quinta-feira, julho 22, 2010


Depois de um punhado de dias em que o sol

é rotineiramente arremessado e depois afunda de novo,

é difícil ver sentido na pequeneza das coisas.

A vida é um pouco como essa semana;

os começos cada dia mais distantes,

a qualquer momento começam os finais.

Quinta-feira.

Sempre a sensação de borbulha quase explodindo,

de vai-ser- agora.

Momento tão desarrumado, cheio de ecos

do passado que correm e se misturam com as expectativas do futuro.

Dias inquietos como crianças no escorregador.


quarta-feira, julho 21, 2010

Abrem-se as cortinas
chegam os artistas.

Hoje é o dia de torcer e comemorar
é dia de convidar os amigos para beber
Todos viram especialistas
sacodem as mãos mostrando suas aflições

Sim, meu caros!
É dia de futebol na televisão!

Quarta-feira:
o dia em que temos ópio gratuito
eletrônico

Santa Quarta-feira!

(Luiz Guilherme Amaral)

terça-feira, julho 20, 2010

segunda-feira, julho 19, 2010

Anunciação

Foi numa segunda-feira que ele chegou.
Aquele que nunca havia existido.
Aquele que mal me olhou
e já foi me arrancando o vestido.
Aquele que não me esperou
e em menos de um minuto em mim jorrou
seu gozo feroz e compulsivo.

Foi numa segunda que ele me arrancou
do mundo em que eu havia sempre estado.
Beijou minha boca, me agarrou
e me jogou num quarto desarrumado.
Me mordeu, meteu, me conspurcou,
me fez esquecer quem fui, quem sou
e me deixou com esse olhar apaixonado.

E foi nessa mesma segunda, já quase terça-feira,
que ele me deixou jogada na poeira,
me chamou de piranha e vagabunda
e bruto, me meteu o pé na bunda,
e foi embora sem dizer pra onde ia,
sem boa noite, boa tarde ou bom dia.

E foi nessa segunda,
já quase em terça transvestida,
que beijei a boca da morte
e abandonei os braços da vida.

domingo, julho 18, 2010

Domingo eu te compro uma flor.

Andar de trás pra frente,

Reinventar o riscado,

Tudo certo e quase nada.

Dia de bingo!

Sorte ou azar?

O que vale é ter amigos!

Ter o que reinventar.

A sunday in a sunny day. Sunday!

Assim, feito ode,

Ou quase ódio para outros,

O meu, o teu, o nosso (que nem comercial depois do Faustão)

Domingo pede cachimbo,

Também pede carinho

E que compre uma flor.

Ode aos dias

Senhoras e senhores, caros webpectadores!

Quem acompanha este blog já viu que ultimamente estamos passando por várias mudanças.
Desta vez, perdemos Moa e Jeff, duas das cabeças mais antigas...
mas não se preocupem! A sua poesia diária está assegurada com a presença de Maria Ana e Luiz Guilherme :)
E é com grande prazer que apresentamos a semana Ode aos dias: cada poeta vai escrever em homenagem a seu dia da semana.

Vem com a gente?

sábado, julho 17, 2010

antiquário

como uma criança
que não entende a existência de um bisavô
e chora
porque essa pessoa tem outra forma
e cheiro de guardado
e não entende a fraqueza
ou a insistência em beijos molhados
e não entende a pele de papel amassado
ou a língua morta que ele fala
que de tão assombrada
não entende a surdez
não entende a velhice
não enxerga o amor
até que seja
tarde

sexta-feira, julho 16, 2010

andança

quando você disse

reparar e detalhou
perfeitamente
o meu andar:

pernas esticadas &
mãos na cintura
o corpo branco,

o som dos passos
ecoando pelo nosso quarto até
o meu parar a centímetros do seu rosto

eu só escutei o seu
amor.

quarta-feira, julho 14, 2010

First

Na sequência de dias sou fourth
mas, como todos eles, também sou first

Se é para fazer chorar
rir
machucar
discutir

Nisso não posso ser last
pois agora estou com eles
todas elas
todos eles
todos esses firsts

Amadas heads

(Luiz Guilherme Amaral)

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Cheguei onde queria. Sou uma cabeça. Nem acredito!

sexta-feira, julho 09, 2010

me gusta Gusta

Gustavo me diz que
a tempestade passou

la realidad son ruinas.

mas tão rápido acostumei-me em
casaco & cobertores
dentro de mim

aconchegar-me

e permanecer

diferente do que deveria

deveria ser
uma fuga
com botas pesadas

pisar o que
desmoronou
pela água e pelo vento:

passado.

