E então imagino você...
numa casinha à beira-mar...
aquele cheiro maravilhoso
de sol e sal e areia pelo ar.
(praia tem um cheiro todo especial,
cheiro de etcetera e tal).
Uma rede na varanda...
um solzinho tépido...
me transporto, rápido, lépido,
até o espaço da minha imaginação
onde a distância não.
E, deitadinha na rede, você,
linda morena...
cabelos negros balançando com a brisa...
uma expressão serena
e uma preguicinha imprecisa.
Os olhos fechados, sentindo o carinho do vento...
o calor ditando a velocidade do pensamento
que ao longo da orla se estende...
alcançando-me, ao chão me prende,
no vão entre os pilares de madeira,
a observar sua brincadeira.
Muito, muito, muito calor...
Você está bem à vontade...
O desejo me invade.
Já são quase sete da noite,
o sol já devia ter ido embora...
mas ele espera, cheio de marola,
só pra poder tocar sua pele um pouco mais...
(não posso culpá-lo por idéias tais!)
e você sorri, sabendo muito bem
que ele só está ali por causa de você.
A noite, impaciente, que aguarde
o danado desaparecer.
E eu ao lado te olhando,
certo de que você nem imagina
que eu estou por perto.
(ou sabe, mas finge que não...
Mulheres...
como saber ao certo?)
A sua mão, preguiçosa,
passeia por seus cabelos,
toda alegre, toda prosa.
(ah, é um carinho que eu
gostaria de fazer,
mas e o medo de aparecer?)
Elas brincam, dançam, flutuam,
em cada um dos cachos, demoradamente...
(Agora a danada da lua
já apareceu, linda, crescente.)
Você não tem pressa, sabe que eu não vou embora
sabe que eu vou continuar te olhando...
Sabe meu medo e meu encanto.
Num movimento suave, quase melífluo,
você se reclina
um pouquinho à frente,
pra que eu possa te ver claramente
(e eu, coitado, ainda na dúvida... ela sabe ou não???)
E sua mão
agora caminha pelo seu rosto...
olhos, queixo, boca (quase sinto o gosto...)
Não me permito nem ao menos piscar,
pra não perder absolutamente nada.
Sua pele levemente eriçada
Denuncia um longo arrepio
Que certamente não é pelo frio...
Impressionante como,
mesmo sem olhar em minha direção,
você adivinha minha reação!
Num arroubo de coragem,
me aproximo mais um pouquinho
(que medo! será que ela sabe???)
E então posso ver-te inteira.
Um vestido branco, longo,
cobre seu corpo de forma ligeira.
E, com a luz do fim do dia, fica claro
que nada mais há sob o tecido raro.
Suas mãos, antes calmas, agora impacientes,
brincam com a barra da saia, insistentes.
Querem se livrar, têm calor, mas algo as impede...
elas não sabem bem o que é, mas o sabe sua pele:
Elas esperam pelas minhas mãos!
E eu, homem que sou, ainda hesito,
ainda temo sua reação,
mesmo contra todas as evidências
que seu corpo me dá, então você perde a paciência...
E seus olhos encontram os meus!
Agora não há dúvida, meu Deus!
A partir então desse momento
seu sorriso me diz mais que qualquer palavra
e meu corpo chega, segundos depois da minha alma.
E minhas mãos envolvem as tuas
(não se esqueça, sou um homem,
e ainda temo suas estrelas e suas luas...)
e são as tuas mãos sob as minhas que me mostram o caminho.
Quase me perco, não posso sozinho.
E nossas mãos passeiam pelos teus cabelos...
Descem pelo teu pescoço, te descobrem os pelos,
perambulam pelo seu colo
e, de leve, tocam seus seios.
O ar me falta por alguns segundos...
e a ti também...
todo seu corpo agora me contém.
Um pouco tímidas, suas mãos escapam dali
e chegam ao seu ventre
(lembra, o sol já se foi)
e lentamente acaricio seu umbigo, abismo...
já é noite... e ainda assim suamos, calor!
Fugimos então do próximo destino
E à sua frente me reclino.
E acaricio seus pés
Numa deliciosa dança,
dedo por dedo,
dobra por dobra,
descobrindo cada reentrância...
Pouso as solas de teus pés em meu peito
E inicio, ainda insatisfeito,
o longo caminho de suas pernas...
maravilhoso caminho.
Meus lábios se inclinam um pouquinho
e beijam seus joelhos
e as suas coxas nas partes internas.
Sua mão,
que não mais necessita ser meu guia,
meus cabelos acaricia.
E minha boca segue (agora sim)
o caminho mais óbvio, enfim...
