Mostrando postagens com marcador Nanna. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Nanna. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, fevereiro 22, 2016

contentamento - poema de Nanna C. Branco

essa data tão querida
outrora, o malabarismo da inspiração
e agora, sopa-de-letrinhas
pra esquentar o coração

saudade da confusa clareza
[noites sem febres, nem fraldas]
a imaginável certeza
de viver os amores de novela

lembro-me bem das palavras
e seus irreverentes maestros,
as recíprocas alucinantes
e os sentimentos mais secretos

e me deleito nessa retrospectiva
em meio à toda essa gente
[pausa bem-vinda]
to realize who I am
--------------------------------------------

por Nanna C. Branco, convidada por Nathalie Lourenço

quarta-feira, dezembro 19, 2007

Cada vez mais, descubro que menos sei...
Sei que sobram motivos pra eu pensar que nada tem chance de durar. Nem a vida. Nem o lar. Nem mesmo um olhar. Mil razões eu tenho pra desconfiar de todo bom sentimento. Fatos e novelas. Histórias paralelas. Exemplos muitos pra eu usar. Até em comemoração de divórcio entrei!? Indício perfeito é sempre uma dúvida. Viver tornou-se um suplício...
Suplício enquanto não descobri o que significa amar. Enquanto não sonhei acordada. Enquanto não chorei de alegria. Enquanto não soube do que a calma é capaz. Enquanto não senti a certeza. Enquanto não entendi quem sou. Enquanto não vivi um grande amor...
Amor que não espera. Não se explica. Não tem medida. Desprendido. Suave liberdade. Confunde compreensão e cumplicidade. Um mestre. Um filho. Um presente. A felicidade real. O nu e o cru. Incondicional...
Incondicional e incomparável. Simples. Intensamente leve. Certamente único. E só...
Só mais uma partida. Eu e você. Juntos. Mundo. Porto. Um seguro. Até a próxima parada...
Parada pra uma nova etapa. Enredo pra uma outra história...

(Março, 2006)

quarta-feira, dezembro 12, 2007

Procuro
o lugar.

Lar,
doce motivo,
meu lar.

A constante,
verdadeira
razão.

Pra eu voltar,
sem perder-me,
sem mais partidas.

Acalentar
os mares internos
na cumplicidade.

Brincar de mim mesma,
dispensando explicações.

Aceitar o conforto
do insubstituível respeito.

Escolher
meu próprio significado
sem disfarçar desejos.

Livrar-me desse peso
que tão bem
desconheço.

Esquecer de desculpar-me
por antigas esperanças.

Acender a lareira,
ou mesmo o cigarro,
e depois sonhar.

Versar o amor,
simples e certo.

E ser feliz.

Até que meus dias
se dissipem,
e eu me torne
uma história de fé.

(fevereiro 2006)

quarta-feira, novembro 28, 2007

Sempre vivi cercada por pessoas,
mesmo quando não quis.
Das mais variadas estirpes.
Dos mais diversos espíritos.
Fontes inesgotáveis de experiência.
Ídolos e inimigos.
Meus oitos e meus oitentas.
Máscaras cruéis e verdadeiras.
Curtas e grossas.
Insensíveis à minha sensibilidade.
Capatazes das maldades.
Sempre vivi cercada de pessoas,
mesmo quando não quis.
Como agora. Hoje.
Uma ilha tão deserta...

(20 outubro de 2005)

quarta-feira, novembro 21, 2007

se, porventura,
[ou pura loucura!]
esqueceres de mim,
entenda que
sou assim
às vezes,
[bravura]
outras,
[candura]
e talvez
[sua cura]
...

quarta-feira, novembro 14, 2007

Meu ser concentra as mais variadas sensações, as quais descrevem perfeitamente os primeiros capítulos dos meus próximos trinta anos. Algumas remanescentes conhecidas, outras surpreendemente recém-nascidas...
Aquelas fazem referência à evolução da minha existência até então. São sentimentos de orgulho ao certificar-me da minha personalidade. Sentimentos ambíguos de conquista. Sentimentos de pesar pelos sonhos frustrados. Sentimentos adolescentes há muito escondidos. Sentimentos de dor esquecidos. Sentimentos nostálgicos das paixões vivenciadas. São todos sentimentos reciclados, mas incontestáveis, e inseparavelmente ligados a mim...
Estas, ah! estas sim. Reparadoras bem-vindas, estas sensações trazem consigo uma estranha calmaria sentimental. Pressupõem o sossego velado. Corroboram as minhas expectativas. Encorajam-me a redigir o desfecho da minha personagem original. E entro em cena repleta de teoria, inteiramente desprovida de munição emocional. Estas e aquelas, compondo a simetria do meu ato principal...
(maio, 2005)

quarta-feira, outubro 31, 2007

Silêncio

Esconde a razão
Que disfarça a urgência
De cessar o motim
Dominador do sossego
Cobiça da alma
Em silêncio
Do momento secreto
Que impede o embaraço
Causado pelo pranto
Oculto pelo júbilo
Anunciando a tempestade
De silêncio
À privação da palavra
Que descreve o sentido
Misterioso do discurso
E mistura sons e ruídos
No íntimo
Do silêncio
Onde assim eu confesso
E então me despeço
Da intensa angústia
De toda a balbúrdia
E me protejo, e me resguardo
No etéreo silêncio.

