segunda-feira, julho 21, 2008

últimos capítulos

Fiquei de nos escrever um epílogo,
não escrevi.
já estávamos acabados.

domingo, julho 20, 2008

Final de jogo

Aos 45' do 2º tempo
virei o jogo
Eu ganhei

Mas era o empate que interessava

sábado, julho 19, 2008

Guerrilha

Pequenos segredos tremulam
no canto da tua boca...
Eu sei, mal conseguem se esconder
debaixo da tua roupa.

Se traem, se trazem, se levam
pra dentro do meu quarto.
Querem se materilizar
em gemidos e espasmos.

Tuas mãos tentam, inutilmente,
se crispar em posição de defesa.
Mas teus segredos, rebeldes,
viram a mesa.

E o que antes se escondeu
agora não mais.
Teus segredos vencem
e quebram o acordo de paz.





*

JARDIM

Não é apenas
uma flor a menos...
mas sim a primavera
que se retira, espera
por ventos mais amistosos...

Lamentamos, chorosos.

sexta-feira, julho 18, 2008

longe dela

ela estava com aquele olhar
aquele olhar distante
de quem procurava
a calma no horizonte

ela simplesmente mergulhava
e o silêncio a engolia
era quando a alma
vinha à tona
à revelia

quinta-feira, julho 17, 2008

construção

era
um canteiro de obras-
primas,

havia bem mais
que flores:

lá via-se
versos diversos
e rimas.

quarta-feira, julho 16, 2008

ah

aforismos a aparte
eu queria ser ele e ser teu
carnavalizar teus silêncios
e morar em tuas ausências…

segunda-feira, julho 14, 2008

goodbye, bluesky

Um mundo de dor
e num compartimento
à parte,
o amor,
como se fosse
da dor outra face
como se fosse
da dor,
desenlace
como se, doce,
ele fosse
tudo
que a causasse.

domingo, julho 13, 2008

Como se o tempo pudesse morrer

eu só queria matar o tempo
como se fosse possível
um pobre mortal tirar a vida
do senhor da verdade

como se eu pudesse matar
algo que eu nem sei se existe
de verdade
uma idéia
um ser
que parece mais ser
invenção de nossas cabeças

como se eu pudesse fazer esse ser
sofrer
e sangrar
até morrer

eu estava tão cheio de tudo
tão cheio de mim mesmo
e tão cheio dessa vida
que só faz seguir o tempo
esse ente que nunca pára
antes que eu pare

eu só queria matar o tempo
mas não consegui

agora,
só me resta
fugir

sábado, julho 12, 2008

Sábado

Hoje tem gente que não trabalha.
Hoje tem gente que aproveita
pra arrumar as tralhas.

Hoje tem gente que nem sai de casa
e dorme o dia inteiro pelado.
Hoje tem gente que come feijoada
acompanhada de um chopp gelado.

Hoje tem gente que aproveita
pra colocar os estudos em dia.
Hoje tem João que aproveita
pra ligar pra Maria.

Hoje tem gente que cultiva suas velhas amizades.
E outros que se flagelam nas catedrais da vontade.

Hoje tem gente que vai à roda-gigante.
E tem pessoas que encontram pessoas
e nunca mais são como antes.

Hojte tem gente que se nunca comeu melado
e de repente se lambuza.
E tem a moça que recebe carinhos
por baixo da blusa.

Hoje tem gente que sai de casa escondido,
esquece a porta aberta
e entrega o ouro ao bandido.
Hoje tem gente que gasta seu dinheiro
como se fosse o derradeiro.

Hoje tem gente que brinca de fazer poesia
e tem gente que lê e se delicia!

Hoje tem gente que sobe em pé de abacate,
pega um litro de leite e faz vitamina.
Hoje tem gente que compra chocolate
e leva pra sua menina.

Hoje tem gente que só espera o domingo
pra começar a outra semana.
Tem gente que se engana
e pensa que a vida é o trabalho.
Tem gente que joga baralho.

Hoje tem gente que escreve um poema longo
e acha que ninguém vai ter paciência
de chegar até o fim.
Pois hoje é sábado
e ninguém tem tanto saco assim.

sexta-feira, julho 11, 2008

Quando crescer...

Quero ser ele
Poeta louco
Leve e serelepe
Quero ser o pouco
Que ele escreve
Quero ser o riso
O poema abrigo
Que ele profere
Quero ser a rima
Da sua poesia
Quero ser a fã
O doce afã
Que ele oferece
Quando crescer
Quero ser Múcio

O Góes O tal
Meu love total
=p~

quinta-feira, julho 10, 2008

rumo ao Ramos

sei
que navegar
é preciso
desde que nascemos,

mas por hora
mudei o plano:
troquei os remos
pelos ramos

de Graciliano.

quarta-feira, julho 09, 2008

to g.m

deixa-me colar
a minha matemática
em tua filosofia?
se não der certo
a gente deriva
em vidas não reais
ou escreve uma
tese de existencialismo
topas?

segunda-feira, julho 07, 2008

poema estranho

Se escuta aqui
Que não é assim
Que não é nada assim
Que todo sofrer é ar cênico
Mas é .
Arsênico.
Que não é coisa temporária.
Mas é.
Água sanitária.
Que nem sempre a vida é curta
Mas é.
Cicuta,
Aqui.

