sábado, julho 29, 2006

SEM QUERER

Como? Não foi nada?
E quando o vermelho do meu sangue
tingiu a orla da estrada?
E quando teu corpo sobre o meu
pesou uma tonelada?

Então é assim?
Você acha que não foi nada?
Mesmo depois que os bombeiros vieram
e a tragédia estava consumada?
Mesmo quando nossas almas
se elevaram
acima da madrugada?

Ah, não me diga que não foi nada!
Não quando o meu corpo em chamas
adentrou o seu em brasas.
Não quando minha língua sedenta
lambeu tua orelha amputada.
Não quando tua voz, já débil
se transformou numa lamúria macabra.

Não me cause gargalhadas...
Não me transforme em lembranças passadas!
Pois o tremor em tuas mãos
denuncia a derrocada!
E sou quem te digo:
Realmente não foi nada!

11 comentários:

Nanna disse...

E é tudo! Adoreeeeei!

Beijos...
:)

Aline disse...

Camarada! A cada dia que passa eu gosto mais dos teus textos.

:*

Mary disse...

Adorei! Muito bom! Esse nada que diz tudo... :)

Beijos!

Leandro Jardim disse...

Rapaza, que pancada!
Agora mesmo é que não se pode dizer que não foi nada!

Bem maneiro!
abração!

Lena Casas Novas disse...

Parecee que o povo aqui gosta de poesia até na cabeça, hahahah..

Ent!ao vejam agumas poesias lá no Portal

vanessa disse...

E se não foi nada, foi tudo... Belo texto! Beijos!!

Keila Sgobi disse...

que vingativo!!!!

:oO

Jefferson de Souza disse...

...e, assim, tudo acaba em nada...

Moacir... Já disse isso outras vezes, mas... Vc é FUEDA, cara!!!

Marcelo disse...

Desculpe qualquer coisa... mesmo que seja uma coisinha de nada...

Ady Cavalcante disse...

Simplesmente amo!!!!!

Mendoscopia disse...

Putz...
Deu vontade de soltar um palavrão de tão forte que foi a porrada. Claro que não se pode dizer que não foi nada. Foi mais que um milhão de ferroadas, mais que qualquer pancada desastrada, mais do que qualquer comentário de uma menina desbocada.
Belas rimas, belos versos. Lindo ver qdo o poeta se solta nas palavras.

Jú Pestana