terça-feira, julho 12, 2011

Cinco poemas da cabeça insana de Sandra

ENQUANTO FALO

Enquanto a mão explora
A pele exposta
E contorna a forma firme
Que se mostra...
Enquanto a língua se enrola
Nos pelos e faz o desenho da trilha
Que vai do umbigo à virilha
E é percorrida pelos dedos
Enquanto os lábios se molham
Na saliva que engulo
E misturo com o sêmen
Que me jorra por dentro
... Você lateja e me beija,
completo e saciado
enquanto na boca guardo
(ainda ereto)
o gosto do falo


BRAILE

Tenho em relevo, na pele,
Os sinais e apelos
À espera das tuas digitais
Para lê-los

DIAGNÓSTICO

Meu músculo sem juízo
deixa-me este aviso:
“via coronária em reforma!”
Nada mais me informa
(Desconfio que esteja apaixonado!)


ELE LÍRICO (OU POEMA MACHO)

Nem tire sua roupa,
menina!
se o que você quer
é fazer amor...
Não me venha dizer
que só quer transar...
que eu tenho horror!
Ouça bem, garota,
caia na real:
essa coisa de acasalar
só rola no mundo animal
Todo esse papo aí...
tá fora de moda
sexo comigo
é foda.

DUETO

(para Múcio Góes)

Sem estilo
Sempre repito
O desgastado
Estribilho
Enquanto você
Num estalo
Faz um poema
ducaralho

segunda-feira, julho 11, 2011

5 czarices

continuando os festejos desses 5 anos do B7c!
1.

E de repente os dias ficaram cheios de um contentamento que mora por baixo de todas as coisas, nas próprias entranhas da existência. Não aquela felicidade quase dolorosa , na qual o peito se expande e quase quebra a caixa torácica de dentro para fora que eu tenho às vezes. Apenas um contentamento de morder um pêssego e ver o suco doce e cristalino escorrendo entre os dedos de tão pleno. Como tudo mergulhado em mel, não por açúcar nenhum, mas pela luz amarela dourada que chega morna e bonita, passada por esferas de âmbar, mas que, não, deixa-se cair direto desse azul mais alto. Um filme pausado um segundo antes da flor eclodir e um segundo antes de começar uma música que talvez você fosse gostar. Um céu mais alto. Porque às vezes eu me esqueço que eu preciso de tão tão pouco pra ser ventura assim.

E como diria o regi: e agora vamos viver, porque viver é et cetera.

2.INCERTO

e que vidente irá abrir as entranhas de um peixe e ler, não o futuro, mas suas próprias vísceras?

e que astrólogo olhará para cima e enxergará, não deuses e feras, mas a perfeita cúpula azul que o guarda?

e que relojoeiro quebrará o relógio para consertar o próprio tempo?

e que cigana pisoteará os vidros de suas poções, sangrando os pés e se apaixonando pelo chão onde pisa?

e que cartomante virará as cartas cruelmente, sabendo que a sorte se decifra apenas nas costas de seu baralho?

e que quiromante, me vendo as linhas da palma, enxergará o fio rompido que era a criança que eu levava e que um dia,

no meio da praça,

soltou minha mão

3. O QUE JACK NÃO DISSE

seria tão mais fácil
ser uma mão , um braço
(ou a vesícula, o baço…
até mesmo um joelho!)
que qualquer aparelho
entende sem embaraço.
Mas se olho no espelho,
sentido não faço
sou um ser inteiro.
Invejo os pedaços.

4. ESTRELAS DECADENTES

as pessoas perseguem sonhos
como crianças correm atrás de bolhas de sabão
porque é divertido
não me importo se alcanço ou não

as pessoas perseguem sonhos
como um cão atrás de um carro
não por que o quero realmente
só estou tirando um sarro

as pessoas perseguem sonhos
como um cão acompanha o dono
porque estes sonhos, quando alcanço
me ninam em noites sem sono

as pessoas perseguem sonhos
como um gato persegue um rato.
porque quando eu alcanço um sonho
eu mato.

5. DARKSIDE

todo escritor
tem pensamentos obscuros
a massa cinzenta é preta
de nanquim
daí pros pensamentos
passarem pro papel
é simples
assim

sábado, julho 09, 2011

Da cabeça do Moacir Caetano

Sala de Espera



1.

Juliana gosta de portas abertas.

Ela passa com seu andar apressado
e, com um gracioso movimento de mãos,
desliza o par de portas, solenes.
O sol inunda a sala pelos amplos desvãos.

Outras atendentes passam e
com olhar contrariado
percorrem os trilhos no sentido contrário.
O sol se esconde
e só resta o ar, condicionado, coitado.

Até que venha Juliana nos salvar novamente
e com seus cabelos longos e negros
faça o sol ressurgir de repente.