Escuta aqui

Escuta esse último movimento
Porque dói.
Dói como veneno
lá dentro.

domingo, julho 06, 2008

Nada se cria

Neste mundo
em que tanto se ganha
e tanto se perde
Nada se cria
Apenas
se transforma...
...ou se copia
Mas não se cria
No mais,
se mente
O que há de mais parecido com
criação,
hoje em dia, não passa de
mentira,
ilusão...
Neste mundo, meus caros,
nada se cria!
No mais, se mente
E tanto se mente
que até germina
nas mentes de muitos
Essa erva daninha
que tem raiz curta
mas cresce cada vez mais
utilizando o mesmo adubo
de nossos sonhos...
E essa gente
é engraçada:
quanto menos pode,
mais sonha,
mais imagina...
Imaginação é terra fértil
onde tudo que se planta dá...
...e até isso, às vezes, é ruim...
E os frutos bons,
com certeza,
serão roubados,
ou vendidos a preço barato,
ou simplesmente entregues de graça
no fim...
Enfim,
meus caros,
nada se cria...

sábado, julho 05, 2008

Update

Hoje em dia é comum
viver na selva
e receber uma salva
de palmas
quando não se tem alma.

Hoje em dia é comum
levar uma sova,
tomar uma chuva
de porrada
e ficar quietinho da silva.

Hoje em dia é comum,
e niguém se salva,
seja Sávio ou Sílvia,
do silvo agudo
dos guardas do absurdo.

Hoje em dia é comum
ser o que não se é,
seja lá como for.
Hoje em dia falta amor.
Então compramos no atacado
e matamos o entregador.

sexta-feira, julho 04, 2008

ordinária

não quero esmeraldas
nem diamantes
meu fetiche é ser bruta

quinta-feira, julho 03, 2008

jardineiro fiel

vou fazer
um estandarte

um monumento
para estampar-te

uma obra de arte
um poema concreto

com as margaridas
que plantei

no teu
jardim secreto


quarta-feira, julho 02, 2008

mat(c)h

meu caro
há uma poesia
vibrando entre nós
em domínios fechados
ela dança e oscila em senóides
descrevendo uma trajetória absurda
traçando pontos em outras dimensões
enquanto isso minha alma tangencia a tua
em um universo eqüidistante e nada convencional
com você eu quero um binômio
quero ser parte do teu conjunto das partes
mais do que elemento
eu quero ser tua
quero aqui e quero agora
com você em um biombo
aqui, ali e a sós
cruzando paralelas no infinito
quebrando postulados
e parindo soluções.

Aline


terça-feira, julho 01, 2008

Caminhando e pensando

Existe uma certa profundidade
que ingênuo busco nas coisas,
e caricato (ou pior,
chato). Quando do nada
melhor seria a piada.

segunda-feira, junho 30, 2008

mas vou

Tou nem aí
Agora vou fazer só
O que me der na telha
Vou me agradar pra sempre
Ao menos enquanto durar
Essa centelha.

sábado, junho 28, 2008

Ele, o amor...

Hoje o amor
amarrou
os farrapos
e pôs
o tempo
dentro do
passado

Hoje me fiz
presente
me enviei
de repente
pra um lugar
escondido

perigo

O amor, hoje,
alinhou:
par a elos
e desordenou
os fusos
daquele eterno
futuro

O amor
finalmente
nascente
se fez jardim
e até agora
desaflora
em mim

sexta-feira, junho 27, 2008

O sorriso de Alice

O gato de Alice não sorri mais
Mas o gato de Alice não existe
Ele é apenas o espectro dos seus sonhos
Alice vive no mundo real
Olhando as estrelas que caem
E desejando sorrir mais

O gato de Alice não sorri mais
Ele se assustou com a maldade dos homens
Ele balança o rabo e se estica na grama
Olhando o mundo que cai
E desejando que Alice não sofra mais

parceria com meu querido amigo Fábio Mob,
que escreve sobre cinema aqui.

quinta-feira, junho 26, 2008

velejando a morte

Até quero ir,
mas quero ir em cova coletiva
cravejada de encantos falidos,
bandas fora de moda,
livros de bolso
e notas televisivas.

Até quero ir,
mas quero ir como quem volta,
e vai dando as costas
para os adeuses.
Assim como o barco
faz com o cais,
caio numa pétala se for.

E se acaso eu flor,
deixo esse longa-metade
baseado em fatos
e boatos

surreais.



[Múcio&Alex Pinheiro]

quarta-feira, junho 25, 2008

silêncio

Faz-se muito silêncio.
Não que isso não seja bom
mas é impróprio
torna-se nocivo
aos nossos corações

Pode me pedir para cantar
o hino da USSR
peça-me também para ler
bulas de remédio
mas, por favor,
não me peça silêncio.

Peço-te que me escutes
que estejas presente
pois essas ausências
machucam tudo o que
estar por vir.

Ainda e agora
quero que saibas
que tudo o que sinto
é novo e estranho
de um momento sem fim.



parceria com o querido Luiz Guilherme Amaral, que escreve aqui

terça-feira, junho 24, 2008

Verdade purinha

Era um santo, nem assim tão santo,
mas, ainda assim, santo, que desceu
do éter infestado de pedidos, lamúrias
e promessas para resolver as pendências
de um milagre digno de Cristo para Lázaro.

Costurar um manto sagrado, a sua missão
desafiadora um tanto, tanto que desfiou
até calejarem as asas sem pena ou pranto,
um santo fardo de um pano de vento
que curaria dos ébrios a sede e o lamento.

