segunda-feira, abril 23, 2007

.instante

Sou
Papel amassado
Jogado em sarjeta
Ensopada de chuva fresca
Aos poucos me desfaço
Em pequenos pedaços, memória,
Onde se lê dispersas palavras
De um passado incerto.

Apenas
Existi ali
Enquanto me desfiz

instante.

domingo, abril 22, 2007

NADA NOVO

Que não me dê nada novo o tempo,
cansei da perda,
nem sirvo à oferenda.

Ou que me dê poemas,
não só de dor
e, se tal, amenas.

Ou se de amor,
sutis, sutis apenas,
hoje a paz é meu torpor.

sábado, abril 21, 2007

Melhor

Melhor
nem escrever sobre isso.
Melhor não fazer disso um poema.

Mudar de tema.
Deixar de teima.
Deixar passar o tempo.
Deixar esgotarem-se os lamentos
e a chuva estiar dentro de mim.

Melhor
fingir que não aconteceu nada.
Melhor pegar a estrada
e entregar-me à neblina.
Deixar de rima.
Mudar de ramo.
Mudar o rumo.
Melhor guardar o resumo
e não escrever o final.

Melhor deixar passar o carnaval.
Melhor deixar queimar
e renascer das cinzas, afinal.

Melhor deixar as reticências
e suprimir o ponto final.

quinta-feira, abril 19, 2007

É brincadeira...

Tá bravo por quê?
É brincadeira!
Larga mão de ser bobo!
Tem que levar na esportiva!
Afinal, o povo brasileiro
Leva tudo na esportiva
Povo brincalhão
Por definição
Esquenta não, cara!
É brincadeira!
A gente ri da sua cara
Porque é engraçado!
Você fica bravo
Se sente humilhado
Faz cara de coitado
De desgraçado!
Se eu ficasse bravo com
Todo mundo que viesse
Rir da minha cara
Me humilhar
Me sacanear
Me desgraçar
...
Como eu dizia...
Se eu ficasse bravo
Com todo mundo que viesse
Brincar comigo...
Meu... Eu tava ferrado!
Eu seria infeliz!
Não pode ser assim!
É brincadeira!
Tem mais é que levar na esportiva!
A gente tem mais é que tirar um barato
Se divertir!
Mesmo em meio à desgraça
Mesmo em meio à humilhação
Mesmo em meio à podridão
É isso que faz desse povo
Um povo submisso
Diante de quem nos pisa!
É isso que nos faz
Esse povo
Tão gentil e hospitaleiro
Tão humilde e acolhedor...
Tem mais é que levar na esportiva
Se você for esquentar com
Essas brincadeiras
Meu... Você tá ferrado!
Vai sofrer a vida inteira!
Aprenda a levar na esportiva!
É brincadeira!

quarta-feira, abril 18, 2007

[felicidade é
respirar paciência,
alimentar-se de emoções,
e viver eternos sonhos]

terça-feira, abril 17, 2007

do s[m]eu relativismo

Você diz que me ama
E eu não caibo no mundo.

Você diz que não ama
E eu caibo em seu bolso.

mais fundo.


Luzzsh


segunda-feira, abril 16, 2007

.verbo

Tenho a alma velha
E a cada dia percebo
Que morro um pouquinho mais...

Meu leito é quente
Tenho o abraço moreno
E a lágrima de saudade
Que me adormece todos os dias.

No amanhã
Minha secreta morada
E na labuta
A certeza do que não quero ser.

Quero cercar-me de palavra viva
E nascer em outra realidade.
Embarcar em um sorriso
Aventurar-me em nova canção.

Meu tempo é ontem
E de passado eu vivo.
O hoje se fez refúgio.

domingo, abril 15, 2007

ORLIANAS

1.
Sigo parado
a mirar a vida
no contraste
azul-verde
de um belo dia de sol
em plena terça-feira
no trânsito do rio
de janeiro.

2.
Me apresso lento
a fitar o breu
opaco e
eu me vidro
no fedido túnel de gás
carbônico, é o ar
a caminho do mar
de concreto.

sábado, abril 14, 2007

você vê mas não enxerga
ouve e não escuta
fala e nada diz

toca mas não sente
brilha mas não reluz
vive e não é feliz

uma vida sem aventura
água mole sem pedra dura
ferida sem cicatriz

quase sofre quase esquece
quase chora quase cresce
está sempre por um triz

lhe falta a força motriz

e eu, que sou seu amigo
lhe desejo o perigo
lhe desejo muita dor
muito amor e muita alegria
lhe desejo poesia

lhe desejo sentimento, antes de tudo
pra que sua vida encontre meu mundo.

quinta-feira, abril 12, 2007

Atrasadíssimo

Já passou da data...
Será que ainda consigo?
Se eu trocar uma idéia com o maioral do negòcio, de repente...
Posso procurar alguém que me coloque em contato com ele,
que facilite as coisas...
Bom, vou tentar...
Tenho de superar meu medo,
me atrever
e ir lá, pedir!
Foda-se que eu tenha atrasado!
Se bem que...
Quatro dias é muito atraso, cara...
Teria de ser muito bom negociador, eu acho...
Bom... Vou tentar como sempre...
Com humildade...
Acho melhor eu ensaiar um pouco...
Como é que eu peço isso?

Sei que a Páscoa já passou faz quatro dias,
mas...

EU QUERO RESSUSCITAR!!!

quarta-feira, abril 11, 2007

eu preciso deixar
que meus pensamentos
respirem algum ar
no meio desse amor
cheio de promessas
reais e possíveis...
esses pensamentos
que me estendem ao solo,
aquecendo o meu peito
e me tirando o sono...
pensamentos que insistem
em velar segredos,
alimentar desejos
e nutrir nossa alma...
esses pensamentos-metade
que compartilhamos de dia...
esses pensamentos-verdade
que declaramos à noite...
meus pensamentos tão seus...
seus pensamentos tão meus...
suspiro, então,

pensamentos
de duas vidas
em comunhão...

terça-feira, abril 10, 2007

Pois é...aí vocês perguntam: "o que é que ela faz aqui?"....Múcio querido, volta logo, não se preocupem...até lá, tenho a hercúlea tarefa de postar algo sem espantar, nesse tempo, todos os seus leitores...vamos ver o que é que vem né, gente?....

Sem-motivos do gostar

Quisera ele saber
d’onde é que brotava
aquele amor inexato.
Jamais entendera.
Só o que sabia é que
o rosto dela tinha som
de flauta doce em sol,
que embalava sua alma,
fazendo ninar o coração.
Jamais entendera tanto,
nem muito mais além.
Mesmo assim o amor
musicava suas tardes e
as propagava em cada
som-silêncio do gostar.
Sem que ele entendesse.

Só então apreendera
que entender era nada
desde que o sentir
pairasse feito a nota
que brotava cada vez
que seu olhar tocava
de leve o rosto dela.

Luzzsh

segunda-feira, abril 09, 2007

.quase

Abri o peito
Expus a ferida
Sim, ela sangrava.
No corte profundo
O latejo... dia após dia
A dor não é finda
E nela brota rima,
Verso
E quase prosa.
Árvore frondosa
Meu recanto e morada.
Moro no corte
Alimento-me da dor.

domingo, abril 08, 2007

MOSQUETEIRO

Por que, por que,
por que você vem blasé
se vai batom glacê?
A troco de que
esse trôpego quê,
seu ar de suflê,
esse engasgue bouquet?
En garde, meu bem?
Touché!

sábado, abril 07, 2007

Minha queridíssima amiga Ady Cavalcante.
Poetisa bissexta, contista e artista de natureza.

Abandonou a poesia como amante enfastiado que abandona a mulher que sempre o amou.
Mas que enche sua prosa com poesia de primeira. Agora com um endereço a mais, quem sabe não retorne com os versos?
Aqui:
http://adycavalcante.blogspot.com

E aqui:
http://breveshistorias.zip.net

E aqui, um retrato breve porém contundente de seu talento:


A cura

Fizeram novena
Fizeram macumba
Até romaria
Lá pro Vaticano


Pra Santo Expedito
Promessa se fez
Oraram em coro
Pra não mais sofrer

Tanto pediram
Tanto rezaram
Que conseguiram
A dor de amor
Que mata, judia
É fera domada
Leão desdentado

É cão velho cego
Não late
Não morde
Nem cócegas faz
Não há mais tristeza
De amor não se morre
Não há mais poetas
Loucos desvairados
Nem quadros pintados
Com cores febris

São homens sensatos
Mulheres prudentes
Não sofrem, não sentem

Que vidas maçantes
Vivem sem amor

quinta-feira, abril 05, 2007

Manhã de Lua

por Keila Sgobi


Que cor estranha de amanhecer
cor de bola-de-fogo reluzente
para aquecer a cidade gelada
e queimar-lhe os horrores e dores
diuturnos

Relâmpagos cortam o horizonte
tomado por um cinza-chumbo
apocalíptico.

