quarta-feira, abril 28, 2010

Distintas abstrações

Desertos na correnteza

Frestas, certas estranhezas

As dúbias respostas e os ratos

Sorrisos baratos de sábado



Os carros todos se entranhando

Um dia ainda conversam

Fumaça de breves cigarros, enganos

Amores de final de festa



A vida lá fora e aqui dentro

A vida pulsa todo instante, inteira

Nos becos e nas avenidas

Favelas, palácios, asfaltos, polícias

A lapa é o espelho e a nudez da vez

Bandidos, patrícias, malucos e bichas



Os mares arrebentando

Nos pálidos pés de clarinha

As doces memórias de infância

O cheiro do bolo e a farinha



Os destinos que se entrelaçam

Nem sequer se perguntam nomes

Distantes olhares, pertos horizontes

E as ondas que vão navegar para onde?



Perguntas e vinhos tintos

Distintas abstrações

Pianos e violinos

Destoando as canções



Eu trago sempre comigo

Um verso no bolso e no riso

Passante do Rio, eu vou indo

Até Posto 9, brados coloridos

Me despeço das tantas pernas

eternas, demônias, morenas, só delas...



Meninas do Arpoador

Eu amo seus olhos vermelhos

O samba no andar e na cor

Sutilmente me chamou

Pois é, mas já vou...

Já é, paz e amor.

2 comentários:

J.F. de Souza disse...

boas abstrações, meu caro.

Mary disse...

Delícia esse cheiro do Rio... Bem musical. Adoro-te. ;)

:*