Mas um tal bêbado não queria saber de roupa,
de manto, de robe, de capa, qualquer coisa
de cobertura para a nudez desnuda e sem
vergonha – o álcool censura a censura
do pudor mundano que veste de moral
moralista o sujeito. Então o santo, que
não era tão santo assim desde o primeiro
verso, aderiu à braba birita e saiu também
pelado, cantarolando nu, pela avenida.

E os dois ali, reverenciando o álcool,
contrariando Alá e se sentindo algo,
festejando o eu - aquele outro Deus,
pelos bares e bares e breus da cidade.

Pronto! Estava feito o milagre milagrento,
ainda que o santo não soubesse que estava
feito e que o autor fosse um ateu bêbado.

(Deus age de maneiras misteriosas;
idem a cachaça).



parceria com o inigualável Remo, que escreve acolá

segunda-feira, junho 23, 2008

pinga ni mim

calma, não vá embora assim
a gente precisa de tempo
precisa de alento
que o céu mande uma pista

calma, não desista de mim
eu só preciso de palmas
preciso dumas boas almas
alguém que me assista

Calma, fica até o fim
Ao menos conte até cem
O que eu preciso é de alguém
Alguém que insista
Em mim.

parceria com a adorável miré, que escreve aqui.

sábado, junho 21, 2008

verso

vivo em noites dias
enluarando sóis, coração fugaz

vivo em dúvidas, vias...
de visita a mim mesmo, inconstante demais

tenho um vôo raso
sem norte, sem bússola
ao tempo e ao léu, sigo sem morada

tenho um tempo claro
que de pronto, num estalo
se transforma em madrugada

sofro, logo existo
sinto e o pecado é vão
perco-me, acho-me, desconexa canção

sofro, improviso uma linha
minto de mentirinha
volto e estendo a mão

e a cada dia novo eu me nasce do senão.

(alhi & moacir)

sexta-feira, junho 20, 2008

Matutino

Mar... e nada de novo.
E água e sol e sal.
Calmaria...
tudo parece normal.

Brisa... e um novo sopro.
E luz e bem e mal.
Magia...
nada parece real.

Corpos vão e vêm.
Sincronia...
tudo tão natural.

É mágico o momento
feito de pausas e vento,
feito de vida, afinal.

[moacir & mary]

quinta-feira, junho 19, 2008

Das antigas

Doer é coisa antiga
Vem de muito tempo atrás
Mãezinha já me dizia
"A vida é uma dor"

E é dor que vai além
Dessa sabedoria
Vinda das cantigas
Que falam de amor

Eu nem sabia o que era amor
Mas dor eu já sentia
Você nem existia
E doer já doía

Milênios, mil dias,
ontens, hojes, amanhãs;
dor é coisa com passado
que ignora nossos afãs.

Doer é coisa antiga,
e faz tempo que incomoda,
esse grande clássico
que nunca sai de moda.


[fejones & mucius]

quarta-feira, junho 18, 2008

picture of love

eu nada sou
sem ela
empty soul
um quarto vazio
dia sem sol

ela nada é
sem mim
broken heart
um suspiro vadio
noite sem fim

somos eu
e ela
uma love story
eu pincel
ela aquarela

[alhi & mary]

terça-feira, junho 17, 2008

banho de sol (2)

amanhã
pés descalços na areia
brisa quente nos cabelos
gotas de sal na boca
raios de sol entre os dedos
verão que desnorteia
a manhã

à manhã
verão o que incendeia
as vitórias sobre os medos
a sanidade de ser louca
e a pele pelos pêlos
dessa tarde que alardeia
amanhã
[mary & jardim]

segunda-feira, junho 16, 2008

sing along

quero fazer com você
um poema
do tipo ping-pong,
nada made in Taiwan,
nem Hong Kong.
quero um poema
que cale fundo,
que salve o mundo,
um poema ONG!
algo estilo Sting,
um poema estilingue
longo alcance,
algo entre BB King
e love song,
um poema very strong,
no mesmo ringue
Holyfield e King Kong,
quero fazer com você
um poema
do tipo ping-pong
algo que revolucione,
misture Caymmi com Alcione,
algo que não cale nada
um poema
gramofone.
[cza&mu]

domingo, junho 15, 2008

Campo minado

Os rumos que a vida toma
ou nossa morte iminente
simplesmente não dependem da gente.

Tudo começa
com o primeiro passo
embora nos falte tempo e espaço.

Estamos todos num campo minado
temendo pisar no lugar errado
e querendo mais que todos se matem.

As armadilhas, Deus as criou
e num estranho reality-show
nos transforma em personagens.

Não pedimos pra nascer
nem escolhemos onde, nem sabemos por quê;
tudo que nos resta é sobreviver.

[Fejones & Moacir]

sábado, junho 14, 2008

Reforma

Por mim não tem problema,
é sempre novo um poema,
mesmo quando nasce do que já existe,
mesmo quando há um dilema,
é como um som que persiste.

Todo novo é sempre um velho tema,
mesmo se ninguém ainda o disse
do jeitinho em que ele insiste,
de outra forma já inspirou a pena
de quem que sentiu como sentiste.

Nada se cria, tudo se transforma?
Então, poetas, à bigorna,
pois o mundo como hoje se apresenta
é soneto sem rima nem emenda,

é uma coletiva obra-prima
feita do que do que falta e do que sobra.
Eis que toda a matéria ainda é viva
quando um poeta a contorna.

Façamos então fôrma à forma...