(maio 2005)

quarta-feira, outubro 24, 2007

Amor

Vale a pena dizer que
mesmo existindo dentro da mais antiga desordem
experimento o sentimento antes inacreditável.
Meu coração se farta de calmaria em meio à confusão.
Minha imaginação sonha às voltas da roda oscilante.
Meu corpo é simples desejo nesse terremoto.
E o meu espírito confraterniza com o tumulto.
É amor invadindo a minha vida...

quarta-feira, outubro 17, 2007

Re(des)encontro

Quando a vida se torna repetitiva...
Quando todos os caminhos se perdem...
Quando as decisões se confundem...
Quando o que resta é fugir...
É aqui.
Nesse exato momento.
No eterno milésimo desses segundos.
É aqui.
Onde me apago,
e me apego.
E me consumo,
e me oculto.
Meu constante re(des)encontro.
E lembro que nunca mais morri.
Ou matei de novo.
É aqui.
Onde a dúvida será enforcada;
o fracasso ficará em pedaços;
a covardia, dilacerada;
o medo morrerá afogado;
a dor levará oito tiros.
É aqui.
Onde eu me torno
inocente dos meus crimes.
Assim,
culpada por ser humana...

(15.08.05)

quarta-feira, outubro 10, 2007

Virou moda sofrer!
É um tal de sofrer da dor,
sofrer pro amor,
sofrer de calor,
sofrer com tanto ardor...
Que obrigação é essa de padecer?
E-pra-quê!?
Se angústia, ou aflição;
se paciência ou resignação;
não importa, não...
Sofrer agora é condição!
Teve a vez da euforia.
Noutra época, a nostalgia.
Houve até a alegria!
Agora, estar na moda é sofrer...
Sofrer no dia que choveu,
sofrer pro filho que cresceu,
sofrer com a causa da vizinha...
Afe maria!
Quem diria,
que essa moda pegaria???

(29.08.05)

quarta-feira, outubro 03, 2007

Questão De Costume

Mais uma vez
apenas um sentido
um pedido somente
Uma só canção
transitando
entre a luz
e o coração
batendo
dormente
Tremores e odores
a acústica ausente
frenética
Outra veste
outra chama
caso-passado
o tempo atrasado
Uma vez mais
palavra cética
oposta ao que veio
Nem mais um talvez
amanhece meu corpo
sem aquela parte
sem cais
sem meio
perdido no adeus
Questão de costume
murmúrio latente
empata o destino
lugar do atrito
eterno capricho
nem sempre de Deus...
(19.10.05)

quarta-feira, setembro 26, 2007

Maldade em Mim

Sei que não se escolhe
Nascer bom ou ruim
Nem mesmo a idade
De ser assado ou assim
Mas é que na verdade
No meio dessa lei carmesim
Descobri que existe maldade
Tamborilando em mim
Essa tal de bondade
Disfarçada em marfim
Não passa de crueldade
Defendendo-me assim
Com fervorosa lealdade
Da realidade-estopim
Tanto na claridade
Quanto no enfim.

quarta-feira, setembro 19, 2007

Brincadeira Com O Fogo

De novo!
a brincadeira com o fogo
que faz arder no meu peito
a vontade louca de sentir
o desejo em brasas de viver
o juízo insano do prazer
Aquela chama clara do incerto
que queima tudo por perto
remoendo tudo lá dentro
fazendo a ilusão parecer
uma grande e intensa diversão
Lembro uma menina
decorada com cicatrizes
assim, antigas atrizes
cantando velhas cantigas
desses atos de calor
nesse profundo sabor
salpicado pelas cores
inspiradas no amor
Só pra receber os aplausos
do cúmplice das minhas dores
no final do espetáculo
E tão rápida quanto a flama
a cortina de fecha, afinal
e a vida (re)volta ao normal...

