sábado, fevereiro 06, 2016

talvez

você tenha aprendido a
amar
com os gatos

ainda recém-nascido foi resgatado,
pergunto.


talvez

você tenha aprendido a
andar
com os gatos

talvez

você tenha aprendido a
se comunicar
com os gatos

aquela integração em:
voz corpo personalidade,

você domina

a prática em
não permanecer.


talvez

você tenha aprendido a
amar
com os gatos

mas eu

eu faço parte daquele time
que não entende
gatografia.


sexta-feira, fevereiro 05, 2016

Não verdades não mentiras


Não verdades não mentiras,
nem terceira via, ou quinta
dimensão, tão somente poesia.

Sem tratados, normas, guias,
filosofia ou teorias de antemão.
Poesia apenas, como quem brinca,

compõe ou canta uma canção.
Ou quem um sonho cria,
porque transviu, porque tem mão.

Porque o mundo, descobriu,
se tem sentido ou intenção,
é coisa nossa, e construção.

quinta-feira, fevereiro 04, 2016

42

cheio
de respostas
sem perguntas

muita coisa
aconteceu,
mas não sei
como chegamos
até
aqui

sinto
sempre
essa estranha
sensação:

sobram-me
um monte de
coisas,
mas
sempre
falta
algo

nesse momento,
me desmonto
por completo,

olho,
agora,
todas
peças
de que sou feito

e, por mais que eu me esforce,
sempre que me reconstruo,
me sinto
exatamente do mesmo jeito:

um monte
de respostas
que não me servem

e uma pergunta
simplória
demais:

por
quê?

quarta-feira, fevereiro 03, 2016

Quando não há sol,
não gosto assim tanto do sol
quanto gosto do anonimato.
Prefiro o céu baixo
de nuvens escuras
para um mundo mais pequeno.

Os operários do inconsciente
trabalham trabalham; produzem lentes
de ver do ângulo mais bonito das coisas.

Na hora da despedida,
a lágrima tempera o novo caminho
e lubrifica o ferrolho da janela.
E, de uma primeira tristeza,
o desejo de saudade no futuro.

terça-feira, fevereiro 02, 2016

FURACÃO

Agora que encontro a porta aberta 
Dos olhos, do corpo, da alma,
Revejo que a mira estava certa
Sem pressa, com calma,
Porém torto, doido, ante a entrega.

Me fez menino abusado
Voyer de tudo que mira em ti.
Pór isso, ao decote levado,
Arrasta meus olhos (castanhos armados),
Afaga o desejo (de ser enlevado),
Arranca o azul (juízo tomado)
Da doce saliva que te quer em mim.

Paro, para ter a certeza,
De que trazes um sim vestido de não.
Encaro calado a nua natureza
A minha preta, ali, deitada no chão:
'És banquete de cama, fogão e mesa'
Mil talheres, mil joguetes de entregue paixão.

No mar que mergulho minha língua
Encontro suas pernas em pleno frisson
Tomamos-nos, como poetas ante a rima,
Ao som dos gemidos, do gozo bom.

Êxtase.

Antes um menino à míngua
Agora ofegante canção.
Deito, como em mim tu deitas (Preta minha)
Depois da entrega, folia, baião.
Antes arfante ventania,
Agora (graças e por ti, Preta) tranqüilo furacão.

segunda-feira, fevereiro 01, 2016


Com muita alegria, retomamos as atividades do nosso querido Blog de Sete Cabeças para comemorar os dez anos de blog e a publicação do Livro de Sete Cabeças, que é uma compilação das postagens de alguns poetas que participaram ao longo desses anos.
Publicaremos, relembraremos e sentiremos saudades no período de 1 de fevereiro a 11 de março de 2016, antecipando nosso lançamento.

Prontos para recomeçar?

terça-feira, janeiro 17, 2012



Tem um cisco
No meu poema

À espera de um
Sopro de rimas




segunda-feira, janeiro 16, 2012


E havia o tempo quando a dor era matéria prima
De moldar com os dedos nus numa letra e outra
Até dar à tristeza um rosto
Que um cego reconheça ao lhe roçar as mãos
Havia o tempo quando a dor era matéria prima
E depois já não havia tempo

quarta-feira, novembro 30, 2011

Prometo que se você colar em mim vai ter massagem todos os dias -- com final feliz, é óbvio! Prometo que eu não vou fazer muita bagunça, mesmo porque de certa maneira sou organizado. Eu prometo que quando você chegar o que não estava funcionando estará, ainda que eu tenha que pedir ajuda para outra pessoa. Não prometo mas vou tentar sorrir todos os dias. É feio prometer o que não se pode cumprir, porque eu posso estar num dia de cão e aí não há sacristão que me aguente. Mas como eu saberei que é você, não dá para soltar pelo menos aquele sorrisinho de canto, meio de orgulho, meio de ternura. Eu também prometo que vai ter música, e que eu vou mostrar pelo menos uma canção que me faz ficar mais feliz. Enfim, eu poderia prometer milhões de coisas, mas eu prefiro prometer que vou continuar fazendo o que mais me dá pra fazer, que é ser seu melhor amigo.