(Grande Garden & moacircaetano)

sexta-feira, junho 13, 2008

primitiva (2)

sou a mulher das cavernas
que vai para a floresta
caçar grilos
e dançar com lobos

sou homo erecta sobre as próprias pernas
que pinta a testa
e lança gritos
para amansar os bobos.

(czá + mary)

quinta-feira, junho 12, 2008

solares

amores
se hacen
en
dolores

dolores
de
colores

colares
de mil
cores

calares
pelas
calles

millares
de millas
y
de amores

ao som
de flautas
e flores

[Mu & Moa]


quarta-feira, junho 11, 2008

indo!

eu vou andando atrás do trio elétrico
pois só não vai quem já morreu
e vaso ruim não quebra

sigo vagando pelas linhas tortas
pra ver se eu encontro Deus
ou as escritas certas

e do que me adianta
essa busca tamanha
se não sei para onde vou

vou andando, correndo
só sei vou!
e tu? porque não vais?
siga o trio ou busque alguém
apenas corra e não morra.


(aline+fejones)

terça-feira, junho 10, 2008

a conquista da derrota

Perdi a pressa
pra essa onda de acúmulo
e calma e risco e vínculo
do que ganho em minhas perdas.

Perdi a guerra, a graça,
ao cair do pano
em plena praça,
e nada mais me interessa.

[Múcio & Jardim]

segunda-feira, junho 09, 2008

todas as cores

traga todas as cores
do branco ao anil
e sente-se aqui, ao meu lado.
vamos tecê-las
pra não entristecer
o verde solitário do seu gramado
seja livre e ouse o que quiser
crie, aprecie e nao se limite.
tem que ser como for
tropeço ou flor
algo em que você se mire
mas não esqueça jamais
que cores são cãnções no papel
quanto mais coloridas
mais lembranças nos trazem.

(aline + czarina)

domingo, junho 08, 2008

O pulo

O pulo do tempo
tirou do impulso
o pulso e o poema

Uma força contrária
lhe trouxe à mente
o ser e o sentir

Um fechar de olhos
secou no momento
a lágrima e a história

A perda do tema
atirou no vazio
a pena e o poeta

(Fejones + Jardim)

sábado, junho 07, 2008

Ela

Ela vaga em solo impuro
Acariciando com a língua a banguela
A lua míngua no escuro

Enquanto à noite a minha janela
pula meu quintal de muro em muro
e devora as estrelas que olham por ela

E não importa se as portas
se abrem ou se fecham
As rotas não me importam

as horas já estão mortas
e por isso mesmo celebram
as mãos podres que despontam das hortas.

(moacir+cza)

sexta-feira, junho 06, 2008

semente

sou fruto de sentimento
que não larga o coração
não se traduz com perfeição
palavra nova
e velhos rabiscos
indizível que é

um misto de pensamentos
transgênicos
plantados no campo das idéias
se alimentam do mesmo adubo
dos sonhos
impossíveis que são

a seiva tinta da caneta
é extraída sem dó
para fecundar
dar vida
à minha vida

sou semente querendo germinar
nas mentes
e nos corações mais férteis

sou folhas brancas
caídas pelo chão
tentando criar raízes
para brotar poesia

(Ma + Jé)

quinta-feira, junho 05, 2008

ecos

dia vago
sem luz
ou afago

dia voa
não seduz
nem se diz
voz ecoa

dia vão
não reluz
só ao não

dia assim
se conduz
no estrago
até o fim
[Má & Mú]

quarta-feira, junho 04, 2008

um dom poema


todo bom poema
tem o seu dom:
roubar sorrisos,
e lágrimas;
mudar os tons
do tom.

todo bom poema
tem o seu dom:
de ir e vir,
ali e além,
romper o grau,
virar super-nova,
um bom poema
conserta, renova.

e além do mais
faz morada,
troca mobília
muda o velho, recria


é uma coisa séria,
bateu na alma,
reflete na matéria.

aline & múcio

terça-feira, junho 03, 2008

somos sinos sozinhos

só no nosso sono
somem sem som
a sombra dos sonhos

enquanto em alto e bom tom
sobem cortinas sem dó
sobre a dor de nossas sinas

expondo, assim, em praça aberta
sobre a luz dessas retinas
almas sozinhas, pesadelos tristonhos.

(aline + jardim)

segunda-feira, junho 02, 2008

climatempo

Passado frio
Que venta, venta
Nos faz tremer e inventa
Um velho jeito de inverter

Passado o vento
Que esfria, esfria
O próprio corpo esquenta
Um novo ontem pra aquecer

(czarina + jardim)

domingo, junho 01, 2008

Blog de 7 Cabeças - 2º aniversário - 2 cabeças por dia

Povos que têm visitado o nosso querido blog durante dois anos de existência (e persistência):

Preparamos uma surpresa bacana pra todos vocês!

Durante todo esse Mês de 2º Aniversário do B7C, teremos 2 cabeças por dia!
É isso mesmo! Poemas escritos a 2 cabeças -- ou a 4 mãos, que seja -- todos os dias deste mês de junho!

E, pra começar, um escrito da junção das cabeças de J.F de Souza e da Czarina!

Apreciem!


porque eu quero
ou porque não sei o quê
deixo tudo acontecer

deixo o mundo girar
só pra ver
o que será que vai ser

deixo a bola rolar
só pra ver
o time perder
ou a bola entrar
se vai escurecer
ou se vai clarear

deixo o mundo girar
só pra ver
como vai terminar
quem morre
quem casa
quem some
e quem continua igual

deixo a bola rolar
até ler o meu nome
no crédito final.

