domingo, maio 23, 2010
uma prece em meio às trevas
e todo o mal
de minh'alma
se dissipem
com a chegada
da alvorada
sábado, maio 22, 2010
Insight
Apesar de... tudo bem!
Mesmo que... tudo bem!
Olha, eu queria te dizer...
Ah, deixa pra lá.
Tudo bem...
Amor, sabe o que é?
Meu bem, me desculpe, mas...
Eh... ahn... quer dizer...
Ah, não importa mais!
Vá pro inferno
e me deixa em paz!
sexta-feira, maio 21, 2010
Sobre mar de carne e osso
por instantes é mar:
água e sal
- não só os olhos desse azul
que acinzenta-se quando tempestades
atrás de lentes escuras.
vertigem e me entrego
- sei a impossibilidade
de avessar naturezas conturbadas:
não há margem ou poro desafetado
pela penetração
perturbação de língua respiração e pêlos
ávidos por afogar sentimentos
barriga dentro e fora
então acredito em qualquer gota antes
como prenúncio de essa inundação
porque toda água nasce e vibra
invasão apenas
para após refluxo, a distância.
quarta-feira, maio 19, 2010
Chove sim, e porque não?
Chove pra fazer canção
cuva de inspiração
chove sim e porque não?
no asfalto frio do meu coração
Deixe que a alma lave e leve
deixe o que tiver de ser
brinque com seu filho
voe de ultra-leve
o que você vai ser
quando você crescer?
Dúvidas e contramãos
minhas mãos que escrevem tremem
deixe que os loucos tentem
deixe que os sãos se arrebentem
Nada do que foi ou fui
tudo do que sou em som
respostas em xeque
lógicas em teste
e eu ilhado no portão
Chove sim e porque não?
no asfaltofrio do meu coração
Chove sim e porque não?
no asfalto frio do meu coração
terça-feira, maio 18, 2010
Adorno
A coitadinha pendeu, mas voltou,
manteve-se no seu papel de enfeitar.
Passou de novo muito, muito concentrado em si.
Pisou, quebrou, uma pétala caiu, chorou.
Corri, cuidei, ergui.
Chamaram-no meus dedos cheios de formigas.
Dei-lhe minha flor cansada, doída,
que insistia no seu papel de enfeitar.
Enfeitou-lhe o rosto, fê-lo sorrir.
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vaivem
o mar
chacoalhando a praia de rebarbas brancas
às vezes tenta e às vezes cansa
o cobertor puído azul dessa criança roliça
a terra
curto demais, repuxa
de lá
pra cá
sem saber se lhe cobre
a cabeça ou as pernas.
domingo, maio 16, 2010
Conciso (Mais simples)*
meus
problemas
em
poemas
(se não os resolvo,
ao menos, torno as coisas
mais simples)
sábado, maio 15, 2010
Concreto
nascendo em meu corpo cinza.
Sinto falta do que nunca foi
porém sempre é, ainda.
Sinto falta das suas raízes
infiltrando-se em meus interstícios.
E em minha pele de cimento e areia
ainda queimam
suas pegadas, seus indícios.
Sinto uma saudade sua, sempre
que o sol ascende e se acende.
E essa vontade de penetrar
sua pétala luminescente...
sexta-feira, maio 14, 2010
então
conheço o verdadeiro
da palavra
desamparo
quando decide
caminhar o que é
desconhecido
para mim
(o vento assombra as árvores)
e ainda assim
estado comum:
as ruas e avenidas
ou estar parado
pudesse, fumaria mil cigarros
para terminar
a ausência das mãos
do vazio que é por dentro
o calor que apenas sai
em fumaças
apenas sai, não entra:
desamparo.
quinta-feira, maio 13, 2010
Agora eu entendo que não posso te tratar como uma cadela sem dono
que vem á minha porta ansiosa por um osso ou um pedaço de pão.
Eu devo confiar em ti. Permitir que entre em minha casa, oferecer um canto junto ao fogo, um tapete para dormir, um prato de comida só teu.
