sábado, setembro 23, 2006

O ESTRANGEIRO

O estrangeiro chegou
e não trouxe nada.
Apenas poeira, lágrimas e sol.

Sentou-se na praça.
Olhou pra igreja.
Roubou-nos o arrebol.

Os pássaros, num susto,
fugiram desconfiados.
Estrangeiro espantalho.

O dia escurou.
As plantas secaram.
Morreu todo o gado.

As mulheres, entregues,
rasgaram as roupas
e gozaram sem querer.

Os homens, de repente,
nada mais eram...
nada a fazer!

O estrangeiro se virou,
sorriu meio de lado
e se foi, exausto.

Deixou o desespero,
a destruição
e seu úmido rastro.

6 comentários:

Leandro Jardim disse...

Poema da colonização... muito bem sacado!

abração!
Jardineiro

Nanna disse...

Ai, me deu aflição ler isso...

Beijos, dear...
:)

Múcio Góes disse...

deixou o rastro,
e levou o resto.

ótimo!

[]´s

Mendoscopia disse...

Mto bom isso Moacir...

Tenho que ler mais algumas várias vezes para degustar melhor.

Bjos meus.
Jú Pestana

Maia disse...

Lembrei-me de Gero Camilo, em Cleide, Eló e As Pêras. Que este estranho, qdo me cruzar, ensine-me a ser mais estranha...assim como ele o é. Até.

Mary disse...

Por que o estrangeiro gera tanto fascínio?

;**