segunda-feira, abril 14, 2008

verdades.

ignore as aparências.
as pessoas são sempre
um tiquinho mais frágeis
do que a gente pensa.

sábado, abril 12, 2008

Bode Count

Trinta e poucos anos...
mais perto dos trinta
que dos quarenta, salvo engano.

Uns tantos tropeços bobos.
Uma fama - imaginem! - de louco.
Uns ainda poucos cabelos brancos.

Infância veio e se foi.
Adolescência veio e se foi.
Sobraram-me feijões mexicanos.

Passada a era dos sonhos,
restam, ainda, risonhos,
planos de fuga y camiños lejanos!

sexta-feira, abril 11, 2008

sensatez

você merece o chute
mas fiz minhas unhas hoje
eu não mereço o risco

então fica
e me faz uma massagem

quinta-feira, abril 10, 2008

grãos ao alto


Somos o que somamos,
mil danos por ano.
Somos somenos,
grandes pequenos.

Somamos bem mais
que menos;
dores a mais,
danos amenos,

E se não amamos,
salvo engano,
eis o que somos:

Nem Mars, nem Vênus.

quarta-feira, abril 09, 2008

de olhos bem abertos

meus olhos vêem coisas
quase que psicografam memórias
claras e provocadoras
ficam a rondar-me
feito curumins encantados
luzes, lágrimas e sentidos
a rodar e rodar
...
fecho os olhos
encerro a sessão
volto a viver.

terça-feira, abril 08, 2008

(Nem tão João Cabral, mas em homenagem ao tal)

Quando a faca é só lâmina,
nem o bom poema
(desfeito do melodrama)
a trama anima
ou a rima ajeita:

é a conseqüência d'alma
(ou d'uma dama)
feito corte.


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* Amigos, em uma semana lanço meu livro, confiram aqui.

segunda-feira, abril 07, 2008

é, coraçãozinho doce...

Repare bem
Já não se escuta mais
Gente se chamando de meu doce
Honey, sweetheart
Essas coisas de casais
Nesses tempos de adoçante
Que já dizem bem na caixa:
Prazer sem culpa.
Essas coisas de amantes.

domingo, abril 06, 2008

1 / 10.000.000

Se você estivesse aqui
ao meu lado
pra somar
10.000.000 não teriam importância nenhuma
Seríamos 2 inteiros

Agora que me vejo só
1

entre
10.000.000
a proporção é bem píor

sábado, abril 05, 2008

Passeio

Adoro essas cidades feitas de nuvens
e seus belos arranjos.
Mas por elas não se pode andar.
A não ser que se seja anjo.

No pavimento branco refletiu-se
o branco-azul do firmamento.
As mãos se soltaram
e os olhos sorriram
a imensidão do momento.

Adoro esses espaços feitos vazios
e sua eternidade.
Mas poe eles não se pode voar.
A não ser que se seja saudade.

quinta-feira, abril 03, 2008

fogueira ou não queira

viver é fogo lento,
coisa que não pede pressa,
leva muito tempo.

viver muito me interessa,
coisa a que me sujeito,
e pago o preço,

até que a morte
nos depare,

mera mudança
de endereço.

quarta-feira, abril 02, 2008

ode ao casamento

Olha, eu te amo tanto
Que esqueci o quanto
Era bom estar apaixonada por você...

terça-feira, abril 01, 2008

Moderno moderno

O poeta moderno,
moderno literalmente,
faz do bloco de notas
do celular seu caderno.

segunda-feira, março 31, 2008

musa do dia

Hoje eu não saio,
Estou sem pilha.
Hoje,
Hoje eu me quedo
na bastilha
Feche as portas,
As janelas
E os buracos que dêem
Pro país das maravilhas
Hoje eu canto mais nada
a melancolia e só a melancolia.
é, amigo,
Cada Dirceu
Com sua Marília.

sábado, março 29, 2008

Aterrissado

Tenho asas, mas não vôo.
E força terrível me prende à terra.
A gravidade, mil vezes multiplicada,
guarda em si minha fluidez
e em sua cúpula me encerra.

E mesmo que eu grite, pássaro,
enfraqueço-me, súbito,
e entrego-me à inércia.

Continuo minha vida.
Com a fúria de quem chora.
Com a tristeza de quem versa.

quinta-feira, março 27, 2008

um não-poema

Este poema não está aqui,
você não o está lendo,
eu não o escrevi.

Este poema não foi feito para existir,
não deu no jornal,
e não está no gibi.

Este poema é uma mentira,
não acredite nele, não!

Extinto seja todo poema
que fale de solidão.


quarta-feira, março 26, 2008

contramão

és todo instante
somos vez por outra
sou universo paralelo ao teu

(coexistimos)

em essências, dores e ardores
nossas lembranças
rotina que faz meu dia
se perder no teu
em frascos de saudade
em doses cavalares de solidão
sigo em rodovia nua
na contramão

terça-feira, março 25, 2008

PARODISTAS TAMBÉM AMAM

O poema é um fim de dor.
Finda tão parcialmente
Que nega que já findou
A dor que o poeta sente.

E quem lê o que descreve,
A dor finda vê também,
Não a que o poema obteve,
Mas uma nova que vem.

E assim as almas de agora
Ficam sem ver a razão
Dessa paródia calhorda,
Mas feita de coração.

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* Este poema é uma brincadeira com o clássico
Autopsicografia do Fernando Pessoa

segunda-feira, março 24, 2008

lógico

Miopia, hipermetropia, utopia.
Taí.
Tem mesmo nome de coisa de quem não enxerga o que tá acontecendo.

domingo, março 23, 2008

Como restos de ovo de chocolate que sobram da Páscoa




Juntando os cacos e farelos que sobraram...




É...
Até que dá pra se aproveitar algo ainda...




Alguém aí quer um pedaço?