2.

A mocinha loira piscou o olho.
Não pra mim.
Mocinhas não me piscam mais o olho.
Já estou meio assim assim.

Somente um tique.< br />Um pouquinho estranho, mas gracioso.
Nada que muito signifique.

Ao celular, ela pisca o olho e sorri.
Provavelmente pra alguém
que ela queria que estivesse aqui.


3.

"Mara Lúcia", a atendente chama.

Levanta-se uma jovem senhora,
levando consigo suas múltiplas plásticas,
seus desejos e seus dramas.

Pode ter quarenta anos ou sessenta.
Nào se sabe, impossível.
Mas é difícil acreditar
que o antes fosse mais risível.


4.

Eu, bicho mais que estranho,
recolho-me ao meu caracol...
rezando por uma rápida espera
pra aproveitar o restinho do dia
e sua cota mínima de sol.

Concreto

Sinto falta da minha flor
nascendo em meu corpo cinza.
Sinto falta do que nunca foi
porém sempre é, ainda.

Sinto falta das suas raízes
infiltrando-se em meus interstícios.
E em minha pele de cimento e areia
ainda queimam
suas pegadas, seus indícios.

Sinto uma saudade sua, sempre
que o sol ascende e se acende.
E essa vontade de penetrar
sua pétala luminescente...



Ao csap

Um dia Deus acordou se sentindo estranho.
leve demais... vazio demais...
uma tranquilidade, uma paz...

Tentou pensar no que lhe acontecia
mas não podia!
Algo em seu cérebro estava imperfeito.
Não se sentia onipotente, onisciente...
Algo não estava direito!

Tentou ouvir as milhares de preces diárias,
as súplicas, as lágrimas várias,
os cânticos de dor e de agradecimento,
o coro infinito e lamuriento
dos pobres seres humanos....
Mas devia haver algum engano!

Nada, nada estava lá.
Nem as procissões, nem o professar
da fé em corredores escuros,
nem os confessionários,
nem os doadores milionários,
nem os dízimos suados de quem não tem pra dar.
Nada de sacrifício de cordeiros,
nenhum ritual de auto-imolação,
nenhum homem-bomba em ação.

Não ouvia ninguém nos confessionários,
nem a oração dos santos,
nem os pedidos de perdão dos salafrários.
Tudo completamente mudo.
Toda a balbúrdia de seu mundo
transformada num silêncio enlouquecedor.
E foi-lhe aumentando um temor...

E a conclusão surgiu, dura e fria:
nesse dia,
Deus descobriu que não existia!

Rotina

Te amo mais
quando estamos longe.
Não me leve a mal,
mas te amo mais, meu amor,
quando estamos longe.

Te amo mais quando a conta de luz
não interrompe nossa paz.
Quanda não falamos sobre dinheiro,
casa, carro, cachorro e etc. e tais.

Te amo muito mais, querida,
quando não se metem em nossa vida.
Quando família é apenas um álbum de retratos
e não um bando de gente comendo
e sujando nossos pratos.

Te amo mais quando somos sorrisos
e não rugas de preocupação.
Daí essa constatação
rude e até mesmo meio covarde:
Te amo mais quando somos saudade.


Binomial

É o seguinte, vou lhe contar:
Sou mulher!
É a verdade, não adianta negar!

Sou mulher, mas não se engane:
sou sapatão, é claro!
Gosto de mulher como o diabo!

Mas sou mulher, tenho certeza:
o confirma os copos de vinho à mesa.
A vontade que muda a todo todo instante.
Essa loucura de desejo inconstante.
O querer aquilo e logo depois não.
Os braços abraçando o mundo,
os olhares além da visão.

Gosto de discutir o relacionamento.
Adoro surpreender-me a cada momento.
Gosto de poesia, de dança, de teatro.
De filme europeu, lento, chato.
Sinto falta de demonstrações de carinho
e de carinhos quase secret os.
Gosto de tudo que é contraditório
e sou o meu oposto eu mesmo.
Gosto, não gosto e desgosto, a esmo.

Sou mulher.
Mas sou muito macho.
Um dia ainda me apaixono por mim mesmo
e depois me traio.
Passo a ser meu secreto caso.

domingo, julho 03, 2011

Leandro Jardim

O primeiro post desse blog é do querido Leandro Jardim, então nada melhor do que começarmos com seus poemas.

Apreciem!


ARBíTRIO

1. Alternativa

o caminhar
alguns passos mais
o chão
viu o buraco
a penas
depois
soube-se
levantar
o caminhar

2. Alternativa

soube-se levantar
o caminhar não
impedido pelo aviso
antes
pela paternimaturidade
o que havia do lado
de lá não
soube-se
(estrofe mais curta)

3. Conclusão

E ainda há quem pondere sobre alternativas já testadas.