Não pense que não percebi que tens estado escondida sob as tábuas do assoalho desejando um lar, um lugar para descansar de teus tantos trabalhos. Precisas de um nome, da autoridade para afastar os intrusos, considerar tua a minha casa, a mim o teu criador e a ti mesma o meu próprio Karma.
quarta-feira, maio 12, 2010
Seu Sim
Mesmo quando diz sim
Não pelo o que há de liberto
Em simplório gesto
Vê-se pequeno
Menor que os insetos
Que sugam suas coxas
E logo rumam pra outra
Seu sim
Espécie de alforria
Negros libertos
A dizer:
Quase morro
Quando subo o morro
Sim
Som que espalha-se
Por entre as cortinas
Revistas antigas
Canteiros, cantigas
Sim
Prossiga
Em caso de dúvida
Liga
Jamais siga tendências
Elas tendem a desabrochar
Nenhum modo nem moda
Siga atentamente
Bobagem se preocupar
Com o jeito de caminhar
Tragos e conhaques
Esqueça os desastres
Lembre de sonhar
Não cure a ferida
Vil também vívida
Dói dos ralos cabelos
Até o vão calcanhar
Sim
Para travestis e putas
Vagantes, bruxas
E bruxos
Cortiços, luxos
Cantina, bar
Sim
Para o esfarrapado
E o burocrata
Sim sem ensaios
Sem jogadas
Sim
Ah sim...
Pra não negar
O osso
O esgoto
O desgosto
O cachorro
Sem molho
Ou com molho
Pronto pra salgar
O dente doído
Elo corrompido
O pai, o marido
O vão do umbigo
A centralizar
O que há de ser
O que há de sarar
Num tempo quando
Onde, ontem
Amanhecerá.
terça-feira, maio 11, 2010
Loquacidade
Abismo meus mistérios.
Compreendam meus silêncios.
Mais um roubado de lá: Metade e Pedaço.
sábado, maio 08, 2010
Lona
-Ladrão de mulher!!!!!!!
Coitado, nem sabe
que a mulher é quem rouba
o coração do palhaço...
e transforma em flor
o que um dia foi aço!
sexta-feira, maio 07, 2010
Bacana
ao mar
de copacabana
o aconchego de
permanecer
poder permanecer
desconsiderando as ondas
o ir & vir
das ondas
para nos alcançar
a pele.
porque a distância que não mantenho é
das minhas mãos da minha boca
em você tão bronzeada.
quarta-feira, maio 05, 2010
Vísceras Viscerais
Me insulta
Chuta
Quebre meus ossos
Veja sangrar meu nariz
Engula o diz que diz
E berra insana no portão
Soque, amasse, arranhe
Pode chamar sua gangue
Que atirem insanos
Seus meros canhões
Que abram feridas
Tal qual roupa puída
Costure os meus pulmões
Vísceras, viscerais
Deteriore meu crânio
Amarre os cortes num pano
E não se acanhe com meus ais
Martele, atire, fere minha febre
E os meus ideais
Carnavalize
Use o ardor dos bacanais
Coma meus olhos
Em frígido ódio
Só não me diga nunca mais.
terça-feira, maio 04, 2010
ainda que se escolha reafirmá-las nos dias
até o último.
Qureres têm que nos querer.
Permanece um poste ou uma lua gorda
iluminando a calçada, a calada,
mas sentimentos medos
sombreiam os peitos.
Um facho sai de tuas mãos.
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domingo, maio 02, 2010
imagem e palavras*
poesia
para os olhos que veem
o indizível
as palavras
deixamos pra dizer
do que é
invisível
sábado, maio 01, 2010
Postergação
quer o que você quer.
Parte não.
E parte de mim
a dúvida que paralisa,
prende ao chão.
Parte-se em mim
a força (outrora inquebrantável)
e me quedo sem ação.
Parte de mim
quer o que você quer.
Mas hoje não...
sexta-feira, abril 30, 2010
Possessividade II
pelo que já disse tantas
vezes: possessividade
e viver em círculos com
frases frases que não são
poemas.
porque me vem sempre
como inspiração
sua presença.
e não te quero
lábio palavra idioma
de outrém
não quero
repartir minhas migalhas.
quinta-feira, abril 29, 2010
que não importa tanto
e você aguenta e vence outro dia
e vence outra noite
e você vai e acredita e está tudo bem.
