terça-feira, junho 24, 2008

Verdade purinha

Era um santo, nem assim tão santo,
mas, ainda assim, santo, que desceu
do éter infestado de pedidos, lamúrias
e promessas para resolver as pendências
de um milagre digno de Cristo para Lázaro.

Costurar um manto sagrado, a sua missão
desafiadora um tanto, tanto que desfiou
até calejarem as asas sem pena ou pranto,
um santo fardo de um pano de vento
que curaria dos ébrios a sede e o lamento.

Mas um tal bêbado não queria saber de roupa,
de manto, de robe, de capa, qualquer coisa
de cobertura para a nudez desnuda e sem
vergonha – o álcool censura a censura
do pudor mundano que veste de moral
moralista o sujeito. Então o santo, que
não era tão santo assim desde o primeiro
verso, aderiu à braba birita e saiu também
pelado, cantarolando nu, pela avenida.

E os dois ali, reverenciando o álcool,
contrariando Alá e se sentindo algo,
festejando o eu - aquele outro Deus,
pelos bares e bares e breus da cidade.

Pronto! Estava feito o milagre milagrento,
ainda que o santo não soubesse que estava
feito e que o autor fosse um ateu bêbado.

(Deus age de maneiras misteriosas;
idem a cachaça).



parceria com o inigualável Remo, que escreve acolá

6 comentários:

Remo Saraiva disse...

Prazer enorme, Jardinzinho, dividir uns versos contigo!!

Como diria Heráclito, nas margens do rio: "UEBA"!!

Abs,
REMO.

moacircaetano disse...

hahahahahah!!!!
Simplesmente espetacular!
Antológico!
Só por essa já valeria todo o mÊs de aniversário!
Abraços aos dois!

fal disse...

que delícia de texto. :o)))

aline disse...

um sambão da melhor qualidade.

adorei.


abs

Mary disse...

hahahaha muito muito bom! :D

beijos aos dois!

Múcio L Góes disse...

pra mim, o melhor da séria série!

vlws!