sexta-feira, agosto 10, 2007

de noite na cama

ela se tocava louca
ela sussurrava rouca
no ritmo do blues
ela fazia o teto
ser céu todo azul

quinta-feira, agosto 09, 2007

Sobre paisagens*


Mas há um infinito de ângulos possíveis para se apreciar uma paisagem.

Infinitos pontos. Infinitos.

Mas creio que não temos --e nunca teremos-- toda sensibilidade necessária para apreciar cada nuance, cada detalhe...

Mas isso não nos impede, em nada, de apreciá-las...




Inspirado em --e até meio que como resposta a-- este escrito da nossa amiga Juliana Pestana, do Mendoscopia.

=)

quarta-feira, agosto 08, 2007

Constante Variável

O tempo é uma palavra pequena,
que rege a orquestra humana
e coreografa com a vida.
É o escritor romancista
que faz o terror necessário
na suprema narração.
É o divisor das águas
e a condição meteorológica
da paciência.
Ele pode fechar,
pode durar,
ou simplesmente parar.
É um sim,
muitas vezes não,
e a mais absoluta razão.
É a época,
passado, presente e futuro,
totalmente eficaz,
apesar de escuro.
É um sabido remédio,
de solução razoavelmente dispendiosa,
que cura todos os males.
O tempo é o verdadeiro reconhecimento
da eterna lealdade
no meio de todas as perdas e ganhos.
É a pura mágica,
é altamente trágico,
e agradavelmente cômico.
É confortável,
mesmo que provisório,
assim como um casório.
O tempo é o resgate
da alma em apuro
no mais profundo íntimo.
É um tesouro,
tal qual um oásis,
habitando o coração.
É uma rocha
esculpida pela brisa
que acalenta o destino.
O tempo é mesmo o fim,
é a constante variável,
e o desmedido recomeço...

terça-feira, agosto 07, 2007

poema sem título para um dia de chuva

acenda a luz
da retina,
acorde
aos seus acordes
a menina,
dos olhos afaste
a neblina,
descarte
o corte seda
da cortina,
ouça do silêncio
a nota mais fina:
tédio -
não se alimenta
de rima.

segunda-feira, agosto 06, 2007

Ecos

Pequena imensidão
Devasta
Meu limitado ser.

Vago em desespero
Por lugares
Desabitados.

Tentei reescrever
Todas as cartas
Em vão...

Desacordada me vi
Sangrando e
Em pedaços

Corrompi
Meus princípios e
Pudores.

Rompi os laços
Com a realidade
Com a verdade
E com a vida.

Espelhas a minha alma
Miro-me em teus passos
Em ti me desencontro
Todos os dias.

Morri e sei
Perfeitamente quando,
No dia em que
A ti conhecia
.
.
.
.
.
Saudações queridas ao nosso poeta Moacir Caetano!
Parabéns caríssimo!
Felicidade Sempre e muito Amor!

domingo, agosto 05, 2007

ante

Querida é importante
que entenda da gente
o fato seguinte:
já basta o horizonte,
do além não pergunte.

sábado, agosto 04, 2007

Esquecimento

Algum dia alguém
em algum lugar
me esquecerá.

Algum dia alguém esquecerá meus poemas,
meu jeito bobo de ser, meus dilemas,
minha gargalhada estridente e aguda
e meus dias ocasionais
de canalha filhadaputa.

Um dia alguém ouvirá meu nome
e isso não lhe dirá
absolutamente nada.
Meu rosto, só um incômodo arranhão
em sua memória congelada.

E a partir dali, não mais existirei
como coisa física
e sumirei
como num passe de mágica
numa sequência lógica.
Até que, em algum dia,
outro alguém me esqueça.
E outro, e outro, e outro,
até que eu desapareça
como num passe de mágica...

e enfim descanse, poeira cósmica.

sexta-feira, agosto 03, 2007

Doce Solidão

Um doce
amarga
a calda.

Um pote de vidro
guarda a solidão.

Na etiqueta:
Morte em pedaços.

Eu abro,
Meus cacos
E corto a alma.


ps: E um pouco tardio, mas necessário, deixo o agradecimento em nome de todos ao carinhoso post de Bill em sua Realidade Torta. Obrigada, querido!

quinta-feira, agosto 02, 2007

Bungee-jump

Me vi
outra vez
à beira do abismo...

Pulei.

Agora aqui estou
suspenso em pleno ar...
Que merda! Esqueci
de me desatar...

quarta-feira, agosto 01, 2007

minhas curvas balaçam
nesse caminho confuso
da minha imaginação
[corre-corre]
nos esconderijos
dos meus diários.

um caos em forma de promessa,
uma pressa que só sabe arder,
e uma cama à minha espera...

se a coragem vier,
eu torno-me luz e
esclareço essa
[ou aquela?]
imensidão que é decidir.

terça-feira, julho 31, 2007

primeira página

você fica
linda assim,
sorrindo marfim
sol pra mim,
você louça fina,
adereço
da minha retina,
você,
minha cara,
minha cura,
minha mais rara
caricatura,
meu Van Gohg
muito além
dessa moldura,
sorrindo marfim
sol pra mim
em pleno jornal,
New York
dando um “time”,
que tal?
você na tevê
em rede nacional,
via satélite,
e no fundo
do meu quintal,
aquele seu vestido
em seda pura
ocupando espaço
no meu varal,
que tal?

