quarta-feira, dezembro 31, 2008

e mais, mais, muito mais!

De: Alê Quites (http://namastealequites.blogspot.com)
Para: Fernanda (www.animalsentimental.wordpress.com)

Nosso Natal

O menino poema,
anunciado por letras com rastros luminosos,
na manjedoura deitado
feito comida aos animais sentimentais nas estrebarias,
quebra o silêncio.
Nascimento de um ou vários sentimentos
Descrição do processo de criação.
Ação.
Por alimentar a alma é pão.
Por movimentar a cabeça é sino.
Por promover novas sensações é pó.
O menino pó[ema] recebe
reis, rainhas, presentes e letras.
O nascimento de um poema de paz
criando um conjunto de palavras para Fernanda.
Entre tantos ocultos
e poucos amigos
um corpo de coração gigante e poético
palpitando
num ritmo vermelho
como nariz de rena que vive nas regiões frias,
como sangue de carne quente,
como caquis maduros no pé,
fomos sorteadas.
Reação.
A cada inspiração os seios
se fartam coagidos pelas letras
e o espírito natalino.
Por mais que a Fernanda
queira fugir, fingir ou mudar o foco
ainda é presente.
Pó de ouro.
Pó paz.
Pó[ema].
Feliz
feliz
no tal
Natal.
Não vês?!
Sinta-o, por ser um animal sentimental...


De: Fernanda (www.animalsentimental.wordpress.com)
Para: Iara (www.mulhernajanela.blogspot.com)

Espero que a Iara goste da poesia. Não a conheço nem um pouco. Fiz a poesia baseada no que li no blog dela. Espero que ela fique feliz com minha humilde poesia. :)
Lá vai:



Iara, a mulher na janela.

Eis que então me coube a tarefa
de falar da mulher na janela,
que entre a pintura de Dali
e os olhos pairados no horizonte,
está ela,
surreal,
nadando livre nesse mar intenso.
Dizia-se Iara.

Pode a mulher na janela
estar observando o horizonte
e ao mesmo tempo fazer parte dele?

Seria Iara a mulher da janela
ou a mulher do mar?
Ela e a outra,
ambas a mesma.
Ora viva, protagonista altiva
com os cabelos ao vento
e olhar cerrado,
despreocupada de sua existência.
Ora espectadora de sua própria vida,
como outrem que observa
e caça em silêncio a poesia.

Espreitando a vida,
assistindo o mundo em que ela existe
silenciosa e mística
debaixo d’água, atrás da janela.
A mulher que é peixe
e que é poeta.

Só quem pode estar na terra
e no mar
há de ter há de ter tanto causo pra contar,
tanta poesia bonita
pra além d’alma encantar.

Iara, que deu à luz a uma pérola
Iara, que enfeita o cabelo de estrelas a noite
e de dia se fantasia de homo sapiens
para batalha do que não é fantasia.

Iara, que viva,
luta, contempla
e aprende
a ser mulher,
peixe,
mãe,
e poeta.


De: Iara (www.mulhernajanela.blogspot.com)
Para: José Rosa (Zero S/A) (www.bizarrodeslumbre.blogspot.com)

O meu amigo poético é o José Rosa (Zera S/A), de Guarulhos/SP.
Escreve poesia e prosa, respectivamente nos blogs Bizarro Deslumbre e Breves Histórias. Da sua personalidade meio célere, meio avulsa, meio aquosa, consegui abstrair um cheiro de rosa, um gosto de som.
Inspirada nos bilhetes de entrada para os shows que foram marcantes em sua vida (especialmente nos saudosos anos 80), escrevi esse poeminha.

Eis o meu presente. Espero que goste, José!


de bilhetes

quando abri a gaveta antiga
daquela arca enfeitada
da sala de minha mãe

era de som esculpido
o seu íntimo silvestre

era sereno
era canto
era partícula de encanto
bicicletando a esteira dos anos passadiços

era meu vício
nas açucenas da noite
nas cicatrizes da dança
na ventania das luzes

se eram traças
ou naftalinas
para alheadas retinas cegas

para mim eram adegas
do vinho copuloso
de meus anos mais vividos

uma rosa espinhando
uma lua crescendo

um poema nascido.


Iara Maria Carvalho

* Com carinho, um lindo Natal a todos!

terça-feira, dezembro 30, 2008

mais presentes...

De: Henrique Sá (http://sentidoabsurdo.blogspot.com)
Para: Keila Sgobi (http://sobrecaminhosepedras.blogspot.com)


Bloguezia

Menina Maluca
Que no blog pode
De saia e peruca
Cavalgar num bode
Rebate sentidos
Com sua raquete
Borrando escritos
No céu da internet
Pocote Pocote
Encima de cores
Revela o decote
Pipocando amores
Mas toda a vontade
De exposição
Explode a verdade
Do seu coração


De: Keila Sgobi (http://sobrecaminhosepedras.blogspot.com)
Para: Remo Saraiva (www.remosaraiva.blogspot.com)

Remo é o rimador
não é remo de remar
nem remada de remador
não é na rima que vou contar
a história deste cantor

que história, que nada!
nem canta este doutor!
nem medica,diagnostica
ou examina donde vem a dor

o rumo deste Remo
é contar histórias com louvor
conta-minha, conta-sua
delata tudo! sem pudor!

mas, se acalme! nada tema!
só tem tema seu poema!
tem muitos nomes, muitas cores
mas não identifica seus atores

como remo que não rema
é poeta cantador
que nem sempre traz a rima,
mas é exímio rimador!


De: Remo Saraiva (www.remosaraiva.blogspot.com)
Para: Alê Quites (http://namastealequites.blogspot.com)


Visitando o blog da Alê reparei – bem, pelo menos na home – uma constante aparição de imagens de pés, calçados,... Como não a conheço a fundo para escrever sobre a própria, resolvi escrever sobre o que, à primeira vista, parece-me uma fixação sua.

Enfim, espero que ela goste. E Namastê!

REMO.

Pés
a Alê Quites

Pés que maceram o solo
Pés que acarinham o chão
Pés que se enraízam na terra
Pés que das pernas são mãos
Pés que beijam merda, avoados
Pés que esmagam os grãos
Pés que na rede tem colo
Pés que delimitam lúdicos traçados
Pés que pisam as bagas de uvas
Pés que mimam mínimas poeiras
Pés que esfregam o gramado
Pés que disfarçam o luto da viúva
Pés que padecem tanto na areia
Pés que acertam, rápido, os dentes
Pés que se esquivam com tal receio
Pés que miram, cegos, o mindinho alheio
Pés que caminham, silentes e silentes
Pés que sapateiam “o peito do pé do Pedro é preto”
Pés que beliscam calcanhares qual um escaravelho
Pés que tremem pelas pernas que tremem de espasmos
Pés que admiram, imóveis, na cadeira rodante, o espaço
Pés que se deitam em respeito ao dono de pé
Pés que se levantam quando o dono deitado quer
Pés que assim, em pé, permanecem estáticos
Pés que contemplam o dono nunca mais empinado
Pés que testemunham, do alto, o corpo morrer, decomposto

E os sapatos, tênis, chinelos, todos calçados que sobram
Choram hiatos de carne perfumados de chulé e Tenys Pé Baruel

segunda-feira, dezembro 29, 2008

mais caixinhas!

e o meu amigo secreto é....

De: Czarina (http://sabedoriadeimproviso.wordpress.com)
Para: Jefferson (http://escuchameporra.blogspot.com)

Na lata

Amigo. Distante.
Eu sei, a gente
não têm se falado o bastante.
Amigo, você é tão importante.
Não se eu já
te disse isso antes.
Amigo, daqui em diante
vamos nos encontrar
por MSN
ou de elefante
ou fazer das palavras
nosso pequeno telefone
de latinha e barbante.


De: Jefferson (http://escuchameporra.blogspot.com)
Para: C. (www.poemastardios.blogspot.com)

Nunca tardio

Te conheci por acaso. Um mero acaso me pôs frente a ti.
Naquela noite quente, quando te vi, de longe,
me senti um tanto
estranho:As borboletas no meu estômago se agitavam
a ponto de me provocarem
náuseas.
Algo de fascínio me invadiu
e eu me sentia mal.
Sentia algo indescritível:
naquele momento, era como se fosse
Saudade...
Se só em português tenho um vocábulo pra Saudade,
em qual idioma eu teria condensado, em uma única palavra,
essa saudade do que não vi,
do que não senti?
Eu queria matar a Saudade...
Tentei afogá-la, tomei duas, três, quatro doses de
Coragem...
Eu queria matar a Saudade...
Então, fui até você!E, por desejar-te, ó desconhecida
Na ânsia de querer o Caos
vomitei minh'alma
e não tive nada.
Já era tarde...

