sábado, outubro 25, 2008

Paz

Quero uma guerra
mas daquelas
das antigas

sem mira laser
sem radares
sem mentiras

uma guerra limpa
talvez santa
de bravura tal
e loucura tanta

uma guerra fria
sem estratégia
ou anestesia

uma guerra guerra
por questões de honra
ou conquista de terra

quero uma guerra por dia
pra me provar o valor
e me matar a poesia

pra que eu possa enfim
tirar essa venda dos olhos
e ver dentro de mim

*

Quero uma guerra a mais
quero lutar de peito aberto
como lutam os animais

quero uma luta desigual
que comece na Páscoa
e termine no Natal

quero uma guerra somente
pra desafogo da alma
e exercício da mente

quero brigar com você
de murro, soco e pontapé
como eu vi na tevê

quero ser herói de guerra
pra ver se o sono se encerra

quero morrer lutando
e depois, com medalha no peito
sair cagando e andando.

*

Quero uma guerra multilateral
que é pra dar porrada
em todo mundo por igual

quero bater pra valer
sentir seus ossos quebrando
sentir seu sangue descer

quero comemorar na taverna
um inimigo sem braço
e outro sem perna

quero ser o suor da batalha
a linha de tiro
e o fio da navalha

quero dormir numa tenda
contagem de corpos ao invés
de imposto de renda

*

Quero morrer
em solo inimigo
ao mesmo tempo
prazer
e castigo.

8 comentários:

Bia Pedrosa disse...

a guerra interior nos insere num mundo que pode nos trazer algum valor, mas se não trouxer, pelo menos lutamos.

J.F. de Souza disse...

GRANDE MOA!!! =D

Invejei teu talento... Invejei teu escrito agora...

Mais um da série "Eu queria ter escrito um desses!"


1[]!

Leandro Jardim disse...

uau! texto duro, mas excelente! muito muito bom!

abração
Jardineiro

Sabrina Sanfelice disse...

Texto para apertar os dentes e viajar...

Como navalha, ao mesmo tempo que corta e causa dor, deixa no ar aquela beleza estranha do corte perfeito combinando com o rubro escarlate...

Parabéns.
Beijo

A czarina das quinquilharias disse...

a boa e velha trilha da aventura/morte
(sua joranada, com emoção ou sem emoção?)
bj

alines disse...

majestoso, moa.

gosto quando dói.


(L)

Daniel disse...

gênio

Mary disse...

E vamos à luta!

Inspirador, Moa!

Beijoss!