domingo, maio 23, 2010

uma prece em meio às trevas

que a dor
e todo o mal
de minh'alma
se dissipem
com a chegada
da alvorada

sábado, maio 22, 2010

Insight

Sabe?

Apesar de... tudo bem!
Mesmo que... tudo bem!

Olha, eu queria te dizer...
Ah, deixa pra lá.
Tudo bem...

Amor, sabe o que é?
Meu bem, me desculpe, mas...
Eh... ahn... quer dizer...
Ah, não importa mais!

Vá pro inferno
e me deixa em paz!

sexta-feira, maio 21, 2010

Sobre mar de carne e osso

ele contorna meu corpo com o seu
por instantes é mar:
água e sal
- não só os olhos desse azul
que acinzenta-se quando tempestades
atrás de lentes escuras.
vertigem e me entrego
- sei a impossibilidade
de avessar naturezas conturbadas:
não há margem ou poro desafetado
pela penetração
perturbação de língua respiração e pêlos
ávidos por afogar sentimentos
barriga dentro e fora
então acredito em qualquer gota antes
como prenúncio de essa inundação
porque toda água nasce e vibra
invasão apenas
para após refluxo, a distância.

quarta-feira, maio 19, 2010

Chove sim, e porque não?

Chove pra fazer canção

cuva de inspiração

chove sim e porque não?

no asfalto frio do meu coração

Deixe que a alma lave e leve

deixe o que tiver de ser

brinque com seu filho

voe de ultra-leve

o que você vai ser

quando você crescer?

Dúvidas e contramãos

minhas mãos que escrevem tremem

deixe que os loucos tentem

deixe que os sãos se arrebentem

Nada do que foi ou fui

tudo do que sou em som

respostas em xeque

lógicas em teste

e eu ilhado no portão

Chove sim e porque não?

no asfaltofrio do meu coração

Chove sim e porque não?

no asfalto frio do meu coração

terça-feira, maio 18, 2010

Adorno

Passou distraído, tropeçou na flor, eu vi.
A coitadinha pendeu, mas voltou,
manteve-se no seu papel de enfeitar.
Passou de novo muito, muito concentrado em si.
Pisou, quebrou, uma pétala caiu, chorou.
Corri, cuidei, ergui.
Chamaram-no meus dedos cheios de formigas.
Dei-lhe minha flor cansada, doída,
que insistia no seu papel de enfeitar.
Enfeitou-lhe o rosto, fê-lo sorrir.

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vaivem

o rosto enrugado deste velho que ri
o mar
chacoalhando a praia de rebarbas brancas
às vezes tenta e às vezes cansa
o cobertor puído azul dessa criança roliça
a terra
curto demais, repuxa
de lá
pra cá
sem saber se lhe cobre
a cabeça ou as pernas.

domingo, maio 16, 2010

Conciso (Mais simples)*

transformo
meus
problemas
em
poemas

(se não os resolvo,
ao menos, torno as coisas
mais simples)

sábado, maio 15, 2010

Concreto

Sinto falta da minha flor
nascendo em meu corpo cinza.
Sinto falta do que nunca foi
porém sempre é, ainda.

Sinto falta das suas raízes
infiltrando-se em meus interstícios.
E em minha pele de cimento e areia
ainda queimam
suas pegadas, seus indícios.

Sinto uma saudade sua, sempre
que o sol ascende e se acende.
E essa vontade de penetrar
sua pétala luminescente...

sexta-feira, maio 14, 2010

não sei aonde está
então
conheço o verdadeiro
da palavra

desamparo

quando decide
caminhar o que é
desconhecido
para mim

(o vento assombra as árvores)

e ainda assim
estado comum:

as ruas e avenidas
ou estar parado

pudesse, fumaria mil cigarros

para terminar
a ausência das mãos
do vazio que é por dentro
o calor que apenas sai
em fumaças

apenas sai, não entra:

desamparo.

quinta-feira, maio 13, 2010

Pois então, tristeza.
Agora eu entendo que não posso te tratar como uma cadela sem dono
que vem á minha porta ansiosa por um osso ou um pedaço de pão.
Eu devo confiar em ti. Permitir que entre em minha casa, oferecer um canto junto ao fogo, um tapete para dormir, um prato de comida só teu.
Não pense que não percebi que tens estado escondida sob as tábuas do assoalho desejando um lar, um lugar para descansar de teus tantos trabalhos. Precisas de um nome, da autoridade para afastar os intrusos, considerar tua a minha casa, a mim o teu criador e a ti mesma o meu próprio Karma.

quarta-feira, maio 12, 2010

Seu Sim

Rude

Mesmo quando diz sim

Não pelo o que há de liberto

Em simplório gesto

Vê-se pequeno

Menor que os insetos

Que sugam suas coxas

E logo rumam pra outra



Seu sim

Espécie de alforria

Negros libertos

A dizer:

