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sexta-feira, fevereiro 26, 2016

(NA)MORADA

Quero mais é que esse sentimento
Traga logo suas roupas
Para dentro de casa.
Mude com tudo:
Tralhas, trouxas, beijos na boca,
Melodias, desejos entre as coxas e todas as malas.
Que venha tomar conta da alma que agora abriga
Trazendo com ele todos os versos,
Rimas, sonhos e canções amigas.

Quero mesmo é deixar o medo
Plantado no jardim do quintal,
Na varanda da sala,
Algum lugar bem na nossa cara
Para que dele possamos colher pétalas
Para o chá de “vamos-em-frente”.

E alí, para nosso deleite,
Durante os beijos
Que o mundo anoitece
Ante nossas pálpebras fechadas,
Percebamos que a alma, finalmente,
Encontrou a perfeita morada. 

terça-feira, fevereiro 02, 2016

FURACÃO

Agora que encontro a porta aberta 
Dos olhos, do corpo, da alma,
Revejo que a mira estava certa
Sem pressa, com calma,
Porém torto, doido, ante a entrega.

Me fez menino abusado
Voyer de tudo que mira em ti.
Pór isso, ao decote levado,
Arrasta meus olhos (castanhos armados),
Afaga o desejo (de ser enlevado),
Arranca o azul (juízo tomado)
Da doce saliva que te quer em mim.

Paro, para ter a certeza,
De que trazes um sim vestido de não.
Encaro calado a nua natureza
A minha preta, ali, deitada no chão:
'És banquete de cama, fogão e mesa'
Mil talheres, mil joguetes de entregue paixão.

No mar que mergulho minha língua
Encontro suas pernas em pleno frisson
Tomamos-nos, como poetas ante a rima,
Ao som dos gemidos, do gozo bom.

Êxtase.

Antes um menino à míngua
Agora ofegante canção.
Deito, como em mim tu deitas (Preta minha)
Depois da entrega, folia, baião.
Antes arfante ventania,
Agora (graças e por ti, Preta) tranqüilo furacão.

domingo, agosto 14, 2011

LOLA

Sem tempo de pôr no papel
Os versos que sonho a noite

É que a poesia se acertou
Com o amor e alegria,
E decidiu sempre acordar do meu lado
Para desejar bom dia.

sexta-feira, julho 15, 2011

5 Vezes Alexandre Beanes

1

FLOR DE LUZ


Calma flor.
Vai com calma
Que é só saudade,
Esta dói
Mas, não mata não.
Sonha amor.
Sonha com a dor
De sorrir sem vontade,
Que um dia
Já sofri igual.
Mata flor.
Féri com punhal
E marca,
Finge, pois doçura pouca
É desgraça,
E ama como amo na vida
Somente a ti.


2

Fugi das matas e portos...
Encontrei tesão, mulheres e liberdade.
Quem encontrar o amor, mate-o...
Escarneça-o...
E corra... Corra muito...
Ou morra por ele.


3

"...Eu faço samba e amor até mais tarde
e tenho muito sono de manhã..."


É um homem da madrugada.
Cria versos, sambas
E frases de efeito.

Bebe cerveja e tequila.
Uma para esfriar a cabeça
Outra para apimentar as paixões.

Ao raiar do dia
Transforma sussurros
Em doces melodias.


4

Vai amor.
Diz que meus defeitos
São muitos
Que minhas canções
Não te comovem
E a tí nada dizem direito.

Vai amor.
Diz que tenho cheiro de cachaça
Que minhas piadas
Não têem graça
E que quer alguém
Com sonhos mais estreitos.

Vai amor.
Diz que à noite
Sou o que te segura
Que sem mim
O amor não tem cura
E que a minha poesia te acalma o peito.

(Desculpa do amor perfeito).

5

Sou como a noite.
Com o sol descanso,
Faço dormir estrelas
E namoro - de forma quente - a lua.

(São Jorge que feche os olhos).

domingo, março 20, 2011

(Para Carol)


Minha poesia é rebelde
Precipita-se
Se joga diante do lábio,
Antes vermelho,
Desbotando o batom no encontro das bocas.