É o caos!

A chuva lavou a cidade para seu derradeiro fim

A luz amarela fica cada vez mais
forte
o horizonte-chumbo cada vez mais
próximo
o fim cada vez mais
real
enquanto humanos-formiga
zumbizando pelas ruas
dirigem-se à morte cotidiana

------------------------------------------------

De repente, o amarelo torna-se
violeta
que torna-se
lilás
reanimando o dia de céu
enraivecido
de face reluzente, sem
ouvir o estampido

e as formigas-zumbis
continuam seu caminho
enquanto o horizonte-limbo se apresenta
cada vez mais
próximo

-------------------------------------------------

Tipim fica aguardando a água da
chuva
para lavar os pensamentos da noite
imunda
e observar os raios que poderiam rachar-lhe a
cuca


Vêm as primeiras gotas da chuva
umedecer a rua soturna




Ao longo desse caminho há muitas pedras... Há muita poesia. Pedras polidas. Isso são os escritos de Keila Sgobi. Teus belos escritos costumam me fazer olhar com outros olhos para as pedras do meu próprio caminho... Gosto do estilo desta mulher...

Tanto gosto do estilo dela, que meu escrito de estréia neste blog é um plágio descarado deste dela que coloco aqui...

Apreciem!

Pra quem quiser, há mais pedras polidas neste vasto caminho:
Sobre Caminhos e Pedras

quarta-feira, abril 04, 2007

(Des)soneto

Ah, amor incontido, penetrante
Amor não correspondido, distante
Sonho perfeito, pela mágoa desfeito
Profunda saudade, incondicional,

Ah, amor inconsciente, permanente
Amor não permitido, pleno, ausente
Sonhos desfeitos, pela mágoa imperfeita
Saudade que esmaga, angustia

Sólido amor, impossível
Destinos cruzados
Caminhos interrompidos

Hora incerta, amor tardio
Perfeito sonho imperfeito
Saudade, amor ausente

Ricardo Rayol
_____________________________________________________

Seus escritos têm a cor da força, têm o cheiro intenso, têm o gosto de todos os sentidos... Adoro o que ele escreve, aqui !!! Ricardo Rayol, meu convidado dessa semana. Permitam-se descobrir qual é cor das suas letras... :)

terça-feira, abril 03, 2007

Telespectatriz


Gosto de escrever sobre a luz e o dia
de escrever sob essa lua vadia
gosto de inventar desatinos
desvarios em desatada euforia
ser da terna e eterna alegria
como se fora essa a última vez
antes da aurora iminente e tardia.
A mesma, que me esvairá em mel
em fel, em léu, dependendo
do que me coloca às mãos
se é que consigo algo traria.
Agrada imaginar-me alegoria.
Gosto de participar do mundo
e não viver à parte, à revelia;
gosto de fazer mover a roda
engenhosa ciranda de gentes
ardores, paixões e histeria
metades somando-se
inteiras lisuras, canduras
intensidades e misturas
densidades e alturas
vilezas mais e menos puras
metade luz, metade dia
metade noite, água fria
metade verde e sua sangria.
Desejo viver, morrer, fazer parte
da história de uma outra outrora.
(Mesmo sabendo que às vezes
eu só caiba nesse mundo
se for assistindo, do lado de fora).


Hoje trago aqui uma pessoa que dispensa apresentações: Luzzsh. Escritora e Poeta, assim, em “caps lock”. Sua Prosa carregada de sagacidade, sua Poesia de alma exposta. Difícil sair de seu blog sem pensar. Difícil ler uma só vez. Amiga cada dia mais querida, amada. Seu codinome é mero adereço perto do que de fato transmite com suas letras. Luzzsh é algo assim, como um sol que esqueceu de apagar.

Mais do mesmo aqui: www.lumevagante.blogspot.com

segunda-feira, abril 02, 2007

Esses dias de silêncio

Hj tenho a alegria de trazer um rapaz que tornou-se amigo, necessário e muito especial em minha vida, o queridíssimo Alexandre Guerra. Dentre suas várias poesias, escolhi Esses dias de silêncio, uma das que mais gosto...Muito mesmo!
Para conhecer mais do Alexandre visite atrás da porta. Tenho certeza de que irão se apaixonar assim como me apaixonei um dia.



[...]

O que fica gravado no ouvido
Aquilo que fica deitado no colo
A batida do pé no chão não demora
A boca cantando bem alto lá fora
Canção que eu não esqueci
Samba canção pra você de mim
Sou eu aqui pedindo atenção
Nesse meu jeito calado de canto
Desse meu jeito sambado de branco
Cintura dura de pouco balanço malandro
Mas eu vou mesmo de lado, calado, chamando
Te chamo porque amo um tanto
É que sou mesmo assim
De muito olhar e pouco falar
Essa é a verdade do meu silêncio
O meu silêncio só quer te escutar
.

[...]

domingo, abril 01, 2007

(nada)*

As águas como as mágoas
Passeiam pelas anáguas
Das moças da cidade
Que vertem seus olhos
Aos rios que nela deságuam
As águas como as anáguas
Entregam-se aos igarapés
Encharcam-se de mundo
Mergulham até o fundo
Pra voltar à tona
Secam.
As mágoas e as anáguas
Apertam as carnes
Sufocam a alma
Por-que tudo que queriam
Era não existir.

Larissa Marques

* Este poema abre o capítulo "(nada)" do livro "Entre o negro e o nada" da excelente escritora e amiga Larissa Marques. Sábado passado tive a alegria de comparecer ao seu lançamento na Casa Das Rosas em São Paulo e conhecer pessoalmente essa moça de palavras de tanta força.
Conforme diz a divulgação da obra, que recomendo aqui, "é um relato frenético, de desventuras reais ou não, sob um olhar existencialista."
Além disso é criadora da zine poética Bagaceira que tive o prazer de participar e de muitos outros agitos que os interessados poderão descobrir em:

Site Oficial Larissa Marques
bagaceira
Calamidade Visceral
Caleidoscópios
Dialética do Frenesi
Between black and nil
Coluna no Fotoclube/508
Coluna Rádio Pop Mix
Manufatura
Na cozinha com a Vovó
Usina das Palavras

sábado, março 31, 2007

RENDIÇÃO

Dentro de mim mora um velhinho.
Oitenta e tantos anos.
Sem esperanças, sem planos.

E quase todo o tempo sozinho.

Vasculhador de lembranças antigas,
o hoje é sempre o seu passado.
Buscando sempre desesperadamente algo

que valha a pena.
(Afinal, sua alma não é pequena...)


Deita-se cedo, muito cedo
e acorda mais cedo ainda.
Preenche seus dias com o medo
do destino que se avizinha.

Não lembra o nome de seus netos
e já se esqueceu
de como ser feliz.
Suas frases não se terminam,
seus sonhos são secretos...
e a cada batida do coração já velho
não morre por um triz.

Dentro da minha pele ainda jovem,
ele se debate.
Busca espaço pra crescer
e, apesar da dor nos ossos,
está sempre pronto pro combate.

A cada dia, ganha uma batalha.
E instala seu deserto solitário
em mais um pedaço de mim.
Eu, medroso e salafrário,
bato em retirada
à simples visão de sua armada.
Meu não é sempre um s(f)im.

Dentro de mim mora um velhinho
que já não tem paciência nem sorte.
Por isso abre as portas pra dor
e convida a morte.

quinta-feira, março 29, 2007

O anjo cego

Dia desses, eu vi
ou sonhei
ou imaginei
ou delirei mesmo - pois estou louco
Um anjo
Caminhando em meio a multidão
Um anjo entre nós
Como se fosse um entre muitos
O que estaria fazendo entre nós?
Zelando por nós mais de perto?
Zelote fiel?
Um caído?
Anjos caem...
É fácil cair!
Anjos caem...
E pensar que
aqui embaixo
achamos que é foda...
Sinto que poderíamos
Poderíamos voar
Se não fôssemos
tão pesados...
Por isso, caímos
Mas...
Por que anjos caem?
De qualquer forma...
Era um anjo!!!
O que eu vi...
Droga! Eu vi!!!
Mas...
O que estava fazendo entre nós?
Por que não estava voando?
Suas asas estavam ali...
Inerentes a ele
Imponentes
Mas...
Inertes
É como se não as sentisse
Por que não voa?
É como se não as tivesse
Por que não faz uso de tuas majestosas asas?
É como se não as soubesse
Por que continua aqui, anjo?
Tem asas, não tem?
É como se não as visse
Não vê?
É cego?