Quase morro

Quando subo o morro



Sim

Som que espalha-se

Por entre as cortinas

Revistas antigas

Canteiros, cantigas



Sim

Prossiga

Em caso de dúvida

Liga

Jamais siga tendências

Elas tendem a desabrochar

Nenhum modo nem moda

Siga atentamente

Bobagem se preocupar

Com o jeito de caminhar



Tragos e conhaques

Esqueça os desastres

Lembre de sonhar

Não cure a ferida

Vil também vívida

Dói dos ralos cabelos

Até o vão calcanhar



Sim

Para travestis e putas

Vagantes, bruxas

E bruxos

Cortiços, luxos

Cantina, bar

Sim

Para o esfarrapado

E o burocrata

Sim sem ensaios

Sem jogadas

Sim



Ah sim...

Pra não negar

O osso

O esgoto

O desgosto

O cachorro

Sem molho

Ou com molho

Pronto pra salgar

O dente doído

Elo corrompido

O pai, o marido

O vão do umbigo

A centralizar

O que há de ser

O que há de sarar

Num tempo quando

Onde, ontem

Amanhecerá.

terça-feira, maio 11, 2010

Loquacidade

Invento palavras nas lacunas das conversas.
Abismo meus mistérios.
Compreendam meus silêncios.

Mais um roubado de lá: Metade e Pedaço.

sábado, maio 08, 2010

Lona

-O palhaço, o que é????
-Ladrão de mulher!!!!!!!

Coitado, nem sabe
que a mulher é quem rouba
o coração do palhaço...
e transforma em flor
o que um dia foi aço!

sexta-feira, maio 07, 2010

Bacana

preferi teu corpo
ao mar
de copacabana

o aconchego de
permanecer

poder permanecer
desconsiderando as ondas

o ir & vir
das ondas
para nos alcançar

a pele.

porque a distância que não mantenho é
das minhas mãos da minha boca
em você tão bronzeada.

quarta-feira, maio 05, 2010

Vísceras Viscerais

Me insulta

Chuta

Quebre meus ossos

Veja sangrar meu nariz

Engula o diz que diz

E berra insana no portão

Soque, amasse, arranhe

Pode chamar sua gangue

Que atirem insanos

Seus meros canhões

Que abram feridas

Tal qual roupa puída

Costure os meus pulmões

Vísceras, viscerais

Deteriore meu crânio

Amarre os cortes num pano

E não se acanhe com meus ais

Martele, atire, fere minha febre

E os meus ideais

Carnavalize

Use o ardor dos bacanais

Coma meus olhos

Em frígido ódio

Só não me diga nunca mais.

terça-feira, maio 04, 2010

Escolhas nem sempre são possíveis
ainda que se escolha reafirmá-las nos dias
até o último.
Qureres têm que nos querer.

Permanece um poste ou uma lua gorda
iluminando a calçada, a calada,
mas sentimentos medos
sombreiam os peitos.

Um facho sai de tuas mãos.


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domingo, maio 02, 2010

imagem e palavras*

imagem é
poesia
para os olhos que veem
o indizível

as palavras
deixamos pra dizer
do que é
invisível

sábado, maio 01, 2010

Postergação

Parte de mim
quer o que você quer.
Parte não.

E parte de mim
a dúvida que paralisa,
prende ao chão.

Parte-se em mim
a força (outrora inquebrantável)
e me quedo sem ação.

Parte de mim
quer o que você quer.
Mas hoje não...

sexta-feira, abril 30, 2010

Possessividade II

o que faço é te negar
pelo que já disse tantas
vezes: possessividade

e viver em círculos com
frases frases que não são
poemas.

porque me vem sempre
como inspiração
sua presença.

e não te quero
lábio palavra idioma
de outrém


não quero
repartir minhas migalhas.

quinta-feira, abril 29, 2010

Você dá um jeito de acreditar que está tudo bem
que não importa tanto
e você aguenta e vence outro dia
e vence outra noite
e você vai e acredita e está tudo bem.
Quando as coisas se arrastam e não aparece saída
e todo o seu mundo está embaçado
e nada parece suficiente.
Mas se você acreditar, está tudo bem.
Tanta coisa querendo acontecer,
ainda que longe do que devia ser.
Porque há um buraco em tudo o que existe
e é bem por aí que a luz pode entrar.

quarta-feira, abril 28, 2010

Distintas abstrações

Desertos na correnteza

Frestas, certas estranhezas

As dúbias respostas e os ratos

Sorrisos baratos de sábado



Os carros todos se entranhando

Um dia ainda conversam

Fumaça de breves cigarros, enganos

Amores de final de festa



A vida lá fora e aqui dentro

A vida pulsa todo instante, inteira

Nos becos e nas avenidas

Favelas, palácios, asfaltos, polícias

A lapa é o espelho e a nudez da vez

Bandidos, patrícias, malucos e bichas



Os mares arrebentando

Nos pálidos pés de clarinha

As doces memórias de infância

O cheiro do bolo e a farinha



Os destinos que se entrelaçam

Nem sequer se perguntam nomes

Distantes olhares, pertos horizontes

E as ondas que vão navegar para onde?