Quando as coisas se arrastam e não aparece saída
e todo o seu mundo está embaçado
e nada parece suficiente.
Mas se você acreditar, está tudo bem.
Tanta coisa querendo acontecer,
ainda que longe do que devia ser.
Porque há um buraco em tudo o que existe
e é bem por aí que a luz pode entrar.
quarta-feira, abril 28, 2010
Distintas abstrações
Frestas, certas estranhezas
As dúbias respostas e os ratos
Sorrisos baratos de sábado
Os carros todos se entranhando
Um dia ainda conversam
Fumaça de breves cigarros, enganos
Amores de final de festa
A vida lá fora e aqui dentro
A vida pulsa todo instante, inteira
Nos becos e nas avenidas
Favelas, palácios, asfaltos, polícias
A lapa é o espelho e a nudez da vez
Bandidos, patrícias, malucos e bichas
Os mares arrebentando
Nos pálidos pés de clarinha
As doces memórias de infância
O cheiro do bolo e a farinha
Os destinos que se entrelaçam
Nem sequer se perguntam nomes
Distantes olhares, pertos horizontes
E as ondas que vão navegar para onde?
Perguntas e vinhos tintos
Distintas abstrações
Pianos e violinos
Destoando as canções
Eu trago sempre comigo
Um verso no bolso e no riso
Passante do Rio, eu vou indo
Até Posto 9, brados coloridos
Me despeço das tantas pernas
eternas, demônias, morenas, só delas...
Meninas do Arpoador
Eu amo seus olhos vermelhos
O samba no andar e na cor
Sutilmente me chamou
Pois é, mas já vou...
Já é, paz e amor.
terça-feira, abril 27, 2010
Sem planos
morreremos.
Tudo o que me é escuro não é futuro, amor,
é o ir vivendo.
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segunda-feira, abril 26, 2010
slice
um instante de vida congelado
como que por susto
cuja expiração suave você pode quase ouvir
se parar por um minuto
de respirar.
domingo, abril 25, 2010
em que meu templo
veio abaixo
eu me ponho a
cavar
buracos
como quem cava
sua própria cova
finjo que perdi a fé
enquanto trabalho
o alicerce
e preservo
o que de bom
sobrou
o que sobrou
de pé
sexta-feira, abril 23, 2010
quarta-feira, abril 21, 2010
Cinco para às seis
das noites mais frias daí
de longe assim dá pra sentir
o descompassar que há de vir
Qual é a hora?
quando é verão pra lá do horizonte?
se for agora...sempre demora
mais um segundo fluindo os instantes
E essa saudade
qual o assunto da pauta do mês?
tantos caminhos indo e vindo...
quase só, quase sorrindo
quase cinco para às seis
Viajante dos muitos mares
amares por todo o quarto
ultrapassando as cortinas
reverberando os compassos
Sereia desta baía
seria alheia aos meus versos?
toda distância em si chama
para bem mais que o mais perto
Musa das canções que fiz
junto ao baque das ondas
pés na areia, sigo às tontas
como fosse tudo afinal de contas.
terça-feira, abril 20, 2010
Promessa
Até o último, os acenderei! -
Foi minha promessa.
Não pude cumpri-la.
Cigarros, ainda os tenho.
Meus cinzeiros é que estão cheios.
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segunda-feira, abril 19, 2010
dois curtos
o que é o céu
senão um imenso
olho azul?
e o que é a noite
senão o momento
em que ele
pisca?
***
não me diga o que você pensa que eu sou
eu posso aceitar a sugestão.
domingo, abril 18, 2010
Horizontes
nós já nos miramos
nós já nos juntamos
agora,
seguimos em frente
nos atravessamos
sexta-feira, abril 16, 2010
Sampa
embora minha, quando
humanos integram a paisagem
concreta dos prédios.
eu me pergunto
que jeito essas caras
esses corpos
diferentes do meu
consumidos pelo vazio
que é a madrugada,
mas para sempre.
quinta-feira, abril 15, 2010
essa teia de ruas onde não há uma aranha sequer
para justificar a existência da Cidade.
