quinta-feira, março 29, 2007

O anjo cego

Dia desses, eu vi
ou sonhei
ou imaginei
ou delirei mesmo - pois estou louco
Um anjo
Caminhando em meio a multidão
Um anjo entre nós
Como se fosse um entre muitos
O que estaria fazendo entre nós?
Zelando por nós mais de perto?
Zelote fiel?
Um caído?
Anjos caem...
É fácil cair!
Anjos caem...
E pensar que
aqui embaixo
achamos que é foda...
Sinto que poderíamos
Poderíamos voar
Se não fôssemos
tão pesados...
Por isso, caímos
Mas...
Por que anjos caem?
De qualquer forma...
Era um anjo!!!
O que eu vi...
Droga! Eu vi!!!
Mas...
O que estava fazendo entre nós?
Por que não estava voando?
Suas asas estavam ali...
Inerentes a ele
Imponentes
Mas...
Inertes
É como se não as sentisse
Por que não voa?
É como se não as tivesse
Por que não faz uso de tuas majestosas asas?
É como se não as soubesse
Por que continua aqui, anjo?
Tem asas, não tem?
É como se não as visse
Não vê?
É cego?


Escrito em maio de 2005

4 comentários:

Juliana Marchioretto disse...

andamos tão apressados que nem os anjos conseguimos enxergar...

Leandro Jardim disse...

gostei desse, mister Fejones!!!

tem uns trechos bem ótimos!

abraço
jardineiro

Múcio Góes disse...

anjos têm asas, mas não têm casas. adote um anjo!


[]´s

Mary disse...

Belo escrito, Jeff!

Bjuss