sábado, agosto 28, 2010

precisamos falar sobre cláudia

nunca fui do tipo que fala,

a primeira a estender a mão

minha camisa tem o brasão do time dos covardes

mas ultimamente eu a tenho despido


devagarinho



à custa de bom exemplo

de paciência grande, de coragem infinita, de franqueza imensa

de quem sabe botar o coração na reta

fechar os olhos

e ir

sexta-feira, agosto 27, 2010

Para Czarina e Fejones

Nossas mãos seguram a jarra,
nós perdemos o ato
pelo álcool
em excesso.

Eu ainda direi seu nome errado
tentanto improvisar sem sabedoria
é arte viver.

E eu ainda trarei em mim
o desejo de gritar:
EscúchamePORRA!
Escuta o que meu coração na boca
não permite que eu diga.

Eles nos vêem, nos escutam
e fingem que não.
Fingem que somos só uma mesa vazia
e líquido qualquer que evapora sem dono.

Eu quero um cigarro louco
e fumaça nos ares
dançando com o que calo.

Quero cuspir na cara da vida
que tecemos poesia
de silêncio e de graça
no dia a dia.

*

Esse poema foi escrito em 06/02/2007, depois que conheci meus queridos Czá e Fejones. O poema não é bom, mas a noite foi.

quinta-feira, agosto 26, 2010


Quando passei em frente à tua casa, amanhecia.

O céu era vermelho sangue infinito.

Você não parecia estar lá.

Tuas janelas fechadas, cortinas mistérios.

Estive todo o dia caminhando sozinho.

No parque colhi uma flor vermelha.

Não sei muito de flores.

Haviam gotas de chuva em cada pétala.

À tarde descobri estar cansado de saber e ainda assim.

Voltei a passar pela tua casa, o céu sem cores.

Dessa vez até te vi, sombra de movimento num labirinto de luz.

Madrugada, sento eu e a folha branca de papel.

E uma pétala vermelha que não entende nada.


quarta-feira, agosto 25, 2010

Chamam-me gatuno:
pego um coração
levo ao templo de Netuno
e volto com um arpão.

E o carrego por aqui e acolá
até a próxima contravenção.

(Luiz Guilherme Amaral)


terça-feira, agosto 24, 2010

Mágica

Transformo desespero
em risco
(não em traço)

tiro o sentido do olho
tal qual cisco
tento errar o passo

mas tudo o que eu queria
era ter o dom da magia
dissolver o desespero
em folhas de papel almaço

segunda-feira, agosto 23, 2010

Triste

Lembra quando eu te disse?
Eu sou triste, muito triste.

E não há nada que se compare
ao barulho que meu coração faz
quando você segue e eu fico pra trás.

Ficam faltando pedaços inteiros
banhados com seu suor e seu cheiro
perdidos nos vãos vazios da minha imaginação.

e apesar dos meus lamentos
jogados um a um ao vento
você me diz que não, não.

Lembra quando eu te disse?
Eu sou triste, muito triste.

domingo, agosto 22, 2010

Etéreo

sonhos
ilusões
delírios
desejos

um pedaço d'alma
no papel

a poesia
está pronta
para
voar

e se perder



Pois damos início aos Domingos Profanos do B7C!!!

sábado, agosto 21, 2010

um antigo, lá do sabedoria
Eu quero ser o sonho de alguém.
Eu quero ser um animal
formidável e elástico.
Eu quero ser teu brinquedo recém tirado do plástico.

quinta-feira, agosto 19, 2010


Já que o vento é bom

Espalho cataventos

Pelo azul do céu

Esperando raiar o dia.

Quem Sabe não fugisses

dos meus caminhos

Se soubesses

Que o que declamo é poesia.



( Alexandre Beanes e eu,

colaboração de junho de 2004 )


quarta-feira, agosto 18, 2010

Quem disse que é preciso um recomeço?
Precisamos mesmo é continuar o que já está
E corrigir o que está errado

Recomeçar é renascer
E eu não tenho mais tempo de ser novamente

Precisamos corrigir, não refazer

Aguentaria as manhãs na terceira série novamente?
Suportaria esquecer o frio na barriga de um primeiro beijo?
(E se tê-lo novamente não for do mesmo jeito da primeira vez?)

Não renasço. Não recomeço. Eu corrijo.

Errar é um presente.

(Luiz Guilherme Amaral)



terça-feira, agosto 17, 2010



quando verseja
meu coração versejador
tomara que você veja
quer seja ou flor



segunda-feira, agosto 16, 2010

Saudade

A saudade é esse negócio engraçado.