Por trás dos olhos das casas percebo rostos ansiosos;
o medo a dúvida a procura.
Quentes ares do Senhor Cidadão
precificados num silêncio de depósito.
Sobreviver na cidade é ter a paciência das pedras do calçamento,
acreditar que o caminho possível
é tirar o melhor desses tempos escuros.
terça-feira, abril 13, 2010
Safra
há sempre um nariz carregando verruga
chovendo tristeza nas sementes.
Em um outono azul, colhem-se os frutos.
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segunda-feira, abril 12, 2010
Point of no return
Na esquina seguinte
Eu fecho os meus olhos
Eu conto até vinte
Eu vou dar outro passo
E nem posso dizer que pisei
Sem querer
Se eu sei onde vou.
domingo, abril 11, 2010
Dor avante*
[h]a dor
: com isso em mente
eu vou
sábado, abril 10, 2010
Triz
Mas eu desvio.
Negaceio.
Revolteio.
Me delicio
com a disputa.
Não fujo à luta.
O fim me ameaça
e passa
perto da jugular.
Mas eu não me importo.
Eu sei jogar.
E no momento certo,
o movimento esperto.
O fim, coitado,
desesperado,
sem chance alguma.
Mato o bicho à unha!
sexta-feira, abril 09, 2010
Possessividade
em não ousar poesia é
não querer-te
lábio idioma palavra
de outrém
e a in-corporação implícita &
disfarçada de apreciar poesia
porque poesia é você
sobre todas as coisas e
eu não quero eu não ouso
eu silencio
para você ser só meu.
quinta-feira, abril 08, 2010
terça-feira, abril 06, 2010
Lida
todo santo dia
faço uma boa ação
exerço a cidadania:
durante o meu turno
dou todo o meu sangue
a um sedento vampiro diurno!
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segunda-feira, abril 05, 2010
giro
Fui dar a volta no mundo
Fui ver a cara
Da face escura da terra
Fui ver a razão porque dizem
que quem anda, erra
girei no sentido contrário do mundo
desafiei a gravidade
segui satélites
girei meus olhos nas órbitas
e meus cartões de crédito
conquistei meu espaço
não estou mais débito
comigo.
domingo, abril 04, 2010
passagem
de julgados
a perdoados
logo mais
se descobriria:
eramos nós
os únicos culpados
sábado, abril 03, 2010
Ao csap
leve demais... vazio demais...
uma tranquilidade, uma paz...
Tentou pensar no que lhe acontecia
mas não podia!
Algo em seu cérebro estava imperfeito.
Não se sentia onipotente, onisciente...
Algo não estava direito!
Tentou ouvir as milhares de preces diárias,
as súplicas, as lágrimas várias,
os cânticos de dor e de agradecimento,
o coro infinito e lamuriento
dos pobres seres humanos....
Mas devia haver algum engano!
Nada, nada estava lá.
Nem as procissões, nem o professar
da fé em corredores escuros,
nem os confessionários,
nem os doadores milionários,
nem os dízimos suados de quem não tem pra dar.
Nada de sacrifício de cordeiros,
nenhum ritual de auto-imolação,
nenhum homem-bomba em ação.
Não ouvia ninguém nos confessionários,
nem a oração dos santos,
nem os pedidos de perdão dos salafrários.
Tudo completamente mudo.
Toda a balbúrdia de seu mundo
transformada num silêncio enlouquecedor.
E foi-lhe aumentando um temor...
E a conclusão surgiu, dura e fria:
nesse dia,
Deus descobriu que não existia!
sexta-feira, abril 02, 2010
Pedrita
adivinha haver dores
mas não onde: massageia de
minhas costas até as pernas.
pedrita ainda não descobriu que
o que dói em mim é dentro.
quinta-feira, abril 01, 2010
As estrelas esta noite estão sorrindo
e nos observam correr vagalumes
descabelados rindo e gritando
como se não existissem medos
Entre as sombras das velhas árvores
sem fôlego voltamos à cabana
sorrindo de volta em gratidão
para cada estrela brilhante.
terça-feira, março 30, 2010
pusilanimidade
um javali pendurado na orelha
uma bola de ferro em cada pé
de uma borboletinha tonta
que só tem vontade de só voar
e pousar naquela flor azul.
