quarta-feira, janeiro 21, 2009

E, o fim.

fui-me antes que o início tecesse a si mesmo
você disse e
eu calei que não sabia mudar meu não-estar

e o ínicio já era o fim
como mares
que minhas lágrimas não pingam

os olhos secos
pela cegueira da poeira do encanto
que liberta[-se]
[d]o que invadiu
num repente num instante
num piscar de olhos
dos moços anônimos
do tempo
dos seus
que eram meus
e que já não são

e já não são a mesma nota nossas vozes
e não são uma nossas carnes
nossas almas
agora
faltando metade
que é você
e
não sou eu

meu coração
canta adeus porque acabou
eu continuo
e verão
quem não sei e quem não sou
o que
se dá de

mim

inabitada

meu coração
conta a deus que acabou
sem crer
e continua pulsando intenso
enquanto
tento
trans[cre]ver
o fim

o fim imposto
que verso
sem querer
renegando cada linha
que se faz nó na minha mão

sejamos nós atados com a vida que ainda resta
sejamos razoáveis, ao menos

e deixa

a solidão
talvez
já me acostumou
já se acostumou com meu ser só
estado

independência

mas você ainda vai sentar
e esperar o amor que virá
e que não foi eu

meu coração despede-se
despedaça-se
sem sangrar:
adeus amor
meu

***

Substituindo a Aline enquanto for necessário.

8 comentários:

Vanessa disse...

Pessoal, leio a Mary há tanto tempo e lembro do Moacir dos blogueiros malditos. como não caí aqui antes? A parte boa é q seguirei vcs daqui por diante. Abraço

Marrí disse...

Meu músculo de morte sangra...

A czarina das quinquilharias disse...

acho que já conhecia esse.
uma petite mort.

Diretor de Letras disse...

Impressionante.

Mary disse...

Lindo, Lubi!

Seja bem-vinda por aqui! :)

Beijoss

Múcio L Góes disse...

dorido.

bonito.

sinta-se em casa, Lubi!

=]

Caito disse...

Poxa, substituindo muito bem por sinal. Muito bom, você brinca com as palavras muito bem, massa!

Abraço

J.F. de Souza disse...

Me fez lembrar que eu tenho um coração agora... =(

=*