Planta em nossos olhos outros olhos
e em nossas sinapses
outras bocas e mãos e cabelos
e sorrisos...
ah, os sorrisos!

E gruda em nossas narinas uns cheiros,
em nossas bocas uns sabores,
em nossa pele uns toques...

E mesmo uma mulher durona como eu
entende muito de saudades.
De olhares ao longe.
De instantes intermináveis.
Imaginando.
Relembrando.

A saudade é essa coisa engraçada.
Faz com que cada segundo
dure uma eternidade.
E faz com que o tempo não seja nada.

domingo, agosto 15, 2010

to(que)

Incendeia-te.
Sim! Em labaredas poéticas,
Nas mentiras, nos pensamentos vis.
Deleite-se nas possibilidades
E na falta delas, sejas teu.
To(que) fogo.
Faça um torque.
Erga-se!
E nunca esqueça:
Não queira o pouco.

sábado, agosto 14, 2010

gente ranzinza
transforma o colorido
em cinza

quinta-feira, agosto 12, 2010

Menos mau você não saber de mim agora.Tão confuso e imagine, tão

sozinho. Querendo voltar para casa. Acredite, eu te amo por ter pensado em

mim. Mas é inútil compreender, a multidão RUGE. E eu sei que ela prefere

estar lá também. Voando ao sabor da corrente, dizem que é irresistível. Eu

não consigo deixar de vê-la tão frágil, a minha prometida.

E fico aqui, porque é preciso que o tempo faça o que sabe fazer.


quarta-feira, agosto 11, 2010

Vou aos passos atraído pelo encantamento
Encosto a mão no véu cheio de estrelas
Quero fazer parte desse mundo de beleza
E enterrar de vez todo aquele meu lamento

É digna de salvar da torre do castelo
Lutar contra dragões, ter um final feliz
'O seu destino comigo é traçado', ela diz
Arrebento portas e paredes com meu martelo

E depois de horas tentando heróico resgate
Essa mulher, Senhor, é só disparate!
Teria valido a pena tanto sacrifício?

Mulher, vai-te embora; és uma biscate
Meu coração por outra agora já bate
Ora, porra! Enterre sua cabeça em seu próprio orifício!

(Luiz Guilherme Amaral)


terça-feira, agosto 10, 2010

suposições apoéticas

Inútil dizer as palavras certas
... bem conjugadas e sem intenção
enquanto aguardo
despretensiosamente
nas minhas linhas mais rentes
ler a marca da tua mão

Parece sem sentido
revirar o dicionário
e rabiscar vocábulos inibidos
que não descrevem o desejo
mais raro que para ti ainda separo
entre os substantivos que vejo
e os verbos que não declaro

segunda-feira, agosto 09, 2010

Frugal

E me alimento do teu pouco amor.

Me acostumo às poucas calorias.
Aos beijos sem açúcar.
Aos abraços diet.

Me contento com os minutos contados.
Com os sorrisos furtivos.
Com telefonemas entrecortados.

Uma vez por semana, banquete.
E no resto dos dias, saudade.

...me alimento do teu pouco amor.
Aos poucos, quase sem vontade.

domingo, agosto 08, 2010

pro lado

Escuto Jazz e penso em você.
É, eu penso em você.
Fica tudo desordenado,
em uma cadência absurdamente perfeita.
Calores coordenados…
Equaciono sentidos.Sorrisos...
Você me faz sorrir.
Então eu olho pro lado e não vejo ninguém.
São os meus olhos que te enxergam,
mas o meu querer não te alcança.

sábado, agosto 07, 2010

peterpanices

amoréisso
tenho 25 anos
toda vez que atravesso a rua
meu pai ainda procura
cegamente
a minha mão
feliz dia dos pais :)

sexta-feira, agosto 06, 2010

pergunto-me por quê vim
se seu tempo é o escapar

sapatos sempre à porta
aquela marca permanente

sobre o tapete sobre
mim sobre o

amor
esse eterno amanhecer.

quinta-feira, agosto 05, 2010

Nick Drake


Ele está em Tânger,
seus acordes permeiam as minhas tardes.
Ele é o cara de Tanworth-In-Arden
com dedos nevoentos de tristeza.
Seu olhar despeja folk pelo ar.
Mas será mesmo que é isso ?
Quem sabe uma lembrança,
um rosto ou voz nunca superado.
Pode ser a beleza de velhos fantasmas
me visitando em plena canção
e dominando a minha alma.

quarta-feira, agosto 04, 2010

Tinha os pincéis en garde
prontos para mostrar do que são feitos os olhos
Passa uma, passa duas
Shhhh... Shhhhhhhh...
Vai pintando devagar, com calma
Shhhh... Shhhhhhhh...
O som da crina artificial sobre o pano
traçando um caminho que já foi destino
hoje é só um desejo longínquo
Shhhhh... Shhhhhhh...