Acordei
todo despedaçado,
machucado, sangrando...
Mas me sentia bem mais leve.

Este poema que eu escrevi pra C., que eu não conhecia antes desse Amigo Poético, veio tarde, atrasado...
Mas posso dizer uma coisa: desde que pude conhecer tuas palavras, tua arte, teus belos escritos, fiquei com aquela sensação de que eu deveria ter conhecido essa moça e essas letras antes, bem antes...Mas... Nunca é tarde pra apreciar a boa escrita!

Meu poema tardio não chega nem aos pés do que ela escreve... E, ao ver de qualquer um, não tem praticamente nada a ver com ela, mas tem a ver comigo! Comigo e com os efeitos que tua escrita me causa!

(Não, eles não me dão vontade de vomitar, jamais! Mas me perturbam de uma forma... E eu adoro escritos perturbadores!)

De: C. (www.poemastardios.blogspot.com)
Para: Henrique Sá (http://sentidoabsurdo.blogspot.com)

obviamente, o contrário
aquilo que grita mudo
e violenta o ouvido
poesia em estado bruto
lucidez alucinada
fotografia estourada
escrita nada batida
verso roendo a ferida
Em ti mora o sabor acre
na língua, na ponta do lápis
cada estrofe um massacre
as rimas feitas açoite
ali, tua sombra brilha
quebra-paradigma
faz lembrar-me Camus
faz repensar a Queda
se faz poeta-estrangeiro
devoradordessemundo
pro lirismo corriqueiro
dá o sentido absurdo

presentinho pro Henrique de Sá Bastos, do blog SentidoAbsurdo.
Difícil foi, viu?Saiu de um jeito que estranhou até a mim. influência da escrita dele. antropofagia.
xêro, moço.Misteriosa C. =X

domingo, dezembro 28, 2008

Mais 3 pra entrega de hoje!

E continuamos bancando o trampo do papai-noel! Seguimos com a entrega dos presentes! Mais 3 pra entrega de hoje!





Acompanhem:







De: Rayanne (http://www.meucontratempo.blogspot.com/)
Para: Stella Polaris (http://www.divagar-esempre.blogspot.com/)

Uma linda!
Stella é dona de um estilo próprio. De um acreditar doce,
gentil, e graças a Deus, incansável. E não esconde a vontade
de ver um mundo que queira ser melhor do que é. Ela acredita
no ser humano. Em "estar" humano. Escreve com uma clareza
cortante, que seria contundente, não fosse essa doçura que não
abandona as suas letras.
Feliz Natal, Stella!!! Sua amiga, Rayanne.

“Gentileza gera Gentileza”
Para Stella Polaris

Vendaval de doçuras.
A lucidez, – fato –
Ronda as canelas,
Dentes à mostra.

Mas ainda assim, insiste a doçura.
A doçura desesperada dos despertos,
A ânsia nossa poética – profética
E quase esquelética,
De suavizar os contornos do real.

Eu que derramei olhos sobre suas letras
Encontrei abrigo nas marquises do sorriso,
Caminhei passos submersos,
De lágrima contida.

Ainda assim, a doçura.
Espreguiçando-se sobre a teoria
Convidando a razão para a vida,
Que a vida, muito embora.

A vida também insiste em doçuras,
Moça, a vida em torno roda,
Das gentilezas à gratidão,
Insiste a infância, de sabor amora.

Que as brevidades do tempo,
Não diluam a insistência.
Que as asperezas das paredes
Não desfaçam a suavidade
Desse olhar para o mundo
Que iridescente abraça um sorriso
E insiste,
Doçuras.



De: Stella Polaris (http://www.divagar-esempre.blogspot.com/)
Para: Diovvani (http://www.diovmendonca.blogspot.com/)

Transverso

Me angustio e vou errando
caminho
por pedras
desenhado
presságio de volta não há.

Perguntam-me de outras partes
do que há bonito pra ver.
Se olho, não digo palavra.
Vou errando
minha sina
encontro d'olhos denuncie:
bonito não se faz, bonito há,
bonito não há, bonito se faz.



De: Diovvani (http://www.diovmendonca.blogspot.com/)
Para: Czarina (http://sabedoriadeimproviso.wordpress.com/)

PRESENTE

O que te dar neste dia?

O que te daria eu ontem
quando não te conhecia?
E amanhã, o que darei
se hoje não te dei
o que devia?

O que te dou é apenas
sombra do que querias.
Dou-te prosa, e o desejo
era dar-te poesia.

Affonso Romano de Sant´Anna

...

Abraço das montanhas.

sábado, dezembro 27, 2008

De: Padmaya (http://cosmunicando.blogspot.com)
Para: Mariana Botelho (http://quelevequenada.blogspot.com)

NANA
meu carinho pra essa moça
de doçura delicada
poeta de montanha e roça
mi(ni)nas gerais em seu peito
versam todo amor do mundo
no dorso a asa anseia o dia
batendo forte, à revelia.

(poesia para a minha amiga secreta e não-secreta, minha frô do campo, Mariana Botelho – Nana)
beijão da Padmaya =)



De: Mariana Botelho (http://quelevequenada.blogspot.com)
Para: Fernanda Leturiondo (http://acasaoamanteeoexilio.blogspot.com)

morena

não conheço a moça
com esse chapéu esse
sorriso
largo

ainda sim ela é um belo
mote

pela cor

Mariana


De: Fernanda Leturiondo (http://acasaoamanteeoexilio.blogspot.com)
Para: Juliana (Rayanne) (www.meucontratempo.blogspot.com)

um presente-festa para Juliana

procurei nas tuas
palavras que virassem presente
entre tantas e tão belas,
presentes espocavam
de todo formato e textura
de toda cor
de toda envergadura:
palavra-flor
palavra-buquê
palavra-brinquedo
palavra-canção...
era escolher e embrulhar
com delicado papel de seda
um mimo, uma inspiração.

então, moça das costa nuas,
de escritos com o silêncio,
moça e seus poemas
vê, as horas passam
na lírica tramada.
e basta um tema
que poesia é cria desgovernada
contesta
que nada!
poesia é toda a revoada
de palavras instantes
no tempo do contra
dos pequenos amantes
dos loucos e dos banidos
poesia é dar ouvido
a todo sentimento que baila
a poesia é o baile
a festa!

sexta-feira, dezembro 26, 2008

...mais poesia!

Para minha amiga poética, Grazielle
Um amigo e um poema: muitas semelhanças, momentaneamente efêmeros e eternamente agradáveis. Gostei muito de conhecer seu espaço, seus gostos, compartilhar sua vida através das palavras e, além disso, pela sensibilidade. Não espero que goste porque a expectativa é muito mais de quem recebe do que de quem presenteia. O "presente" foi criado para frustrar ou surpreender, quem decide é sempre quem o tem nas mãos. Um forte abraço, Sabrina.

Amigo efêmero
Por Sabrina Sanfelice

Não te conheço
Assim como muitos
Mas reconheço o cheiro:
Liberdade

Não te julgo
Apenas observo
Perfilho a visão:
Palavras

Não te abraço
Pela distância
Apenas tateio suas entrelinhas:
Sozinha

Não te ouço
Sussurrando poesia
Mas, sei a cadência do que escuta:
Passado (em inglês)

Assim, perambulo,
Entre suas revelações
Sílaba a sílaba
Vendada

E o gosto
Levemente adocicado
Paladar aguçado
Concupiscente

Como um labirinto
De prazeres
Um círculo vicioso
Compartilhado

E por alguns segundos
Somos só eu e você
Sentidos latentes
Troca de olhares

Presentes

Eis o meu presente a minha amiga poética que realmente me intrigou com seu blog. Mari, como não vi seu blog antes. Tornei-me leitora assídua!

Como?

Como pode?
Com versos
Conversa
Comigo
Como se fosse eu
Conhecida!