(2 de novembro, 2005)

quarta-feira, setembro 12, 2007

ato findo

ato findo o amor
é um longo e extenuante abraço
casulo vazio de vida
como as borbulhas em vão
de um afogado que se enreda em algas
e ninguém vê
e ninguém pode imaginar
que há beleza em se esvair
em se deixar levar

___________________________________

Meu convidado, Carlos Henrique Leiros ,
de uma intensidade inebriante...

quarta-feira, setembro 05, 2007

Sou país sem fronteiras
Em minha incompletude
Amistosa e enfurecida
Abrigo de incansáveis dores
Nos vestígios de emoção
Vindas de todas as épocas
Sou pátria de mim
De particulares maneiras
Sou área independente
Curiosa e calejada
Comunhão dos amores
Sou território em questão
Porto de idas e trocas
Pelo não e pelo sim
Nascente de clareiras
À procura de liberdade
Sou região temperada
Sou extensão das cores
Acompanhante da solidão
Sou zona das livres barcas
Até o meu inevitável fim...

quarta-feira, agosto 22, 2007

Carnaval

eu não quero da corrida
o troféu,
eu não quero da história
o final,
eu não quero do mundo
o céu,
eu não quero do homem
o metal,
eu não quero da sorte
o apogeu...
eu só quero da vida
o carnaval!

quarta-feira, agosto 15, 2007

Florbela Espanca (1894-1930)

Minha poeta-convidada...

A poetisa portuguesa Florbela Espanca morreu relativamente ignorada pela crítica e pelo público leitor de poesia em sua época. Em vida publicou dois volumes de poesia, às proprias custas: O LIVROS DE MÁGOAS, 1919 e o LIVRO DE "SÓROR SAUDADE", em 1923. Florbela d'Alma da Conceição Espanca suicidou-se em dezembro de 1930, às vésperas de ver editado CHARNECA EM FLOR, que se tornaria um fenômeno editorial, muito pelo tanto de mistério e insinuações maldosas acerca do suicídio da poetisa. Grande parte dos poemas de Florbela revelam uma carga romântica e juvenil, seu principal interlocutor é o universo masculino, talvez resida aí a polêmica e o encantamento que seus versos provocam desde quando foram publicados. O poema aqui selecionado foi retirado do livro POEMAS, em edição preparada por Maria Lúcia Dal Farra, Martins Fontes editora.

Fonte:http://www.tanto.com.br/florbela-espanca.htm
________________________________________________


EU...

Eu sou a que no mundo anda perdida,
Eu sou a que na vida não tem norte,
Sou a irmã do Sonho, e desta sorte
Sou a crucificada... a dolorida...

Sombra de névoa tênue e esvaecida,
E que o destino amargo, triste e forte,
Impele brutalmente para a morte!
Alma de luto sempre incompreendida!...

Sou aquela que passa e ninguém vê...
Sou a que chamam triste sem o ser...
Sou a que chora sem saber por quê...

Sou talvez a visão que Alguém sonhou,
Alguém que veio ao mundo pra me ver,
E que nunca na vida me encontrou!

quarta-feira, agosto 08, 2007

Constante Variável

O tempo é uma palavra pequena,
que rege a orquestra humana
e coreografa com a vida.
É o escritor romancista
que faz o terror necessário
na suprema narração.
É o divisor das águas
e a condição meteorológica
da paciência.
Ele pode fechar,
pode durar,
ou simplesmente parar.
É um sim,
muitas vezes não,
e a mais absoluta razão.
É a época,
passado, presente e futuro,
totalmente eficaz,
apesar de escuro.
É um sabido remédio,
de solução razoavelmente dispendiosa,
que cura todos os males.
O tempo é o verdadeiro reconhecimento
da eterna lealdade
no meio de todas as perdas e ganhos.
É a pura mágica,
é altamente trágico,
e agradavelmente cômico.
É confortável,
mesmo que provisório,
assim como um casório.
O tempo é o resgate
da alma em apuro
no mais profundo íntimo.
É um tesouro,
tal qual um oásis,
habitando o coração.
É uma rocha
esculpida pela brisa
que acalenta o destino.
O tempo é mesmo o fim,
é a constante variável,
e o desmedido recomeço...

quarta-feira, agosto 01, 2007

minhas curvas balaçam
nesse caminho confuso
da minha imaginação
[corre-corre]
nos esconderijos
dos meus diários.

um caos em forma de promessa,
uma pressa que só sabe arder,
e uma cama à minha espera...

se a coragem vier,
eu torno-me luz e
esclareço essa
[ou aquela?]
imensidão que é decidir.

quarta-feira, julho 25, 2007

tatue o sol na pele
e abrace a sua vida
todos os dias...
fale sempre com a lua
e nade pelado
nos seus sonhos...
salpique estrelas na alma
e encante as árvores
do seu jardim...
engane o tempo aos versos
e dance ao som
da sua energia...
[porque as tempestades
só acontecem
quando está chovendo!]