Puxando velhas e novas tendências
vai demarcando seu território aquarelado
mesclando tintas, misturando sentimentos
nem que fosse três da manhã pararia

Interromper a inspiração?
Menos dolorido estar numa fogueira da Inquisição!

Shhhh... Shhhhhhhh...
Para subitamente para medir as proporções
Com um olho fechado e a língua para fora

E volta
Shhhhh... Shhhhhhh...
Passando a crina artificial sobre o pano

Quem sabe, um dia, numa Bienal?

(Luiz Guilherme Amaral)

terça-feira, agosto 03, 2010

Momento

Essa noite
tudo pode acontecer
- e não é clichê...

Essa noite
tudo pode ser sugerido
pelo som dessa guitarra,
pelo gosto dessa farra,
pelo seu suave gemido,
por tudo que pousava escondido
no desenho dos nossos desejos,
no fundo de nossas fantasias...

Essa noite pode ser de maravilhas!

Essa noite
o álcool pode baixar nossas defesas
servindo-nos de sobremesa.
Nossos corpos podem chegar-se mais um pouco,
estreitando nossas distâncias
e colando-nos um ao outro.
Minhas mãos podem procurar sua cintura,
escorregando pela sua pele,
passeando pela alça da sua calcinha.
E teus olhos fechados podem sugerir
que toda essa alegria seja minha.
Meu olfato pode procurar os seus cabelos.
posso beijar a dobra da sua nuca
e eriçar todos os seus pelos.

Essa noite
você pode pressionar um pouco mais
seus quadris em meu abraço.
E eu, já perdendo pra todo o sempre
meu equilíbrio e minha paz,
te direi que
não me responsabilizo pelo que faço.

Essa noite
podemos nos amar como selvagens
e ainda assim fazermos com que tudo isso
seja lindo.
E só por essa noite
podemos nos esquecer do que existe
e amanhecermos sorrindo...

segunda-feira, agosto 02, 2010

Rondônia

Vivo numa terra
onde todos são reis.
Onde cada um
escreve suas próprias leis.
Onde só existe o mundo do eu
e fodam-se todos vocês.

Vivo numa terra
onde ainda se resolvem
quase todas as coisas à bala.
Onde todos querem viver a vida
mas não têm tempo pra amá-la.
Onde quem cala consente
e quem não mente se cala.

Vivo numa terra estranha
de humildade pouca e raiva tamanha.
Terra de homens-deserto
e mulheres sem poesia por perto.

Vivo numa terra
em que todos se julgam donos.
Estranhamente, uma terra de ninguém.
E é do abandono
que me alimento.
Sempre distante, sempre além.

domingo, agosto 01, 2010

verdade

Asseguro-te que não gostarás de mim.
Tenho formas dispersas, presas e inexatas.
E bem sei que procuras por deleites e curvas.
Desprendi-me de mim já faz tempo…
Não tentes. Não há aqui tuas respostas.
Fomos embora, eu e minhas mentiras.

sábado, julho 31, 2010

desbotando

cheguei àquela idade
em que até o que é novo
já não é mais novidade

sexta-feira, julho 30, 2010

a solidão

eu não gostei de
...........a mulher sentar-se ao meu lado
.......................piercing no nariz e visual monocromático

porque minha solidão queria ocupar todos os espaços.

quinta-feira, julho 29, 2010

É necessário que eu acredite nisto.

É como crer no além.

É como crer no amor.

E eu tenho que me agarrar a isto, é preciso.

Porque se eu não fizer nada disto, é como estar morto.

Mesmo que você cuide de mim quando tiver tempo,

é como estar morto.

Mesmo que o tempo me prometa dias alegres,

é como estar.


quarta-feira, julho 28, 2010

Acima de todos os temores
reina o da absoluta impotência

Até quando a vida dará voltas
até chegar onde sonham os corações corajosos?
Se não há caminhos mais simples, aceitemos
mas é necessário tantas reviravoltas?
Necessário caducar desejos?

Viver é uma tomada de coragem:
dar dez passos para trás
antes do salto glorioso para o destino.

Mas os dez passos, por muitas vezes,
são dados em cacos de vidro.