Me intriga...
Convite irrecusável a seguí-la.
Conseguirei?


desculpe-me, amigo poético pelas minhas humildes palavras
sua beleza ofuscou-me a vista
meus olhos ficaram embaçados
cheinhos de poeira cósmica

tento dizer em poucas palavras
o que talvez precisaria de muitas,
mas ela assim me ensinou
que o melhor é deixar alguns espaços em branco
não por falta do que dizer
mas para que outros nos completem
digo então que ela é
vazia-mente completa
alva-mente colorida
preencho-me ao preenchê-la.


~~~~~
p.s.: Eu tive um problema com a internet por esses dias e só agora pude atualizar os presentes. Mil desculpas! =~

presentes!

De: Marianna (Yulliah) (http://paponoape.blogspot.com)
Para: Flávia Jorge (http://almanagarganta.blogspot.com)

Meu amigo secreto tem um blog novinho, novinho, mas que já conseguiu ser anos luz mais bonito que o meu (eita inveja feiosa). Esse amigo escreve de um jeito liso, gostoso, mas que eu não consigo seguir com os olhos sem me perder. Meu amigo secreto tem no nome o santo que me acompanha a noite, na última viagem da linha do meu ônibus. Esse amigo canta (A!) Gosta de aliterações e ouve radinho de pilha.
(como alguém canta com uma alma na garganta e não engasga? haja controle, confiança... coisa de capricorniano). Meu amigo, ah, whatever, minha amiga poética é a Flávia Jorge, do Alma na Garganta! Aos fatos!

***

Ganha-se a vida, perde-se a batalha
Ou ganha-se a batalha, perde-se a vida
Não tenho certaza afinal, mas
acabei de ganhar esses versos com séculos de atraso.
Como cairão, como vou saber, ó cáspita...
Estão puídos de traças, cheirando mofo,
cinzento de bolor e tudo mais...
Ô meu bom antiquário, quanto me dá nesse trapo?
- Ó flor de formosura, cândida e pura flor dos céus,
lamento não poder fazer jus à oferta, mas, ora puxa
-exita o miserável-tão mal é seu estado que nada posso fazer
senão te dar em troca três desses romances Sabrina de banca de jornal.

- QUÊ? Além de aguentar cantada barata,
ainda me vem com esta coisa? Obrigada, prefiro a rinite, hunf.

Então, meu bom Machado, agradeço a intenção, mas leva de volta
esses versos e quem se interessar que os carregue.


De: Flávia Jorge (http://almanagarganta.blogspot.com)
Para: Anna Flávia (http://www.improficuo.blogspot.com)

Presente

Faço aqui uma lista de coisas que lhe desejo:
Sorrisos sinceros
Músicas ao pé do ouvido
Arco-íris inesperados
Margaridas pra brincar de bem-me-quer
Crepúsculos laranjas
Danças de alegria
Amigos de verdade
Chuva na janela pra ajudar o sono
Frio pro abraço ficar mais gostoso
Pipocas pros filmes
Silêncio para os olhares profundos
Enfim...

Essas coisas o papai-noel não pode trazer, mas são aquelas simples coisas que fazem a vida ter mais sabor...

Desejo isso tudo para todos os meses do calendário que está prontinho pra ser usado.

Que em 2009 o SUCESSO esteja PRESENTE nos teus dias.


De: Anna Flávia (http://www.improficuo.blogspot.com)
Para: Sabrina Sanfelice (www.goodnightcaptain.blogspot.com)

minha amiga secreta é de sampa, jornalista e fotógrafa. apesar de
pequenina e engraçadinha, ela diz ser osso duro de roer. e aí,
descobriu? tirei a Sabrina Sanfelice...

sabrina bonita
seja bem vinda
enquanto vem
dance, brinque
e me ensine
a dançar também

sabrina encanta
mesmo pondo banca
enquanto briga
xinga, grita
e me evita
de xingar também

sabrina colorida
mesmo dolorida
enquanto brilha
colori, pisca,
e me pinta
em cores também

sabrina sabina
já está de saída
enquanto vai
chora, clama
e despede-se
sem drama

quarta-feira, dezembro 24, 2008

E mais presentes pipocando por aqui!

De: Fábio Brandão (Bill) (http://www.prahoje.com.br/bill)
Para: Yara (www.atraversando.blogspot.com)

Noite de chuva...
Na palha branda das horas, o chiar dos segundos, distraía-me com Beckett durante madrugada, ouviam-se gotas batendo no parapeito da janela, aqui dentro, folhas arqueadas e uma vela dançando no doce vento que teimava em correr pela casa, vida llumi(nada), então fez-se um grande silêncio, podia-se ouvir somente o som furtivo das folhas como uma sinfonia de Bach e mais nada.
Na janela, a luz da lua...Um vislumbre da verdade, somos uma pequena gota de chuva, escorrendo lentamente no vidro transparente da vida, na luta para não nos destruirmos antes que cheguemos ao fim...
Voltei, estava sonolento, agora entre as palavras, atraversando as horas, sigo cheio de versos...Adoro o som da chuva...

Meu amigo poético é... Uma amiga, a Yara, que não conhecia e na verdade o presente quem ganhou foi eu, conhecer o blog dessa dona moça de belos versos e letras.


De: Yara (www.atraversando.blogspot.com)
Para: Alex Pinheiro (http://invento0.blogspot.com)

DESAFIO

Eu truco
o poeta marqueteiro!

Este algo
atrás do teu olho
que grita um (m)urro
hiperbólico
aos eufemistas...

Este grito sinusite,
que regurgite dissabores
(língua ígnea draconiana).
Que explicite teu pe(s)cado
meticulado, imaculoso, promiscarado
(perdoado).

Eu truco
teus verti(hai)kais,
teus cheiros guardados em livros.
Tua rima garapa,
teu pastel de in-vento.

De: Alex Pinheiro (http://invento0.blogspot.com)
Para: Marianna (Yulliah) (http://paponoape.blogspot.com)

Minha amiga poética era, inda nem tem tempo, uma desconhecida pra mim. Veio de sabem os deuses por onde! (rs). No entanto descobri, viajando em papos no apê, algumas afinidades que, confesso, foram a motivação para a escrita por encomenda. E saiu, assim abortando alguma vida, o meu presente:

Transfiguração Capixaba

Ainda cego
vejo In-rasantes
Ela
, antes
enquanto flor,
fabricando
o
odor
que agora sai
revelando
de Chopin
a Avôhai.

Felicidades a você, Yulliah! E a todos os amigos poéticos!

terça-feira, dezembro 23, 2008

Na terceira caixa... os presentes vão para...

De: Elaine Lemos (http://duaspartes.blogspot.com)
Para: Pavitra (http://metamorfraseando.blogspot.com)

Paraíso encontrado

Levou-me a correnteza e eu conheci!
Ah! tivesse remado
mais cedo teria encontrado...

Quantos bichinhos alados
perdi fazendo flap-flap por aqui?

Mas não faço cerimônia na chegada:
piso o verdinho do gramado
roçam-me os pés, as folhinhas orvalhadas

aquieta-me as idéias, o farfalhar das copas
invadem-me os olhares, todas as tonalidades

respiro tão fundo, tão fundo, que me entram
as almas das flores pelas narinas

e sirvo-me das saborosas pétalas
das metamorfoses fraseadas


Acho que nem preciso dizer quem é minha amiga, né? É a Pavitra, claro! Adorei ter tirado você, Pavitra! Conheci seu campo e suas flores! Um beijo!


De: Pavitra (http://metamorfraseando.blogspot.com)
Para: Leandro Jardim (www.florespragasesementes.blogspot.com)

o jardim e o leão

girassóis de outros sistemas
nascem em seus versos

e sinto cada letra
como se me transformasse
em amarílis
orquídea
miosótis

ou em qualquer flor azul
que exale aroma
também azul

e além das sementes
de lírios e palavras
também pressinto a poesia

que cultiva nesse jardim
um homem que ruge
poemas


De: Leandro Jardim (www.florespragasesementes.blogspot.com)
Para: Fábio Brandão (Bill) (http://www.prahoje.com.br/bill)


Sobre entortar a realidade

O fato é que a realidade
é presente e fardo.

E quando não está à flor
da pele, intensa ou for ardente,
ou se na calmaria que às vezes
a faz perder a graça,

há que se entortá-la.

Há que se encontrar um bardo,
um fabuloso homem
que a poesia traga.

Porque quem isso faz,
faz mais que consertar
horas e locais, fala.

Como quem ouve um sábio
que sabe abrandar o que é vão,
e do vazio do momento
propaga a canção.

segunda-feira, dezembro 22, 2008


e a semana do amigo poético continua!
presentes de hoje:


De: Aline Araújo (www.dashistorias.blogspot.com)
Para: Liz Kasper (http://lizkasper.blogspot.com)