Escrito em maio de 2005

quarta-feira, março 28, 2007


você:
esse
vestígio de vida
que a minha alma
suspira
[ávida!]
repleta,
enfim...

terça-feira, março 27, 2007

cantilena para uma noite fria

quanto mais escrevo,
mais pálida a página fica,
a perguntar ao incenso
o que tanto silêncio,
em signo, significa.
quanto mais atrevo,
mais a treva aumenta,
e a coisa vai ficando
cada vez mais cara,
cada vez mais séria,
ah, quem me dera
fosse Guanabara
essa minha Sibéria.

segunda-feira, março 26, 2007

banho

Verbo ensaboado
Teimoso e não perfumado
Faz de mim morada certa.
E me deixa assim:
Suja e desconexa.

Quero banhar-me de rima branca.

domingo, março 25, 2007

EMBAIXADINHA COM A CALCANHOTTO

Te pesquei pelo calcanhar
de uma canção
popoética
balãozinho em mim
matei no peito
craque meio sem a bola
domino com tal sem jeito
que digo: coração
ao rolar o poema
quem te deu o direito?

sábado, março 24, 2007

CÂNCER

Deixou o pedaço mais gostoso da vida
pro fim.

O gato veio e comeu!

quinta-feira, março 22, 2007


Amar não é errado
Amar é errado
Amar errado
Amarrado

Amar é mais que gostar
Amar mais gostar
Amar gostar
Amargor

Desde sempre é que insisto em procurar um amor
Desde sempre insisto em procurar amor
Desde que insisto no amor
Desisti do amor
Desamor


Inspirado neste meu escrito antigo.

quarta-feira, março 21, 2007

e assim, irrevogavelmente,
você invade meu íntimo,
desloca os meus extremos
e me tira desse mínimo
que eu costumava viver...
e assim, consensualmente,
você delibera meu destino,
reinventa os meus sorrisos
e me interpreta esse mundo

que eu preciso reconhecer...

terça-feira, março 20, 2007

adeus você

de você em mim
nada mais resta,
é chegado o fim
da festa,
nossa rave, quem diria,
virou seresta.
tombou em silêncio
a última árvore
da velha floresta,
nada mais em mim
se manifesta
quando te vê,
tirei seu nome
da minha testa,
au revoir, adeus você!
não insista,
siga outra pista,
não vou mais
gastar o meu latim
game over, do in,
hasta la vista.

segunda-feira, março 19, 2007

Cativeiro

Vejo-me pendurada
Em um velho guarda-roupa
Rodeada de naftalina
Por todos os lados
Percebo que engraxam os sapatos
Todos os dias, mas, não usam...

De onde estou observo
Todas as manifestações
E todos os arroubos de paixões...

Desejo ouvir música
Sentir o cheiro de vida...
Parei de emitir sons
E tento ouvir através do silêncio.

O corpo dói,
Sinto frio,
Durmo e acordo,
Ao mesmo tempo.
Sonho com um resgate
Que nunca virá.

domingo, março 18, 2007

GEMIDOS DE COR

I. Azul

..Só se saberá céu
..se for azul no fundo.
..Só se saberá mar
..Se for azul profundo.


II. Vermelho

..Só se saberá rubi
..se for vermelho ruboroso.
..Só se saberá sangue
..se for vermelho gozo.


III. Ciano e Magenta

..Não sei se esse ano
..meu chão será azul.
..Só sei que minha imagem, talha
..vermelho sentimento nu.

sábado, março 17, 2007

DA DINÂMICA DOS CORPOS QUANDO CAEM

Um corpo não cai por acaso!

Um corpo cai por bala
por faca, por explosão
às vezes é por uma pedra
que um corpo cai ao chão

Às vezes epilepsia
um início de derrame
às vezes por uma vingança
por uma mentira infame
um corpo cai quando a vida
se lhe rompe o liame

Um corpo não cai por acaso
algum motivo haverá
seja por febre, maleita
seja por tanto amar

Um corpo cai, e o barulho
é quase insuportável
barulho, seco, imundo
barulho de destino imutável
um corpo cai, e logo
a imprensa o sabe!

Um corpo cai, e que razão
seria suficiente?
que razão teria a morte
pra se instalar na gente?
como a vida que nos habita
súbito se volatiliza?
nos abandona de repente!

Um corpo caiu ao chão...
foi o meu!
ai, quem me dera
eu não ser eu!

quarta-feira, março 14, 2007

eu aceito
esse ar fresco
que você me traz.
eu estou pronta pra
sentir o que meu
coração jamais
foi capaz...

terça-feira, março 13, 2007

sol você

só você
pode ver
setembro
nesse abril,
só você
pode ver
o que
ninguém
mais viu
em mim,
só você
pode verde
em meu jardim.

segunda-feira, março 12, 2007

em minha noite

Meus versos amanhecem
Enquanto durmo
Deleitam-se ao meu lado
Brincam com meus cabelos
E me fazem quase acordar...

Amanheço em manjedoura
Lírica de verso e prosa
Banho-me no deleite poético
Alimento-me de rima e pranto.

Não sou vespertina
O pôr-do-sol assusta-me
Com seus crepúsculos...
Contenho-me e chego a lagrimar.
Renasço ao anoitecer.

Sou noturna
Me visto de lua e a noite me basta.
Sussurros e delírios me acompanham
Devassa é a madrugada
E por dentro fervo e me desfaço.

Permito-me anoitecer todos os dias.
A noite é minha morada.

domingo, março 11, 2007

SAD-OH-YEAH

ata-me
hmmm
mata-me agora
antes mais nada
depois me - arre!
- bata
que abro
a perna porta
morta
de prazer
por ver-te
verter-se assim
on & in
grata

sábado, março 10, 2007

Hoje vou apresentar a vocês minha querida amiga Saramar.
De Goiânia, assim como eu.
Afinal de contas, o Planalto Central, com suas árvores dançantes (como já dizia Cora)
e seu sol escaldante, também é lugar de muito verso e sentimento.

************************************************************************

SÚPLICA

Ouve o meu lamento, amor.
Ouve o silêncio que me cerca.
Ouve o ruído das minhas mãos cansadas
de buscar inutilmente tua pele, tuas mãos.

Vem, amor, vem sentir no meu peito
um vaso inútil e vazio, cheio apenas das
dores do meu coração exausto de
tua ausência.

Vem de volta, com novas estrelas, aquelas
que prometeste colocar nos meus olhos,
luzeiros perenes do nosso amor para sempre
e que se apagaram de súbito quando saíste.

Vem, trocar os teus sentidos com os meus
como naquelas penumbras lentas, onde nos
perdíamos em alma e carne, livremente pecadores
no nosso amor menino, carrossel de delírios.

Saramar Mendes

http://abrindojanelas.blogspot.com
http://flanarfalares.blogspot.com
http://lidosevividos.blogspot.com

quinta-feira, março 08, 2007

Tempestade dos Tempos

por Andressa Pacheco


Lágrimas são salgadas
Ilusões são doces
Misturam-se com outros sabores
E confundem o paladar.

Não é possível cultivar Rosas em jardins secretos
O sol chega e as sombras que surgem
Revelam o caminho.

A Tempestade dos Tempos
Chegou doce e salgada
E foi acariciar a Rosa sedenta
E desidratada
Devorada por formigas faminta
Que sobejam sonhos doces.

A Tempestade dos Tempos
Chega de tempos em tempos
Como a música surda
Para animar os ouvidos mudos
Da Rosa murcha

Luar súbito atinge a flor
Que sangra remota e ramifica sua dor
O Sol e a Lua personificam um enlace
E a Rosa pisoteada brota da noite e renasce.

Sobrevoa o jardim secreto
Um bando álacre de pássaros
Nem mesmo o canto estridente
É capaz de perturbar a maldita Rosa
Que se faz de santa
E brinca de Bela Adormecida.