Suas mãos em minha nuca
me empurram com fluência
em direção à sua urgência...
e sinto, enfim, seu gosto...
quase sinto o calor que invade seu rosto...
suas mãos procuram por mim
e me encontram, inquietas,
alimentando-me fantasias antes secretas.
Já não me resta outra alternativa...
Me levanto e me deito em sua rede,
Sob uma luz quase furtiva.
Num passe de mágica, seu vestido desaparece
e é extasiante
o encontro entre nossas peles...
Seus seios roçam minha barriga...
e nossas bocas se reencontram, velhas amigas.
Um beijo quente, molhado, um beijo de horas
(morango, cerejas, amoras).
E mãos e braços e pernas se entrecruzam...
descubro o sabor que tem sua nuca.
Percorro cada centímetro das suas costas
e puxo seu corpo contra o meu...
E o mundo explode, ateu!
Já não vejo nada, já não penso...
sou todo prazer!
Somos apenas sentidos...
Devagarzinho, os sons nos chegam aos ouvidos.
A rua, os carros, a vida lá fora
voltam a existir só agora.
Nossos olhos estão fechados,
mas ainda assim nos olhamos...
sem pressa, sem planos.
Exausto, seu corpo repousa sobre meu peito...
e fico surpreso em sentir
que esse momento perfeito
é ainda mais belo que o ápice em si.
A lua de longe sorri,
enquanto me recomponho
e aproveito o momento, sabendo que foi tudo um sonho!
sábado, dezembro 06, 2008
sexta-feira, dezembro 05, 2008
jam session
deixo o som
do teu soul
me tocar
jazzliricamente
sôo azul
como um blues
do teu soul
me tocar
jazzliricamente
sôo azul
como um blues
Gotas:
Mary
quinta-feira, dezembro 04, 2008
dois gumes
quando a ordem
é do destino
não condeno
não reprimo
não cismo
nem adulo
foi abismo
eu pulo
é do destino
não condeno
não reprimo
não cismo
nem adulo
foi abismo
eu pulo
Gotas:
Múcio
quarta-feira, dezembro 03, 2008
Estar(g)nada
Ando em busca da bússola
À procura dos sentidos
Caminho sem rumo
À espera do verso perfeito
Na medida do meu sentimento
Ando...
Parada no tempo
Do esquecimento
À procura dos sentidos
Caminho sem rumo
À espera do verso perfeito
Na medida do meu sentimento
Ando...
Parada no tempo
Do esquecimento
Gotas:
Sandra
segunda-feira, dezembro 01, 2008
puppetry
Este aqui é o meu território
E eu faço de você
Acessório
Aliás, olha tu ali
Dançando o fandango
Juro que te vi
agarrando um travesti
Olha lá o Lênin e o Trotsky andando de patinete
E o Tom Hanks estralando o suspensório
A escrita é meu escritório
E qualquer um pode ser
Marionete.
E eu faço de você
Acessório
Aliás, olha tu ali
Dançando o fandango
Juro que te vi
agarrando um travesti
Olha lá o Lênin e o Trotsky andando de patinete
E o Tom Hanks estralando o suspensório
A escrita é meu escritório
E qualquer um pode ser
Marionete.
Gotas:
czarina
domingo, novembro 30, 2008
Não é só poesia
Não é só poesia
O que escrevo, gente
Não é só poesia
Escrevo
para que me leiam
para que me escutem
para que me entendam
Escrevo
para me libertar
para me dispersar
para não pirar
Não é só poesia
É mais do que isso
É beleza
em meio à tristeza
É razão
em meio à tanta loucura
É mensagem
em meio à poluição
de idéias confusas
É catalisador
É assim que eu cato
toda a bagunça...
É bagunça organizada
É idéia solta
querendo ser pega
É sentimento
querendo dispersar
É a expressão pura
das idéias
dos sentimentos
dos pensamentos
de tudo
É Arte!
É isso que a Poesia é!
A Poesia
Não é só poesia
Ela impressiona
por si só
quem simplesmente a vê
Ela impressiona
pelo misto de sensações
que pode despertar
em quem a absorve
Mas a Poesia, gente
Não é só poesia
O que eu escrevo
É confuso
É sincero
É agressivo
É analítico
É melancólico
É belo
Um misto de
sentimentos
idéias
pensamentos
dispersos
que buscam compreensão
muito mais do que impressionar
O que eu escrevo
Não é só poesia
O que eu escrevo
Sou eu!
O que escrevo, gente
Não é só poesia
Escrevo
para que me leiam
para que me escutem
para que me entendam
Escrevo
para me libertar
para me dispersar
para não pirar
Não é só poesia
É mais do que isso
É beleza
em meio à tristeza
É razão
em meio à tanta loucura
É mensagem
em meio à poluição
de idéias confusas
É catalisador
É assim que eu cato
toda a bagunça...