quarta-feira, novembro 02, 2011

Imagino como seria nós dois
você, tão autossuficiente, tão impávida
e eu, tão precisando do seu colo
mas, mesmo assim, nós dois
tão capazes de estarmos apaixonados

Imagino que nossos nomes combinam
em algum anagrama de felicidade
e talvez em uma pintura cubista
sei lá, quem sabe somos anarquistas

Eu preciso da leveza dos seus olhos
do teu cheiro na minha nuca
queria ouvir mais sua voz dizendo meu nome

Por que a gente não se enrosca de uma vez
já que nós somos tão livres um para o outro
e presos a uma felicidade eterna?


quarta-feira, outubro 26, 2011

ócio

o bom de não fazer nada,
é o exercício forçado
de transformar o todo,
cheio nada
em algo
cheio de tudo,
menos o nada.

quarta-feira, outubro 19, 2011

O copo ficou em cima da mesa
eu não vou mexer nele para não borrar
a aura, sua, que ainda está por lá

Também não peço de volta
os bilhetinhos infantis que te dei
porque eu queria chamar sua atenção
mas só consegui ser "aquele cara esquisito"

Não quero mais ter desilusões
vou andar pelos puteiros
vou andar sozinho nas ruas
concentrar-me no meu trabalho
[que tanto me tira o sono, mais que você]

Eu não quero colocar meu peito na loteria
prefiro ser o grande amigo que o pior homem
abro a conta do bar, fecho os olhos para tudo
até que
talvez, um dia, quem sabe,
eu possa ser poeta novamente

Até que alguma alma caridosa me aceite.

(Luiz Guilherme Amaral)


segunda-feira, outubro 17, 2011

Por enquanto

Não me bastaria
ter-te virtual-
mente
O desejo é concreto
determinado
e insiste:
quer sentir
seu desejo
em riste

quinta-feira, outubro 06, 2011


Você talvez não saiba, mas está constantemente me levando pela mão
de volta ao lugar onde parei de existir
e eu me animo a trabalhar um universo de problemas,
fundindo galáxias, escoando velhos buracos tristes.
Encontrando a trilha de algo perdido há tanto tempo.
Ainda dói, tudo ainda é estranho.
Mas eu já não sangro á tôa e agora lembro que tenho olhos para ver as coisas.

quarta-feira, outubro 05, 2011

Meu coração de criança não é só a lembrança de um vulto feliz de mulher que passou por meus sonhos sem dizer adeus e fez dos olhos meus um chorar mais sem fim.

[Caetano me entende]

quarta-feira, setembro 14, 2011

Quando há um dia em que não tem você
é um dia em que só o triste é o que se vê.

(Luiz Guilherme Amaral)

quarta-feira, agosto 31, 2011

Você está nas minhas páginas
na minha caligrafia
na água que cai em meus cabelos
no começo do dia
E está com os olhos sobre mim
quando meus barcos
cheios de esperanças
tomam o rumo aos seus lençóis
E estamos de mãos dadas
em todos os instantes da vida
porque é assim que somos

(Luiz Guilherme Amaral)


quinta-feira, agosto 18, 2011


Os dias são áridos e na lâmina da noite,
não há mais o que esperar.
Tão perto do sonho, a realidade em você.
Fascinante, decepção.

Aqui estou eu neutralizando venenos.
(a roda-viva continua girando)
Afastar esse algo que tocou onde não podia.
Reconstruir o castelo, deixar secar as areias.
Mais um desejo dominando o horizonte.
Linda, decepção.

O tempo passa e devo voltar a ser quem era
porque ao menos
eu sempre sei o tamanho das minhas feridas.


quarta-feira, agosto 17, 2011

E nós dois ao som daquela música no meio da festa, quando seus sapatos já lhe arrancaram a alma e eu resolvi segurá-los, pensando "vou levar um deles para botar no meu relicário". E você, tão linda, tão tudo nessa vida, faz tanto pelos meus olhos e meu coração. Não consigo me imaginar sem você. Nem quando você está brava. Nem quando você desaparece por uns dias. Nem mesmo quando eu sei que você pensa em mim mas não confessa. E eu, tão derretido que sou por você, às vezes nem acredito que é possível haver tantas cores nas nossas palavras.

(Luiz Guilherme Amaral)

segunda-feira, agosto 15, 2011

A mulher das luas


Sou lunática
como a estática criatura
que reflete sua luz
...e reluz
em nossas faces
em nossas peles
só quando brilho
sou de fases,
imito cecilia meireles