(Luiz Guilherme Amaral)

terça-feira, julho 27, 2010

Tenho passado os dias
a pisar o crec-crec das folhas
secas do inverno

A cabeça sempre baixa
os olhos procurando alvos

Sigo assim cosendo passos
o tempo me passando
sem sentir

segunda-feira, julho 26, 2010

Desejo

Eu morro de rir todas as vezes
em que alguém me pergunta sobre nós duas.
É que me lembro das nossas bocas nuas
e dos nossos corpos vestidos
apenas de poesia...
Sim, nesse teu sorrir compromissado
lembro de cada verso trocado,
mesmo que às escondidas
onde sempre prometias
rimas nossas, idas e vindas.

(Uma parceria entre esta que vos fala e o anjo Aline).
Amei, Alhi! Amo!

domingo, julho 25, 2010

ato #1

do que quis viver ao teu lado,
só as ilusões são minhas.

sábado, julho 24, 2010

impaciência

o sábado não vem de súbito
é uma recompensa infinitamente aguardada
impacientemente evocada
ao se amarrar os sapatos
em reuniões enfadonhas e a cada erro
404
o sábado não vem de súbito
é delineado no ar centenas de vezes
em 26 dos dias de todos os meses
semana que termina com a mesma ternura do sol a se por
o pote no fim do arco íris
a sétima
cor.

quinta-feira, julho 22, 2010


Depois de um punhado de dias em que o sol

é rotineiramente arremessado e depois afunda de novo,

é difícil ver sentido na pequeneza das coisas.

A vida é um pouco como essa semana;

os começos cada dia mais distantes,

a qualquer momento começam os finais.

Quinta-feira.

Sempre a sensação de borbulha quase explodindo,

de vai-ser- agora.

Momento tão desarrumado, cheio de ecos

do passado que correm e se misturam com as expectativas do futuro.

Dias inquietos como crianças no escorregador.


quarta-feira, julho 21, 2010

Abrem-se as cortinas
chegam os artistas.

Hoje é o dia de torcer e comemorar
é dia de convidar os amigos para beber
Todos viram especialistas
sacodem as mãos mostrando suas aflições

Sim, meu caros!
É dia de futebol na televisão!

Quarta-feira:
o dia em que temos ópio gratuito
eletrônico

Santa Quarta-feira!

(Luiz Guilherme Amaral)

terça-feira, julho 20, 2010

segunda-feira, julho 19, 2010

Anunciação

Foi numa segunda-feira que ele chegou.
Aquele que nunca havia existido.
Aquele que mal me olhou
e já foi me arrancando o vestido.
Aquele que não me esperou
e em menos de um minuto em mim jorrou
seu gozo feroz e compulsivo.

Foi numa segunda que ele me arrancou
do mundo em que eu havia sempre estado.
Beijou minha boca, me agarrou
e me jogou num quarto desarrumado.
Me mordeu, meteu, me conspurcou,
me fez esquecer quem fui, quem sou
e me deixou com esse olhar apaixonado.

E foi nessa mesma segunda, já quase terça-feira,
que ele me deixou jogada na poeira,
me chamou de piranha e vagabunda
e bruto, me meteu o pé na bunda,
e foi embora sem dizer pra onde ia,
sem boa noite, boa tarde ou bom dia.

E foi nessa segunda,
já quase em terça transvestida,
que beijei a boca da morte
e abandonei os braços da vida.

domingo, julho 18, 2010

Domingo eu te compro uma flor.

Andar de trás pra frente,

Reinventar o riscado,

Tudo certo e quase nada.

Dia de bingo!

Sorte ou azar?

O que vale é ter amigos!

Ter o que reinventar.

A sunday in a sunny day. Sunday!

Assim, feito ode,

Ou quase ódio para outros,

O meu, o teu, o nosso (que nem comercial depois do Faustão)

Domingo pede cachimbo,

Também pede carinho

E que compre uma flor.

Ode aos dias

Senhoras e senhores, caros webpectadores!

Quem acompanha este blog já viu que ultimamente estamos passando por várias mudanças.
Desta vez, perdemos Moa e Jeff, duas das cabeças mais antigas...
mas não se preocupem! A sua poesia diária está assegurada com a presença de Maria Ana e Luiz Guilherme :)
E é com grande prazer que apresentamos a semana Ode aos dias: cada poeta vai escrever em homenagem a seu dia da semana.