Senhores cabeças!! A minha amiga poética é uma artista.Pinta, fotografa, desenha.... Daí que fazer para ela uma poesia é coisa difícil para fazer jus à sua sensibilidade.Mesmo poesia não sendo o meu forte, fiz um esforcinho...É de coração! Aí vai o presente da minha amiga poética secreta!=D

EXCESSIVA
O mundo pálido
Quase cálido
Amanheceu e nada quis
O mundo lânguido
Quase límpido
Fez chover na flor de Liz
O mundo mórbido
Quase inóspito
Arrancou-a do jardim
O mundo mau
Quase bom
Devolveu-te num jasmim
O mundo excesso
Como tu,
É uma tela colorida
Te fez exceto em preto e branco
Nas imagens que desvela
Tem tantas cores agora
Nesse mundo, nessa tela
Que se pinta em guache tinta
Nas tuas telas de aquarela



De: Liz Kasper (http://lizkasper.blogspot.com)
Para: Élcio (www.instantes.blogger.com.br)

Uma poesia do gaúcho Luiz Coronel.Um abração, Liz.


POEMA DE NATAL

Dorme um Deus-Menino entre etiquetas
e lá fora explodem rolhas de champanhe.

No gráfico de vendas se encapelam
as ondas da maré de mercancia.

Camuflado, barbas brancas, Papai Noel
executa promissórias de crediário.

A piedade vira embrulhos
neste Natal sem manjedouras.

Lá no fundo de seu quarto,
fumando o último cigarro,
Deus contempla os homens com infinita melancolia:

- Que fuzarca foram fazer logo no meu aniversário!



De: Élcio (www.instantes.blogger.com.br)
Para: Elaine Lemos (http://duaspartes.blogspot.com)

Quem sou eu
(duas partes)

Uma releitura ou
Sopa de letrinhas!

Loucuras
Descalça
Desse
Outro mundo
Sou Irmã
Sou filha
Anjo torto
Levanto
Sapatos
Admiração
Sou fração
Sou sombrancelha
Achoquesou
Coisaerrada
Zeroàesquerda
Espanto
Cabisbaixa
Loucura
Pergunto
Devo ser
Talvez
Pontos
Apenas
Isolados
Duas partes
Devo
Ser
Ai!
Não tomei
Comi


domingo, dezembro 21, 2008

A entrega dos presentes!!!

Caríssimos Amigos Poéticos!

Finalmente, o momento que todos esperavam ansiosamente! O melhor da festa! O motivo maior da festa!

É hora do B7C entregar os presentes!!! =)

Cada presente será publicado na seqüência de quem-sorteou-quem (o primeiro escolhido dá seu "presente" pro sorteado; o sorteado, dá o "presente" pro outro sorteado, e assim por diante)!

E serão postados 3 (três) poemas por dia!


Acompanhem!



De: Mary (http://versosdelirios.blogspot.com)

Para: Ana Oliveira (choco) (http://www.palavrascomcheiro.blogspot.com)


Observando os blogs e a apresentação no fórum da minha amiga poética percebi que nossa participante portuguesa gosta de chocolate, de poemas sedutores e curtos, como o poetrix. Então nos meus delírios eu juntei esses elementos para compor o presente. Pra você, Ana Oliveira! Espero que goste e que seu Natal seja doce! :)


sabores

os olhos
caramelos
ardem a pele

o seio
ao leite
derrete na boca


as mãos
brancas
tateiam o arrepio


o adeus
amargo
ecoa saudade


o fim
avelã
revela a poesia



De: Ana Oliveira (choco) (http://www.palavrascomcheiro.blogspot.com)

Para: Múcio Góes (http://traversuras.blogspot.com)


cateter

, ou um canal aberto para te escrever

em osseva <

escrevo-te

____________ versas

linhas _-_-_- in

____________ certas

são apenas
sombras de TU

________ palavras filtradas

________ depuradas

e

nu reverso

________ delicado

pouso-te

um poema torto



De: Múcio Góes (http://traversuras.blogspot.com)

Para: Aline Araújo (www.dashistorias.blogspot.com)


Rios e pontes,

fatos e fontes,

morros aos montes,

Marcos de Zero a cem.


Cada praça, suas Graças,

seu aceno, Arsenal,

Moeda do Bom Jesus,

aqui um reggae,

ali um blues,

e tudo fica muito bem
na rua que Aurora
a Boa Vista,
e na Benfica

também.


Na Real da Torre,

de porre,

Alzira virando Orloff

made in Malakoff,


E sob o vasto azul

que faz o céu,

queira ou não queira,

vê-se por ali,

dando Bandeira,

o Manuel.


Mais adiante,

onde é de Ferro

a Ponte,

cores e sons

se definem:

Chico Science,

Mestre Salu

num Mundo Livre

com Aline.


Que os deuses

nos livrem

para sempre

da mira dos meteoros:


Recife-me,

ou te devoro!


Aqui, este rabisco,

um abuso à métrica,

fiz em homenagem

à Aline,

minha Amiga Poética.

sábado, dezembro 20, 2008

Quadrática

Arremessado...
para cima, para o alto.
Lá em baixo,
a terra urra.
Reclama o que é seu.

Porém eu
continuo ali suspenso,
à espera do momento.
No ponto mais alto da parábola.
Na deflexão do movimento.

Por alguns milissegundos,
sem inércia, sem gravidade,
apenas aproveito a paisagem.
Até que a queda
me chame à realidade.

sexta-feira, dezembro 19, 2008

quinta-feira, dezembro 18, 2008

[...]

cansei de procurar
a pessoa certa.

agora
eu sou o alvo,

vamos ver
qual pessoa acerta.

quarta-feira, dezembro 17, 2008

...

vesti-me de tristeza
e te esperei chegar
vieste
com aquele olhar que me cega
com esses caminhos nas costas
com essa distancia no olhar
e ficamos ali
parados
estáticos
petrificados diante de tanto amor
de tanta ansiedade
ouvidos atentos
mesmo respirar
corações descompassados
um mundo diante de nós
e nos invadimos
nos pertencemos
(…)
ao teu lado invento palavras
gosto dos verbos que me dás
são tuas
todas as minhas palavras nuas.

domingo, dezembro 14, 2008

Em ritmo de Amigo Secreto de Fim de Ano...

Amigos!

Como não elaborei nada pra pôr aqui hoje... =P
Deixo aqui, neste espaço, o belo presente que eu havia ganho no último ano!

Apreciem:

Silêncio na Voz do Grito

por André Lasak


Cansei de dizer aos quatro
Ventos o que quero dizer
E isso eu digo não com freqüência
Muda mas com eloqüência plena, pois
Pleonasmos placebos putarias
Porcarias saídas de qualquer
Lugar que pareça qualquer coisa
Menos vulgar que a sua ignorância
Da minha presença neste bar
Neste lugar neste qualquer
Ponto aonde eu possa te encontrar
E tentar ao menos dizer algo que
Te faça entender o que eu quero
Dizer é tudo o que eu poderia achar
Menos sutil do que simplesmente te
Agarrar pelos cabelos e respirar
Fundo e gritar até ensurdecer os
Seus pobres tímpanos que não têm
Culpa de pertencer à sua pobre
Figura humana decrépita nojenta
E insignificantemente chata que
Um dia já chamou de eu e hoje se
Autodenomina deusa onipotente
Onipresente onipresumidamente
Estúpida! Começo a gritar e
Sacudir sua cabeça para ver
Se algo começa a funcionar aí
Dentro para finalmente você
Abrir estes ouvidos calados
E simplesmente ouvir tudo o que
Tenho para dizer começando por
ESCÚCHAME PORRA!

sábado, dezembro 13, 2008

Vesper

A vida
ávida
quase grávida
rebentou entre os desvãos do dia

A via
a vida
e havia
algo que ainda não sabia

E era hora de acordar
vestir de verde seu luar
que já se despedia

Mas não
Não hoje
Não ainda

Manteve seu olhar no horionte
a brincar de esconde-esconde
com sua estrela preferida

quarta-feira, dezembro 10, 2008

Amigo Poético! - Envio de presentes!

Queridos amigos,

Nosso sorteio já foi realizado! (Se você ainda não sabe quem você tirou corre lá no seu e-mail que tem uma mensagem do site meuamigosecreto.com.br esperando por seus cliques curiosos!)

Estou feliz que muitos amigos estão participando, velhos e novos amigos... Já agradeço a todos pela participação e pelo compromisso para que nosso Amigo Poético seja um sucesso! E para isso acontecer vamos observar os prazos! Mas, não se desesperem! Não quero nada pra amanhã! Temos bastante tempo para encontrar a inspiração necessária para nossos presentes.

E aposto que vocês estão se perguntando: quando, onde, como e por que?

Eis as respostas:

Quando devemos enviar os presentes?
- A partir de amanhã, dia 11/12 até dia 18/12. São 8 dias! Por favor, não deixem tudo pro último dia, pois eu posso ficar louca! =P

Para onde mandamos?
- Enviem seus presentes para o nosso e-mail blogdesete@gmail.com

Como?