É bagunça organizada
É idéia solta
querendo ser pega
É sentimento
querendo dispersar
É a expressão pura
das idéias
dos sentimentos
dos pensamentos
de tudo
É Arte!
É isso que a Poesia é!
A Poesia
Não é só poesia
Ela impressiona
por si só
quem simplesmente a vê
Ela impressiona
pelo misto de sensações
que pode despertar
em quem a absorve
Mas a Poesia, gente
Não é só poesia
O que eu escrevo
É confuso
É sincero
É agressivo
É analítico
É melancólico
É belo
Um misto de
sentimentos
idéias
pensamentos
dispersos
que buscam compreensão
muito mais do que impressionar
O que eu escrevo
Não é só poesia
O que eu escrevo
Sou eu!
Gotas:
JF de Souza
sábado, novembro 29, 2008
Instinto
Baby,
although
I love you so much
pode ser que um dia eu te mate...
Talvez após o "eu te amo"
ou antes do orgasmo, alguns segundos.
Tarde o temprano,
muy cerca o lejano.
No encontro entre os dois mundos.
Querida,
minha lâmina faminta
e tua sede de vida
nos farão completos estranhos
dentro de poucos dias
ou em alguns anos.
Depende do teus erros
e dos meus desenganos.
Mas deixemos crescerem essas raízes...
Por enquanto
podemos ser felizes.
*********************************
Revelando a brincadeirinha da semana passada:
Na verdade, o "etílico" que a Mary postou é meu, e o que eu postei é dela...
rs...
although
I love you so much
pode ser que um dia eu te mate...
Talvez após o "eu te amo"
ou antes do orgasmo, alguns segundos.
Tarde o temprano,
muy cerca o lejano.
No encontro entre os dois mundos.
Querida,
minha lâmina faminta
e tua sede de vida
nos farão completos estranhos
dentro de poucos dias
ou em alguns anos.
Depende do teus erros
e dos meus desenganos.
Mas deixemos crescerem essas raízes...
Por enquanto
podemos ser felizes.
*********************************
Revelando a brincadeirinha da semana passada:
Na verdade, o "etílico" que a Mary postou é meu, e o que eu postei é dela...
rs...
Gotas:
Moacir
refúgio
quero construir
muros altos
à prova
de bobos
muros altos
à prova
de bobos
Gotas:
Mary
quinta-feira, novembro 27, 2008
transparecência
nem tudo cale
quando eu passar,
nem tudo fique
dentro ou fora
do lugar,
nem tudo netuno,
fundo do mar,
nem tudo vale
quando eu falar,
salve o que for terra,
salvo o que for mar,
nem tudo fique,
nem pau nem pique,
nem tudo passe
quando eu calar.
nem tudo siga-me
por onde vou,
nem tudo que padece é,
nem tudo que pareço sou.
quando eu passar,
nem tudo fique
dentro ou fora
do lugar,
nem tudo netuno,
fundo do mar,
nem tudo vale
quando eu falar,
salve o que for terra,
salvo o que for mar,
nem tudo fique,
nem pau nem pique,
nem tudo passe
quando eu calar.
nem tudo siga-me
por onde vou,
nem tudo que padece é,
nem tudo que pareço sou.
quarta-feira, novembro 26, 2008
c'est mon plaisir
apaixono-me pelo teu intelecto
não pelo teu sexo
não pelo teu cheiro
nem pela tua pele plena
quero os livros que tens na cabeça
lê-los
folheá-los
um após o outro
e deixar-te entreaberto
e esperar
vegetativamente
pelo o que brota dessa tua boca morta
vez por outra, horta
de nossos infelizes e pueris
prazeres infantis.
não pelo teu sexo
não pelo teu cheiro
nem pela tua pele plena
quero os livros que tens na cabeça
lê-los
folheá-los
um após o outro
e deixar-te entreaberto
e esperar
vegetativamente
pelo o que brota dessa tua boca morta
vez por outra, horta
de nossos infelizes e pueris
prazeres infantis.
Gotas:
Aline
terça-feira, novembro 25, 2008
Sem cura
Quando me entorpeces
com teu silêncio em overdose
e me mostras teus (d)efeitos colaterais
Peço mais uma dose,
bebo uma taça a mais...
E se me ofereces teu veneno proibido
injeto-me outro frasco desse líquido delito
degusto teu gosto em gotas
me dissolvo e te destilo...
(Quem escolheu esse tema??? Será idéia fixa??... Ou variações sobre o mesmo vício??...rs.... por que não?? Acabei entrando nessa...)
com teu silêncio em overdose
e me mostras teus (d)efeitos colaterais
Peço mais uma dose,
bebo uma taça a mais...
