sábado, maio 10, 2008

Andam à luz...

Um cão nunca ladra só.
Há sempre algo de co-
operação com seus pares.

Um inicia o processo
e logo outro, possesso,
imita-lhe os ladrares.

Então outro se anima
e forma-se essa linha
ligando-se todos os lares,

invadindo-me os sonhos,
assaltando-me o sono,
tornando areia os ares.

Logo ladra o mundo inteiro,
de janeiro a janeiro,
vinte e quatro horas por dia.
E eu, insone agonia.

Cães, não tem o que fazer?
Acaso dormem de dia
pra roubarem-me a noite?

Ah, quem me dera deter
o poder de alforria
sobre milhares de açoites...

Daí, então - cães - teria,
motivo de alegria
ao destroçar-lhes o lombo.

E, feliz com meu dormir,
ouviria-os ganir
de dor, enquanto meu sono
beija-me em doce abandono.

5 comentários:

Luiz Guilherme Amaral disse...

Ahahahaha! Eu estou imaginando a cena aue lhe inspirou esses versos!

Múcio L Góes disse...

eu tbm! hahahhahaa...

esse Moá...

dos bão.

[]´s

Leandro Jardim disse...

versão deliciosamente pop-canina do "galo tece a manhã" do J. Cabral de M.N.! ótimo!

abs
Jardineiro

moacircaetano disse...

Caramba, Jardim, nenhuma referência jamais lhe passou despercebida! Antenas ligadíssimas as suas!
Além de ser um maravilhoso poeta, é o letor dos sonhos de qualquer escritor! rssss...

Aline disse...

Fantastic!


Beijo, amor.