-A espera é amarga!
Alude o sol desgovernado e perdido
Que continua a iluminar os sonhos escuros
Da Rosa acalentada
"Ainda que tarde o seu despertar"



Ah... Gosto do estilo desta moça... Andresasa Pacheco é uma das escritoras-de-blog com a qual tenho contato há um bom tempo. Seus escritos possuem força --uma força descomunal--, mas não deixam de ser belos. Este que ela me passou é um dos que mais gostei quando li. Ela escreve mais em prosa, mas me presenteou com este poema.

Eu tenho o prazer de compartilhar este presente com vocês, leitores! =)

E pra conhecerem mais dos escritos dessa menina, visitem:

http://estatuadelafuente.blogspot.com
http://o-deposito.blogspot.com

(Os blogs dela têm umas frescuras de tela, eu sei, e nem todo mundo gosta disso... Eu mesmo já enjoei de pedia a ela pra tirá-las... Mas, o conteúdo escrito vale a vistação!) =)

quarta-feira, março 07, 2007

o amor finge chegar pela janela
de passagem sem jeito, sem trela
com a brisa, traz sua alva poeira
sujando os móveis antigos do meu coração menino
com ele vem a lágrima que me rasga o rosto
e as longas horas de desprezo do sono
tranco portas e vidraças da alma
para que meu interior frágil não invada
corre seus pés descalços no sentimento incerto
me traz à alma os erros mais corretos
e constrói um leito de cores e flores
fingindo libertar de vez todas as dores
o amor chegou com uma opção plausível
me convencendo de sua verdade impossível

Bruno Cazonatti
________________________________________________
Ele é uma doçura em forma de letras...
E você pode conferir todas elas
no http://acidopoetico.wordpress.com .

terça-feira, março 06, 2007

Diovvaneando

O BICHO
Sete cabeças, sete crânios.
Sete cérebros, sete chaves.
Sete caminhos, sete enigmas.
Sete panças, sete trancas.
Sete dados, sete destinos.
Sete pessoas, sete Poetas...
E um piolho-puto; que pariu, sete lêndeas.

Lêndeas paridas:

I - INDOMÁVEIS
Palavras parecem domadas
na imensidão da fazenda dos dicionários
, mas quando soltas nos campos dos neurônios alados do pensamento
são cavalos selvagens
galopando linhas (EletrodescarDIOgramadas)
de horizontes
Desconhecidos.

II-CUIDADO COM EXPOSTAS PONTAS
Na ponta
de todo alfinete
equilibra-se
o
ai,
de uma dor
futura.

III-ECO-LÓGICO
Enquanto
ainda criança,
urino no pé das árvores.
É que tenho,
secreta esperança
em ver
andar as raízes.

IV-PELADA
Um Pé
descalço
faz
gol.
- Dois
chinelos,
também.

V-CISCADOR DE MUIDEZAS
Queria saber onde
germina-alastra,
a raiz da vida que não rompe
da semente a casca.
Isso pode, vale-me, migalhas de nadas.
Mas não perco o vício de engravidar
possibilidades.

VII-CALMARIA
Já tive pressa.
Agora só,
rio, manso, enquanto
pesco paciência
no gravitar,
de nadadeiras postas
ao reflexo do anzol.

VII-PAPAGAIADO
Não me levem demasiado a sério.
É que um vento antigo, traquina e moleque,
desses de empinar papagaio de taquara e seda no azul,
tem despenteado o leque no abanar meus pensamentos.
Crianças acenam, de horizontes para mim. E meus cabelos grisalhando,
estão alegres-enrolados, nas linhas da inocência sem cerol,
que eu pensei perdida, nos cacos de vidro da caminhada.


Meu convidado é um Poeta arretado de quem eu sou fã. Ele vem das Gerais e costuma fazer saraus ao ar livre, onde poemas são retirados de garrafas presas nas árvores. Ele mora num sítio, e extrai dessa natureza, de toda a poesia flutuante, belos poemas. Desde que o encontrei, acalento o sonho de um dia visitá-lo, e no chão de terra batida das Minas, fazermos versos, cantorias, regados a cerveja, a Xangai, Elomar, Vital Farias, entre outros. Diovvani Mendonça é um lavrador de palavras, e semeia poesia aqui:

http://www.diovmendonca.blogspot.com/

Grande Dio, obrigado meu velho!

segunda-feira, março 05, 2007

Nuvem de primavera

A seriedade cinzenta dos estudantes
Duas semanas antes do vestibular
Ocupa as horas de austero marchar
E mancha as flores exuberantes

Eu; quero meu sol de primavera,
O brilho amarelado no arvoredo
As tardes de passeios sem medo,
Casais empertigados nos bancos de outrora

Rojões para os conservadores!
A transgressão juvenil –
O gato engoliu,
Atulhou-se em implantados amores

Carro, novela, dinheiro e umbigo.


Foi quase no apagar das luzes.
Mas Cza salvou-me.
E os presenteados somos nós e as belas palavras são dele, Nelson.
:*

domingo, março 04, 2007

No Dia Em Que Aprendi A Usar As Maiúsculas (trechos)

"A necessária simplicidade havia lhe custado tudo o que tinha. Não os olhos da cara, mas o vermelho do sangue. Se sentiu um pouco tonta, talvez anêmica, mas só por que era dada a dramas. Então voltou ao doutor para perguntar se tinha recebido o tipo certo de ser simples. Será que existiria simplicidade A, B positiva ou negativa? A dela, a tanto custo, tinha que ser universal."

"Sem tempo para chorar ou pedir socorro, ela se divertia dando a cara a tapa e revidando com sorrisos. Assim passavam as horas, as dúvidas até o próximo abraço. Era melhor que fosse assim, era tão otimista que agradecia sempre mesmo antes de ter, porque sabia que só de ter amado ao menos uma vez, era daquelas raras pessoas que merecem ser escolhidas na hora do pique."

Berlim.T

^^^^^^
..perto do mar aqui do rio e através da marla conheci, berlimdamente, tati (bitati), berlim.. dias incríveis, noites mais, sorrisos, momentos momentos, momentos ainda, por vir, outras pessoas, mais.. coisa de menina.. coisa.. de moça moleca cheia força, de dois pontos, clamações atuais e exclamações. Conclusões? tirem as suas, eu: adoro!
http://www.fotolog.com/berlim_t/

sábado, março 03, 2007

ROTINA

Embrulhado em papel de pão,
o amor se desfaz, quebradiço,

ao contato medroso
e desastrado
dos meus dedos.

Olho o miolo
retirado por minhas mãos dietéticas.

Medo das calorias....
É o melhor desse amor.
Mas não será saboreado.

Fico apenas com a casca
bela e crocante,
porém quase sempre
quase toda desperdiçada,
em forma de farelos
sobre a toalha quadriculada.

Toco com os lábios a superfície quentinha...
O sabor de dia-a-dia me invade a boca.
O cheiro de dia-a-dia me invade as narinas
.
E ainda que pressinta algo de felicidade,
meu paladar embrutecido
se recusa.

Me levanto, apressado,
bebo o café amargo da solidão
e sigo pro trabalho, faminto
como sempre!

quinta-feira, março 01, 2007

Força de vontade

Minha vontade tem muita força
Dai-me forças para resistir...

quarta-feira, fevereiro 28, 2007

preciso de um vendaval
pra escancarar minhas janelas
e refrescar minhas entranhas.
preciso de um maremoto
pra arrebentar esses elos
e me levar pro infinito.
preciso de um solstício
pra alimentar minha alma
e abater os meus erros.
preciso de uma miragem
pra refazer minha busca
e relembrar quem eu sou...

terça-feira, fevereiro 27, 2007

transpoema

vai que de repente,
numa esquina virada,
um pouco desse quase tudo,
faz mais desse quase nada.
vai que de repente,
um avião de papel
leve-me livre daqui,
um arco-íris de aço,
o passo de um gigante,
um super-herói de mim
voando sobre a Babel,
Dom Quixote tupiniquim.
Ah, como ia ser legal...
tudo mais perto da gente:
puxa esse mar mais pra cá!
baixa esse sol mais um pouco,
e deixa rolar qualquer melodia!
veja só, que coisa de louco,
o mundo parado no ar,
e a gente fazendo poesia.
ainda vai chegar o dia,
em que tudo vai ser assim,
do jeito que eu quiser:
eu em você, você em mim,
prontos pro que der e vier.

segunda-feira, fevereiro 26, 2007

Enluarada

Fio da navalha
Tesoura amolada
Corte certo

(estanca a realidade)

Segue noite a dentro
Desejo aflora...
Digitais espalhadas
Registrando insanidades
(mundanas).