Perguntas e vinhos tintos

Distintas abstrações

Pianos e violinos

Destoando as canções



Eu trago sempre comigo

Um verso no bolso e no riso

Passante do Rio, eu vou indo

Até Posto 9, brados coloridos

Me despeço das tantas pernas

eternas, demônias, morenas, só delas...



Meninas do Arpoador

Eu amo seus olhos vermelhos

O samba no andar e na cor

Sutilmente me chamou

Pois é, mas já vou...

Já é, paz e amor.

terça-feira, abril 27, 2010

Sem planos

Não vejo outra coisa, amor, do nosso futuro:
morreremos.

Tudo o que me é escuro não é futuro, amor,
é o ir vivendo.


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segunda-feira, abril 26, 2010

slice

um poema cabe num porta-retrato
um instante de vida congelado
como que por susto
cuja expiração suave você pode quase ouvir
se parar por um minuto
de respirar.

domingo, abril 25, 2010

desde o dia
em que meu templo
veio abaixo

eu me ponho a
cavar
buracos
como quem cava
sua própria cova

finjo que perdi a fé
enquanto trabalho
o alicerce

e preservo
o que de bom
sobrou

o que sobrou
de pé

sexta-feira, abril 23, 2010

pergunto-me por quê vim
se seu tempo é o escapar

sapatos sempre à porta
aquela marca permanente

sobre o tapete sobre
mim sobre o

amor
esse eterno amanhecer.

quarta-feira, abril 21, 2010

Cinco para às seis

Quando chegar
das noites mais frias daí
de longe assim dá pra sentir
o descompassar que há de vir

Qual é a hora?
quando é verão pra lá do horizonte?
se for agora...sempre demora
mais um segundo fluindo os instantes

E essa saudade
qual o assunto da pauta do mês?
tantos caminhos indo e vindo...
quase só, quase sorrindo
quase cinco para às seis

Viajante dos muitos mares
amares por todo o quarto
ultrapassando as cortinas
reverberando os compassos

Sereia desta baía
seria alheia aos meus versos?
toda distância em si chama
para bem mais que o mais perto

Musa das canções que fiz
junto ao baque das ondas
pés na areia, sigo às tontas
como fosse tudo afinal de contas.

terça-feira, abril 20, 2010

Promessa

- Esperar-te-ei enquanto houver cigarros!
Até o último, os acenderei! -
Foi minha promessa.

Não pude cumpri-la.

Cigarros, ainda os tenho.
Meus cinzeiros é que estão cheios.


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segunda-feira, abril 19, 2010

dois curtos

vigília

o que é o céu
senão um imenso
olho azul?
e o que é a noite
senão o momento
em que ele
pisca?

***

não me diga o que você pensa que eu sou
eu posso aceitar a sugestão.

domingo, abril 18, 2010

Horizontes

nós já nos cruzamos
nós já nos miramos
nós já nos juntamos


agora,
seguimos em frente


nos atravessamos

sexta-feira, abril 16, 2010

Sampa

temo São Paulo
embora minha, quando
humanos integram a paisagem
concreta dos prédios.

eu me pergunto
que jeito essas caras
esses corpos
diferentes do meu

consumidos pelo vazio
que é a madrugada,
mas para sempre.

quinta-feira, abril 15, 2010

Eu ando as calçadas altas da madrugada,
essa teia de ruas onde não há uma aranha sequer
para justificar a existência da Cidade.
Por trás dos olhos das casas percebo rostos ansiosos;
o medo a dúvida a procura.
Quentes ares do Senhor Cidadão
precificados num silêncio de depósito.
Sobreviver na cidade é ter a paciência das pedras do calçamento,
acreditar que o caminho possível
é tirar o melhor desses tempos escuros.

terça-feira, abril 13, 2010

Safra

No jardim das fadas boas
há sempre um nariz carregando verruga
chovendo tristeza nas sementes.

Em um outono azul, colhem-se os frutos.