E se me ofereces teu veneno proibido
injeto-me outro frasco desse líquido delito
degusto teu gosto em gotas
me dissolvo e te destilo...
(Quem escolheu esse tema??? Será idéia fixa??... Ou variações sobre o mesmo vício??...rs.... por que não?? Acabei entrando nessa...)
Gotas:
Sandra
segunda-feira, novembro 24, 2008
etílico
(já que o alcool tá tão em voga no blogue...seria quase uma semana temática se não fosse outra semana)
E não tenho medo de usá-las
Sangue de barata e purpurina
Dois mojitos e um manhattan
E eu subo nas tamancas
E eu construo o barraco
E eu solto a franga
E eu solto os cachorros
Eu boto o diabo pra dentro
E os bofes pra fora.
Gotas:
czarina
domingo, novembro 23, 2008
a vida se dissolve?
quando viver
se torna
um problema...
a morte
se torna
solução?
se torna
um problema...
a morte
se torna
solução?
Gotas:
JF de Souza
sábado, novembro 22, 2008
Etílico
Pra esquecer
a distância
cerveja vinho rum
E depois
pra morrer
só soltar um pum
a distância
cerveja vinho rum
E depois
pra morrer
só soltar um pum
Gotas:
Moacir
sexta-feira, novembro 21, 2008
Etílico
Às três da manhã
o emeésseêne
não ajuda em nada...
Bom mesmo
seria
uma boa trepada!
o emeésseêne
não ajuda em nada...
Bom mesmo
seria
uma boa trepada!
Gotas:
Mary
quinta-feira, novembro 20, 2008
falsidade ideológica
hasta la vista
ao seu discurso direto
au revoir
ao seu papo cabeça
politicamente correto
saquei de longe
que você de perto
não é lá
a última coca-cola
do deserto
ao seu discurso direto
au revoir
ao seu papo cabeça
politicamente correto
saquei de longe
que você de perto
não é lá
a última coca-cola
do deserto
quarta-feira, novembro 19, 2008
#2
na ausência de nossos versos
residem rugas de saudade
vez por outra invadidas
por lágrimas
e suores de malícia
(pura maldade)
vontade
de passear nas tuas costas
Gotas:
Aline
terça-feira, novembro 18, 2008
alucinação
Miro teu corpo
em meus lençóis acetinados
Miro tuas mãos
dentro dos meus poros
Miro tuas pernas
entrelaçadas em nós
É tudo miragem!
em meus lençóis acetinados
Miro tuas mãos
dentro dos meus poros
Miro tuas pernas
entrelaçadas em nós
É tudo miragem!
Gotas:
Sandra
segunda-feira, novembro 17, 2008
mizifio
Apenas para dizer
Que sou tua mãe de santo
Que sou teu pára-raios
Sem convulsões e sem desmaios
(que não é para tanto)
sem recibo
e sem segredos
quando nos meios
das ruas
do nada
eu te recebo.
Que sou tua mãe de santo
Que sou teu pára-raios
Sem convulsões e sem desmaios
(que não é para tanto)
sem recibo
e sem segredos
quando nos meios
das ruas
do nada
eu te recebo.
Gotas:
czarina
domingo, novembro 16, 2008
Na frente da tevê (Visão de mundo)
A televisão estava ligada
quando a bomba explodiu
Então, ele acordou
Viu a tudo aquilo
estupefato
Não entendia o que estava acontecendo
Era muito bombardeio
Era muita informação
pruma cabeça só
e despreparada
Passados alguns dias
Depois que passou a acreditar que entendeu
Voltou pra cama
A tevê permaneceu ligada
Mas nenhuma notícia nova passava
Apenas o mesmo zunzunzum de sempre
Ele dormiu novamente
Talvez acorde de novo
pra olhar
o que está ocorrendo
no Brasil e no mundo
através dessa caixa
hipnótica
hipócrita
Só olhar
Só olhar
Afinal
Nada poderá fazer
E que diferença faz?
Ele não tá entendendo nada mesmo...
quando a bomba explodiu
Então, ele acordou
Viu a tudo aquilo
estupefato
Não entendia o que estava acontecendo
Era muito bombardeio
Era muita informação
pruma cabeça só
e despreparada
Passados alguns dias
Depois que passou a acreditar que entendeu
Voltou pra cama
A tevê permaneceu ligada
Mas nenhuma notícia nova passava
Apenas o mesmo zunzunzum de sempre
Ele dormiu novamente
Talvez acorde de novo
pra olhar
o que está ocorrendo
no Brasil e no mundo
através dessa caixa
hipnótica
hipócrita
Só olhar
Só olhar
Afinal
Nada poderá fazer
E que diferença faz?
Ele não tá entendendo nada mesmo...
Gotas:
JF de Souza
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