Uma noite sem lembranças
Curta e ordinária...
Em luar de igarapé

A matita pereira gargalha.

domingo, fevereiro 25, 2007

NÃO QUERO ESCREVER UM POEMA

Eu não quero escrever um poema
quero esse tesão tatuado em meu corpo
dispenso abraçar o lápis, logo
eu quero é te agarrar pelas pernas
braços, penetrar-te língua, plexo, ventre
ventar teus ouvidos, ardê-los
cada pêlo, outro arrepio
corpos em convergência, único objetivo
perder os caminhos
que já não fazem sentido.

sábado, fevereiro 24, 2007

VAMPIRO

Me perdoa
por te dar prazer
nessa busca que faço agora
(busca inútil...
busca inglória!)


Me perdoa
por te fazer feliz
ao buscar em teu corpo
aquela mulher
que não me quis...

Me perdoa, te peço
por querer afogar em ti
meu dissabor
e no processo
te enlouquecer de amor.

Me perdoa por amanhã,
quando eu te deixar...
deitada, nua e só.
Só a encontro à luz da lua.
Por isso me escondo do sol.

quinta-feira, fevereiro 22, 2007

Cinzas

Ser feliz ou ter razão?
Realidade ou ilusão?
Afinal...
O que é real?
O que não é?
Folia de carnaval
Em meio à melancolia
Quatro noites de alegria
Alegria sem razão
Sem noção
do perigo
da Realidade
Baranga nua
crua
injusta
- Socorro!!!
Fujo dela mesmo!
Afinal
quem vive feliz
vive de ilusão
Foge da Realidade
Foge enquanto pode
Foge agora
Aproveite bem essas quatro noites
Depois
Você vai ter que ficar
com a Realidade
daquele jeito
De qualquer jeito
você vai ter que ficar com ela
Foge agora
Viva a ilusão
Que é pra essa baranga
lhe parecer catável
Viva a ilusão agora
Foge agora
Depois
Você cansa
e se rende
Aproveite bem essas quatro noites
Depois
Só sobram as cinzas

quarta-feira, fevereiro 21, 2007

até que não seria
de todo mal
se o dia acordasse
e o céu me mostrasse
que as nuvens são de açúcar
e os pássaros, de estimação.
não seria de todo mal
se esse clima mudasse
ou a chuva só molhasse
o meu pensamento,
ressecado e sem expressão.
não seria de todo mal
se o alívio chegasse
e morada fizesse
dentro do meu coração.

terça-feira, fevereiro 20, 2007

auto-folia

a minha porta estandarte
não se abre comigo.
ela pensa que o mundo
é aquilo,
que gira em torno
do seu próprio umbigo.
queridos companheiros: resolvidos uns transtornos, gostaria de vos apresentar minha nova casa nova. muito grato pelo carinho, sempre!
www.traversuras.blogspot.com

segunda-feira, fevereiro 19, 2007

verdade

Eu roubo verbos
Aprisiono
Em regime de cárcere privado.
Veto
Todas as possíveis rimas
E visito-o
Com frases lembranças.
Em seus murmúrios noturnos
Embalo minhas noites mal dormidas.

Aprisionamos-nos
Eu e ele
Nesse cárcere poético
Nessa rima vã...
Na melancolia branca
De uma poesia que nunca virá.

domingo, fevereiro 18, 2007

SENÃO DO POETA

Nada esconde o senão do poeta,
a janela aberta
à inconstância do mundo
e aquela ânsia no fundo
de retratar o que o vento revela:
o azul escuro da noite
que o sol amarela.

sábado, fevereiro 17, 2007

CIRCO

Já fui equilibrista.
Entre sim e o não
dançava...
dançava...
abraçando o vácuo,
desafiando o chão.


Já fui domador de leão.
Ah, eu era temerário!
Chicote na mão,
na outra, coragem.
Medo: palavra
sem passagem
pelo meu dicionário!

Já fui, creiam,
trapezista dos bons!
Imerso num salto infinito
rumo ao vazio
onde reside o nada...
sem gosto,
sem cheiro,
sem sons!

Homem bala? Ha!
Isso foi moleza!
Medo da morte?
Que nada, afinal,
a Dama de Preto
nunca foi surpresa.
(Há quem diga até ser
a única certeza!)

Já fui gorila e, pasmem,
até mulher barbada.
E enquanto meu corpo
quedava, combalido,
dentro de uma jaula,
minha mente, velozmente,
pelos céus me transportava.

Já fui até mesmo
dono de circo
por uma ocasião.
Mas nunca me fascinou
o cheiro do dinheiro
e sua intrínseca confusão...
definitivamente não!

Hoje sou palhaço.
E só.
E enquanto riem de mim,
durmo com as lágrimas
no meu lençol...
e em meus sonhos
vive a pergunta:
"Quem ri por último
ri melhor???"

quinta-feira, fevereiro 15, 2007

Só mente

O ser humano mente
de forma compulsiva
e inconseqüente
principalmente
Ele esconde o que sente
Guarda tudo num cofre
E depois não entende
por que diabos sofre
E, mesmo assim, segue em frente
Como se a culpa
não lhe fosse pertencente
Como se fosse vítima dos demais
que tanto mentem
E nunca réu
E mente mais
E busca o céu
E quer ter paz
Mas não os faz
por merecer
Só mente
por esporte
por amor
ou por prazer

quarta-feira, fevereiro 14, 2007

eu quero chegar
mas desconheço
o destino do viver.
abraço os sinais,
toco os corpos,
cheiro os sentidos.
tropeço,
esqueço,
reviro.
eu quero chegar
mas desconheço
o preço do saber.
absorvo os tempos,
engulo as pedras,
desarrumo as malas.
choro,
sonho,
sorrio.
eu quero chegar,
mas espero
não perder
a paciência...

terça-feira, fevereiro 13, 2007

dor in

dói em mim essa tarde,
do in, sem dó,
cada vez mais,
de priori a pior.
arde em mim essa tarde,
e ai de mim,
pobre madame,
silêncio a passar vexame
nessa treva que se atreve,
escura, beijando a neve.
frio é o corte da navalha,
ou outra coisa qualquer
que orvalha,
nessa tarde alarde
que arde mas não falha.

segunda-feira, fevereiro 12, 2007

verbo identidade.

Vou além
Num vôo raso
E rasteiro
Levanto poeira
Provoco maremotos
Desperto fantasmas
Interpreto miragens...

(O que quero é acumular capítulos)

Meu nome é coragem
(intérprete)
Meu verbo é ir
Sintonizo
E pé na estrada,
Porque meus sonhos são bons.

domingo, fevereiro 11, 2007

C'AIS

Ah, Beira do mar,
Que me fala do amor
Nessa hora do sol se pôr...

Há um buraco no céu
Amarelo
Há um bucólico ao chão
E a maré logo sopra sua brisa
Um tanto fria, um tanto leve, um tanto boa
Suave marca do fim de um dia
Passado assim, meio à toa
Cantado assim, meio ausente
Na lembrança de um sol, que fora quente
Mais ainda queima
Meio assim como minha mente
Que teima, que teima, que teima.

sábado, fevereiro 10, 2007

A minha convidada de hoje é a Ana Paula Mangeon, de uma prosa e poesia irretocáveis.
Uma rara sensibilidade e finíssimo trato com as palavras.

Aprendi a amar o que ela escreve há uns dois anos atrás, e desde então me é impossível viver sem ler o que ela escreve.
Com vocês, Ana Paula Mangeon:

Das coisas que a gente sempre sabe.
(revisto)


A gente sabe, a gente sempre sabe
quando a coisa está bem ou está mal.
Quando o olho perde o brilho, quando o sorriso ilumina.
A gente sempre sabe quando a mão quer ou não a mão,
quando a presença é ou não mais é imprescindível.
A gente sempre sabe o limite da paixão,
onde transmuta em carinho,
quando vira só admiração
e quando já estava mesmo tudo perdido.

A gente sabe, a gente sempre sabe.

A gente sempre sabe a hora de avançar e a hora de recuar.
A gente sempre sabe reconhecer subterfúgios e estratagemas.
A gente sempre sabe o pulo do gato e a rota de fuga.
A gente sempre sabe o início, o meio e o fim.

A gente sabe, a gente sempre sabe.

E a gente sempre sabe que às vezes a gente corta,
tenta arrancar, lava com álcool e removedor,
mas a coisa fica ainda ali, incubada, latente,
aguardando uma distração para se manifestar.