Vem com a gente?

sábado, julho 17, 2010

antiquário

como uma criança
que não entende a existência de um bisavô
e chora
porque essa pessoa tem outra forma
e cheiro de guardado
e não entende a fraqueza
ou a insistência em beijos molhados
e não entende a pele de papel amassado
ou a língua morta que ele fala
que de tão assombrada
não entende a surdez
não entende a velhice
não enxerga o amor
até que seja
tarde

sexta-feira, julho 16, 2010

andança

quando você disse

reparar e detalhou
perfeitamente
o meu andar:

pernas esticadas &
mãos na cintura
o corpo branco,

o som dos passos
ecoando pelo nosso quarto até
o meu parar a centímetros do seu rosto

eu só escutei o seu
amor.

quarta-feira, julho 14, 2010

First

Na sequência de dias sou fourth
mas, como todos eles, também sou first

Se é para fazer chorar
rir
machucar
discutir

Nisso não posso ser last
pois agora estou com eles
todas elas
todos eles
todos esses firsts

Amadas heads

(Luiz Guilherme Amaral)

-------------

Cheguei onde queria. Sou uma cabeça. Nem acredito!

sexta-feira, julho 09, 2010

me gusta Gusta

Gustavo me diz que
a tempestade passou

la realidad son ruinas.

mas tão rápido acostumei-me em
casaco & cobertores
dentro de mim

aconchegar-me

e permanecer

diferente do que deveria

deveria ser
uma fuga
com botas pesadas

pisar o que
desmoronou
pela água e pelo vento:

passado.

(é março
e difícil viver
alheia às expectativas)

corro pelas ruas
segurando forte em suas mãos

só minha mente vai

enquanto dou corda no despertador
para tudo terminar e logo

fingindo voltar
ao tempo

bom do nosso sentimento.

quinta-feira, julho 08, 2010


Oito e meia da noite.

Ela hesitou em ir à loja comprar a garrafa de sidra.

Nervosa, as mãos tremendo. A velha de bobes no cabelo não disse

nada, por certo achou que era para os pais ou tios. O ônibus veio logo,

lá dentro um silêncio de gente cansada. Noite de tantas promessas,

ela não sabia se estava a perceber realmente as coisas.

Meia hora, uma rua e um número.

A casa imensa cheia de gente e música.

Eles a deixaram entrar, sorriram para ela.

E as pessoas que ela pensava que conhecia estavam tão estranhas,

fora de controle. Nenhuma delas era desse jeito na escola.

Sentou-se numa cadeira na varanda, desnorteada.

Por toda parte os ruídos, aromas estranhos, sugestões de loucura.

Passaram-se os minutos (ou horas, ela nunca soube).

Foi quando ele a encontrou.

Ele foi direto até ela, como se seguisse uma deixa.

A conversa inexplicável, plena de meias-idéias.

Levou-a ao jardim, e ela sentiu o perfume da terra e das árvores e viu as chamas irresistíveis que saíam dos olhos dele distorcendo a sombra da lua.

Ela estava encantada.


E passa da meia noite, o último ônibus já partiu. Os pais vão enlouquecer

quando souberem o que ela fez. Ela mesma quase não acredita,

nunca tinha sentido nada parecido. Mas não importa, é como

se não importasse. Na saída, ele ainda diz, num último sorriso:

"Espero que não esqueças de tua primeira festa."


terça-feira, julho 06, 2010

como assim?

Não é culpa sua
Minha vida gira em torno de um objetivo pouco circular
Não sofrer
Não existe isso
Porém
Daí foi gestada a covardia
E a esquiva
Daí peneirar na polenta
As pepitas de ouro
Que eu chamarei de amigos
E demora
A menos que haja um milagre
Mas eu pouco faço de milagres que não seja desperdício
Eu risco milagres feito fósforos
( a eletricidade não é afeita a milagres, eles se apagam)
Eu bem sei
Eu sou forte e ferrenha de unhas largas
E sou mais feroz que sei quantos animais
Mas não se eu já fui atropelada
Apenas ontem
Não que alguém saiba
Porque eu não sangro
Pra fora
Mas não é culpa sua
Me dizer o que eu me digo
O que me custa 18 horas por dia
De sutil persuasão
Para não acreditar.

(assim.)

domingo, julho 04, 2010

Pródigo

até as palavras faltam
quando há pobreza
de espírito

não há recurso
que me sirva
agora

humildemente
volto
ao chão

não posso mais voar


Com este escrito, também eu encerro minha participação deste tão querido Blog de Sete Cabeças.

Guardarei para sempre na lembrança tudo de bom que este espaço me trouxe. E é muita coisa boa! Muita gente boa! Muita poesia boa!

Mas chegou minha hora de partir. Deixo este espaço para quem possa usá-lo melhor que eu.

Abraço todos vocês agora. =)

E Poesia sempre! (Sim, caro Moacir! Poesia sempre!)

sábado, julho 03, 2010

45 do segundo

O drible, em busca do gol.
É isso a vida.
Corremos no meio de campo, todo o tempo.
Chutando dali, chutando daqui.
O pé na bola, a cara na grama.
E tudo é zero a zero.

Uma vitória ali, outra aqui.
O juiz contra.
A torcida contra.
A Nike, a Rede Globo, a CBF, todo mundo contra.