Roubado de mim mesma, lá do Metade e Pedaço.
domingo, março 28, 2010
a natureza
das coisas
a vida
me oferece
tão poucas
opções
e eu não sei
de quem é
a culpa
ou se posso
querer
mais
Insônia
a dúvida, amor:
como usar os freios
se sou acelerador?
sexta-feira, março 26, 2010
quinta-feira, março 25, 2010
Você acha estranho, diz que eu mudei.
Você deve estar brincando comigo.
Porra, tanto amor desperdiçado.
E se os meus olhos parecem tristes, não se preocupe com a minha cara.
Eu te vejo em toda parte, devo estar mesmo ficando louco.
Fico tentando me esconder de mim mesmo, me sentindo um idiota.
E se por acaso me ver na rua, olhe para o outro lado.
Ridículo, sorrindo por entre as lágrimas.
Não repare nesta minha cara.
terça-feira, março 23, 2010
História de um pescador
mas não levou arpão
anzol isca caniço
molinete linha nem rede
Primeiro molhou os pés
depois decidiu mergulhar
(a decepção)
Naquele dia
Omar estava mais para ostra
do que para peixe
segunda-feira, março 22, 2010
celsius
curvada de frio
atulhada num bolso
qual uma luva esquecida
o vento 'e sagaz
encontra frestas em tudo
volta e meia, um tremelique.
`as vezes eu desconfio
o inverno so chega
onde falta calor humano.
domingo, março 21, 2010
Dissipa-dor (Coração de alumínio)
a distância
e os ventos
e os nãos
me fazem
frio
tuas lembranças
já não me aquecem
mais
sábado, março 20, 2010
Amanhecer
as coisas ganham vida!
Ou quase. Desconhecida,
a felicidade passa ao lado
e a gente nem vê.
Segue, passo acelerado.
A manhã se enche de carros
e pessoas e engarrafamento.
A todo momento
acelerador, embreagem e freio.
Ninguém diz a que veio.
O cansaço não foi embora,
apesar do sono pesado.
Cansaço acumulado.
Pouca alegria demais.
Falta de motivação.
Falta de paz.
Excesso de nãos.
Atrasado. De novo.
Novamente o trabalho.
o chefe legal, mas muito exigente.
Ah, se não existissem os clientes...
O olhar ao longe
não esconde
nem revela.
Apenas pensa em tempos passados.
Quando tudo era simples,
descomplicado.
Futuro = passado.
sexta-feira, março 19, 2010
quinta-feira, março 18, 2010
terça-feira, março 16, 2010
jogo de azar
Não cuido do futuro...
as grades ficam destrancadas,
os pedais voam sozinhos
meus pés têm quereres que não são meus,
os giros são involuntários
assino acordos jogando dados,
meu próximo endereço nem existe
meu destino é não acreditar na minha sina
e contar sempre com a sorte
Nestes dias, tenho contado à sorte
sobre todos meus reveses
segunda-feira, março 15, 2010
a educação física de j.g.
vai até onde minha vista alcança
uma sala fechada
é como morar num meteorito
a cabeça já quase rasgando
a gaze da atmosfera
vamos perder as rédeas, as estribeiras
dane-se, vamos perder mesmo os cavalos
e mover a carroça com a força bruta do entusiasmo
me dê um ombro de apoio
e eu poderia mover o mundo.
domingo, março 14, 2010
*
sempre deixa
a saudade
jogada
no chão da sala
vou guardá-la
num cantinho especial
tirar a poeira
arrumar a bagunça
da casa-coração
deixar tudo pronto
pra acolher
quem chega
sábado, março 13, 2010
Fumaça
tem uns que descem, outros não.
Quem não desce fica ali, suspenso no ar.
Os pássaros passam, passam...
são transitoriedade e canção.
A gente quer prendê-los com o olhar.
O ruim é que pra saudade
não há rima possível
com felicidade...
quinta-feira, março 11, 2010
quarta-feira, março 10, 2010
Aborreci-me.