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segunda-feira, abril 12, 2010

Point of no return

O arrependimento espera
Na esquina seguinte
Eu fecho os meus olhos
Eu conto até vinte
Eu vou dar outro passo
E nem posso dizer que pisei
Sem querer
Se eu sei onde vou.

domingo, abril 11, 2010

sábado, abril 10, 2010

Triz

O fim se aproxima.
Mas eu desvio.
Negaceio.
Revolteio.
Me delicio
com a disputa.
Não fujo à luta.

O fim me ameaça
e passa
perto da jugular.
Mas eu não me importo.
Eu sei jogar.
E no momento certo,
o movimento esperto.

O fim, coitado,
desesperado,
sem chance alguma.

Mato o bicho à unha!

sexta-feira, abril 09, 2010

Possessividade

esse meu silêncio
em não ousar poesia é
não querer-te
lábio idioma palavra
de outrém
e a in-corporação implícita &
disfarçada de apreciar poesia
porque poesia é você
sobre todas as coisas e
eu não quero eu não ouso
eu silencio
para você ser só meu.

quinta-feira, abril 08, 2010


Fui o último passageiro da noite, sozinho no ônibus metropolitano.
Sentia-me meio constrangido que a cidade gaste tanto dinheiro para me levar pela BR-277, também chamada rodovia do café. - Motorista - gritei - Somos só eu e você hoje. Vamos sair dessa Curitiba rubicunda e rumar prá algum lugar menor, mais próprio para pensar nas coisas, vamos ali para os lados da serra do mar. Encostar a viatura em alguma vila de pescadores, quem sabe até Guaraqueçaba; estacionemos ao lado da pracinha para tomar uma cerveja, deixando o ônibus reluzente na porta como monumento, metálico, cinzento, solitário, com placa da capital.

terça-feira, abril 06, 2010

Lida

Invariavelmente
todo santo dia
faço uma boa ação
exerço a cidadania:
durante o meu turno
dou todo o meu sangue
a um sedento vampiro diurno!


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segunda-feira, abril 05, 2010

giro


Fui dar a volta no mundo

Fui ver a cara

Da face escura da terra

Fui ver a razão porque dizem

que quem anda, erra

girei no sentido contrário do mundo

desafiei a gravidade

segui satélites

girei meus olhos nas órbitas

e meus cartões de crédito

conquistei meu espaço

não estou mais débito

comigo.

domingo, abril 04, 2010

passagem

passamos
de julgados
a perdoados

logo mais
se descobriria:
eramos nós
os únicos culpados

sábado, abril 03, 2010

Ao csap

Um dia Deus acordou se sentindo estranho.
leve demais... vazio demais...
uma tranquilidade, uma paz...

Tentou pensar no que lhe acontecia
mas não podia!
Algo em seu cérebro estava imperfeito.
Não se sentia onipotente, onisciente...
Algo não estava direito!

Tentou ouvir as milhares de preces diárias,
as súplicas, as lágrimas várias,
os cânticos de dor e de agradecimento,
o coro infinito e lamuriento
dos pobres seres humanos....
Mas devia haver algum engano!

Nada, nada estava lá.
Nem as procissões, nem o professar
da fé em corredores escuros,
nem os confessionários,
nem os doadores milionários,
nem os dízimos suados de quem não tem pra dar.
Nada de sacrifício de cordeiros,
nenhum ritual de auto-imolação,
nenhum homem-bomba em ação.

Não ouvia ninguém nos confessionários,
nem a oração dos santos,
nem os pedidos de perdão dos salafrários.
Tudo completamente mudo.
Toda a balbúrdia de seu mundo
transformada num silêncio enlouquecedor.
E foi-lhe aumentando um temor...

E a conclusão surgiu, dura e fria:
nesse dia,
Deus descobriu que não existia!

sexta-feira, abril 02, 2010

Pedrita

pedrita à noite
adivinha haver dores
mas não onde: massageia de
minhas costas até as pernas.

pedrita ainda não descobriu que
o que dói em mim é dentro.

quinta-feira, abril 01, 2010



As estrelas esta noite estão sorrindo

e nos observam correr vagalumes

descabelados rindo e gritando

como se não existissem medos


Entre as sombras das velhas árvores

sem fôlego voltamos à cabana

sorrindo de volta em gratidão

para cada estrela brilhante.




terça-feira, março 30, 2010

pusilanimidade

Uma lança no estômago
um javali pendurado na orelha
uma bola de ferro em cada pé
de uma borboletinha tonta
que só tem vontade de só voar
e pousar naquela flor azul.


Roubado de mim mesma, lá do Metade e Pedaço.

domingo, março 28, 2010

esgotando
a natureza
das coisas

a vida
me oferece
tão poucas
opções

e eu não sei
de quem é
a culpa

ou se posso
querer
mais

Insônia

Ao fim de mais um dia
a dúvida, amor:
como usar os freios
se sou acelerador?

sexta-feira, março 26, 2010

Para Raimundo Neto

e do que era apenas
caminhar pela casa
descalça
sacudindo os cabelos

agora
o nunca: minha voz
rompendo teu silêncio.

as palavras
como um rasgo na garganta.

