, 2006

in verso veritas

Todo bêbado traz por dentro
o mesmo ofício de um poeta,
tem sua alma toda, repleta
de uma espécie de tormento.


Cada gota de álcool que entra,
é uma letra da frase que sai.
Nas mãos um tremor ostenta,
palavras o seguem aonde vai.


Todo poeta é um vouyer à espreita,
com sua alma por fora a flutuar.
Sempre em busca da forma perfeita,
noutras almas que vive a espreitar.


Essas almas, que os olhos exploram,
são ricos elementos à sua criação.
E mesmo quando formas extrapolam,
há nelas um rasgo de emoção.


Bêbado, entre letras e garrafas vazias,
tento encontrar o meu caminho.
E quem sabe, não tiro por esses dias,
uns bons versos duma garrafa de vinho.


segunda-feira, agosto 14, 2006

Existência

Há dentro
Do me vasto Eu
Uma flor,
Um canto
E um pranto.

Escrevo
Para escutar
Os ecos
Do meu eterno
Breu.

E nego
Todos os dias
A existência
Desta flor.

Porque em mim
Não há perfume
Só há ardor.

domingo, agosto 13, 2006

CONVERSE

Verse comigo.
Vamos conversar.
Quero falar-te em poesia
e por-me em dia com tua arte.

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musica que recomendo: "Honor and Harmony"da banda G. Love & The Special Sauce

sábado, agosto 12, 2006

ALTO

A extensão do vazio.
O espaço erradio
entre meus olhos e o chão.

O vento frio, frio,
o movimento fugidio
das folhas ao meu redor...
e a vontade imperiosa
de retornar ao pó...

Metade dos pés
pra fora da fachada.
Metade do corpo
e quase toda a alma
à espera da decolagem.

Olho, olho, penso,
e me dou mais um dia.
Recuo, meio sem graça...
Olho a lua que nasce
e o sol que se retira.

Ainda não...
hoje não tive coragem...
Mas um dia esse asfalto
vai tatuar em sua pele
a minha imagem...

quinta-feira, agosto 10, 2006

Argila*

Ó, Senhor
que, do barro,
fizestes os homens
à Vossa imagem e semelhança...
Ó, Senhor
de tantas imagens
e zilhões de semelhanças,
explicação fácil
do destino
de tantos homens
diferentes...

Ó, Senhor...
Faz-me argila!

Quero me moldar novamente
Quero mudar
Quero ser moldado
de outra forma
Não, não quero ser um vaso novo...
Quero ser gente!
Não quero parar nas mãos de um oleiro,
mas nas mãos de um artista!
Ou de algum ser arteiro, que seja

Eu
ou qualquer outro que queira

Mas, nesse mundo
de homens que se confundem
com a Vossa imagem e semelhança, Senhor...
Neste mundo tão podre
e sujo,
ninguém quer sujar as mãos
pra moldar os outros,
pra mudar o mundo...

Em vez disso,
esperam a argila secar...
Só para ficar fácil
de destruí-los...

Bonecos de argila seca
lutam entre si
Guerreiros de terracota
cujo destino é
ficarem soterrados...

No calor dessas batalhas
toda argila do mundo
tem secado mais depressa...

quarta-feira, agosto 09, 2006

Nada É Por Acaso

     A pedrinha do sapato
A calcinha que aperta
A unha que arranha
A cabeça que lateja.

O menino da janela
O cachorro que atravessa
O trovão da tempestade
O aviso da entrada.

A amiga que suspira
A calçada que separa
A corda que arrebenta
A fita que desamarra.

O olhar de negação
O tocar de uma canção
O ardor de uma versão
O amor do coração.

A bandeja que cai
A raiva que esvai
A vagina que contrai
A beleza que atrai.

O cabelo que balança
O caminho que percorre
O fim que se alcança
O desejo que escorre.

A amante do vizinho
A cadeira que amolece
A tinta no finzinho
A vida que anoitece.

O leite com aveia
O passarinho que assobia
O homem que passeia
O remédio que alivia.

A antiga bicicleta
A viagem perfeita
A bebida predileta
A seta que acerta.

O calor da fogueira
O fruto da macieira
O pingar da torneira
O coser da costureira.

A batida que enlouquece
A comida que enfraquece
A menina que esquece
Admiração que envaidece.

O peso do cansaço
O valor do abraço
O frio do aço.
É. Nada é por acaso.

terça-feira, agosto 08, 2006

Líbano blues

       pedra atirada,
guerra por tudo,
terra por cada.
pátrias partidas,
magnânimas magnólias
despetaladas,
romãs caídas,
Roma queimada,
nem Nero
nem Homero,
dar em nada
é tudo o que quero.


matar, quando
deveria ter sido.
quem sabe assim,
hei de conquistar
esse império falido!

segunda-feira, agosto 07, 2006

Enquanto isso
Nada acontece
Só o nada permanece
E tua lembrança não me aquece.

Enquanto isso
Vem na lembrança
O amargo da vingança
E só tenho desesperança.

Enquanto isso
Eu nada durmo
E em tudo escuto
As palavras que não foram ditas.

Enquanto isso
Percebo que
Não tem fim ...
Estamos sós.

domingo, agosto 06, 2006

RIMÉTRICA


Tudo é métrica.
Não simétrica,
mas "rimétrica".
Essa é minha estética.

Nem tétrica,
nem epilética,
às vezes bélica,
às vezes médica.
Essa é minha estética.

Escalafobética?
Não, não quero usar essa palavra esquisita,
não sei o que significa.
Não vale a rima.
Hipnótica?
Queria eu... queria.
Histórica?
Fantasia...

Essa é minha retórica.
do dia.

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música que recomendo: "Mesmo Que Mude" da banda Bidê ou Balde

sábado, agosto 05, 2006

SEIS

Amanhã
em cima do bolo

mais uma vela...
O passado espreita.
O futuro espera.

Amanhã
mais um dos trinta e poucos
me cumprimenta.
Sabor agridoce.
Chocolate e menta.

Amanhã
o amanhã será hoje
e depois ontem.
Se eu não perceber,
por favor, me contem.

Amanhã,
brigadeiro, foto,
abraço e presente.
Dejà vu...
infiniiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiitamente!

quinta-feira, agosto 03, 2006

Simples assim

Certas coisas
são assim...
Na verdade,
todas são...
As coisas são
o que elas são!
Não tem porquê!
Não tem razão!
Ou porque sim,
ou porque não!
Apenas são!
Simples assim...

quarta-feira, agosto 02, 2006

De onde vem a saudade
Que ora me invade
Assim
Sem piedade?

De onde vem a saudade
Que ora me esconde
Assim
Sem identidade?

De onde vem a saudade
Que ora me divide
Assim
Sem metade?

Não tem cor, nem idade
Não é mentira, nem verdade
Enfim,
De onde vem essa saudade?

terça-feira, agosto 01, 2006

noite a dois

Acordei com um poema ao meu lado,
a sorrir-me complacente,
assim como sorri quem sente,
um desejo contemplado.


Era um poema, simplesmente,
de estrutura harmoniosa,
e um trejeito atraente,
com cara de quem já foi prosa.


Tinha um calor malogrado
um certo cheiro de puta,
cheiro de quem vai à luta,
e que lutou ao meu lado.


Ficamos ali nos contemplando,
como a lembrarmos de ontem,
num calar eloqüente esperando,
o que os lençóis nos contem.


E no silêncio que fez crescer,
dentro daquela mudez combinada,
saiu-lhe esta frase cansada:
“e aí, foi bom pra você?...”