Aborreci-me.
Sim, dessas zangas de pedra dentro da gente.
Tão pesadas, majestosas e imponentes, pedras.
Sim, seria mais prudente fazer as malas, fechar as janelas e ir-me contigo.
Mas quem cuidaria de nossas paredes? Dos nossos espelhos? Das palavras escritas no vento?
Resolvemos que eu ficaria.
Mesmo quieta, mesmo sentida, ainda que só terça parte.
Mesmo que não perto, somos um inteiro.
Três partes de um todo pleno, que sempre chove amor.
E não tem verso, nem música e nem prosa que me faça esquecer.
Tudo perde a graça, perde a rima e o frescor.
Em mim o eco de um delírio travesso.
...
Aborreci-me,
Mas foi de saudade, que o meu peito chorou.
terça-feira, março 09, 2010
segunda-feira, março 08, 2010
jornada
O vazio que ficou
quem vai preencher?
É mais um pequeno mundo que acaba
éramos um bicho que era um só
uivando agora com 5 bocas
esse vazio que fica
quem preenche?
Se as pessoas todas tem formatos
diferentes.
Se a terra fica estéril quando bebe sangue de hydra.
Se minha mitologia fica manca.
Se meu braço decepado ainda sente.
Se o morto dessa maca ainda está quente.
Se não tive tempo de colher flores. De cantar cânticos. De mandar trovoadas.
Se as trevas não inspiram alvoradas.
Se as manadas ainda esperam os ausentes.
Se nada, se mais nada
se uma semana
se uma vela
de sete dias
se eu acender minhas utopias
se eu plantar outra semente
será que esse vazio
se
preenche?
domingo, março 07, 2010
Partilha*
um pedaço
do meu
coração
a cada
partida
com os outros tantos
pedaços que ganhei
o refaço
mas o pulsar
é diferente
descompassado
descompensado
a cada
batida
Semanas Especiais - Chegadas e Partidas
Múcio e Marina...
Duas cabeças, das que sempre estiveram. Das que sempre estarão. Mesmo ausentes. Dois seres luminosos, de beleza, de vida.
A partir dessa semana, não escrevem mais nesse espaço. Seguem outros caminhos. Borboletas.
Suas asas, inquietas, continuarão a espalhar cor e pólen, poesia e amor.
Em suas cadeiras, borboletas outras. Não exatamente novas, pois sempre estiveram por aqui, voa-voando.
Antes eram olhos, agoras são cabeças. Gil e Lubi.
Poesia de qualidade pro nosso espectador. Mantendo o nível, sem deixar a peteca cair. Enjoy them!
(Mas a saudade... ah, a saudade...)
por Moa.
Creio que, com estas palavras, expressamos nossa alegria. Pelas chegadas e pelas partidas. Pela maravilha que é viver essa vida. Que, nessas horas, se confunde com as ondas do mar.
E, assim, damos início às Semanas Especiais - Chegadas e Partidas. Para celebrar os que vão e os que vêm. E a Poesia que já banhou e que sempre há de banhar esta nossa praia.
sábado, março 06, 2010
Nós, girafas...
quarta-feira, março 03, 2010
\ignore
quando você por mim passa
e disfarça...
terça-feira, março 02, 2010
Ester
a vigiam das alturas.
Tremeluzem
vozes dizendo que a amam.
Piscam piscam
anos-luz de saudades.
Caída e solitária,
contempla a noite clara.
As irmãzinhas
lhe brilham as lágrimas.
domingo, fevereiro 28, 2010
uma questão de fundamento
cairá por terra
isso é uma questão de fundamento
mas me espanta quantas delas restam de pé,
o tempo que permanecem...
é o tempo de se instalar, fazer morada...
dá até pra se acostumar com elas,
esquecer
ou desacreditar
que vão desmoronar
- e vão desmoronar, isso é certo!
já disse:
isso é uma questão de fundamento
toda mentira
cairá por terra
mas
quando?
até
quando?
segunda-feira, fevereiro 22, 2010
Conhece o mário?
Não tem mistério -
não se leve mais a sério
que o necessário.
E, se preciso,
perca o juízo.