(Fejones + Czarina)



E não percam os próximos escritos! =)

sábado, maio 31, 2008

Paparazzi

Nããããoooooo!!!!!!!!!
Paparazzi não!!!!!!!!!
Quero, sim, o dinheiro,
vida boa o tempo inteiro,
carros, mimos, mulheres,
jantar de dois mil talheres
e os gritos da multidão.
Mas não quero a super-exposição!

Ninguém mais pode ganhar em paz seu milhão?

quinta-feira, maio 29, 2008

terça-feira, maio 27, 2008

Extrañamientos

1.
Não estou só quando
tenho meu papel
para o diálogo frio,
ou quando a esperança,
ou o medo de que não venha
a mudança tão cedo:
ando atrás da nossa lenha.

2.
Comi as empanadas,
as janelas, as vantagens,
até as calçadas, largas
avenidas, curtos alívios
da fome de ti, querida.

3.
São os meus silêncios, amor,
que me lembram teu dezembro,
trazendo em calafrios a estação
que não me sai do pensamento:
você, a quem meus olhos
ainda verão.

-------------------------
Abril de 2008
(da série Poemas Porteños)

domingo, maio 25, 2008

Decadente*

D e s e s t a b i l i z a d o
 I m p o s s i b i l i t a d o
E s q u i z o f r ê n i c o
 I r r e s p o n s á v e l
E s c l e r o s a d o
 E s t u p o r a d o
D e b i l i t a d o
 F r e n é t i c o
E s q u i s i t o
 R i d í c u l o
C h a t e a d o
 D e t o n a d o
E s g o t a d o
 C a n s a d o
E x a u s t o
 S ô f r e g o
T r ô p e g o
 H u m a n o
B ê b a d o
 I m u n d o
T o r p e
 M u n d o
P o r c o
 M o r t o
 A c a b a
T u d o
 P i o r
N a d a
 S i m
F i m
 N ã o
 S ó
 Eu


escrito em 6 de julho de 2004

sábado, maio 24, 2008

Em Obras

Desculpe-me o transtorno.
Estou sendo feito,
saindo do forno.

Estamos em reforma
para melhor atendê-los.
Vida desenrolando-se
em novelos.

Mais aguns instantes
e entraremos no ar.
Resta saber o que tocar.

Estamos em obra
por tempo indeterminado.
Sou meu próprio canteiro
de obras, interditado.

Desculpe-me a chateação.
Agora é a poeira,
mas é assim uma construção.

Vai valer o sacrifício.
Depois de tanto incômodo,
ficam os benefícios.

quinta-feira, maio 22, 2008

o risco de francisco

que as águas de março
lavem as mágoas do Velho Chico;

se é verdade que o rio vai,
digam ao bispo que fico.




terça-feira, maio 20, 2008

Otros aires

Borbulha o gás da água
e da rua, que reflete-

se em meu copo.
A beberia a ver

o que veria, mas já não
me compete o que haveria
no ontem e mais à frente.
Além da via daquela noite,

que não segui,
e alheia a mim
foi-te.

-------------------------
Abril de 2008
(da série Poemas Porteños)

segunda-feira, maio 19, 2008

(one night stand)

se não estamos dividindo saliva
ele está
cuspindo clichês.

domingo, maio 18, 2008

Olho em minha volta
Em minha vida
e...

Tudo
parece
fracasso

O que é que eu faço agora?
Dou meia-volta?
Vivo meia-vida?

É duro de admitir
que se viveu pela metade
a vida inteira...

Tudo
parece
fracasso

sábado, maio 17, 2008

Silêncio

Hoje não tem poesia.
Pois hoje
não quero anestesia.
Hoje quero a dor inteira
pra me lembrar
das minhas asneiras.
Hoje não quero paz
nem fantasia.
Por isso hoje
não tem poesia.

quinta-feira, maio 15, 2008

das ironias

a cirurgia plástica,
coisa infeliz:

arrancam-se
os olhos da cara

para se corrigir
um nariz.


queridos amigos, estarei lançando amanhã O avesso e o verso, meu livro. vontade sem tamanho de trazer todas as cabeças, pero, bem sei que estarão presentes. portanto, a quem for/estiver em Recife: Riachuelo, 267, Boa vista. 18:32h. grato e feliz! pedidos: oavessoeoverso@terra.com.br



quarta-feira, maio 14, 2008

ode ao casamento II


seu gemido
(peculiar)
todas as manhãs
me desperta
mas é fome
e não tesão...

terça-feira, maio 13, 2008

Jardín Japonés: Un Día de Abaporu

Apesar de Japonês
o Jardim (não eu,
o ponto turístico de Buenos Aires)
lembrou-me minha natal Copacabana:

aquelas bocas pedintes
de peixes, como meninos,
contrangendo-me à despeito da paisagem.

Antes havia eu visto Tarsila,
a Viajeira,
justo num museu da Argentina,
pela primeira vez.

Era novamente outro eu ali,
nem brasileiro sendo: mais
um Jardim estrangeiro
pelos dias que vivi.

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Abril de 2008
(da série Poemas Porteños)

segunda-feira, maio 12, 2008

das tragédias

Na desertidão abafada
No silêncio suspenso
do depois da catástrofe

Vê:
a silhueta ao longe
o poeta ainda anda
por entre os escombros
se abaixa
cata estrofes
e vai se curvando
com seu peso nos ombros

domingo, maio 11, 2008

sábado, maio 10, 2008

Andam à luz...

Um cão nunca ladra só.
Há sempre algo de co-
operação com seus pares.