segunda-feira, julho 30, 2007

jornada

Caminho sozinha
Minhas mãos esfriam
Sinto o vento no rosto
E a aspereza do chão...
Avisto ao longe
(o que penso ser miragem)
Penso em querer acreditar
E sigo acreditando.
Aos poucos e lentamente
Tento pensar
Dramatizo o que seria um encontro
Perco-me em falas e gestos...
Levo as mãos ao rosto
Elas permanecem frias.
Agora vejo crianças
Elas acenam que não
Então paro
E acordo...
Suores gelados e mãos aquecidas.

sábado, julho 28, 2007

Herança

Meu filho, um dia
tudo isto será teu...
essa vida esquisita,
cheia de mistérios insondáveis,
e melancolias infinitas...
esse desespero, esse mergulho no breu!

Meu filho, tudo o que tenho
passará a ser teu.
A pobreza, a enxaqueca,
o medo, a dor de cabeça,
o ar poluído, o desejo pelo proibido
e a dor de quem se esqueceu...

Meu filho, minha herança
será tua maldição e tua bonança.
E tuas lágrimas secarão
e teus braços se cansarão
e tua piedade se aquietará
ante a sombra que virá.
E roubarão tua esperança.

Mas, meu filho, que maravilha
quando enfim chegar o dia
de nascer um filho teu.
E saberás que não está sozinho.
Tens alguém pra dividir
o pouco do teu carinho
e a carga que Deus lhe deu.

E olharás aquele rosto inocente
de quem ainda não aprendeu a ser gente
e lhe dirás, mostrando o horizonte:
"Meu filho, toda essa dor,
que vês aqui e ao longe,
tudo o que em ti se esconde,
tudo isso um dia será teu!"

quinta-feira, julho 26, 2007

Vida (ou qualquer coisa que a valha)*

Cores
ou quaisquer paisagens admiráveis aos olhos
Música
ou qualquer som que agrade aos meus ouvidos
Cerveja
ou qualquer outra bebida de teor alcoólico
Amigos
ou quaisquer pessoas que gostem de mim, e eu, delas
Comédia
ou qualquer estória que me faça gargalhar
Poesia
ou qualquer rima ou prosa que me toque o coração
Amor
ou qualquer que seja o sentimento-base prum bom relacionamento
Dor
ou qualquer coisa que limite o ser desmedido
Castigo
ou qualquer sofrimento que me lembre do outro lado da moeda
Objetivo
ou qualquer idéia que eu queira concretizar
Força-de-vontade
ou qualquer coisa que me sirva de motivação
Prazer
ou qualquer sensação boa como voar por si só
Sonhos
ou quaisquer devaneios escondidos na mente insana
Verdade
ou qualquer fato em que eu possa acreditar

Enfim...

Vida
ou qualquer coisa que a valha

quarta-feira, julho 25, 2007

tatue o sol na pele
e abrace a sua vida
todos os dias...
fale sempre com a lua
e nade pelado
nos seus sonhos...
salpique estrelas na alma
e encante as árvores
do seu jardim...
engane o tempo aos versos
e dance ao som
da sua energia...
[porque as tempestades
só acontecem
quando está chovendo!]

terça-feira, julho 24, 2007

segunda-feira, julho 23, 2007

marasmo

Em falta e em desatino
Papéis voam
Emoldurando o marasmo.
Cadeiras vazias e quebradas
Aguardam visitantes noturnos.
Por mais que eu trema
Por mais que busque sentido
Tudo desfaz...
Acordo entre cordas
Surdas e sonoras
Num acordo profundo
Selado em segredos...
Cadencio e silencio
Batidas que ecoam n’alma.

sábado, julho 21, 2007

Na Mosca

Teu alvo meu peito não serve mais.
Crivado (balas e ressentimentos).
Corroído (sangue e lágrimas).
Destruído (lástimas do tempo).

O centro do alvo, coitado,
nem mais existe como coisa física...
só como ausência e sofrimento.
E teus projéteis me atingem como que por música.

Meu peito, querida, já não serve mais.
Desfez-se.
Pó e ar.
E tuas mãos habilíssimas
terão que encontrar outro alguém pra praticar.

sexta-feira, julho 20, 2007

A poesia (mente)

A poesia está na sala.
Nos restos em cima da mesa.
Inquieta e sedutoramente viva.

A poesia está no quarto.
Na poeira debaixo da cama.
Tranqüila e assustadoramente só.

A poesia sorri,
Debocha e diz:
- A poesia não está.

E assim a poesia descaradamente é.

quinta-feira, julho 19, 2007

*

O Tempo vai passar
por aqui
e por todos os lugares,
como sempre

Não vai sobrar nada

O Tempo já passou
e, quando passou,
enterrou
cidades inteiras

O Tempo passa
e nada
nem ninguém
o detém

O Tempo vai passar
arrastando a areia
que cobrirá os escombros
e a nossa memória

E tudo se tornará
História