Ser sisudo é que é hilário.
domingo, fevereiro 21, 2010
pra dormir tranquilo
imponentes edificações
da selva
de pedra
me olham de cima
(os pobres diabos
em suas entranhas
a me fitar
curiosos)
senti medo
- mas também, um estranho desejo
de que eles desabassem
sobre
mim
quando a gente acordar
quero te dizer que a felicidade vai
desabar sobre os homens, vai
desabar sobre os homens, vai
desabar sobre os homens.
("Menina, Amanhã de Manhã", composição de Tom Zé e Perna)
sábado, fevereiro 20, 2010
Imóvel
quarta-feira, fevereiro 17, 2010
nas migalhas desatentas
encontrei-me.
eram tantas, que me perdi.
não contente fiquei.
pois as respostas vieram ter comigo.
perdi assim, todos os meus esconderijos.
terça-feira, fevereiro 16, 2010
da importância de uma trilha sonora
isso é tão pouco,
esse barulho mecânico
que as coisas fazem
talvez só por achar que é o que devem fazer.
é uma melodia pobre
quando a gente merece um gran final
com direito a fanfarra
limonada e tudo
saxofone, tímpanos e - porque não?
um escocês tocando a gaita de foles
ou uma valsinha daquelas que meus avós rebolariam bem junto
uma musiquinha alegre
ou só uma vontade
de assobiar
desde que seja uma canção bonita
e bem comprida
pra gente ganhar uns minutos
antes de acabar.
domingo, fevereiro 14, 2010
Prático
longe
Minhas mãos não estarão
sujas
Ninguém saberá
E sobrará
no lugar
um amplo terreno
onde se possa
plantar
algo que vale a pena
deixar crescer
sábado, fevereiro 13, 2010
Inventário
Um dia tudo foi infância...E bicicletas eram mais importantes que tudo!
E passarinhos, passeios e pirulitos,
chocolate e queijo no palito,
pipoca, algodão-doce, desenho animado
e meu avô, na rede, deitado...
Um dia tudo foi esperança
e não havia morte, perda e luto.
E não haviam dívidas nem salário,
testamentos e inventários,
nem tanta distância a ser percorrida...
Um dia tudo foi vida!
quarta-feira, fevereiro 10, 2010
Espera
Com a fé pendurada na janela
Esperei por um milagre,
Que chegaria ao em entardecer.
Vieram as cigarras, os serenos, as nuvens maquiadas
E por fim, o brilhar de estrelas.
Continuei a esperar.
Esperar é contínuo,
Percebi, então,
Que os milagres não gostam dos anoiteceres.
Preferem os raios de sol, os orvalhos e o estalar de novos dias.
E quanto a mim, eu apenas espero... pois aqui, é sempre noite.
segunda-feira, fevereiro 08, 2010
incompreendedor
por que tem olho
o furacão?
domingo, fevereiro 07, 2010
sábado, fevereiro 06, 2010
Sibilo
Os de bom tom
e os de tristes matizes.
Te vejo com todas as tuas vestes.
E me vês com o que me imprevisto.
Por vezes o sub-reptício
quase arranha a superfície...
Mas é só um lapso...
Somente um risco em nossa planície!
quinta-feira, fevereiro 04, 2010
Essa dormência na alma
Vejo meus pés em brasa
É como se meu corpo não existisse.
Na iris as memórias vivas
De um vôo rasante
Com asas de papelão.
terça-feira, fevereiro 02, 2010
ausências
Me fere
Feito
Navalha...
E eu sangro
silêncios
segunda-feira, fevereiro 01, 2010
problema
Não se resolve com fórmulas
Poema não é matemático
Apesar de ter tema
Um verso pode ser livre ou pode ter métrica
é bem mais psique que aritmética
Já sabia o Pessoa que um poeta pode ter muitos ângulos
e outros tantos lados
Pode ser agudo, redondo, trapézio
Só não pode ser obtuso
ou quadrado.
domingo, janeiro 31, 2010
*
leve
essa
dor
junto
com
você
agora
é o
que eu
mais
quero
sábado, janeiro 30, 2010
What if...
E se nada for tudo isso?