- Poesia! Prosa também pode! Para os que querem mandar prosa gostaríamos de receber um texto curto, um mini ou micro conto, uma mini-prosa-poética, enfim! Ficaremos agradecidos, pois serão 6 presentes por dia durante a Semana do Amigo Poético. (Outra coisa, se você não encontrar a inspiração pro seu presente não é motivo pra desespero e sumiço! Pode mandar um poema conhecido de um poeta a sua escolha.) Junto ao presente, enviar quem vocês tiraram, claro! Mais algumas observações que queiram fazer, tipo coisinhas de amigo secreto mesmo: "Meu amigo poético é legal e blablablá". =]

Por que?
- Porque essa é a nossa brincadeira e adoramos a idéia de interagir com outros blogs. E que seja com poesia!

Espero que tudo esteja respondido e aguardamos ansiosos os presentes! Dúvidas serão respondidas nos comentários desse post ou nos e-mails ou no fórum do site. Lembrando mais uma vez, do dia 11 até dia 18 estaremos aguardando os e-mails de vocês! E no Domingo, dia 21, começaremos com as publicações.

Abraços Natalinos! Hohoho

terça-feira, dezembro 09, 2008

Urgentes impulsos

Reviro-me na cama
à procura dos seus sinais:
...o travesseiro tortura e me engana
entre os desejos que você acendeu...
o lençol amarrotado ainda exala seu cheiro
...minha pele se espalha
agarrada ao sonho
que você esqueceu


AMANHÃ!!!!
Grande dia de sabermos quem será nosso amigo poético!!
A ansiedade toma conta...rs...
Fiquem atentos, meus leitores! Chequem seus emails... e caprichem no presente!!!!!
Todas as "instruções" neste bat-blog!! AMANHÃ!!
Não percam!

segunda-feira, dezembro 08, 2008

Natal do B7C

Alou, crianças!
Já é dezembro, e vocês sabem o que isso quer dizer:
Peru!
E presentes, guirlanda, noéis...
E como natal rima com sarau, o B7C está preparando um amigo secreto bem diferente, entre nós aqui do blog e todo mundo que quiser participar.

É o Amigo Poético. Igualzinho ao amigo secreto tradicional, mas com um presente muito melhor (quem nunca ganhou uma biboca qualquer de amigo secreto que atire a primeira pedra): um poema todinho seu.

Para brincar, você só precisa deixar um comentário neste post com:
- nome
- blog
- e-mail

Depois, clique no link que você vai receber por e-mail para se cadastrar no http://www.meuamigosecreto.com.br/

É o site quem fará o sorteio e por ele também dá para mandar dicas e conhecer melhor o amigo.

Você tem até dia 08/12 para se inscrever. Participe!

De 01/12 a 08/12 - Inscrições
Dia 10/12 - Sorteio
De 11/12 até 18/12 - Envio dos poemas (Ainda vamos explicar como será o envio!)
De 21/12 a 27/12 - Publicação dos poemas

Vamos lá, clique em comentários.
Eu sei que você quer...
: p

p.s.: Os convites estão sendo enviados e
o fórum no site já está rolando com
as apresentações! Apareçam!
Esperando você
Encarnei Amélia
A mulherzinha por excelência
Tomei banho quente e queimei o chuveiro
Recebi os hóspedes de toalha
Fiz as unhas
Vesti rendas
E você, nada
Me afoguei em louças,
Limpei privada
Exercitei a espera
10 pras 6, 10 pras 7, 10 pras 8
eu sofreria
se não tivesse usado toda a angústia nos biscoitos.

domingo, dezembro 07, 2008

Pragas

em outra terra fértil
o amor foi plantado
mas, mal-cuidado
foi consumido
por pragas várias

para o bem
ou para o mal
se decidiu
arrancar o
amor
pela raiz

sábado, dezembro 06, 2008

Ensaio

E então imagino você...
numa casinha à beira-mar...
aquele cheiro maravilhoso
de sol e sal e areia pelo ar.
(praia tem um cheiro todo especial,
cheiro de etcetera e tal).

Uma rede na varanda...
um solzinho tépido...
me transporto, rápido, lépido,
até o espaço da minha imaginação
onde a distância não.

E, deitadinha na rede, você,
linda morena...
cabelos negros balançando com a brisa...
uma expressão serena
e uma preguicinha imprecisa.

Os olhos fechados, sentindo o carinho do vento...
o calor ditando a velocidade do pensamento
que ao longo da orla se estende...
alcançando-me, ao chão me prende,
no vão entre os pilares de madeira,
a observar sua brincadeira.

Muito, muito, muito calor...
Você está bem à vontade...
O desejo me invade.

Já são quase sete da noite,
o sol já devia ter ido embora...
mas ele espera, cheio de marola,
só pra poder tocar sua pele um pouco mais...
(não posso culpá-lo por idéias tais!)
e você sorri, sabendo muito bem
que ele só está ali por causa de você.
A noite, impaciente, que aguarde
o danado desaparecer.

E eu ao lado te olhando,
certo de que você nem imagina
que eu estou por perto.
(ou sabe, mas finge que não...
Mulheres...
como saber ao certo?)

A sua mão, preguiçosa,
passeia por seus cabelos,
toda alegre, toda prosa.
(ah, é um carinho que eu
gostaria de fazer,
mas e o medo de aparecer?)
Elas brincam, dançam, flutuam,
em cada um dos cachos, demoradamente...
(Agora a danada da lua
já apareceu, linda, crescente.)

Você não tem pressa, sabe que eu não vou embora
sabe que eu vou continuar te olhando...
Sabe meu medo e meu encanto.

Num movimento suave, quase melífluo,
você se reclina
um pouquinho à frente,
pra que eu possa te ver claramente
(e eu, coitado, ainda na dúvida... ela sabe ou não???)
E sua mão
agora caminha pelo seu rosto...
olhos, queixo, boca (quase sinto o gosto...)

Não me permito nem ao menos piscar,
pra não perder absolutamente nada.
Sua pele levemente eriçada
Denuncia um longo arrepio
Que certamente não é pelo frio...

Impressionante como,
mesmo sem olhar em minha direção,
você adivinha minha reação!

Num arroubo de coragem,
me aproximo mais um pouquinho
(que medo! será que ela sabe???)

E então posso ver-te inteira.
Um vestido branco, longo,
cobre seu corpo de forma ligeira.
E, com a luz do fim do dia, fica claro
que nada mais há sob o tecido raro.

Suas mãos, antes calmas, agora impacientes,
brincam com a barra da saia, insistentes.
Querem se livrar, têm calor, mas algo as impede...
elas não sabem bem o que é, mas o sabe sua pele:
Elas esperam pelas minhas mãos!
E eu, homem que sou, ainda hesito,
ainda temo sua reação,
mesmo contra todas as evidências
que seu corpo me dá, então você perde a paciência...

E seus olhos encontram os meus!
Agora não há dúvida, meu Deus!

A partir então desse momento
seu sorriso me diz mais que qualquer palavra
e meu corpo chega, segundos depois da minha alma.

E minhas mãos envolvem as tuas
(não se esqueça, sou um homem,
e ainda temo suas estrelas e suas luas...)
e são as tuas mãos sob as minhas que me mostram o caminho.
Quase me perco, não posso sozinho.
E nossas mãos passeiam pelos teus cabelos...
Descem pelo teu pescoço, te descobrem os pelos,
perambulam pelo seu colo
e, de leve, tocam seus seios.

O ar me falta por alguns segundos...
e a ti também...
todo seu corpo agora me contém.

Um pouco tímidas, suas mãos escapam dali
e chegam ao seu ventre
(lembra, o sol já se foi)
e lentamente acaricio seu umbigo, abismo...
já é noite... e ainda assim suamos, calor!

Fugimos então do próximo destino
E à sua frente me reclino.
E acaricio seus pés
Numa deliciosa dança,
dedo por dedo,
dobra por dobra,
descobrindo cada reentrância...

Pouso as solas de teus pés em meu peito
E inicio, ainda insatisfeito,
o longo caminho de suas pernas...
maravilhoso caminho.
Meus lábios se inclinam um pouquinho
e beijam seus joelhos
e as suas coxas nas partes internas.

Sua mão,
que não mais necessita ser meu guia,
meus cabelos acaricia.

E minha boca segue (agora sim)
o caminho mais óbvio, enfim...
Suas mãos em minha nuca
me empurram com fluência
em direção à sua urgência...

e sinto, enfim, seu gosto...
quase sinto o calor que invade seu rosto...
suas mãos procuram por mim
e me encontram, inquietas,
alimentando-me fantasias antes secretas.

Já não me resta outra alternativa...
Me levanto e me deito em sua rede,
Sob uma luz quase furtiva.
Num passe de mágica, seu vestido desaparece