São velhas conhecidas as mentiras que a gente inventa.

A gente sabe, a gente sempre sabe quando a fonte seca
e quando ainda há água para nossa sede eterna.


Mais dela: http://www.anamangeon.mus.br/
Mais da poesia dela: http://www.anamangeon.mus.br/versos/

quinta-feira, fevereiro 08, 2007

Das nossas trilhas

Hoje, eu tenho o prazer de colocar aqui um belíssimo poema de uma conterrânea minha!
Com vocês: Luzzsh!

(Adoro dizer isso: Luzzsh! Até pronuncio em voz alta enquanto escrevo isso!) =P


Viver pode ser qualquer coisa
de uma flor lilás a uma azeitona.
dentre tantas possibilidades
pode ser assim, comezinha,
estrada débil que guarde em seu final:
simplesmente a morte-fim-ocaso;
portal austero e laureado para outra vida,
uma passagem só de ida para o céu
(ou outra escala menos aprazível -
esteja atento ao seu bilhete).
Viver pode ser ainda leda seara que,
criando-se conforme nossos passos
termina por nos levar de nós, a nós.
Viver só dói quando é com afinco.
Se não doer nunca, preocupe-se.
Se jamais latejar, espreite, vigie-se;
talvez você sofra de um mal comum
chamado “medo paralisante de errar”,
também conhecido como “estagnação
no meio termo”. Cuide da boa saúde
do seu caminhar, sem muito medo,
(um pouco, é sinal de bom senso).
No fim, sofrer são apenas exercícios
necessários para pôr a alma em forma.
e talvez afinal, não conte o chegar
conte é a paisagem apreendida
a duras mas memoráveis penas
que farão de ti o que serás. Ou não.
Alegrias? Haverão milhares, lancinantes,
mas é preciso merecê-las. Esteja pronto.
Via de regra, essa picada a que chamamos vida
se abre mesmo é na foice, na garra, sozinho.
Mas não se preocupe (tanto)
alguns outros irão ao teu lado,
assim como tu, a esbarrar em erros e acertos.
Estes poderão dar-te abrigo em dias
de cansaço, desalento, preguiça ou outros
desperdícios a que tende o ser humano.
Estes teus iguais lembrar-te-ão, na hora exata,
que somos sós, mas que estamos juntos.
Estarão por aí, e revelar-se aqui e ali quando
invocados por sua alcunha secreta: “amigos”.



A maioria que visita este blog já deve conhecer Luzzsh! Mas, para os que porventura não conheçam, prestigiem mais escritos desta poeta maravilhosa em:
lumevagante.blogspot.com

quarta-feira, fevereiro 07, 2007

Adoro o que a minha convidada escreve! Tem firmeza nas palavras. Conta sua história de forma simples e certeira. Não costuma escrever poesias. Mas achei que seria bacana, e ela topou! E chama-se Juliana Marchioretto. Seu blog, http://demasiadamenteinconstante.blogspot.com/.
______________________________________________

E quanto mais você procura
Mais ele se assusta e foge
e quando você senta e descansa
Ele te puxa pela mão e te engole
Trazendo sorriso bobo
Pensamentos nas estrelas
Pés pisando em nuvens
Riso junto com choro
e depois da chegada dele
O mundo se enfeita todo
E eu que era sozinho
Agora tenho um consolo

terça-feira, fevereiro 06, 2007

(...)

Dizem que finjo ou minto
Tudo que escrevo. Não.
Eu simplesmente sinto
Com a imaginação.
Não uso o coração.
Tudo o que sonho ou passo,
O que me falha ou finda,
É como que um terraço
Sobre outra coisa ainda.
Essa coisa é que é linda.
Por isso escrevo em meio
Do que não está ao pé,
Livre do meu enleio,
Sério do que não é,
Sentir, sinta quem lê !
(Fernando Pessoa)

Caros companheiros, por motivo de excesso de esquecimento, acabei retardando o meu convite ao companheiro Poeta, e, por fim, nos desencontramos. Para não passar em branco, e, mais ainda, por respeito aos companheiros e leitores, eis aqui, no adiantado da hora, um pequeno regalo desta Pessoa. Desculpas, e, muito grato!

segunda-feira, fevereiro 05, 2007

Ela a Czarina.

Rendo-me totalmente a maestria de Czarina.
Merecedora de todos os confetes.
E dona de uma Sabedoria única e de improviso.
Com vocês,
Czarina!
Aquela que chamo carinhosamente de preta.

.......................
Basta de ser reflexiva
poça d´água
ainda que com liberdade
para alargar espelhos
sem círculos concêntricos
se transformá-los em não mais
que coloridos confetes de realidade
há que ser
matéria que queima
que flameja, chamusca, que chama
até que não reste mais sobre o chão
que a poeira disforme, calcinada e branca
e que um dia desponte
uma tulipa rósea
do lugar onde um dia
estivera minha anca.

domingo, fevereiro 04, 2007

Bicho Poeta Gente

poema é coisa que se faz,
que se nasce,
que se jaz
nas páginas virtuais
da nossa imaginação...

poema é coisa que se inspira
que se expele
que se põe
em palavras versos
encaixes diversos

poeta é bicho que poesia
atrofia se não fizer
ao menos por dia
uma rima qualquer

poeta é ser pensante
emocional inteligente
bicho poeta gente

Clauky Saba (bicho-poeta)
^^^^^^^^^
Ah, o que dizer da Clauky? Ela é simplesmente o máximo, uma figura ímpar, daquelas espécies mais queridas! Excelente poeta e organizadora do Movimento InVerso (que a cada edição muda um pouco mais minha vida pra melhor) em conjuto com os outros integrantes do grupo musical-poético-performático-fantástico Saba Sauers. Uma "poetamiga" (pegando emprestado a expressão dela) que desde o primeiro contato se fez presente no mundo real, o lugar ideal... pra sonhar. Enfim, para aqueles que AINDA não tiveram a oportunidade de presenciar sua poesia, conheçam mais preces-mundanas-sacanas-bacanas que a autora do antológico verso "Deus me livre/ eu sou poeta" emana em:
http://arteemtodaparte.blogspot.com/

sábado, fevereiro 03, 2007

chu( g )v( o )s( z )o

moacircaetano & alhi

Fazes tempestades acontecerem
Em meu humilde céu...

Mandas a calmaria embora
E tudo se embola
Esqueço quem sou
E me torno no que queres.

Fazes momentos surgirem
Da ausência absoluta...
Fazes que queres a mim...
Fazes o que queres de mim

E quando finalmente chovo
Vens e me estia de novo.

És chuva rara
Chuva escassa
Mansa e doce
Serena e fugaz

És garoa e tormenta...
Sereno... madrugada.
E minhas ruas dormem molhadas!

E enquanto choves
Existimos.

quinta-feira, fevereiro 01, 2007

Assombração*

São Paulo, 6 de junho de 2005

Anteontem
A Morte passou perto
de mim
Vi fúria em seres tranqüilos
e desespero nos demais
Eles viram a Morte passar
em suas frentes
Eu?
Nem vi!
Mas, pelo visto...
Não era comigo...

quarta-feira, janeiro 31, 2007

O meu post de hoje é diferente...
Eu gostaria que você, caro leitor, fechasse os olhos... E por 5 minutinhos, atenciosamente, sentisse os cheiros, e ouvisse os sons à sua volta... A música e o cheiro do mundo... Isso é Vida!!! E essa é a maior poesia que eu posso oferecer a você...

Obrigada a todos.

terça-feira, janeiro 30, 2007

verbo in vento


um sopro no peito,
a alma presa,
a língua solta,
um verbo no vento,
desinventa essa vida louca.
dela me despeço,
em fumaça me faço,
souvenir, adereço,
um tropeço
a cada passo,
esse grande sucesso
em matéria de fracasso.

segunda-feira, janeiro 29, 2007

Paladar

Um poema sacana
Que roça o léu
No açúcar quente
Que emana da cana.

Brota pimenta
No asfalto
Cobre o leito
E fede a esmalte.

(Entorpecente e vermelho)

Tortura madura
No dia-a-dia
De labuta escura
Que quebra rotina
E adocica o meu paladar.

domingo, janeiro 28, 2007

O BAILE DA FOLHA AO VENTO*

Era uma folha ao vento.
Ao contrário das palavras sua arte era natural.
Não havia peso de ombro em seus giros,
que rabiscavam cor no cenário cinza,
dando um baile nas flores estáticas.
O uivo do ar a cortar as árvores era música suficiente.
E ela dançava como um vício,
voava sorridente seu clássico balé.
O verde das mangas lhe vestia filha perfeita do mato
e combinava com a logomarca do hospício.
.
.
.
* poema originalmente impresso na zine "Frente & Verso" acompanhado de bela prosa de dona Czá.

sexta-feira, janeiro 26, 2007

...