(é março
e difícil viver
alheia às expectativas)

corro pelas ruas
segurando forte em suas mãos

só minha mente vai

enquanto dou corda no despertador
para tudo terminar e logo

fingindo voltar
ao tempo

bom do nosso sentimento.

quinta-feira, julho 08, 2010


Oito e meia da noite.

Ela hesitou em ir à loja comprar a garrafa de sidra.

Nervosa, as mãos tremendo. A velha de bobes no cabelo não disse

nada, por certo achou que era para os pais ou tios. O ônibus veio logo,

lá dentro um silêncio de gente cansada. Noite de tantas promessas,

ela não sabia se estava a perceber realmente as coisas.

Meia hora, uma rua e um número.

A casa imensa cheia de gente e música.

Eles a deixaram entrar, sorriram para ela.

E as pessoas que ela pensava que conhecia estavam tão estranhas,

fora de controle. Nenhuma delas era desse jeito na escola.

Sentou-se numa cadeira na varanda, desnorteada.

Por toda parte os ruídos, aromas estranhos, sugestões de loucura.

Passaram-se os minutos (ou horas, ela nunca soube).

Foi quando ele a encontrou.

Ele foi direto até ela, como se seguisse uma deixa.

A conversa inexplicável, plena de meias-idéias.

Levou-a ao jardim, e ela sentiu o perfume da terra e das árvores e viu as chamas irresistíveis que saíam dos olhos dele distorcendo a sombra da lua.

Ela estava encantada.


E passa da meia noite, o último ônibus já partiu. Os pais vão enlouquecer

quando souberem o que ela fez. Ela mesma quase não acredita,

nunca tinha sentido nada parecido. Mas não importa, é como

se não importasse. Na saída, ele ainda diz, num último sorriso:

"Espero que não esqueças de tua primeira festa."


terça-feira, julho 06, 2010

como assim?

Não é culpa sua
Minha vida gira em torno de um objetivo pouco circular
Não sofrer
Não existe isso
Porém
Daí foi gestada a covardia
E a esquiva
Daí peneirar na polenta
As pepitas de ouro
Que eu chamarei de amigos
E demora
A menos que haja um milagre
Mas eu pouco faço de milagres que não seja desperdício
Eu risco milagres feito fósforos
( a eletricidade não é afeita a milagres, eles se apagam)
Eu bem sei
Eu sou forte e ferrenha de unhas largas
E sou mais feroz que sei quantos animais
Mas não se eu já fui atropelada
Apenas ontem
Não que alguém saiba
Porque eu não sangro
Pra fora
Mas não é culpa sua
Me dizer o que eu me digo
O que me custa 18 horas por dia
De sutil persuasão
Para não acreditar.

(assim.)

domingo, julho 04, 2010

Pródigo

até as palavras faltam
quando há pobreza
de espírito

não há recurso
que me sirva
agora

humildemente
volto
ao chão

não posso mais voar


Com este escrito, também eu encerro minha participação deste tão querido Blog de Sete Cabeças.

Guardarei para sempre na lembrança tudo de bom que este espaço me trouxe. E é muita coisa boa! Muita gente boa! Muita poesia boa!

Mas chegou minha hora de partir. Deixo este espaço para quem possa usá-lo melhor que eu.

Abraço todos vocês agora. =)

E Poesia sempre! (Sim, caro Moacir! Poesia sempre!)

sábado, julho 03, 2010

45 do segundo

O drible, em busca do gol.
É isso a vida.
Corremos no meio de campo, todo o tempo.
Chutando dali, chutando daqui.
O pé na bola, a cara na grama.
E tudo é zero a zero.