Um inicia o processo
e logo outro, possesso,
imita-lhe os ladrares.

Então outro se anima
e forma-se essa linha
ligando-se todos os lares,

invadindo-me os sonhos,
assaltando-me o sono,
tornando areia os ares.

Logo ladra o mundo inteiro,
de janeiro a janeiro,
vinte e quatro horas por dia.
E eu, insone agonia.

Cães, não tem o que fazer?
Acaso dormem de dia
pra roubarem-me a noite?

Ah, quem me dera deter
o poder de alforria
sobre milhares de açoites...

Daí, então - cães - teria,
motivo de alegria
ao destroçar-lhes o lombo.

E, feliz com meu dormir,
ouviria-os ganir
de dor, enquanto meu sono
beija-me em doce abandono.

quinta-feira, maio 08, 2008

papel passado

houve um tempo
em que nossas lembranças
eram incríveis,
lembrávamos um do outro,
éramos infalíveis.

hoje a nossa memória
anda carente de indícios,
as cartas que um dia trocamos
não passam de vestígios
fenícios.

quarta-feira, maio 07, 2008

fato

meu sentir não cabe aqui
em mera grafia
talvez em ti
na ausência de sintonia

terça-feira, maio 06, 2008

El Árbol

Estável
como o movimento
dos carros que tentam contra a via,
a árvore
- em suas folhas, crescendo sempre -
abraça o bocado de vento,
dando sombra a alguns
e luz ao pensamento.

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Abril de 2008
(da série Poemas Porteños)

segunda-feira, maio 05, 2008

araçá blues 2

poema antigo, lá do outro blog, mas é que deu saudades.

Há algo de belo que emana
do solo profano
de Araçariguama
(talvez a falta de planos
ou talvez seja só
o cheiro da grama)

Mas não.

É sede
de conversa e de rede
de quatro paredes
de umas latas de brahma

ah :)

eu queria ser feliz assim
pelo menos uma vez por semana.

domingo, maio 04, 2008

É a festa da torcida campeã

A favor
do time vencedor
se juntou quem pôde

E o Respeito não conseguiu entrar
de novo...
É... Muita gente ficou de fora...

Quem é das organizadas, sabe bem:
compensa mais é ficar à margem

Pois nessa hora
que a margem
vira mar
todo o resto se afoga

Nessa hora, é a lei da Natureza quem manda

E não há batalhão que faça
essa massa
parar...

sábado, maio 03, 2008

Partida (Chegada)

Estou aqui.
Novamente.
E lhe trouxe de presente
um poema pueril
pra perfumar o teu dia
e iluminar o fim de abril.

Trouxe um abraço da saudade,
desses que vêm tarde,
quando a gente já quase morre.
Vem buscar, corre.

Trouxe um cheiro de avião,
um carinho em cada mão
e um pouco da poeira de longe.
Trouxe um beijo de chegada
e outro que já se esconde.
(despedida...)
Trouxe um ou dois pedaços de vida
escolhidos entre o pouco de mim que restou.
Trouxe o refrão da tua música preferida
e o meu medo de vou.

sexta-feira, maio 02, 2008

origami

nem sempre somos
o que queremos ser.

um dia,
   pássaros.
um dia,
   papel amassado
                no chão.

[somos as dobraduras da vida]

quinta-feira, maio 01, 2008

jaz mim

há quem chame
de dilema,
o que eu
chamo solidão,

isso de transformar
dor em dor,
chão em
chão.

quarta-feira, abril 30, 2008

em diante

eu quero de você
a distância necessária
e o nexo esquecido
sem meias e mentiras
quero o não
e sim talvez
a mala pronta
e minhas gavetas fechadas.

terça-feira, abril 29, 2008

Las Ruinas

São boas as ruínas,
nos dão certezas
também evanescentes:
há lua muito antes
do sol poente.


Abril de 2008
(da série Poemas Porteños)

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Andei sumido, mas passo por aqui
ao passo do caminho que ainda sigo,
atualizei a semana de convidados
com um poema do
porteño Borges.

segunda-feira, abril 28, 2008

gênio do crime

Era a celebração da paz
mas assim, sem mas
as nações apenas
reiteraram seu ódio
com uma branca revoada
de pombas-relógio.

domingo, abril 27, 2008

De todos os desejos

Eu só queria entender...

Ou aprender a viver
sem querer entender nada!

Um dos dois!

sábado, abril 26, 2008

O Mundo da Paco

Conheço há pouco tempo a Paco, mas certamente tempo suficiente para me apaixonar pelo estilo maravilhosamente único dessa moça.
Acompanhem aqui: http://omundopolemicodapaco.blogspot.com/.

