sábado, março 29, 2008

Aterrissado

Tenho asas, mas não vôo.
E força terrível me prende à terra.
A gravidade, mil vezes multiplicada,
guarda em si minha fluidez
e em sua cúpula me encerra.

E mesmo que eu grite, pássaro,
enfraqueço-me, súbito,
e entrego-me à inércia.

Continuo minha vida.
Com a fúria de quem chora.
Com a tristeza de quem versa.

5 comentários:

Anônimo disse...

Pés no solo, cabeça nas nuvens...como é difícil, as vezes, transitar entre esses diferentes meios...
Belo!
Marcia

Múcio L Góes disse...

Ícaro era assim. ousou, voou, deu no que deus...

bom Moa!

[]´s

A czarina das quinquilharias disse...

tristinho como há tempos não
mas bom né
:*

Leandro Jardim disse...

grávido de iéias,
graves pensamentos
e bons poemas que ardem
o tema da gravidade,

a poesia do Moa
vem, toca, voa,
é tão boa que invade.


abs
Jardineiros

Aline disse...

teus versos bailaram em meus pensamentos.

emocionante!

um beijo.