Prefiro errar o amor com um café-da-manhã
na cama, um sorriso nos lábios e uma rosa
no jarro, do que deixá-lo passar ao lado,
como foto presa a um álbum,
que só celebra o passado.


Não quero a felicidade em cápsulas...

Quero entrar de madrugada no carro que me espera na porta,
Andar pela orla...Maresia na cara.
Estacionar na frente da catedral,
Transar no banco de trás,
Olhar vidrado no guarda,
Perder a hora.
Não quero a felicidade em cápsulas...
Quero rasgar a roupa,
Mostrar a bunda,
Tatuar o peito,
Cobrir-me com um manto...santo!
Não quero a felicidade em cápsulas...
Quero transgredir o mundo,
Sem roubar verdades,
Sem delirantes culpas,
Sem vender meus dias.
Não quero a felicidade em cápsulas...
Quero o orgasmo da vida,
Lambendo as feridas,
Êxtase da paz.

Patrícia Marques

---------------------------------------
E assim encerro a participação da, menina-amiga-baiana-mais-que-especial-que-eu-adoro, Patita, que foi minha poeta substituta durante o mês de Janeiro. Obrigada a todos que comentaram, obrigada à Patita que aceitou ter seus poemas aqui com as demais cabeças e espero que vocês tenham gostado... ;)

quinta-feira, janeiro 25, 2007

E viva São Paulo*

Poluição maldita, essa
Que me chega às narinas
Me embaça a vista
E me destroça o cérebro
Me sinto envolto
Todo em fumaça
Uma fumaça escura
Tóxica
Entorpecente
Me deixam todos os sentidos
Inertes
Sem sentido
Algum
De ser
A não ser
Degradar
Os seres que aqui vivem
Toda essa sujeira
Me cega
Me ensurdece
Me emudece
Me emburrece
Me dá náusea
Me faz vomitar
Me faz perder o tato
Não há contato
Agradável
Apenas
Uma mistura de cheiros
De lixo e entulhos
De sons e barulhos
De idéias vindas
De gente que sofre
Do mesmo torpor

quarta-feira, janeiro 24, 2007

e esse blá blá blá
que não me esquece
e o tal de conversê
que não me aquece
e essa tanta demora
que me entristece
no meio dessa vida
[dentro de mim]
que floresce

terça-feira, janeiro 23, 2007

letrargia

verbo que me acena,
assim de longe,
meio pagão, meio monge,
ao largo do meu quintal.
me livra desse dilema,
dessa falta de poema,
desse estado de etc e tal.

segunda-feira, janeiro 22, 2007

.

Abriram a porta
E encontraram no canto
Trapos farrapos
Em desalinho
E um manual ao lado.

Disseram também
Que nada entendiam
Ao ler
E penalizados ficaram.

Desistiram
E poucos relutaram.
E de lá partiram
Entristecidos.

Numa estrofe
inteira e sozinha
a rima se desfaz.
Os versos fogem
E a poesia
Incompleta fica.

domingo, janeiro 21, 2007

AUTO, AJUDA?

De que vale o canto,
onde se come o prato,
se é de pranto?

Ser da arte o que faz,
se tudo nos parte,
se nos jaz toda paz?

Sou poeta, e daí,
se a matéria prima
pela vida?

sábado, janeiro 20, 2007

PEDIDO

Me põe no prato.
Me come com garfo.
Me come com colher.
Me faz teu macho.
Me faz tua mulher.

Me faz sobremesa.
Me faz antepasto
E festa surpresa.
Teu gato e sapato.
Tua notícia e teu boato.

Me faz teu jornal, tua revista.
Teu livro de cabeceira.
Me faz algo que você leia
E que siga contigo
Pela vida inteira.

Me faz tuas compras de supermercado.
Teus itens de sobrevivência.
Me faz teu cinto de utilidade.
Me faz teus poderes.
Teu segredo... tua identidade.

Me faz o que quiser.
Basta fazer!
E só te peço:
Me faz um pouquinho você!

sexta-feira, janeiro 19, 2007

Antes

Antes que te perceba céu,
Amante da lua,
Fundo de um telescópio.
Antes que te perceba vento,
Ao cortejar saias,
Contorcer palmeiras.
Antes que te perceba sol,
Raios tatuados no corpo,
Suor no decote gotejante.
Antes que te perceba horizonte,
Visão do abstrato,
Ponta de incerta conquista.
Antes que te perceba grande,
Tensão em estreitas frestas,
Alargando o que consome.
Antes que te perceba gozo,
Desfalecimento da razão,
Elevação molhada da alma.
Antes que te perceba frágil,
Cristal na quina da mesa,
Flor coberta de gelo.
Antes que te perceba,
Esquerdo bico do seio em riste
Pulsante ritual da marcação...
... me perceba...Antes.
Patrícia Marques

Minha convidada durante
o mês de janeiro.

quinta-feira, janeiro 18, 2007

À minha frente,
lá estava ela
Tão bela...
Eu vislumbrei
a Arte
E captei a mensagem
Ri. E chorei.
Eu não acreditei
Ela estava ali,
na minha frente,
entregue a mim,
a Arte...
E em meus braços, a tomei

quarta-feira, janeiro 17, 2007

então tá!
eu deixo
que a Sua vontade
seja feita
para que a minha
seja entendida...
[que tal?]

terça-feira, janeiro 16, 2007

cor & ação

meu coração
bate, bate, bate,
feito um tambor
tatibitate,
se perguntando:
até quando,
até quando?
até, quando!

segunda-feira, janeiro 15, 2007

Rotina

Em dias de profunda angústia
O verbo busca-me
Como quem quer açoitar
Com versos pontiagudos
De rimas nada brancas.

Persegue-me
Com a voracidade
De um cão no cio...
Ansiando cada dor
Farejando cada lágrima
E desejando cada suspiro.

Em mim desmistifica
Todas as utopias construídas em vão
Confunde-me
Como quem quer brincar
De maneira nada lúdica.
Só um desejo perverso.

Aquece-me em ópio amargo,
Extrai de mim o todo e o velho,
Banha-me em sua saliva
E esquece-me em folhas antigas

domingo, janeiro 14, 2007

CÂNONE BANANA

O que faz um cânone
Me faz banana
Não a de fedor poético, como em Gullar
Mas a rejeitada estranha
Tanto pelos gulosos de amor
Quanto por sedentos de academias
(Universitárias, mesmo, ginastas ou de letras)
Minha vitamina... de poesia
Não é ao branco do leite
É ao sangue da vida
.
^^^^^^^^^
Permitam-me comentar este poema, por favor: é mais um que escrevi na minha fase implicante com o que se vê publicado e valorizado em poesia por aí. Hoje já ando mais brando, mas reencontrei este poema e gostei, resolvi por à prova. Mas não sem deixar de comentar que muito felizmente queimei a língua essa semana ao comprar um livro de uma poeta totalmente contemporânea e reconhecida pela crítica, visto que o tal livro foi indicado ao Prêmio Portugal Telecom de Literatura. Estou falando da obra "Margem de Manobra" da Claudia Roquette-Pinto, é muito bom, em cada verso, recomendo fortemente.

sexta-feira, janeiro 12, 2007


Não tome meus olhos

O medo.

Dilate-os a esperança,

A sutileza da descoberta.

Se colírio fores,

Ao meu coração esteja aberto.

Se grãos de poeira ferina,

Reconheça-os sem alongar o tempo,

E renegue-os, com um sopro para longe.

Mas ainda,

Se brilho avistar

No sóbrio tom das íris

Insistes...

Faz-se enxergar por todo o meu corpo

E serás visão por toda a vida,

Reflexo em cada instante.


Patrícia Marques

Minha poeta-substituta, e convidada especial,
durante o mês de janeiro.


quinta-feira, janeiro 11, 2007

Num velho bar
coa vela
acesa
guardo
pra mar


Hoje, deixo aqui para vocês um poema de minha queridíssima amiga Elaine Lemos, que está aqui comigo no Rio, acompanhando todas as minhas presepadas!