Minha poesia rebelde
Acalma-se depois de seus sorrisos.

Depois de seus beijos
Minha poesia espaçada,
Vai termina zen
Poesia sossegada.

domingo, fevereiro 20, 2011

(Para Carol)

É que seu amor tem um tantinho de mar
E não é mar azul (minha cor)
É verdinho esmeralda
Feito pedra preciosa esculpida
(não a toa sua cor preferida).

Seu amor tem um outro tanto de futuro,
De juventude, renovação,
Que eu, um ser nascido velho,
Vou bebendo, me lavando,
Sugando cada gotinha que a noite orvalha
No seu corpo que não falha.

Esse amor, o seu, não gosta de silêncio
Pede música, suspiros, respiração forte e entrecortada.
Forma letras, palavras, juras,
Espanta a mudez para o lado distante
Da felicidade que nos cerca...
Amor que mesmo errando nunca erra.

domingo, janeiro 23, 2011

Abre portas,
Pernas e comportas
Para o rio de desejo
Que te molha
A roupa
Que te lava
A alma.

Anda!
Deixa no solo
A sua marca.
Faz crescer verdes plantas,
Folhas, falo.
Deixa a palavra
Para o silêncio
Dos meus ais
No teu ventre,
Vento que calo.

Ergue-te sombra,
Sobra, solta,
Meu gemido
No carmim
Da sua boca,
Essa rouca expressão do certo,
Do caminho reto
Entre o sim e a cama.

Ama esse tremer
Do solo discreto,
Esse doidivanas
(De pensamento, ladrão).

Anda.
Abre portas,
Pernas e comportas
Para o dengo
Digno clarão
Que te rubra a face,
Força, fenda
Ao despir seu sim
Fantasiado de não.

domingo, dezembro 26, 2010

Assim te digo:
Enquanto olho o céu
Com lua e estrelas
Sei que estas se agitam em fases,
Bem aqui,
Como a iluminar o caminho
Que leva a nós.

E a cada dia,
Hora, minuto,
Te sinto no meu caminho
Como uma rosa
Que se destaca no rosal.

E te encontro,
Encontro a mim,
Que não somos mais que um
Roçando o meu amor no seu amor
Como que a correr o sangue
No meu corpo
Sem deixar o seu.

domingo, novembro 28, 2010

ENXURRADA

A poesia lambe cada poro da minha pele suada
E manda (não pede) que sinta na boca,
Bem lá no céu da boca, esse roçar de enxurrada.

domingo, outubro 31, 2010

VEM

Vamos sair pela rua
Assim como quem nada quer
A redescobrir-nos,
A cobrir o sol que manda
E exala o cheiro guardado da noite,
Feito crianças que somos
Atrapalhando a calçada
Feita para andar de mãos dadas
Feita para o ir e vir
Entre tantos.

Vamos, me segue,
Nessa busca louca do sentir o que não vemos,
Dessa queda roxa na palavra que prevemos,
Nos domingos cheios de bemol
E de beijos.
Sim, me acompanha nessa luta,
Contra os males que nos cobrem a alma e o rosto,
Pois se te quero, agora,
É por estar disposto
A ser mais que um retrato
A apertar o laço
Que nos envolve a boca.

Vamos por onde for
Ser poeta, verso, música e flor,
Ser mais do que nos cobram,
Ser mais que amor com toque de instinto
Porque provamos, na mesma estrada,
Que o querer é menos do que sinto,
Que o rastro é mais que o destino.

Vem,
E juntos acabemos com a aflição
Destas curvas.
Que antes de serem marcas
Foram histórias todas as minhas rugas,
E te servirão bem de mapa nos atalhos
Que ainda não enxerga.
Pois sei o que quero, sou mendigo, menino,
Poeta cheio de prosa,
A esperar o dia em que a lua,
Bendita rainha,
Se curve ante as rosas.

domingo, outubro 03, 2010

PROFANO

Na ladeira que dá espaço
Ao raso sentido
Das entranhas.
Nesse mote de verso,
Que com a noite,
Sabedor de tudo sangra.
Nessa terra sagrada
De todos os santos,
Santas e milagres.

Entre as suas pernas
Profanamente peco...