- me salva.

mas, do quê, Lubi?

- da loucura.

quinta-feira, março 25, 2010



Você acha estranho, diz que eu mudei.

Você deve estar brincando comigo.

Porra, tanto amor desperdiçado.

E se os meus olhos parecem tristes, não se preocupe com a minha cara.

Eu te vejo em toda parte, devo estar mesmo ficando louco.

Fico tentando me esconder de mim mesmo, me sentindo um idiota.

E se por acaso me ver na rua, olhe para o outro lado.

Ridículo, sorrindo por entre as lágrimas.

Não repare nesta minha cara.



terça-feira, março 23, 2010

História de um pescador

Tinha saído pra pescar
mas não levou arpão

anzol isca caniço
molinete linha nem rede

Primeiro molhou os pés
depois decidiu mergulhar
(a decepção)

Naquele dia
Omar estava mais para ostra
do que para peixe

segunda-feira, março 22, 2010

celsius

num PC sem acentos
minha maozinha est'a
curvada de frio
atulhada num bolso
qual uma luva esquecida
o vento 'e sagaz
encontra frestas em tudo
volta e meia, um tremelique.
`as vezes eu desconfio
o inverno so chega
onde falta calor humano.

domingo, março 21, 2010

Dissipa-dor (Coração de alumínio)

o tempo
a distância
e os ventos
e os nãos
me fazem
frio

tuas lembranças
já não me aquecem
mais

sábado, março 20, 2010

Amanhecer

O sol se derrama sobre as coisas...
as coisas ganham vida!
Ou quase. Desconhecida,
a felicidade passa ao lado
e a gente nem vê.
Segue, passo acelerado.

A manhã se enche de carros
e pessoas e engarrafamento.
A todo momento
acelerador, embreagem e freio.
Ninguém diz a que veio.

O cansaço não foi embora,
apesar do sono pesado.
Cansaço acumulado.
Pouca alegria demais.
Falta de motivação.
Falta de paz.
Excesso de nãos.

Atrasado. De novo.
Novamente o trabalho.
o chefe legal, mas muito exigente.
Ah, se não existissem os clientes...

O olhar ao longe
não esconde
nem revela.
Apenas pensa em tempos passados.
Quando tudo era simples,
descomplicado.

Futuro = passado.

sexta-feira, março 19, 2010

não quero precisar
poesia.

não posso.

mas quando a loucura
é o próximo passo
e sequer há chuva
para dançarmos
rumba
pelo asfalto
uma monotonia essa vida
os teus longos braços
-palavras
me alcançam
as costas
tocando coçando insistindo

então qualquer negação
de poesia, nesse instante

impossibilidade.

quinta-feira, março 18, 2010


Todos sonhamos em partir, começar de novo. Arrumar uma mala simples com os pedaços de vida que ainda prestam. As tristezas e decepções, simplesmente abandoná-las. Comprar um café e um jornal e entrar no trem.



terça-feira, março 16, 2010

jogo de azar

deixo a vida à mercê de minha fortuna.
Não cuido do futuro...

as grades ficam destrancadas,
os pedais voam sozinhos

meus pés têm quereres que não são meus,
os giros são involuntários

assino acordos jogando dados,
meu próximo endereço nem existe

meu destino é não acreditar na minha sina
e contar sempre com a sorte

Nestes dias, tenho contado à sorte
sobre todos meus reveses

segunda-feira, março 15, 2010

a educação física de j.g.

o meu mundo é newtoniano
vai até onde minha vista alcança
uma sala fechada
é como morar num meteorito
a cabeça já quase rasgando
a gaze da atmosfera

vamos perder as rédeas, as estribeiras
dane-se, vamos perder mesmo os cavalos
e mover a carroça com a força bruta do entusiasmo

me dê um ombro de apoio
e eu poderia mover o mundo.

domingo, março 14, 2010

*

quem vai
sempre deixa
a saudade

jogada
no chão da sala

vou guardá-la
num cantinho especial

tirar a poeira
arrumar a bagunça
da casa-coração

deixar tudo pronto
pra acolher
quem chega

sábado, março 13, 2010

Fumaça

A roda gigante pára...
tem uns que descem, outros não.
Quem não desce fica ali, suspenso no ar.

Os pássaros passam, passam...
são transitoriedade e canção.
A gente quer prendê-los com o olhar.