E um tiquinho dela aqui:

*********************************************
O Menestrel, a Solidão e Eu.

Eu te digo não
E você me puxa pelo espírito e ensaia uma valsa sem música
Eu te digo não
E você desenha cores de flores que nunca vi
Eu te digo não
E você sorri “Tudo bem” com a grandeza de um moleque empinando pipa
Eu te digo não, e fujo a cavalo
E você ri. Ele sempre foge na sua direção.
*********************************************

sexta-feira, abril 25, 2008

mais valia

não vale
encontro com olhar solto

não vale
silêncio sem paz no peito

não vale
conversa em linha reta

não vale
abraço se o calor é escasso

não vale
mergulho profundo
quando o amor é raso

Sabrina

~~~~~~

Minha convidada é dona de um belo blog que conheci há pouco tempo, mas que já adoro. Sua escrita é delicada e cheia de suspiros!

Conheçam mais da Sabrina aqui: S u s p i r o


:)

quinta-feira, abril 24, 2008

no máximo o mínimo

Vem d´Além mar a minha convidada. Ana Oliveira, codinome Hemisfério Norte. Chegou por aqui, e logo percebi o seu gosto pela nossa poesia, e também a assiduidade de suas visitas, seus comentários. Assim, em visita ao seu blog, não foi difícil gostar do estilo, logo eu, admirador que sou do máximo no mínimo; dei de cara com seu bom gosto em forma poetrix. Então, por admirá-la e para agradecer o seu carinho para com a nossa casa, a trago aqui para que traguemos da sua poética.



as horas

em três tempos,
virgínia woolf
suicida-se.


suicídio

saltou para o abismo
em sombra.
continuou a janta



mau sonho.
a corda
e inerte baloiça


cordilheira

entre o mar e eu,
tento escrever.
subo a cadeira


o peso dos metais

o silêncio é ouro
quando não dói.
se chumbo, destrói.



obrigado, Ana!

mais aqui: http://ensaioscomcheiro.blogspot.com/

ou aqui: http://miniminimos.blogspot.com/


ps: um agradecimento extraordinário a nossa leitora Márcia que está sempre por aqui, e como não deve ter blog: muito obrigado, viu!

quarta-feira, abril 23, 2008

Domingo Qualquer

Manhã cinzenta de domingo,
muito verso e pouco siso.
Nove derradeiras horas
e ainda nenhum riso.



Meu convidado especial chama-se Pedro. Tem uma poesia peculiar e única. Em seu blog vocês poderão conhecê-lo melhor.


Mais de Pedro aqui: http://desinencial.blogspot.com


Abraços.

terça-feira, abril 22, 2008

JAMES JOYCE*

(do livro Elogio da Sombra)

Em um dia do homem estão os dias
do tempo, desde aquele inconcebível
dia inicial do tempo, em que um terrível
Deus estabeleceu os dias e agonias,
até esse outro em que o onipresente rio
do tempo terreno retorne à sua fonte,
que é o Eterno, e que se apague no presente,
o futuro, o ontem, o que agora é meu.
Entre a aurora e a noite está a história
universal. Da noite vejo
a meus pés os caminhos do hebreu,
Cartago aniquilada, Inferno e Glória.
Dai-me, Senhor, coragem e alegria
para escalar o cume deste dia.

J. L. Borges.

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Por motivos de viagem e imenso atraso, passo
por aqui a preencher meu espaço com um ilustre
convidado: Borges. Inauguro, assim, aqui e no meu
blog uma temporada de Poemas Porteños

* A tradução é minha.

segunda-feira, abril 21, 2008

Muitos de vocês já conhecem a lubi, e se não conhece já estava mais do que na hora,
afinal, ela é a menina do eterno coração na boca. aproveitem.

fui-me antes que o início tecesse a si mesmo
você disse e
eu calei que não sabia mudar meu não-estar

e o início já era o fim
como os mares
que minhas lágrimas não pingam

esses olhos secos
pela cegueira da poeira do encanto
que liberta[-se]
[d]o que invadiu
num instante tão fugidio
num piscar de olhos
dos moços anônimos
do tempo
dos seus
que eram meus e que já não são

e já não são a mesma nota nossas vozes
e não são uma nossas carnes
nossas almas
agora
faltando metade
que é você
e
não sou eu

meu coração
canta adeus porque acabou
eu continuo
e verão
[quem não sei e quem não sou]
o que se dá de

mim

[inabitada]

meu coração
conta a deus que acabou
sem crer e continua pulsando intenso
enquanto
tento
trans[cre]ver
o fim

o fim imposto
que verso
sem querer
renegando cada linha
que se faz nó na minha mão

sejamos nós atados com a vida que resta ainda
[sejamos razoáveis, ao menos]

e deixa

a solidão
talvez
já me acostumou
já se acostumou com meu ser só
[estado]
mas você ainda vai sentar
e esperar o amor que virá
e que não foi eu

meu coração despede-se
despedaça-se
sem sangrar:
adeus amor
meu

domingo, abril 20, 2008

Queria ser...

Para abrir mais uma Semana de Convidados, eu trago um escrito de Fernanda Paz! Mocinha campineira de uma maturidade que me impressiona, e uma visão-de-mundo que por vezes se mostra chocante - mas que muitos podem identificar como a mais verdadeira -, escreve coisas que me atingem com força, sempre. (Sou fã dessa menina!)

Apreciem!

Queria ser o que te instiga a vida
e não te prende ao esmo ininterrupto.
Queria ser teu empurrão
às tuas próprias envergaduras
ao teu centro
e ao teu apêndice
para apalpares em ti o que é humano
e sentires em ti
o que transcende.

Queria ser a brisa do teu jardim
a que antecede a chuva
que molhará as roupas no varal.