RASCUNHADO

Às vezes um pensamento vem bom,
como sino na brisa.
E o lápis, pronto, e o poema
(versão um).

Outras tantas é o branco do papel que chega
à mente sur ton.
E me sujo a rascunhar pensamentos
(menores versos).

Mas toda origem é filha da labuta.
Seja na avidez com que se traga os dias,
seja pela intenção que ganha a vida.

O irônico da coisa é o tempo
da poesia,
que quando se faz
já é passado
(a limpo).



ÚLTIMO-ATO

meu estado é terminal:
é ter-me now
or never



MENINA ADVOGADA

(para uma bela transeunte
que passou na minha frente
numa tarde qualquer no centro)
Teu belo corpo e matreiro
Não se esconde por trás das vestes formais
Teu charme que até cotovelos
Distrai dos esnobes sapatos aos pés
Teu salpicado em ondas cabelo
É ninho tal que não há não querê-lo
Teu passar de sumiço à esquina
Tem dissonância qual música linda
E teu sério dom de mistério
É, meu bem, meu puro despautério



E O LÁPIS

.
De cada papo que toca o céu,
o papel.

Da tal conversa que não disperso,
o verso versa.

E à boa idéia que fácil se acha,
a borracha.



Leandro Jardim escreve no blog Flores, Pragas e Sementes...



Blog de 7 Cabeças - 5 anos!

Em junho último, nosso querido B7C completou 5 anos de existência. Apesar dos pequenos suspiros e da respiração enfraquecida, não queremos deixar esse fato passar em branco.

Ao longo desse tempo muitos amigos passaram por aqui nos presenteando com poesia e durante essa próxima semana iremos resgatar essas maravilhosas participações, assim como postar poemas das cabeças atuais e de amigos queridos que sempre estão presentes.

Obrigada a todos que acompanham o B7C e que de alguma maneira também faz parte dessa história.

Beijo,
Marina.

quinta-feira, junho 30, 2011


Hoje não consegui fazer sentido.
Não tive nada a dizer.
Minha mente maquinando
as mais ignorantes complexidades.
Imaginando o que é que torna o mundo tão lento
o que me faz sentir tão louco.
Andei pelas ruas
procurando por velhos amigos.
Nomes rabiscados nas margens
desse amontoado de histórias que até aqui,
parecem apenas absurdas.
Mas já não sei qual é qual ou quem é quem
eles roubaram os rostos uns dos outros.

quarta-feira, junho 29, 2011

Tantas voltas
e reviravoltas
meu coração se confunde
ao bater descompassado
do seu

Nele - meu coração
moram saudades suas
bilhetes escritos
alguns nunca revelados
mas seus e meus

Somos únicos
na nossa maneira de estarmos juntos
em pensamento
e nessa predestinação que vive em nós
de sermos únicos
um para o outro.

(Luiz Guilherme Amaral)

quarta-feira, junho 22, 2011

Como é que nós podemos definir o que é amor? Será que é só o toque, ou só o sexo? É levar uma caneca de chá quando a outra pessoa está resfriada? Qual é a amplitude dessa palavra que traduz uma coisa tão bonita que acontece quimicamente dentro de nós? Eu não sei responder, mas eu entendo o que é.

Meu amor por você é essa saudade que sentimos um pelo outro. É essa vontade de que tudo dê certo e que, em algum momento, tudo se convirja a nosso favor. Porque essa palavra, esse sentimento tem sido muito rechaçado pela modernidade das pessoas que preferem relacionamentos efêmeros ou que gostam de se esconder atrás das músicas nos fones de ouvido. Eu ainda luto pelo romantismo. Eu ainda quero enviar flores.

O que dói e maltrata o amor é crescer, é ser adulto. Parece que tem mais significado no ócio, naquela magia da esperança de que, um dia, ficaremos juntos. Eu não quero que esta magia vá embora porque sem você ela não existe. Eu também não quero ser o culpado por você baixar sua guarda e dizer "tudo bem, acho que será pelo melhor se o amor acabar". Isso não pode acabar! Esperar, sonhar, tudo faz parte de amar. É uma conjugação infinita, que tem representações infinitas.

E amo você por você se lembrar de mim quando está feliz e quando está triste, e por você saber que, ainda em silêncio, meu corpo fala muito alto quando pensa em você. Nosso amor está concretizado, e, um dia, ele terá todos os significados que quisermos dar a ele.

(Luiz Guilherme Amaral)

domingo, junho 19, 2011

TEMPO VERBAL

Não me venha
Com esse português correto
E formal.
Deixa essas invencionices
Gramaticais
Para os que não amam,
Para os que não sofrem.