O ruim é que pra saudade
não há rima possível
com felicidade...

sexta-feira, março 12, 2010

eu não sei
viver adeus e olá

além das palavras
nunca é partida
ou chegada.

quinta-feira, março 11, 2010


Ela foi embora e faz tanto tempo.
Ela foi embora e os dias são todos iguais, imensos, e não há como
entender como pode fazer tanto tempo que ela foi embora.
E voltimeia eu páro e fico pensando
e um turbilhão de imagens me lancina
porque eu não sei se ainda vou ver nessa vida
a beleza que é o amor
nos olhos dela.
Ela foi embora faz tempo.
Tanto, tanto; tempo.



quarta-feira, março 10, 2010

Aborreci-me.

Aborreci-me.

Sim, dessas zangas de pedra dentro da gente.

Tão pesadas, majestosas e imponentes, pedras.

Sim, seria mais prudente fazer as malas, fechar as janelas e ir-me contigo.

Mas quem cuidaria de nossas paredes? Dos nossos espelhos? Das palavras escritas no vento?

Resolvemos que eu ficaria.

Mesmo quieta, mesmo sentida, ainda que só terça parte.

Mesmo que não perto, somos um inteiro.

Três partes de um todo pleno, que sempre chove amor.

E não tem verso, nem música e nem prosa que me faça esquecer.

Tudo perde a graça, perde a rima e o frescor.

Em mim o eco de um delírio travesso.

...

Aborreci-me,

Mas foi de saudade, que o meu peito chorou.

terça-feira, março 09, 2010

poeta, mundo,
poesia gira:
ora sentido vinda,
vida,
ora sentido ida

na hora da despedida,
novidade:
outro poeta
pra dividir a saudade

segunda-feira, março 08, 2010

jornada


O vazio que ficou
quem vai preencher?
É mais um pequeno mundo que acaba
éramos um bicho que era um só
uivando agora com 5 bocas

esse vazio que fica

quem preenche?
Se as pessoas todas tem formatos
diferentes.
Se a terra fica estéril quando bebe sangue de hydra.
Se minha mitologia fica manca.
Se meu braço decepado ainda sente.
Se o morto dessa maca ainda está quente.
Se não tive tempo de colher flores. De cantar cânticos. De mandar trovoadas.
Se as trevas não inspiram alvoradas.
Se as manadas ainda esperam os ausentes.

Se nada, se mais nada
se uma semana
se uma vela
de sete dias
se eu acender minhas utopias
se eu plantar outra semente
será que esse vazio
se
preenche?

domingo, março 07, 2010

Partilha*

perco
um pedaço
do meu
coração

a cada
partida

com os outros tantos
pedaços que ganhei
o refaço

mas o pulsar
é diferente

descompassado

descompensado
a cada
batida

Semanas Especiais - Chegadas e Partidas

Marina e Múcio...
Múcio e Marina...

Duas cabeças, das que sempre estiveram. Das que sempre estarão. Mesmo ausentes. Dois seres luminosos, de beleza, de vida.

A partir dessa semana, não escrevem mais nesse espaço. Seguem outros caminhos. Borboletas.

Suas asas, inquietas, continuarão a espalhar cor e pólen, poesia e amor.

Em suas cadeiras, borboletas outras. Não exatamente novas, pois sempre estiveram por aqui, voa-voando.

Antes eram olhos, agoras são cabeças. Gil e Lubi.

Poesia de qualidade pro nosso espectador. Mantendo o nível, sem deixar a peteca cair. Enjoy them!

(Mas a saudade... ah, a saudade...)

por Moa.



Creio que, com estas palavras, expressamos nossa alegria. Pelas chegadas e pelas partidas. Pela maravilha que é viver essa vida. Que, nessas horas, se confunde com as ondas do mar.

E, assim, damos início às Semanas Especiais - Chegadas e Partidas. Para celebrar os que vão e os que vêm. E a Poesia que já banhou e que sempre há de banhar esta nossa praia.

sábado, março 06, 2010

Nós, girafas...


A girafa, coitadinha
(sacanagem)!
Não encontra quem lhe faça
uma massagem!

quarta-feira, março 03, 2010

\ignore


minha tarde fica sem graça
quando você por mim passa
e disfarça...

terça-feira, março 02, 2010

Ester

As irmãzinhas
a vigiam das alturas.
Tremeluzem
vozes dizendo que a amam.
Piscam piscam
anos-luz de saudades.
Caída e solitária,
contempla a noite clara.
As irmãzinhas
lhe brilham as lágrimas.

domingo, fevereiro 28, 2010

uma questão de fundamento

toda mentira
cairá por terra

isso é uma questão de fundamento

mas me espanta quantas delas restam de pé,
o tempo que permanecem...