Queria refrescar teu rosto vermelho
acalmar os teus brinquedos
brotar no teu quintal.

Queria ser uma essência rara
de um livro que lês.
uma palavra de Clarice
invadindo teu peito
explodindo tuas veias
e por fim dormir nos teus glóbulos brancos.

Queria ser teus cílios-
a passarela longa
da tua visão
ao meu espírito -

Mas só sei mesmo do que sou
sou o que te ama
e que não tem maior fronteira
que me impeça de dizer
que isso já me basta:
- sou tudo o que eu queria ser.



Confiram mais escritos dessa moça aqui: http://animalsentimental.wordpress.com/

=)

sábado, abril 19, 2008

Epílogo

E então o que era amor
deixara de o ser.
Violência em suas reações.

E numa rima paupérrima com dor,
principiou a perecer
o paraíso perdido das paixões.

Truques baratos foram tentados.
Mas não iludem mais.
E o que era ponte tornou-se cais.


E então o que era amor
já não era mais.
E o acaso se instalou.

Sem rima, sem ritmo, sem refrão,
sem algo de substanciação.
Sem dança, sem rock'n roll.

Tudo o que podiam foi tentado.
Mas não adianta mais.
Melhor descansar em paz...

sexta-feira, abril 18, 2008

cão sem dono

você olha pra mim
com essa carinha
de cachorro abandonado

só falta abanar o rabo
e a única coisa que penso é
você bem que poderia se fingir de morto

quinta-feira, abril 17, 2008

confissão de febre

lamber tua pele
quem me dera
provar do teu doce
saber o sabor
do teu licor
quem dera fosse

quem me dera

flor

quarta-feira, abril 16, 2008

dano


deixa jorrar!
paixão nova é assim
que nem cano estourado
acaba em prejuízo.

terça-feira, abril 15, 2008

Todo poema

Todo poema deve,
por humildade,
ser alcançável.
Ou talvez mais,
oferecido.

Todo poema precisa
ser um tanto táctil
ou holográfico.
Ou amassável, mesmo
que seja rígido.

Todo poema, mesmo
que do umbigo,
não pode ser protegido.
Ao ponto de esconder-se,
que deixe ângulo visto.

Nenhum poema necessita
ser em nada como todos
os outros, mas como todos,
os outros necessita.

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Amigos, por isso convoco-os
ao lançamento do meu livro
todas as vozes cantam
hoje, às 20h, no bar Da Graça,
no Jardim Botânico. Mais aqui.
Aos que não puderem, peçam nas livrarias.
Aos que não puderem, encomendem.
Aos que não puderem, tudo bem também.
:)

segunda-feira, abril 14, 2008

verdades.

ignore as aparências.
as pessoas são sempre
um tiquinho mais frágeis
do que a gente pensa.

sábado, abril 12, 2008

Bode Count

Trinta e poucos anos...
mais perto dos trinta
que dos quarenta, salvo engano.

Uns tantos tropeços bobos.
Uma fama - imaginem! - de louco.
Uns ainda poucos cabelos brancos.

Infância veio e se foi.
Adolescência veio e se foi.
Sobraram-me feijões mexicanos.

Passada a era dos sonhos,
restam, ainda, risonhos,
planos de fuga y camiños lejanos!

sexta-feira, abril 11, 2008

sensatez

você merece o chute
mas fiz minhas unhas hoje
eu não mereço o risco

então fica
e me faz uma massagem

quinta-feira, abril 10, 2008

grãos ao alto


Somos o que somamos,
mil danos por ano.
Somos somenos,
grandes pequenos.

Somamos bem mais
que menos;
dores a mais,
danos amenos,

E se não amamos,
salvo engano,
eis o que somos:

Nem Mars, nem Vênus.

quarta-feira, abril 09, 2008

de olhos bem abertos

meus olhos vêem coisas
quase que psicografam memórias
claras e provocadoras
ficam a rondar-me
feito curumins encantados
luzes, lágrimas e sentidos
a rodar e rodar
...
fecho os olhos
encerro a sessão
volto a viver.

terça-feira, abril 08, 2008

(Nem tão João Cabral, mas em homenagem ao tal)

Quando a faca é só lâmina,
nem o bom poema
(desfeito do melodrama)
a trama anima
ou a rima ajeita:

é a conseqüência d'alma
(ou d'uma dama)
feito corte.


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* Amigos, em uma semana lanço meu livro, confiram aqui.

segunda-feira, abril 07, 2008

é, coraçãozinho doce...

Repare bem
Já não se escuta mais
Gente se chamando de meu doce
Honey, sweetheart
Essas coisas de casais
Nesses tempos de adoçante
Que já dizem bem na caixa:
Prazer sem culpa.
Essas coisas de amantes.

domingo, abril 06, 2008

1 / 10.000.000

Se você estivesse aqui
ao meu lado
pra somar
10.000.000 não teriam importância nenhuma
Seríamos 2 inteiros

Agora que me vejo só
1

entre
10.000.000
a proporção é bem píor

sábado, abril 05, 2008

Passeio

Adoro essas cidades feitas de nuvens
e seus belos arranjos.
Mas por elas não se pode andar.
A não ser que se seja anjo.

No pavimento branco refletiu-se
o branco-azul do firmamento.
As mãos se soltaram
e os olhos sorriram
a imensidão do momento.

Adoro esses espaços feitos vazios
e sua eternidade.
Mas poe eles não se pode voar.
A não ser que se seja saudade.

quinta-feira, abril 03, 2008

fogueira ou não queira

viver é fogo lento,
coisa que não pede pressa,
leva muito tempo.

viver muito me interessa,
coisa a que me sujeito,
e pago o preço,

até que a morte
nos depare,

mera mudança
de endereço.

quarta-feira, abril 02, 2008

ode ao casamento

Olha, eu te amo tanto
Que esqueci o quanto
Era bom estar apaixonada por você...

terça-feira, abril 01, 2008

Moderno moderno

O poeta moderno,
moderno literalmente,
faz do bloco de notas
do celular seu caderno.