domingo, setembro 10, 2006

O ÚLTIMO QUE ME ACORDOU O LÁPIS

O último que me acordou o lápis
era um jovem de certo rebelde.
Mas de uma rebeldia que atingia só
o raio de quem o enxergava.

O olhar carregado em meio a mansa tarde,
e um desejo de que a roupa-atitude revele.
Mas revelava apenas a cabeça em nó.
Ao invés de toda a segurança ostentada.

No vermelho sangue das mechas no cabelo,
a tinta de quem pinta suas flechas
e o espelho da ginga a um tanque imposta
pelas feridas de bosta que lhe acertavam a vida.

O último que me acordou o lápis
fui eu da janela-reflexo,
foi ele da rua dos nexos,
foi um segundo de plexos em choque nos ares.

^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^

música que recomendo: "House of the Rising Sun" na voz de Nina Simone

15 comentários:

Keila Sgobi disse...

E eu poderia jurar que era um adolescente anarcopunk, de coturno e moicano, jaco preto com rebites, protestando pelo voto-nulo.

Poeta Matemático disse...

Muito bom..

Embora singelo

Anônimo disse...

Sem comentários, Jardim! Bom, bom demais.

Besos,
Carol

Nobre Dama disse...

O último que me acordou o lápis foi um certo alguém com saudades...

Bjinhos

-drika. disse...

muito bom.
Simples, coeso, conciso, incisivo.
Adorei!
;)
Meus singelos cumprimentos!

-drika. disse...

muito bom.
Simples, coeso, conciso, incisivo.
Adorei!
;)
Meus singelos cumprimentos!

Maia disse...

Há tempos que procuro este rebelde. Quando encontrá-lo novamente, dê-lhe meu endereço. Ainda espero. Até.

douglas D. disse...

é de uma leveza perturbadora. não deixa nada no mesmo lugar.

Rita Contreiras disse...

Existem rebeldias disfarçadas em fantasias acomodadas e acomodações em aparências rebeldes.Não sei se entendi o que querias dizer, mas me tocou o que entendi(que pode ter nada a ver com o que foi dito). Poesia é sempre reescrita na interpretação de quem a lê.
Grande abraço.

Aline disse...

Mais um pro hall dos meus favoritos.

LIndíssimo.

Bjos :)

Poeta Matemático disse...

Excelente..

Cada uma das palavras...

Cada um dons sons

Mary disse...

Muito bom!

Muitas coisas acordam o lápis por aqui... :)

Bjus!

Rayanne disse...

Fabuloso.
Na arredia rotina
Entre poemas malabares
precipitas rebeldia
Colorindo outros ares.

**Estrelas**

Múcio Góes disse...

que sonoridade, que intensidade, Jardim! em meio aos versos, vi algo de Dostoiévski, não sei, mas me veio à tona... é isso, poesia desperta, e este seu poema...

[]´s

moacircaetano disse...

caraca!
belo, belo, belo!