é o tempo de se instalar, fazer morada...

dá até pra se acostumar com elas,
esquecer
ou desacreditar
que vão desmoronar

- e vão desmoronar, isso é certo!

já disse:
isso é uma questão de fundamento

toda mentira
cairá por terra

mas
quando?

até
quando?

segunda-feira, fevereiro 22, 2010

Conhece o mário?

Não tem mistério -

não se leve mais a sério

que o necessário.

E, se preciso,

perca o juízo.

Ser sisudo é que é hilário.

domingo, fevereiro 21, 2010

pra dormir tranquilo

olho os prédios em minha volta

imponentes edificações
da selva
de pedra

me olham de cima

(os pobres diabos
em suas entranhas
a me fitar
curiosos)

senti medo
- mas também, um estranho desejo

de que eles desabassem

sobre
mim




Menina, amanhã de manhã
quando a gente acordar
quero te dizer que a felicidade vai
desabar sobre os homens, vai
desabar sobre os homens, vai
desabar sobre os homens.

("Menina, Amanhã de Manhã", composição de Tom Zé e Perna)

sábado, fevereiro 20, 2010

Imóvel

As pedras rolam,
já diziam as velhas canções de rock.
Outras ocupam o lugar de repente vago.

Mas sempre sobra uma fresta,
onde a poeira se junta.
E a umidade.

Eu ficarei aqui.
Criando meu próprio limo.
E cantando.

Velhas canções de rock'n roll...

quarta-feira, fevereiro 17, 2010

nas migalhas desatentas

encontrei-me.

eram tantas, que me perdi.

não contente fiquei.

pois as respostas vieram ter comigo.

perdi assim, todos os meus esconderijos.

terça-feira, fevereiro 16, 2010

da importância de uma trilha sonora

com um tilintar de chaves e um clique?
isso é tão pouco,
esse barulho mecânico
que as coisas fazem
talvez só por achar que é o que devem fazer.
é uma melodia pobre
quando a gente merece um gran final
com direito a fanfarra
limonada e tudo
saxofone, tímpanos e - porque não?
um escocês tocando a gaita de foles
ou uma valsinha daquelas que meus avós rebolariam bem junto
uma musiquinha alegre
ou só uma vontade

de assobiar

desde que seja uma canção bonita
e bem comprida
pra gente ganhar uns minutos
antes de acabar.

domingo, fevereiro 14, 2010

Prático

Quando acontecer, estarei
longe
Minhas mãos não estarão
sujas

Ninguém saberá

E sobrará
no lugar
um amplo terreno

onde se possa
plantar
algo que vale a pena
deixar crescer

sábado, fevereiro 13, 2010

Inventário






Um dia tudo foi infância...
E bicicletas eram mais importantes que tudo!
E passarinhos, passeios e pirulitos,
chocolate e queijo no palito,
pipoca, algodão-doce, desenho animado
e meu avô, na rede, deitado...

Um dia tudo foi esperança
e não havia morte, perda e luto.
E não haviam dívidas nem salário,
testamentos e inventários,
nem tanta distância a ser percorrida...
Um dia tudo foi vida!

quarta-feira, fevereiro 10, 2010

Espera

Com a fé pendurada na janela

Esperei por um milagre,

Que chegaria ao em entardecer.

Vieram as cigarras, os serenos, as nuvens maquiadas

E por fim, o brilhar de estrelas.

Continuei a esperar.

Esperar é contínuo,

Percebi, então,

Que os milagres não gostam dos anoiteceres.

Preferem os raios de sol, os orvalhos e o estalar de novos dias.

E quanto a mim, eu apenas espero... pois aqui, é sempre noite.

segunda-feira, fevereiro 08, 2010

incompreendedor

se insiste na fúria cega,
por que tem olho
o furacão?

sábado, fevereiro 06, 2010

Sibilo

Te vejo com todos os vernizes.
Os de bom tom
e os de tristes matizes.

Te vejo com todas as tuas vestes.
E me vês com o que me imprevisto.

Por vezes o sub-reptício
quase arranha a superfície...

Mas é só um lapso...
Somente um risco em nossa planície!

quinta-feira, fevereiro 04, 2010

Essa dormência na alma

Vejo meus pés em brasa

É como se meu corpo não existisse.

Na iris as memórias vivas

De um vôo rasante

Com asas de papelão.

terça-feira, fevereiro 02, 2010

ausências

Tua falta
Me fere
Feito
Navalha...
E eu sangro
silêncios

segunda-feira, fevereiro 01, 2010

problema

Poema não é teorema
Não se resolve com fórmulas
Poema não é matemático
Apesar de ter tema

Um verso pode ser livre ou pode ter métrica
é bem mais psique que aritmética
Já sabia o Pessoa que um poeta pode ter muitos ângulos
e outros tantos lados
Pode ser agudo, redondo, trapézio
Só não pode ser obtuso
ou quadrado.

domingo, janeiro 31, 2010

*

brisa
leve
essa
dor
junto
com
você
agora
é o
que eu
mais
quero

sábado, janeiro 30, 2010

What if...