e é extasiante
o encontro entre nossas peles...
Seus seios roçam minha barriga...
e nossas bocas se reencontram, velhas amigas.
Um beijo quente, molhado, um beijo de horas
(morango, cerejas, amoras).

E mãos e braços e pernas se entrecruzam...
descubro o sabor que tem sua nuca.
Percorro cada centímetro das suas costas
e puxo seu corpo contra o meu...
E o mundo explode, ateu!

Já não vejo nada, já não penso...
sou todo prazer!
Somos apenas sentidos...
Devagarzinho, os sons nos chegam aos ouvidos.
A rua, os carros, a vida lá fora
voltam a existir só agora.

Nossos olhos estão fechados,
mas ainda assim nos olhamos...
sem pressa, sem planos.

Exausto, seu corpo repousa sobre meu peito...
e fico surpreso em sentir
que esse momento perfeito
é ainda mais belo que o ápice em si.

A lua de longe sorri,
enquanto me recomponho
e aproveito o momento, sabendo que foi tudo um sonho!

sexta-feira, dezembro 05, 2008

jam session

deixo o som
do teu soul
me tocar
jazzliricamente
sôo azul
como um blues

quinta-feira, dezembro 04, 2008

dois gumes

quando a ordem
é do destino

não condeno
não reprimo

não cismo
nem adulo

foi abismo
eu pulo

quarta-feira, dezembro 03, 2008

Estar(g)nada

Ando em busca da bússola
À procura dos sentidos
Caminho sem rumo
À espera do verso perfeito
Na medida do meu sentimento
Ando...
Parada no tempo
Do esquecimento

segunda-feira, dezembro 01, 2008

puppetry

Este aqui é o meu território
E eu faço de você
Acessório
Aliás, olha tu ali
Dançando o fandango
Juro que te vi
agarrando um travesti
Olha lá o Lênin e o Trotsky andando de patinete
E o Tom Hanks estralando o suspensório
A escrita é meu escritório
E qualquer um pode ser
Marionete.

domingo, novembro 30, 2008

Não é só poesia

Não é só poesia
O que escrevo, gente
Não é só poesia
Escrevo
para que me leiam
para que me escutem
para que me entendam
Escrevo
para me libertar
para me dispersar
para não pirar
Não é só poesia
É mais do que isso
É beleza
em meio à tristeza
É razão
em meio à tanta loucura
É mensagem
em meio à poluição
de idéias confusas
É catalisador
É assim que eu cato
toda a bagunça...
É bagunça organizada
É idéia solta
querendo ser pega
É sentimento
querendo dispersar
É a expressão pura
das idéias
dos sentimentos
dos pensamentos
de tudo
É Arte!
É isso que a Poesia é!
A Poesia
Não é só poesia
Ela impressiona
por si só
quem simplesmente a vê
Ela impressiona
pelo misto de sensações
que pode despertar
em quem a absorve
Mas a Poesia, gente
Não é só poesia
O que eu escrevo
É confuso
É sincero
É agressivo
É analítico
É melancólico
É belo
Um misto de
sentimentos
idéias
pensamentos
dispersos
que buscam compreensão
muito mais do que impressionar
O que eu escrevo
Não é só poesia
O que eu escrevo
Sou eu!

sábado, novembro 29, 2008

Instinto

Baby,
although
I love you so much
pode ser que um dia eu te mate...

Talvez após o "eu te amo"
ou antes do orgasmo, alguns segundos.
Tarde o temprano,
muy cerca o lejano.
No encontro entre os dois mundos.

Querida,
minha lâmina faminta
e tua sede de vida
nos farão completos estranhos
dentro de poucos dias
ou em alguns anos.
Depende do teus erros
e dos meus desenganos.

Mas deixemos crescerem essas raízes...
Por enquanto
podemos ser felizes.

*********************************

Revelando a brincadeirinha da semana passada:
Na verdade, o "etílico" que a Mary postou é meu, e o que eu postei é dela...
rs...

refúgio

quero construir
muros altos
à prova
de bobos

quinta-feira, novembro 27, 2008

transparecência

nem tudo cale
quando eu passar,
nem tudo fique
dentro ou fora
do lugar,
nem tudo netuno,
fundo do mar,

nem tudo vale
quando eu falar,
salve o que for terra,
salvo o que for mar,

nem tudo fique,
nem pau nem pique,
nem tudo passe
quando eu calar.

nem tudo siga-me
por onde vou,
nem tudo que padece é,
nem tudo que pareço sou.

quarta-feira, novembro 26, 2008

c'est mon plaisir

apaixono-me pelo teu intelecto
não pelo teu sexo
não pelo teu cheiro
nem pela tua pele plena
quero os livros que tens na cabeça
lê-los
folheá-los
um após o outro
e deixar-te entreaberto
e esperar
vegetativamente
pelo o que brota dessa tua boca morta
vez por outra, horta
de nossos infelizes e pueris
prazeres infantis.

terça-feira, novembro 25, 2008

Sem cura

Quando me entorpeces
com teu silêncio em overdose
e me mostras teus (d)efeitos colaterais
Peço mais uma dose,
bebo uma taça a mais...

E se me ofereces teu veneno proibido
injeto-me outro frasco desse líquido delito
degusto teu gosto em gotas
me dissolvo e te destilo...

(Quem escolheu esse tema??? Será idéia fixa??... Ou variações sobre o mesmo vício??...rs.... por que não?? Acabei entrando nessa...)

segunda-feira, novembro 24, 2008

etílico

(já que o alcool tá tão em voga no blogue...seria quase uma semana temática se não fosse outra semana)
Eu tenho as entranhas de uma bicha louca
E não tenho medo de usá-las
Sangue de barata e purpurina
Dois mojitos e um manhattan
E eu subo nas tamancas
E eu construo o barraco
E eu solto a franga
E eu solto os cachorros
Eu boto o diabo pra dentro
E os bofes pra fora.

domingo, novembro 23, 2008

sábado, novembro 22, 2008

Etílico

Pra esquecer
a distância
cerveja vinho rum

E depois
pra morrer
só soltar um pum

sexta-feira, novembro 21, 2008

Etílico

Às três da manhã
o emeésseêne
não ajuda em nada...

Bom mesmo
seria
uma boa trepada!

quinta-feira, novembro 20, 2008

falsidade ideológica

hasta la vista
ao seu discurso direto
au revoir
ao seu papo cabeça
politicamente correto

saquei de longe
que você de perto
não é lá
a última coca-cola
do deserto

quarta-feira, novembro 19, 2008

#2


na ausência de nossos versos
residem rugas de saudade
vez por outra invadidas
por lágrimas
e suores de malícia
(pura maldade)
vontade
de passear nas tuas costas

terça-feira, novembro 18, 2008

alucinação

Miro teu corpo
em meus lençóis acetinados

Miro tuas mãos
dentro dos meus poros

Miro tuas pernas
entrelaçadas em nós

É tudo miragem!

segunda-feira, novembro 17, 2008

mizifio

Apenas para dizer
Que sou tua mãe de santo
Que sou teu pára-raios
Sem convulsões e sem desmaios
(que não é para tanto)
sem recibo
e sem segredos
quando nos meios
das ruas
do nada
eu te recebo.

domingo, novembro 16, 2008

Na frente da tevê (Visão de mundo)

A televisão estava ligada
quando a bomba explodiu
Então, ele acordou
Viu a tudo aquilo
estupefato
Não entendia o que estava acontecendo

Era muito bombardeio
Era muita informação
pruma cabeça só
e despreparada

Passados alguns dias
Depois que passou a acreditar que entendeu
Voltou pra cama

A tevê permaneceu ligada
Mas nenhuma notícia nova passava
Apenas o mesmo zunzunzum de sempre

Ele dormiu novamente
Talvez acorde de novo
pra olhar
o que está ocorrendo
no Brasil e no mundo
através dessa caixa
hipnótica
hipócrita

Só olhar
Só olhar
Afinal
Nada poderá fazer

E que diferença faz?
Ele não tá entendendo nada mesmo...

Créditos


Queridos amigos que nos visitam:

Eis que chega ao fim a nossa Semana Sina de Cinema! Só filmaços em cartaz! Filmaços marcantes aqui "homenageados" por nossas Cabeças, sintetizados em forma de Poesia!

Mas... Fica a pergunta...

Qual é o nome do filme?

Pois aqui estão os nomes dos filmes que estiveram aqui em cartaz, minha gente! Alguns estavam fáceis de adivinhar... Outros, mais complicados...

Confiram!



Segunda - Czá - O Poderoso Chefão
Segunda - Jeff - Cantando na Chuva
Terça - Sandra - O Escafandro e a Borboleta
Quarta - Aline - O Fabuloso Destino de Amélie Poulain
Quinta - Múcio - Feliz Ano Velho
Sexta - Mary - Cidade de Deus
Sábado - Moacir - Beleza Americana




Espero que vocês tenham desfrutado desta Semana Sina de Cinema, da mesma forma que nós ao fazê-la!

