segunda-feira, julho 20, 2009

numa fria

Essa sou eu
Essa sou eu andando pela rua acaré
Com os cadarços desamarrados e um cachecol que bate pelos joelhos
Essa sou eu
Olhando feio para quem me disser pra amarrar os sapatos
Que estou acostumada a não tropeçar nos próprios pés
E mais propensa a escorregar nas mãos e palavras
Essa sou eu
Essa sou eu sem ouvir música
Pela rua Itapicura
Mais uma de nome indígena e de significado indevassável
Alienígena, se bem que me disseram, ita é pedra
E o resto é resto, não é?
Essa sou eu
De nariz trancado e casaco idem
Concentrando o calor no centro do corpo
A barriga
Semicerrando o olho mágico e o pensamento idem
Essa sou eu
Hibernando de pé.

3 comentários:

.jota disse...

genial. eu sempre fico tentando imaginar o que é o resto. não sei de onde tiraram tantas pedras.

Aline disse...

e cd os sapatos vermelhos?


:*

moacircaetano disse...

Ai...
Daqueles que me fazem fechar os olhos e desejar escrever como vc!
As pausas, o ritmo, tudo!