sábado, março 03, 2007

ROTINA

Embrulhado em papel de pão,
o amor se desfaz, quebradiço,

ao contato medroso
e desastrado
dos meus dedos.

Olho o miolo
retirado por minhas mãos dietéticas.

Medo das calorias....
É o melhor desse amor.
Mas não será saboreado.

Fico apenas com a casca
bela e crocante,
porém quase sempre
quase toda desperdiçada,
em forma de farelos
sobre a toalha quadriculada.

Toco com os lábios a superfície quentinha...
O sabor de dia-a-dia me invade a boca.
O cheiro de dia-a-dia me invade as narinas
.
E ainda que pressinta algo de felicidade,
meu paladar embrutecido
se recusa.

Me levanto, apressado,
bebo o café amargo da solidão
e sigo pro trabalho, faminto
como sempre!

8 comentários:

Múcio Góes disse...

é como um antigo cantor, não um baiano, já dizia: eis o pão da poesia...

Muito BOM!

[]´s

Mary disse...

Adorei, Moacir! :D

Gostoso de saborear assim como um pão quentinho de dia-a-dia...

Bjus, querido! :**

Sofia Loureiro dos Santos disse...

Gostei, muito.

Leandro Jardim disse...

estômago de poeta tem dessas coisas:
se alimenta de outras!

muito bom!

abraços Jardineiros

Ana disse...

perfeito! o amor, às vezes, é assim mesmo.

Sandra Regina de Souza disse...

Moacir!! esse doeu muito.. mesmo... ai.
bjossss

Césped Vesper disse...

E a vida segue, tão feliz como possível...

Juliana Pestana disse...

Faltou um pouco do ar e há dias tento comentar nesse poema. Meu computador parece que me travava a liberdade de expressão.
Lindos versos talhados com um café da manha e imagens tão cotidianas, mas que nas mãos de Moacir...

bjos meus.