E podem ter certeza que ainda rola uma Semana Sina de Cinema 2! =P

sábado, novembro 15, 2008

Mas Nesmed

Por entre as pétalas, o sorriso.
E o desejo que se avizinha.
Resquícios de uma vida comezinha.

A dureza inconteste esconde
algo até então impronunciável.
Até que a chuva nos lave do improvável.

Traições são sempre
mais do que aflora sob o superficial.
Resistir à razão, render-se ao real.

A infância não resiste ao amor.
Especialmente pros desajustados.
Um vôo sem asas de um objeto inanimado.

Além, muito além dos nossos segredos,
mesclam-se canção e medo
riscando os dias com nossa aspereza.
Calma.
Nada dói mais que a beleza.

sexta-feira, novembro 14, 2008

parece que Deus esqueceu
de muitos

descalços pelo asfalto
pela areia da praia
pela favela

pés que nem sempre
escolhem o caminho

mãos que soltam pipa
e engatilham armas
.
.
.
corpos que caem

parece que Deus esqueceu
de muitos

e poucos
têm a sorte
de hastear a bandeira da paz

---------------------------------------------
Aline pegou meu filme! Mas ainda bem que ela o fez, pois o poema dela está MUITO melhor do que todos os meus esboços cinematográficos! E com a ajuda de Delia achei outro filme legal... e beeeeem fácil, hein! =]

quinta-feira, novembro 13, 2008

o que?

feliz o dia
e tudo
o que lá fora vive:
feliz cidade,
feliz você,
feliz estive.


quarta-feira, novembro 12, 2008

e nesse meu universo
(nada convencional)
sou interna
prisioneira
atenta a cada detalhe
sentindo
um viver à flor da pele
nessa atmosfera
red and green
submersa
e à procura de um ser latente
(tão quanto eu)
um elemento
que componha e me decomponha
em frações
em frascos
em notas de fracasso
que desvende
e não se esconda
em álbuns velhos
em fotografias de terceiros
enquanto fico
enquanto sirvo
de modelo vivo
para um pintor de vidro.

como a aline não estava conseguindo postar,
estou pondo o poema dela.

terça-feira, novembro 11, 2008

Destino não se escolhe
Num piscar de olhos...
A sina escorre
O poder é breve... se perde
Num piscar de olhos...
A vida se escreve
O que se engole... o que se diz
Num piscar de olhos...
A vida toda está por um triz

Ué? Esse não ia passar na sala "A"?

Por alguns problemas técnicos, o filme que a Czarina escolheu foi exibido na sala "A", na primeira sessão!
Eis que agora, em outra sala, em outra sessão, o filme escolhido por mim vai começar!
(A propósito, o meu tá bem fácil de adivinhar, também!)
Desliguem seus celulares, peguem seu saquinho de pipoca e boa diversão!



Moisés estava errado
As rosas não falavam
(E, aqui, nem mesmo rimam!)

Mas quando deram voz
àquela moça...
Que tristeza!!!

Da mudez
a
mu
dança

Há corpos que dançam
Há vozes que cantam
Na rua
Na chuva
Há gente que mente
e que ama
Há música
Chama
Te convida a sair
pra se molhar
Gargalhar
na cara das nuvens negras
E ser feliz
de novo

segunda-feira, novembro 10, 2008

semana sina de cinema

como o jeff não postou ainda, vou explicando pra vocês!
esta é a semana sina de cinema.
cada poema fala de um filme. será que vocês conseguem adivinhar qual?
o meu tá facinho:

os irmãos metralham,
é coisa de família.
geração após geração
organizam a quadrilha.

Mangia che te fa bene
e se tiver medo, engole
Talvez esteja nos genes
Talvez esteja no canolli

Máfia, irmandade, polícia
Grupo, sociedade, gangue
Cuidado com quem confia
A traição também está no sangue

(oh, freddo. You broke my heart)

sábado, novembro 08, 2008

Chanakya

Ao menino, pequenino,
disse o velho indiano: Cuidado!
Pra não passar por esse mundo
sem no mundo
ter jamais estado.

Besteira!
Disse o menino, franzino.
Se estou no mundo, e sou,
e o mundo aí está,
me é impossível nele viver
sem nele no entanto estar!

O velho baapu, já cansado,
chamou o menino de lado
e pôs-lhe um balde nas mãos.
Encheu-o até a borda
de forma
que não restasse sequer aresta.
E enviou o menino à festa.

"Sua sorte,
sob pena de morte,
é levar o balde ao outro lado.
Mas cuidado!
Uma gota só
em algum paletó
ou vestido
e seu sangue será vertido"!

E lá se foi o menino, destino.
Imerso
no imenso universo
de constelações de pessoas,
más e boas,
sóbrias ou não,
cada um com seu quinhão
de dor e desejo e de algo que resta,
algo que afogam em álcool e festa.
E sentimento, e choro, e risos,
e movimentos espasmódicos,
quase histéricos, imprecisos,
e beleza, e comida à mesa,
e sonhos, e rostos risonhos...

Quando voltou, porém, o menino,
não poderia descrever
a festa, o povo, a dança,
os talheres, as vozes, as crianças,
a felicidade geral e incontida,
o festival ébrio da vida,
nada, nada, nada, nada.

Só sabia do balde e da caminhada.

sexta-feira, novembro 07, 2008

fantasia

posso ser a mosca da sua sopa
ou a mariposa da sua lâmpada

o que importa é o vôo

quinta-feira, novembro 06, 2008

poemeu

não creia
em tudo o que eu digo

eu sou
o joio do seu trigo

o cocô
do cavalo do bandido

não creia
na minha crença

mesmo
que ela te convença

afaste-se
do seu maior perigo

só meu âmago
é meu amigo

quarta-feira, novembro 05, 2008

cena #1

tragam trapos
linhas e agulhas
tecerei caminhos
costurados e mal alinhavados
um rastro retalhado
de formas esfarrapadas
memórias despidas
passados escondidos
fantasias
personagens e personas
gratas e mal pagas
cenários
meu universo imaginário
estampado
em praça pública.

terça-feira, novembro 04, 2008

máscara

Disfarço
sua falta
com estrofes
obscenas
que se perdem
e me vertem
corpo adentro
...nos poemas
seu retrato:
Versos tão
escassos
entre cacos ...indolores
de rimas vazias
(interiores)

segunda-feira, novembro 03, 2008

...

Só por hoje
eu te amo incondicional
Como os cães
Como os filhotes
Como as mães
Mas

Só por hoje
Não vou me reprimir
Nem me desdizer
Nem saber de antemão
Que você vai me machucar
Nem conhecer de cor
Sua ironia, sua indiferença, sua rejeição
Hoje eu vou gostar
De você
Sem razão,
Só porquê

Só por hoje
Eu vou deixar meu afeto voar livre
Por onde ele quiser
Que é o seu ombro
(e se ele acabar fazendo cocô no seu terno escuro,
tanto melhor)
não vou tentar controlar
nem estrangular sentimentos
mas é só por hoje.

Então vamos passear no bosque
Enquanto amanhã não vem.

domingo, novembro 02, 2008

Volta a zero

Volta a zero

O que se tinha
não mais há

Volta a zero

O que não houve
não se sente a falta

Volta a zero

O que se ouve
se esquece

Volta a zero

O que se lembra
não mais importa

Volta a zero

O Tempo não pára
mas ele não passa
de criação nossa

Posso ignorar
que o Tempo existe
por um tempo

E voltar
praonde eu quero

Volta a zero

sábado, novembro 01, 2008

ao 1/2

Meu convidado é um desconhecido.
Além disso, escreve muito mal.
Tenho certeza que ninguém aqui vai gostar de eu tê-lo escolhido.
Além de tudo, o cara é chato, feio, bobo e nada inteligente.
Sensibilidade zero.
Veia artística nenhuma.
Com vocês, um total desconhecido:

*

ao ½

um quarto e sala
com vista pra vida, é assim
às vezes também me sinto ¼ de fome
e os outro sinônimos: desejos,
egos e medos. ou talvez não
seja mais mesmo que isso: jogos
de palavras, enjambements
de um recorrente constrangido
com a esperança da manhã
e o frio no umbigo.

*

Ah, e eu esqueci de dizer: não estou nada orgulhoso de ter tido a idéia de convidá-lo...
Leandro Jardim.

Obrigado, Grande Garden!
Sua ausência nos rouba um pouco da essência.

(Ah, e tudo o que eu tinha escrito antes é mentira, claro!)

sexta-feira, outubro 31, 2008

Profilática

Falam-me de alegria e
eu palhaça sem circo
abro a janela para vê-la passar
"São os riscos que se corre..."
Penso enquanto escrevo para
Anônimo destinatário,
Vive-se tanto e não sabe
o que é viver!
Porém, trago em meu bolso
uma brisa suave de mar,
que levo
a todo lugar...
Pois nunca se sabe,
quando se estará no inferno.

Adélia