E a gente continua jogando.
Fazendo falta, levando empurrão.
Uma bola na trave, um carrinho, um gol de mão.
Tentando sair do empate.
Tentando vencer o embate.
Tentando vencer as feras.
Tentanto domar a esfera.

Até que um dia não dá mais.
As pernas doem, o corpo se entrega.
A cabeça só quer descanso.
E como se jogássemos
na casa do adversário,
e empate nos parece glorioso.
Embora no fundo saibamos
que na maior parte do tempo
o jogo foi horroroso.

Mas no momento final
esquecemos todas as contusões,
todo o esforço, todas as decepções,
esquecemos a derrota completa
e carregamos em nossa memória
aquele lindo gol de bicicleta.

***************************************************************
Última postagem por aqui.
Dias maravilhosos, momentos gloriosos.
Obrigado a todos que em algum momento participaram.
Obrigado a todas as cabeças e a todos os leitores.
Poesia sempre!

terça-feira, junho 29, 2010

na torcida

Seja no amor
ou no futebol
(na cama
ou na grama)
A gente gosta de fazer
GOL!!!
...Enquanto o drible
Não sabe onde
encontrar sua esfera
O pé se inibe
numa jogada
Improvisada
E num lance
De felicidade
O melhor resultado
É o empate

segunda-feira, junho 28, 2010

verde novo

eu quero sair deste empate
nem que isso me mate
no peito
meu coração é esfera
que eu ajeito no pé
e até deito na grama
uma cama pro sonho de toda essa gente
que grita, que vibra, que sente
cada gol, cada vitória ou derrota
a gente dribla a rotina até não ter
mais volta.

domingo, junho 27, 2010

segue o jogo

a gente
mete o pé
leva drible
come grama
nessa porra
dessa vida

mas
segue o jogo

rola a esfera
busca o
gol

(não adianta
reclamar:

segue o jogo)



Em ritmo de Copa do Mundo, as Cabeças entram em campo para mais uma Semana Divertida!
Escritos que nos remetem a essa paixão tão descabida - como talvez sejam todas as paixões - nossa, que é o futebol! Paixão essa que se aguça mais em tempo de Copa do Mundo!
Toda malícia, todo ludismo, toda poesia que há presente nessa grande festa nos servirá de inspiração nessa Semana Divertida!

E comeeeeeeeeeeeeeeeeeça o jogo!!!

sábado, junho 26, 2010

Fabuloso

Ele veio primeiro.
Eu, na entrada da área.
Algo me dominou por inteiro.

Com um movimento simples, mas bem executado,
projetei a bola por sobre a cabeça do coitado.
Suavemente, ela quicou no gramado.

Após um leve movimento ascendente,
ela se ofereceu, como um presente.

Enquanto, num átimo de segundo,
pensava eu no que fazer em seguida,
veio o outro, com um rosto assustado
e uma pressa quase que suicida.

Quase que sem pensar, fiz aquilo novamente.
Dessa vez, num movimento mais abrangente
(já que a bola se encontrava no alto)
desloquei-me de modo imponderável
até o encontro com o inevitável.

Na minha cabeça, se desenhou o que seria feito:
mataria a bola no peito.
Mas, de alguma estranha maneira,
ela se deslocou um pouco à direita,
como a fugir do meu perfeito projeto.
Com medo do fracasso completo,
estiquei um pouquinho meu braço
e a interceptei no espaço.

Após meu subterfúgio ela alçou voo,
e rapidamente se posicionou
à minha completa disposição.
Não pensei com a cabeça, mas com o coração.
E com o coração, e não só com a chuteira,
fiz vibrar uma nação inteira.

Não é que eu queira me fazer de gostoso,
mas é exatamente por essas e outras
que me chamam O Fabuloso!

quinta-feira, junho 24, 2010


Tão longe de lugar nenhum.

Finalmente um destino para meus dias, e eu vou chegar lá.
Escolher as perguntas há de ser a verdadeira liberdade.
Escolher a escôlha, na presença de todas as minhas batalhas.
E quando eu estiver lá, a dor vai ser minha e espero saber afinal.
Abrir uma garrafa e brindar a você; esperança e impossível.
Não há ninguém me esperando, é assim que tem de ser.
Tão longe de lugar algum.
Um sonho antigo, e o vento nas casuarinas.


terça-feira, junho 22, 2010

Terças bacanas, cabeças insanas

Respeitável público!!!

Se você acha que já leu tudo neste blog...

você se engana!

somos cabeças imprevisíveis...

em constante agito!