Se quiserem prestigiar mais escritos dela, visitem:

Metade e Pedaço

quarta-feira, janeiro 10, 2007

A minha convidada está numa fase fantástica de sua vida. Pura energia, cheia de luz!!! Curtam bastante a Juliana Pestana, JuP como costumo chamá-la...
Ela escreve no delicioso
http://mendoscopia.blogspot.com/ !!!
________________________________________________

(H)A Luz

Há luz em toda parte
Um clarão ilumina o fim do túnel
Ofusca os olhos a beleza dessa estrada
O perfume que brota das flores reascende lembranças
Momentos nunca antes vividos
Mas que causam saudade

Cores múltiplas
Sensações únicas
Desejos e esperança se confundem e funde um ser único
Gigante pequenino
Pequeno ser tão grande
Grão de ouro luminoso
Revestido dessa energia
Magia divina que envolve
E recria cada dia dessa poesia

Toda a luz irradia
Magnífica com suas cores cintilantes
Esse perfume que eclode no universo
E chega a mim em devaneio delirante
Sonho acordado que ofusca e expande
Todo pensamento de amor
Irremediavelmente amor.

terça-feira, janeiro 09, 2007

[...]

poesia da pele
pálida pele preta
púrpura, praticamente pêra
pobre e popular, pura
pós-moderna, picassa
plesbiteriana e protestante
parâmetro
ponte entre paz e guerra
porta pra padre e pastor
poesia, partida da pele
de cor
pra pintor nenhum botar defeito



meu convidado é um misto. é amigo, sobrinho, parceiro. é poeta, observador. é bom de bola. é fotógrafo. futuro jornalista. seu verso é visceral. cotidiano, urbano, palpável. aqui vos apresento Leandro Ferreira, codinome Léo Pardo.

mais do mesmo em: www.trans-piracao.blogspot.com


segunda-feira, janeiro 08, 2007

Made in Japan :D

O manifesto literário em forma de quadrinhos é o que teremos. Quadrinho filosófico do meu convidado made in Japan ou seria Sampa?!
Com vocês o queridíssimo:
Toro!


domingo, janeiro 07, 2007

Advir (Há de vir)

(*Para San-chan, recordação de nosso primeiro encontro)

A dias adio
O dia
Odiado

Há dias de adeus
dias.. ao Diabo!

A dias adio,
Todos os dias,
O dia arredio,
O dia adiado.

Ah...

Há dias que adianto
Dias amados
Dias só teus
Dias ardidos
A ti dados.

Há dias
De ódio,
Há dias
De dia...

*Augusto Daue

^^^^^^^^^^^^^^^^
Amigos, leitores, poetas, blogueiros,
Nova semana de convidados, a primeira de 2007... confete! E o novo poeta do Orkut que quero lhes apresentar é o Augusto Daue. Descbri seu trabalho por acaso no orkut e foi um ótimo achado. É aquela poesia que sabe fazer filosofia mas que não sublima a rima. Alguns textos seus são proseados e ele me contou que atualmente está se aventurando por outros campos da escrita. Aguardemos, pois. Por enquanto, quem quiser aprofundar-se em seu saboroso trabalho deve visitar este tópico da comunidade Poemas e Poesias:
http://www.orkut.com/CommMsgs.aspx?cmm=87940&tid=2464615084584854399

sábado, janeiro 06, 2007

ABRIGO

Alguns, cercas eletrificadas
outros, arame farpado
alguns,
o mais moderno sistema de alarme
e carro blindado.

Equipe de monitoramento
localização por GPS
seguranças armados
até os dentes
câmeras gravando em VHS

milhares de sensores de presença
vigilância por satélite
todo mundo está seguro
todo mundo se protege

Eu?
eu me escondo
dentro de você!
Que lugar maravilhoso
pra se viver!

sexta-feira, janeiro 05, 2007

MARIA de TUDO

E era Maria a dona das rosas estampadas no vestido.
E era Maria a dona das rosas bordadas nas almofadas.
E era Maria a dona das rosas nos panos de prato.
E era Maria a dona das rosas nas cortinas do quarto.
E era Maria alérgica a rosas.

E era Maria a doceira da cidade.
E era Maria a fazer bolos.
E era Maria a fazer moles-marias.
E era Maria a adoçar festas.
E era Maria diabética.

E era Maria sempre sorriso.
E era Maria sorriso gentil.
E era Maria sorriso acanhado.
E era Maria sorriso gargalhado.
E era Maria triste.

E era Maria subindo a ladeira.
E era Maria a bufar.
E era Maria por debaixo dos peitos a suar.
E era Maria bunda a balançar.
Não era feia, era Maria.

E era Maria sol da tarde.
E era Maria noite e estrelas.
E era Maria canção do dia.
E era Maria humor pra toda sorte.
E era Maria sem norte.

E era Maria toda pudores
E era Maria toda calores
E era Maria terço na igreja.
E era Maria em cada cena.
E era Maria, na cama Madalena.

E era Maria.
E Maria era.
Do Inverno a primavera.
O que todo o mundo queria.
Até quando não sabia.

Patrícia Marques

---------------------------------------------------

Férias!
Olá, pessoal!
Apresento-lhes minha querida amiga baiana, Patrícia Marques, que será minha poeta substituta durante o mês de Janeiro. E eu terei um breve descanso. Ando mal-humorada e sem inspiração. Me perdoem! ;)
Mas vocês terão a oportunidade de conhecer a poesia da Patita, como eu a chamo, pela qual sou fã. Se não fosse por ela, e por seus escritos no Patriciando (que infelizmente está desatualizado), eu não teria entrado nesse mundo blogueiro! Foi conhecendo a sua arte que provoquei-me a libertar a minha... Foi com Dona Patita que tudo começou! E estou muito feliz por ela ter aceito o meu convite.
Espero que gostem e até Fevereiro! :P
Beijos!


quinta-feira, janeiro 04, 2007

Imposto anual - meu poema de anonovo

Ano novo,
novas promessas,
novas dívidas...

Se nós mantivéssemos
nossa vontade
de
viver bem
nossa vida
em dia...

Viva o ano novo!
Vivam mais um ano!
Mais um pra pagar as dívidas!
Vivamos!
Vamos
viver bem
nossa vida...

Em dias!

Feliz dia novo!

quarta-feira, janeiro 03, 2007

É de novo um novo ano.
E nesse primeiro dia,
acordei sem a pressa.
Lembrei que não fiz
as promessas à beça
porque perdi aquela
vontade de ser igual.
Tomei um banho-de-valentia,
vesti o meu melhor tempo.
O pontual chegou e
eu-esponja, pronta
pra sorver esse destino
que vem aos pedaços.
A continuação vertendo
todas as possibilidades...

terça-feira, janeiro 02, 2007

admirável ano novo

o ano é novo,
e o verbo amar:
ame você,
ame alguém,
ame outro ser,
aqui, mais além.
ame amar,
e onde há mar
tão bem.
ame a noite,
todo dia,
antes que seja tarde.
ame hoje, amanhã,
de norte a sul,
de céu ao léu,
com mais verdade.
ame Cabul, Israel,
ame aqui e acolá,
Istambul, Jerusalém,
Tel Aviv, Bagdá.
ame com fome,
com força,
ame com sede,
ame sem medo,
e todo anjo dirá amém.
ame Teerã, ame Saigon,
e Amsterdã também.

segunda-feira, janeiro 01, 2007

...

E ele chegou
Devastou tudo
Tirou tudo do lugar
Bagunça.

Trouxe um cheiro
Um gosto amargo
Pisava forte
Medo.

Apresentou-se
Contou sua história
E seus porquês.
Realidade.

Chama-se idade
Não faz caridade e
Deu-me um espelho
Nudez.

domingo, dezembro 31, 2006

REVEILLON (QUE PARA MIM É REVERÃO)

Verão corrompido pela epiderme do desejo
Instantâneo
(Como se para o ano...)
E são tantos anos
Nesse com e sem,
vocês, assins, meios em desequilíbrios
e aguardos...
(É que o aguardo é o que me guarda)
Me aguardem, então,
Vocês verão!

sábado, dezembro 30, 2006

CREPÚSCULO

Minhas almas tantas vezes
já se quebraram...
tantas tantas vezes várias!
E até os cacos, até esses
se despedaçaram
em tantas metades arbitrárias...

Algumas partes são pó
e pó apenas...
mas brilham!
Desafiando
a sua estatura pouca
e suas vozes pequenas!

Aliás, são estas
as que brilham mais
pois emergem em fogo e paz!

São plenos de braços e desejos, meus pequeninos cacos!