Palavra por palavra.

domingo, setembro 05, 2010

O POETA

O Poeta ronda a madrugada
de peito aberto e rimas afiadas.

Onde passa, as mulheres ficam lindas,
os sonhos enternecem e as bocas sobressaltam desejosas,
Fazem fila e beijam-no na face

O Poeta deixa a luz do dia entrar
e segue adiante...
Em seu encalço, promessas de romance
e juras de amor.

quarta-feira, novembro 25, 2009

PROLIXO

A minha poesia
Gruda minhas paixões
Aquelas mesmas que me pegam de jeito
Que me mudam o rumo
Que me partem
Se partem
Ficam
Vão
(de ir embora,
o verbo que se vai,
nunca é aquele
que não vale a pena).

A minha poesia
Se rende sempre ao todo
Do meu jeito fácil
De me apegar
Apaixonar
Correr
Lutar
E voltar atrás
E voltar
Voltar...
Pois sou assim
Aquele que se apaixona.

A minha poesia
Esquece os trancos
Barrancos
Se entrega ante a minha entrega,
À minha entrega
Cola na pele
Rasga
Conserta
Enxerta
Salta.

A minha poesia teima
Em ser assim
Sem revisão
Com sobras
Sem tempo
Com desleixo
Sem fuga
Com jeito

A minha poesia
Fala demais
Prolixa!
Mesmo quando (nesse segundo)
Só queria falar de saudade.


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E chegou a última quarta-feira de novembro e a minha saudade daqui vai ficar.
Foi uma honra participar desta constelação de versos.

quarta-feira, novembro 18, 2009

Milagre

Os meus milagres são feitos
em tentativas de versos.
A cada dia transformo
pão em pão
e vinho em vinho.

O meu Golias
Derrubo com palavras.



www.alexandrebeanes.com

quarta-feira, novembro 11, 2009

WAR - O JOGO DA ESTRATÉGIA

I
Para de nhém, nhém, nhém
E chega de não me toque
Me dá um beijo
Ou devolve a minha Vladivostok.

II
Nem adianta mandar
Aviões para sobrevoar
O meu país.

Na hora do amor
Quero três dados
Contra um...

Só por garantia.

III
Fim do jogo.
Você conquistou meu coração
E duas pernas trêmulas
À sua escolha.

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Eis que é quarta e resolvi brincar.
Bom jogo para vocês!

quarta-feira, novembro 04, 2009

CARTA DE DESEJO PARA DESTINATÁRIO DISTANTE

Não olha
Como quem não quer
Receber cartas de amor.
Sei que a mão
Que a escreve
Seria de melhor valia
A passear pelo teu colo
E posicionar o teu seio
Para o pseudo-alimento.

Recolhe cada frase
Num canto do pensamento
Guiando-a ao lamber de línguas
Que tinha obsessão de mim,
E era tão bom...
Não sei se por exibição
Ou covardia
(No bom sentido),
Mas muito bom.

Confirme o verso
Que te bolina o sexo
E a força a pensar em mim.
Mande mais lembranças
Por linhas tortas
Que me cambaleiam a perna...
Que torna a curva, reta.
Ereta sensação de desejo.
De beijo.

Mande logo pelo correio
Esse rumo-remetente
Para tornar o dia mais curto,
Impertinente
Que te molha a coxa e o lábio
Que te rouba o frio
E a ausência da lua...

Amor...
Pelo amor do Santo Homem...
Remeta uma enxurrada de vontade
Na tinta da caneta
Que escreve a carta.
Remeta teu cheiro
E teu gosto,
Povoa cada letra,
Cada palavra, cada frase
Com a imagem do seu gozo.

Vem...Adivinha.
Alivia em cada gesto,
Desenha no fim um coração.
Deixa que vou povoar
O caminho em minha mente.
Não há maior desejo que o de ti.
Não há maior vontade,
Nem na exaustão.


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A convite de Aline eis eu aqui de novo. Substituindo-a por um curto período. Honrado e feliz por estar entre as sete cabeças, os milhares de versos e os muitos, muitos mesmo corações. Obrigado.

P.S.: Fica Marina!