E... para quem nos ama

apresentamos as

TERÇAS INSANAS!
A cada terça-feira uma cabeça diferente se mostra: Aline, Elaine, Múcio e Sandra são as cabeças das terças!!


Poema de estreia


Essas cabeças profanas,
inspiradas nas rimas paulistanas
enlaçadas à poesia pernambucana,
fixada na cabeça-capital, urbana,
inauguram a forma mais sacana
de blogar...
Vamos improvisar...

segunda-feira, junho 21, 2010

mora o dia

o conforto do lar
as janelas abertas
e os cães enrolados em rosquinhas
nos pés da cama
cobertores em mil-folhas
campainhas retinindo
doce casa
onde até o os tapetes que guardam as portas
fazem você se sentir bem-vindo

domingo, junho 20, 2010

*

novamente
se repete

se repete
até perder a força

até os temporais
virarem
brisa

sábado, junho 19, 2010

josé

Talvez não estejas morto...

Acostumado que estás a driblar a realidade,
mestre que és em subverter o real.
Talvez a morte não te seja
algo assim tão mortal.

Talvez não tenhas ido embora...

Talvez, como em um de teus livros,
um leve toque de sobrenatural
sobrepuje o que é normal.

Penso que passeias ainda entre páginas etéreas,
rindo com um irônico esgar
de Deus e de suas coisas tão sérias...

como sempre foi tua matéria.


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O álbum que homenageei era o "OK Computer", do Radiohead.
Como eu havia dito, a obra-prima de Thom Yorke, no auge de
sua genialidade. Perturbador e desconcertante, sublime e belo.

sexta-feira, junho 18, 2010

andança

quando você disse

reparar e detalhou
perfeitamente
o meu andar:

pernas esticadas &
mãos na cintura
o corpo branco,

o som dos passos
ecoando pelo nosso quarto até
o meu parar a centímetros do seu rosto

eu só escutei o seu
amor.

***

Minha música era 'Like a rolling stone', do Bob Dylan. :)

terça-feira, junho 15, 2010

I

Cala-se o grilo solitário
por falta de assunto.
A madrugada nem sempre faz barulho.
O brejo está distante;
os sapos, não se ouvem de aqui.
Passos no asfalto,
somente os das sombras notívagas;
os bêbados dormem sem roncar.
Hoje até o vento colabora com o silêncio
descobrindo o céu num sopro manso.

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A minha música era Pétala do Djavan. Também achei que ia ser fácil...

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segunda-feira, junho 14, 2010

calma.

Planos para quê,

São pouco mais que papel machê

Esses trilhos não existem e

O mundo inteiro não cabe

no espaço interno de um crânio humano

Então faça seus planos

Use jornais coloridos por ludo, passatempo ou diversão

A realidade não sabe

Seguir a linha reta que você traçou no chão


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aproveitando: gostaram da semana Poesia & música?

a resposta do meu post era Elephant Gun, do Beirut.

sério que eu achei que alguém ia adivinhar (pelo menos a alhi!). Bom, pus a música aí embaixo. enjoy!


sábado, junho 12, 2010

Sorte

Aqui estou eu novamente,
pronto pra salvar o universo.
Pronto pra salvar seu mundo.
Pronto pra salvar suas crianças e seus versos.

Completamente humilhado
por ter sido outra vez salvo
por seu equipamento humano e prosaico.

Apesar da força dos meus poderes
e da dureza de caráter
própria a qualquer andróide
tornei-me, entre vocês,
um pouco sentimentalóide.
Medo de ser quem sei que não sou,
medo de não ser quem penso que sou...
Medo de que a solidão não seja escolha,
mas apenas o lugar onde estou.

Já tive outrora um antigo amor
mas sufoquei-a sob o doce peso
das minhas convicções.
Entre planos de fuga e decepções.

Outra vez sozinho
e desapontado.
Outra vez entediado, esquecido, enganado.

Mas hoje, mais uma vez,
enganei o destino e escapei da morte.
Quem sabe não seja meu glorioso dia de sorte?

