quinta-feira, agosto 10, 2006

Argila*

Ó, Senhor
que, do barro,
fizestes os homens
à Vossa imagem e semelhança...
Ó, Senhor
de tantas imagens
e zilhões de semelhanças,
explicação fácil
do destino
de tantos homens
diferentes...

Ó, Senhor...
Faz-me argila!

Quero me moldar novamente
Quero mudar
Quero ser moldado
de outra forma
Não, não quero ser um vaso novo...
Quero ser gente!
Não quero parar nas mãos de um oleiro,
mas nas mãos de um artista!
Ou de algum ser arteiro, que seja

Eu
ou qualquer outro que queira

Mas, nesse mundo
de homens que se confundem
com a Vossa imagem e semelhança, Senhor...
Neste mundo tão podre
e sujo,
ninguém quer sujar as mãos
pra moldar os outros,
pra mudar o mundo...

Em vez disso,
esperam a argila secar...
Só para ficar fácil
de destruí-los...

Bonecos de argila seca
lutam entre si
Guerreiros de terracota
cujo destino é
ficarem soterrados...

No calor dessas batalhas
toda argila do mundo
tem secado mais depressa...

15 comentários:

Mary disse...

duras lástimas,
da realidade
do mundo
que a cada dia
nos suja,
nos enfraquece...

---

Que poema forte! Entranha na pele como o barro de tua argila, querido Jefferson!

=)

=**

Leandro Jardim disse...

Muito muito bom! E apropriadíssimo à este mundo cão!

grande abraço!

Sol, a Mãe do Freud disse...

a cada dia, cada quinta... cada poema bom q me seca a garganta! qero um livro seu!

Ady Cavalcante disse...

Fejones, meu querido!!!! Que maravilhoso esse poema!!! Me pegou de surpresa!!! Fiquei boquiaberta!!"guerreiros de terracota" me derrete na boca!!! Beijoooooooooooooooooooooo

Pri Thazy§® disse...

Oi.. pode me visitar sim!! Eu te visitei..rss
Não tenho postado sempre e nem me dedicado muito ao blog, estava postando diariamente no flog. Mas vou tentar voltar, agora que estou mais "livre".

Beijos, Pri

moacircaetano disse...

terra seca, sertão...

Roby disse...

Há barro que aqui está para ser pisado, enquanto outros para serem transformados em vasos.
O que decide a sorte de um de outro?
Que os oráculos do Primeiro Imperdor omitam-nos essa resposta.
.............
"ninguém, quer sujar as mãos
pra moldar os outro"
Porque já estão com as mãos sujas e também precisam ser moldados.
O importante não é a argila, mas sim o fogo que a tempera. Falta fogo, falta paixão abrasadora, falta vida...

Raquel disse...

lindo poema!
definitivamente sem palavras...
bjin...

Raquel disse...

um outro só pra dizer, que Te adoro, e vc tambem sabe. ;)

Nanna disse...

Lindíssimo!

Beijos...
:)

Aninha Brasil disse...

Hola, Fejones!
Prá variar, dando mais um show aqui prá gente, né? Então, penso que até as pessoas querem moldar aos outros. O que não se dispõem é a moldar a si próprias e mudar.
Já saímos da fase de testadas! Rs...
Abração e, sempre que quiseres, és muito bem-vindo ao 7x7!

remosaraiva disse...

Se fosse uma das minhas "abecedárias" moças a ler este poema, derretiria-se toda em lama!

Parabéns!! Belíssimo poema!!!


Abração!!

REMO.

Aline disse...

E da lama voltamos, todos os dias.

Lindo!


:***

Digito disse...

Olá, Jefferson. Dos pés de barro descobrimos que somos pó e pó nos tornaremos. Uma boa semana.

Múcio Góes disse...

uma prece, sem pressa, praqueles que se acham "se"...

muito lindo!

[]´s