terça-feira, fevereiro 16, 2016

morto, vivo - poema de Octavio Roggiero Neto

"Octavio nasceu Roggiero Neto.
Aos treze, se transformou em poesia, pra continuar sendo Octavio, duas vezes.
Em sua pena, a lei e o verso. Materna e paterna herança.
Poesia."

- Moacir Caetano
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Apreciem, pois, o poema de nosso convidado, Octavio Roggiero Neto


morto, vivo

morro agora, enquanto ando,
neste fim de tarde,
porque a morte é quando
já não se sente.

morro outra vez,
a esboçar um quase-sorriso
no semblante impreciso:
a cadavérica rigidez...

morro ainda sem alarde
nem motivo aparente,
onde já não se encontra
em qualquer lugar
o que se estava a procurar.

morro também por não ter vivido
e nem sequer ter percebido...

sem espanto e sem ninguém,
morro, e embora tanto,
o meu pranto
é de quem lágrimas já não tem;
gotas vazias, portanto,
escorrem, escorrem...

morro sempre, enfim,
minha vida tem sido assim.

10 comentários:

J.F. de Souza disse...

Quantas mortes, meu amigo... Quantas mortes...

Nanna disse...

Primazia...

Caminhos... disse...

A morte nos dá uma possibilidade única: renascer para, quem sabe, verdadeiramente viver.

Sempre tão certeiro e profundo em nossos corações!

Caminhos... disse...

A morte nos dá uma possibilidade única: renascer para, quem sabe, verdadeiramente viver.

Sempre tão certeiro e profundo em nossos corações!

moacircaetano disse...

ê orgulho de escolher um convidado desse!
:D

Rayanne disse...

Octávio! Que saudade ardida dessas letras fantásticas!!! **Estrelasempre**

Marina disse...

Também saudade, Octavio. A vida é mesmo feita para morrer.

Leandro Jardim disse...

Morrer para viver para morrer para viver para, por fim, morrer-viver!
Salve salve amigo!

mg6es disse...

saudades e só.

abs,

mg

A czarina das quinquilharias disse...

a morte nossa de cada dia...