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Esse poema não é sobre uma música, mas sobre um álbum. Um clássico moderno, uma das obras-primas de uma das mentes mais perturbadas e geniais do nosso tempo. Definitivamente, meu álbum preferido.
E obrigado a todos pela Semana Música e Poesia!

quinta-feira, junho 10, 2010





Vinho da colônia e vacas holandesas. A cidadezinha no fundo do vale, longe
de tudo. Foi como um sonho, as semanas que passei no campo. Aquela
menina tão perfeita, um tipo de amor que eu nunca tinha imaginado. Toda
tarde eu sentava no banco da praça e conversava com ela até escurecer.
Devagarzinho ela ia mudando a minha vida. Eu contava das coisas da cidade
e seus olhos brilhavam, ela sorria tão feliz. E como eu falava, que bobo
que fui. Montando com minhas palavras um castelo de ilusões. Longas
avenidas e prédios brilhantes, um mundo de néon colorido. Quando me dei
conta era tarde demais. Eu a perdi, ela já estava encantada. Pelos
letreiros, as vitrines. Eu tentei voltar, tentei explicar. Avisei que a
cidade é um vão. Era algo que pertencia somente a mim, e se foi por causa
da minha vaidade. Estúpido. Onde estará ela agora?



quarta-feira, junho 09, 2010

Valerá a pena

Vale
valerá a pena
a pontada no peito
refeito em parcos conselhos
repleto de astúcias e dedos
imerso em secretos segredos
num bem-amar
bem ferido e bem feio
e o que será? não será
pois bem-feito
sim, cantará
seus tropeços
suas juras
com juros
seus anseios
seus caprichos
seus meios
e-mails
e medos
a trovejar
sob um céu de arpejos
declarará
que o amor marcou
mas não veio
e findará
ou virá
já refeito
a vivenciar

lençóis e travesseiros

mentiras, ironias

bemóis em melodias

meros, singelos
sonhos de padaria

terça-feira, junho 08, 2010

Pontas de estrelas

Tenho gotas de ouro no céu,
minha fortuna.
Acordei.
Minhas flores estelares
chovem-me suavemente as pontas.

Minha vida agora
é querer-te e querer-te
faz-me viver.

Meu amor é esse amor,
o amor.
Derrama e fascina.
Entrou-me e me basta.

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segunda-feira, junho 07, 2010

far from home

Minha orquestra é de ninar
Me embala com sopros
Enterra meus sonhos em serpentina
Minha juventude em rodas gigantes
E doce
Faz produzir endorfina
Suficiente para adormecer elefantes.

domingo, junho 06, 2010

Baby

Nessas manhãs frias

Onde tudo arde dentro de mim,

A vontade do sentir prevalece.

É um querer absurdo que cega

Que chega, não basta e

Meus sentidos

Em nada transforma.

Meus pudores...

Preciso saber de ti.

Além da sede,

És fome.

És febre.

Tudo é precisar.

Querer sem fim...

Nem canção do Roberto,

Talvez um trecho do Borges,

Não está em livros.

Minha necessidade não está escrita.

Choro-te todos os dias.

.

.

Baby, eu te amo.

Semana Música e Poesia

Poesia e música são irmãs quase gêmeas.
Vivem letra e ritmo, matematica e sentimento.
é para celebrar essa relação que surgiu a SEMANA MÚSICA E POESIA.
Funciona assim: cada cabeça vai escrever um poema que remeta a uma de suas canções favoritas.
e os digníssimos leitores também tem uma missão.

Como diria o mestre Sílvio Santos...


QUAL É A MÚSICA?

sábado, junho 05, 2010

Herança

Sempre querem o melhor de mim...
Mas o melhor
é que eu seja assim!

Sempre querem o primeiro pedaço,
a cereja do bolo,
o meu supra-sumo.
Enquanto esqueço de todos
e sigo meu rumo.

E o que é mais engraçado:
sempre o que lhes fascina
é o que lhes parece errado.

Então essa estranha dança:
pra que me amem, tenho que
roubar-lhes a esperança.

sexta-feira, junho 04, 2010

duas

de repente, poder penetrar seu corpo
até não saber se sou eu
ou se sou você.

que estranho amor
não ser invadida, invadir.

quinta-feira, junho 03, 2010

Esta manhã eu olhei no espelho e não consegui me enxergar.
O que vi, não fazia muito sentido. O fora e o dentro
se confundindo em mim, criando espaços vazios.
E toda essa gente achando que me conhece.
Tenho medo de estar me tornando um desses caras vazios.
Esta manhã eu tentei gritar, explicar a alguém.
Mas eu estava falando sozinho. Andava tão feliz
pelas minhas conquistas, mas talvez esteja fazendo tudo errado.
Esta manhã eu me dei conta de que não posso mais esperar.
Estou vivendo a minha vida por caminhos que não são os meus.
Talvez eu esteja fazendo tudo errado.

terça-feira, junho 01, 2010

As galinhas vão crescendo pelos pés;
os ovos já passando de maduros.
O gigante sonolento não rasgou ainda tudo,
ao contrário, rasgou pouco.
Pouco mais do que o que, a tinta,
fora marcado no dorso.
As garras inertes da fera temem
guardar sangue.
Pretende voar, mas seu potro tem
as asas fracas e bebe leite.

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