É verdade.
Não tem jeito certo.
O verbo amar
Fica capenga
Sem você por perto.

quinta-feira, junho 16, 2011


Tão bom acordar com ela, as horas do dia ganham as formas de seu corpo. Ela me diz para levantar, mil coisas prá fazer. Eu roubo mais um pouco do seu tempo, eu respiro seus cabelos. Pensando coisas bobas, querendo morrer entre suas pernas.

Ela ganha esse lugar na minha vida a cada noite que passa
e sua pele brilha sob as estrelas da janela e eu me sinto mais perto de algo importante. Ela é isso, uma intrincada verdade de sorriso grandão.


quarta-feira, junho 15, 2011

Jogo de falsas cartas
idiotas dendroclastas
para onde hemos de olhar?
para que bar?
para que bar?

Apontamentos marxistas
o florescer dos hinduístas
qual a melhor maneira de estar?
qual lugar?
qual lugar?

Traz-me quaisquer sonhos
eu os transformo em transtornos
levo ao abismo dos inconformados
pago caro pelo meus estragos

Quem salvar?
Quando amar?
Para onde olhar?
Por que parar?

(Luiz Guilherme Amaral)

quarta-feira, junho 08, 2011

Você é deslumbrante em todos os sentidos
e em todos os aspectos que eu vejo a vida
você jamais poderia ganhar de alguém
algo do mesmo tamanho que existe no meu coração

Porque seria uma vida muito amarga
se eu não pudesse te dar todo o amor que eu tenho
nem que fosse por um minuto

Porque somos imbatíveis
Aliás, somos definitivos:
eu sempre acreditarei em nós dois

(Luiz Guilherme Amaral)

segunda-feira, junho 06, 2011

ontem

Mais um domingo a menos
Mas eu queria
Dias mais amenos

quarta-feira, junho 01, 2011

Não creio ser possível
gostar sem querer

E querer --devo elencar
é estar junto
aproveitar brechas
não ter vergonha
não dar bola para a torcida

Existem razões
(é verdade)
mas elas não se sustentam
quando o que é mais nobre prevalece

Não se deve sufocar
a necessidade latente
de ter quem se gosta em nosso mundo

(Luiz Guilherme Amaral)

segunda-feira, maio 30, 2011

domingo, maio 29, 2011

como tudo deve ser*

organizar
as coisas
todas

quanto tudo estiver
em seu lugar
saberemos
o que falta
e o que sobra

e então,
só então,
agiremos

http://escuchameporra.blogspot.com

sexta-feira, maio 27, 2011

não sei aonde está
então
conheço o verdadeiro
da palavra

desamparo

quando decide
caminhar o que é
desconhecido
para mim

(o vento assombra as árvores)

e ainda assim
estado comum:

as ruas e avenidas
ou estar parado

pudesse, fumaria mil cigarros

para terminar
a ausência das mãos
o intervalo entre ter e não
esse calor que apenas sai
em fumaças

apenas sai, não entra:

desamparo.

quinta-feira, maio 26, 2011


É difícil distinguir o real daquilo que sinto.
Eu tento me mover até um ponto no tempo
em que o estado das coisas seja um estado de espírito.
Tantas vezes quero parar
e tentar entender um pouco
isto que parecem ser os seus pensamentos.
Alguns deles são seus mesmo,
outros invenção minha.
Não há uma razão lógica para a tristeza.
Nada está latejando através dos dias.
Não é bom dizer que você vai ser sempre minha.
Essas piadas que nunca tem controle.
Eu sei que você está na minha vida
e a sensação de que o que é bom pode se repetir é suficiente.
Eu tenho essa mania de imaginar
cada razão para que tudo dê errado.
Cada quilômetro que ando vale por cinco
e tudo no caminho pode apresentar uma cara falsa,
cada assassinato permanecer impune.
Esse tipo de queda mantém
a saudade constante do que passou,
do que pode ser,
do que é.

quarta-feira, maio 25, 2011

Eu queria que fosse tudo diferente
queria que houvesse seu carinho
que eu tivesse você como espelho
da minha dedicação, sonhos e zelo

Você não seria só uma possibilidade
seria meu abraço quente
meus domingos cheios de mimos
meu ciúme sem fundamento mas bonitinho

Se pelo menos tivesse havido uma chance
também poderia ter havido o melhor beijo
ao lado da maior batida de coração
e dos olhos que mais demoram a abrir

Mas você, que nem culpa tem
preferiu escolher outros braços
e eu fico aqui com meus versos bobos
que, incansáveis, ainda me toleram

(Luiz Guilherme Amaral)

sexta-feira, maio 20, 2011

seus grãos de beleza



estou apaixonando-me
                repetidamente
pelas pequenas coisas

em você.

diria: coração em loop.

grains de beauté nas suas costas:
                que eu não enxerguei antes dos fins

novos caminhos
                para minhas mãos minha língua

para eu chegar em casa.