~~~~~

Minha convidada, Adélia, é uma querida amiga potiguar. Ela se veste de poesia e sabe como ninguém tecer versos coloridos. Estampados.

Conheçam mais da moça Estampada! Eu sou fã! =)

quinta-feira, outubro 30, 2008

Valéria vale!.








Ela faz poesia da poesia, e de uma maneira magistral. Dona de um olhar ímpar, capta imagens belíssimas e em cima destas põe o seu estilo, transformando fragmentos poéticos em poemas inteiros, obras completas. Tive a honra de tê-la participando dO avesso [vide capa]. Fã de Manoel de Barros, Arnaldo Antunes, Clarice dentre outros, Valéria tem o feeling e sabe muito bem o que faz com ele.

Sinta aqui: http://souoquesinto.blig.ig.com.br/

quarta-feira, outubro 29, 2008

EMBRIAGUÊS

Que pena quando a surpresa já não se faz mais presente.
Quando o inusitado já não nos visita.
Quando a sensação que fica no corpo é como a água.
Insípida. Inodora. Incolor.

Que saudade da magia do vinho.
Do sabor forte, do aroma, do gosto inebriante.
Da nostalgia de estar embriagada.

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Minha convidada de hoje é a Andrea Bucci (ou Déia - como ela assinou seu e-mail ao mandar a poesia).
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Andréa Bucci é redatora publicitária, apaixonada por livros e poesia desde pequena. Também é muito apaixonada pelo seu namorado, que é 11 anos mais novo e quer virar seu marido, mas, cá entre nós, ela não quer casar. Inspira-se nos versos de sua avó e na poesia do imortal Mario Quintana. Escreve quando a emoção aflora, mas também nos momentos de incertezas, de exaustão e de êxtase. Acredita na magia das palavras e tem a palavra “palavra” como uma de suas tatuagens prediletas.
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Apesar de não ter blog, você poderá segui-la aqui
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Ah! Eu ia esquecendo... "rs"(aquele que também já foi convidado do B7C) ajudou-me nesta jornada em busca dessa caríssima convidada.

terça-feira, outubro 28, 2008

verborragia

A poesia grita
verte lâminas pela boca da noite
verborragia
embebeda de gotas tintas
o cálice meio cheio dos sonhos
em plena luz do dia.


Meu ilustre convidado, André Gabriel, é mestre nos haicais...
e eu caí de paixão... por seus poemas... seus escritos....
O que primeiro me chamou a atenção foi o nome do seu blog: Trajédia (porque tragédia pouca é bobajem) ... não resisti... rs... O moço tem humor, encanto, postura crítica... e muito lirismo nos versos! Confiram!!

segunda-feira, outubro 27, 2008

Eu te amo.

Precisava escrever aquela carta sem molhar o papel. Todos os outros borrões não justificavam mais esse desperdício. Ela precisava dizer que o amava. Escolheu rabiscar. Perdida entre todos os pedaços da sua história, espalhou suas fotos pelo chão. Achou no fundo da gaveta os bilhetes trocados, as pétalas guardadas, mas não era o que queria. Nada daquilo dizia que o amava com a intensidade necessária. Recorreu às salvações, escondeu as mazelas e esqueceu. Lembrou de todas as camas que dividiram quando crianças, dos bichos que fizeram de filhos, das fantasias usadas na rua, das vezes que se disseram namorados e de todas as outras que se ofenderam quando não queriam mais ser. Riu das noites em claro enquanto ele dormia, das experiências feitas com tinta, dos desenhos, das flores que comeram, dos filmes, das descobertas e das vezes que o fez ser pai de suas bonecas. Ela já o tinha salvo de tantos perigos... Pulou janelas pra abrir uma porta, gritou com o mundo para que o deixassem ser seu amigo. Sentiu frio com reecontros. Era sempre a gostosa certeza de que o tempo podia passar, a intimidade da infância tinha apenas amadurecido. Lembrou das risadas escondidas, das noites de sexta vendo televisão, te ter contado todos os seus sgredos pra ele. Chorou pela certeza das tentativas daquele amigo em tentar salvá-la dela mesma. Com ele, não se sentia mais sozinha. Fez de conta não lembrar que seus pais desejavam secretamente aquele casamento. Recordou de todas as festas que tinham ido e dançado a noite inteira. Lembrou até de ter sentido ciúmes. Riu. Ela sangrava com as dores dele e sabia que ele sofria com as dela. Desligou a filmadora. Aquela cena vulnerável, solitária e passional bastava. Aquela cena dizia eu te amo. Embalou a fita sem coragem de enviar. Guardou no alto do armário. Teve a plena certeza de que eram paralelos. Mas ainda iam se encontrar no infinito.


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Sabe aquelas pessoas que a gente conhece e nem suspeita de nada?
Então. A Clarice é a amiga de uma amiga e então, um dia... abriu um blogue.
fui lá e visitei. E não é que a menina escreve? E não é que a menina arrasa?

Mais, ela escreve com a volúpia de quem começou agora e parte da diversão é ver como ela avança e evolui e experimenta a cada texto. O acima, ela escreveu especialmente aqui pro blog de sete.

Clarice, cê me pegou de surpresa. (adooouro o nome do blogue dela. adooouro)