sábado, setembro 20, 2008

Roteiro

Eu sei, você não me entende...
Não acredita que eu seja assim.
É que chove dentro de mim.

E o frio
me gela cada um dos ossos.
Me gela até o âmago a alma.
Por isso me visto dessa calma.

Por isso minha alegria
é manufaturada dia-a-dia,
garimpada em minúscula bateia,
bichinhos presos em hesitante teia.

Por isso o equilíbrio
é tão delicadamente instável.
E um cataclisma é sempre provável.

Mas não me ame, se não quiser.
E se puder, me poupe o vexame.
Pois o enxame que me transporta
tem rotas imprevisíveis.
E não te quero quase morta
por minhas paixões invisíveis.

3 comentários:

Múcio L Góes disse...

"É que chove dentro de mim."

um poema dentro do.

bravo!

aline disse...

belíssimo, moa.

(L)

J.F. de Souza disse...

Denso demais pra mim... =(