E se tudo for mesmo esse nada?
E se nada for tudo isso?
E se todo essa farsa
for parte de cada
passo
e eu não passasse
por isso?

...quanta economia de lágrimas
e sorrisos...

quinta-feira, janeiro 28, 2010

Ferrugem

E nada do que eu queira,
É além de sobra e vão.
Costumo esconder-me
Tão longe e tão dentro
Que nem sei com sair.
Não ouso deixar pegadas
Detestaria ser pega.
Prefiro ser prego
Invadido por ferrugem e terra.

segunda-feira, janeiro 25, 2010

relativo

eu peco pelo excesso
eu já começo no demais
ao menos,
para os meus sonhos pequenos,
o sucesso é em doses
desiguais

domingo, janeiro 24, 2010

Viciado

sinto a garganta
secar
de repente

a mente
em colapso

mil agulhas
pulsam
dentro do peito

e essa vontade
de novo





http://escuchameporra.blogspot.com

sábado, janeiro 23, 2010

Parta!

Parta!
Leva sua tralha!
Seu jeito falho
de filhadaputa
não combina com minha pose de canalha.

Por isso parta,
não fique perto.
Sou muito esperto
pra essa porra.
Saia, fuja, corra, parta, morra!

Já disse: parta!
Fecha essa porta!
se finge de morta
e deixe estar!
Deixe seus olhos na sala de jantar...

sexta-feira, janeiro 22, 2010


não quero uma vida cristalina
preciso do embaçado
e do cheiro de dúvida

quinta-feira, janeiro 21, 2010

deleite&leitura




se Lenine
me faz
bem

Lerminski
me faz
bem mais

é sol
abrir
um livro

que
tanto
faz





quarta-feira, janeiro 20, 2010

Carmim

É a ausência que corrói meus dias. A lembrança do suor, o odor tatuado nas paredes. A idéia de ter um nome junto ao meu. Insanos fomos ao acreditar que tudo era ausente de data, hora, tempo. Nesse labirinto em que me encontro, escrevo os pensamentos que tive enquanto nós. Palavreado par, palavras que se escoram uma nas outras, mas não me valem porque sou ímpar. De mim escorre carmim. Vermelho que me cega. Dura sina da escolha imposta, do passos que não vou dar.

terça-feira, janeiro 19, 2010

baú

coleciono rimas
amenas
não para
(im)perfeitos poemas...
acumulo-as, apenas...
não para prendê-las
numa pequena estrofe
mas para aprendê-las
... serenas
- quando a poesia
foge

segunda-feira, janeiro 18, 2010

indefinito

eu amo em câmara lenta


no tempo do vácuo

na lentidão do vazio

no buraco do espaço

eu amo devorando o traço

do nada que resta

como o olho que ainda vê pelas frestas

uma estrela

que já apagou.

domingo, janeiro 17, 2010

Abóbora

era quase meianoite
eu já estava embriagado

covarde
fugi
com medo de me tornar
coisa pior

(eu sou mesmo um banana...)



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sábado, janeiro 16, 2010

Rotina

Te amo mais
quando estamos longe.
Não me leve a mal,
mas te amo mais, meu amor,
quando estamos longe.

Te amo mais quando a conta de luz
não interrompe nossa paz.
Quanda não falamos sobre dinheiro,
casa, carro, cachorro e etc. e tais.

Te amo muito mais, querida,
quando não se metem em nossa vida.
Quando família é apenas um álbum de retratos
e não um bando de gente comendo
e sujando nossos pratos.

Te amo mais quando somos sorrisos
e não rugas de preocupação.
Daí essa constatação
rude e até mesmo meio covarde:
Te amo mais quando somos saudade.

sexta-feira, janeiro 15, 2010

dias de janeiro

dias de janeiro
me estranham

encontro-me
em outra esfera

uma incógnita
a ser revelada

um piscar
de aprendiz

seguro a mão
de quem me penetra

e sigo viagem


quarta-feira, janeiro 13, 2010

self

quando só,
gostava de sentir o cheiro
que as brincadeiras solitárias
exalavam.
roupantes nus
de uma solidão exemplar.

terça-feira, janeiro 12, 2010

f(r)esta

Do lado
de dentro
Do quarto
Engendro
um poema
Lavro a obra
do destino:
em rimas
falo

... Lá fora,
Sol a pino

segunda-feira, janeiro 11, 2010

limerique

só pode ser esculacho
chamar de barbicha de bode
um cabra
macho.


adorei o laout novo da Alhi! :D