E se todo essa farsa
for parte de cada
passo
e eu não passasse
por isso?
...quanta economia de lágrimas
e sorrisos...
quinta-feira, janeiro 28, 2010
Ferrugem
É além de sobra e vão.
Costumo esconder-me
Tão longe e tão dentro
Que nem sei com sair.
Não ouso deixar pegadas
Detestaria ser pega.
Prefiro ser prego
Invadido por ferrugem e terra.
segunda-feira, janeiro 25, 2010
relativo
eu já começo no demais
ao menos,
para os meus sonhos pequenos,
o sucesso é em doses
desiguais
domingo, janeiro 24, 2010
Viciado
secar
de repente
a mente
em colapso
mil agulhas
pulsam
dentro do peito
e essa vontade
de novo
http://escuchameporra.blogspot.com
sábado, janeiro 23, 2010
Parta!
Leva sua tralha!
Seu jeito falho
de filhadaputa
não combina com minha pose de canalha.
Por isso parta,
não fique perto.
Sou muito esperto
pra essa porra.
Saia, fuja, corra, parta, morra!
Já disse: parta!
Fecha essa porta!
se finge de morta
e deixe estar!
Deixe seus olhos na sala de jantar...
sexta-feira, janeiro 22, 2010
não quero uma vida cristalina
preciso do embaçado
e do cheiro de dúvida
quinta-feira, janeiro 21, 2010
deleite&leitura
se Lenine
me faz
bem
Lerminski
me faz
bem mais
é sol
abrir
um livro
que
tanto
faz
quarta-feira, janeiro 20, 2010
Carmim
É a ausência que corrói meus dias. A lembrança do suor, o odor tatuado nas paredes. A idéia de ter um nome junto ao meu. Insanos fomos ao acreditar que tudo era ausente de data, hora, tempo. Nesse labirinto em que me encontro, escrevo os pensamentos que tive enquanto nós. Palavreado par, palavras que se escoram uma nas outras, mas não me valem porque sou ímpar. De mim escorre carmim. Vermelho que me cega. Dura sina da escolha imposta, do passos que não vou dar.
terça-feira, janeiro 19, 2010
baú
amenas
não para
(im)perfeitos poemas...
acumulo-as, apenas...
não para prendê-las
numa pequena estrofe
mas para aprendê-las
... serenas
- quando a poesia
foge
segunda-feira, janeiro 18, 2010
indefinito
eu amo em câmara lenta
no tempo do vácuo
na lentidão do vazio
no buraco do espaço
eu amo devorando o traço
do nada que resta
como o olho que ainda vê pelas frestas
uma estrela
que já apagou.domingo, janeiro 17, 2010
Abóbora
eu já estava embriagado
covarde
fugi
com medo de me tornar
coisa pior
(eu sou mesmo um banana...)
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sábado, janeiro 16, 2010
Rotina
quando estamos longe.
Não me leve a mal,
mas te amo mais, meu amor,
quando estamos longe.
Te amo mais quando a conta de luz
não interrompe nossa paz.
Quanda não falamos sobre dinheiro,
casa, carro, cachorro e etc. e tais.
Te amo muito mais, querida,
quando não se metem em nossa vida.
Quando família é apenas um álbum de retratos
e não um bando de gente comendo
e sujando nossos pratos.
Te amo mais quando somos sorrisos
e não rugas de preocupação.
Daí essa constatação
rude e até mesmo meio covarde:
Te amo mais quando somos saudade.
sexta-feira, janeiro 15, 2010
dias de janeiro
me estranham
encontro-me
em outra esfera
uma incógnita
a ser revelada
um piscar
de aprendiz
seguro a mão
de quem me penetra
e sigo viagem
quarta-feira, janeiro 13, 2010
self
gostava de sentir o cheiro
que as brincadeiras solitárias
exalavam.
de uma solidão exemplar.
terça-feira, janeiro 12, 2010
f(r)esta
de dentro
Do quarto
Engendro
um poema
Lavro a obra
do destino:
em rimas
falo
... Lá fora,
Sol a pino
segunda-feira, janeiro 11, 2010
limerique
chamar de barbicha de bode
um cabra
macho.