Uma vitória ali, outra aqui.
O juiz contra.
A torcida contra.
A Nike, a Rede Globo, a CBF, todo mundo contra.

E a gente continua jogando.
Fazendo falta, levando empurrão.
Uma bola na trave, um carrinho, um gol de mão.
Tentando sair do empate.
Tentando vencer o embate.
Tentando vencer as feras.
Tentanto domar a esfera.

Até que um dia não dá mais.
As pernas doem, o corpo se entrega.
A cabeça só quer descanso.
E como se jogássemos
na casa do adversário,
e empate nos parece glorioso.
Embora no fundo saibamos
que na maior parte do tempo
o jogo foi horroroso.

Mas no momento final
esquecemos todas as contusões,
todo o esforço, todas as decepções,
esquecemos a derrota completa
e carregamos em nossa memória
aquele lindo gol de bicicleta.

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Última postagem por aqui.
Dias maravilhosos, momentos gloriosos.
Obrigado a todos que em algum momento participaram.
Obrigado a todas as cabeças e a todos os leitores.
Poesia sempre!

terça-feira, junho 29, 2010

na torcida

Seja no amor
ou no futebol
(na cama
ou na grama)
A gente gosta de fazer
GOL!!!
...Enquanto o drible
Não sabe onde
encontrar sua esfera
O pé se inibe
numa jogada
Improvisada
E num lance
De felicidade
O melhor resultado
É o empate

segunda-feira, junho 28, 2010

verde novo

eu quero sair deste empate
nem que isso me mate
no peito
meu coração é esfera
que eu ajeito no pé
e até deito na grama
uma cama pro sonho de toda essa gente
que grita, que vibra, que sente
cada gol, cada vitória ou derrota
a gente dribla a rotina até não ter
mais volta.

domingo, junho 27, 2010

segue o jogo

a gente
mete o pé
leva drible
come grama
nessa porra
dessa vida

mas
segue o jogo

rola a esfera
busca o
gol

(não adianta
reclamar:

segue o jogo)



Em ritmo de Copa do Mundo, as Cabeças entram em campo para mais uma Semana Divertida!
Escritos que nos remetem a essa paixão tão descabida - como talvez sejam todas as paixões - nossa, que é o futebol! Paixão essa que se aguça mais em tempo de Copa do Mundo!
Toda malícia, todo ludismo, toda poesia que há presente nessa grande festa nos servirá de inspiração nessa Semana Divertida!

E comeeeeeeeeeeeeeeeeeça o jogo!!!

sábado, junho 26, 2010

Fabuloso

Ele veio primeiro.
Eu, na entrada da área.
Algo me dominou por inteiro.

Com um movimento simples, mas bem executado,
projetei a bola por sobre a cabeça do coitado.
Suavemente, ela quicou no gramado.

Após um leve movimento ascendente,
ela se ofereceu, como um presente.

Enquanto, num átimo de segundo,
pensava eu no que fazer em seguida,
veio o outro, com um rosto assustado
e uma pressa quase que suicida.

Quase que sem pensar, fiz aquilo novamente.
Dessa vez, num movimento mais abrangente
(já que a bola se encontrava no alto)
desloquei-me de modo imponderável
até o encontro com o inevitável.

Na minha cabeça, se desenhou o que seria feito:
mataria a bola no peito.
Mas, de alguma estranha maneira,
ela se deslocou um pouco à direita,
como a fugir do meu perfeito projeto.
Com medo do fracasso completo,
estiquei um pouquinho meu braço
e a interceptei no espaço.

Após meu subterfúgio ela alçou voo,
e rapidamente se posicionou
à minha completa disposição.
Não pensei com a cabeça, mas com o coração.
E com o coração, e não só com a chuteira,
fiz vibrar uma nação inteira.

Não é que eu queira me fazer de gostoso,
mas é exatamente por essas e outras
que me chamam O Fabuloso!