quinta-feira, outubro 30, 2008

Valéria vale!.








Ela faz poesia da poesia, e de uma maneira magistral. Dona de um olhar ímpar, capta imagens belíssimas e em cima destas põe o seu estilo, transformando fragmentos poéticos em poemas inteiros, obras completas. Tive a honra de tê-la participando dO avesso [vide capa]. Fã de Manoel de Barros, Arnaldo Antunes, Clarice dentre outros, Valéria tem o feeling e sabe muito bem o que faz com ele.

Sinta aqui: http://souoquesinto.blig.ig.com.br/

quarta-feira, outubro 29, 2008

EMBRIAGUÊS

Que pena quando a surpresa já não se faz mais presente.
Quando o inusitado já não nos visita.
Quando a sensação que fica no corpo é como a água.
Insípida. Inodora. Incolor.

Que saudade da magia do vinho.
Do sabor forte, do aroma, do gosto inebriante.
Da nostalgia de estar embriagada.

.
.
.
Minha convidada de hoje é a Andrea Bucci (ou Déia - como ela assinou seu e-mail ao mandar a poesia).
.
.
.
Andréa Bucci é redatora publicitária, apaixonada por livros e poesia desde pequena. Também é muito apaixonada pelo seu namorado, que é 11 anos mais novo e quer virar seu marido, mas, cá entre nós, ela não quer casar. Inspira-se nos versos de sua avó e na poesia do imortal Mario Quintana. Escreve quando a emoção aflora, mas também nos momentos de incertezas, de exaustão e de êxtase. Acredita na magia das palavras e tem a palavra “palavra” como uma de suas tatuagens prediletas.
.
.
Apesar de não ter blog, você poderá segui-la aqui
.
.
Ah! Eu ia esquecendo... "rs"(aquele que também já foi convidado do B7C) ajudou-me nesta jornada em busca dessa caríssima convidada.

terça-feira, outubro 28, 2008

verborragia

A poesia grita
verte lâminas pela boca da noite
verborragia
embebeda de gotas tintas
o cálice meio cheio dos sonhos
em plena luz do dia.


Meu ilustre convidado, André Gabriel, é mestre nos haicais...
e eu caí de paixão... por seus poemas... seus escritos....
O que primeiro me chamou a atenção foi o nome do seu blog: Trajédia (porque tragédia pouca é bobajem) ... não resisti... rs... O moço tem humor, encanto, postura crítica... e muito lirismo nos versos! Confiram!!

segunda-feira, outubro 27, 2008

Eu te amo.

Precisava escrever aquela carta sem molhar o papel. Todos os outros borrões não justificavam mais esse desperdício. Ela precisava dizer que o amava. Escolheu rabiscar. Perdida entre todos os pedaços da sua história, espalhou suas fotos pelo chão. Achou no fundo da gaveta os bilhetes trocados, as pétalas guardadas, mas não era o que queria. Nada daquilo dizia que o amava com a intensidade necessária. Recorreu às salvações, escondeu as mazelas e esqueceu. Lembrou de todas as camas que dividiram quando crianças, dos bichos que fizeram de filhos, das fantasias usadas na rua, das vezes que se disseram namorados e de todas as outras que se ofenderam quando não queriam mais ser. Riu das noites em claro enquanto ele dormia, das experiências feitas com tinta, dos desenhos, das flores que comeram, dos filmes, das descobertas e das vezes que o fez ser pai de suas bonecas. Ela já o tinha salvo de tantos perigos... Pulou janelas pra abrir uma porta, gritou com o mundo para que o deixassem ser seu amigo. Sentiu frio com reecontros. Era sempre a gostosa certeza de que o tempo podia passar, a intimidade da infância tinha apenas amadurecido. Lembrou das risadas escondidas, das noites de sexta vendo televisão, te ter contado todos os seus sgredos pra ele. Chorou pela certeza das tentativas daquele amigo em tentar salvá-la dela mesma. Com ele, não se sentia mais sozinha. Fez de conta não lembrar que seus pais desejavam secretamente aquele casamento. Recordou de todas as festas que tinham ido e dançado a noite inteira. Lembrou até de ter sentido ciúmes. Riu. Ela sangrava com as dores dele e sabia que ele sofria com as dela. Desligou a filmadora. Aquela cena vulnerável, solitária e passional bastava. Aquela cena dizia eu te amo. Embalou a fita sem coragem de enviar. Guardou no alto do armário. Teve a plena certeza de que eram paralelos. Mas ainda iam se encontrar no infinito.


----

Sabe aquelas pessoas que a gente conhece e nem suspeita de nada?
Então. A Clarice é a amiga de uma amiga e então, um dia... abriu um blogue.
fui lá e visitei. E não é que a menina escreve? E não é que a menina arrasa?

Mais, ela escreve com a volúpia de quem começou agora e parte da diversão é ver como ela avança e evolui e experimenta a cada texto. O acima, ela escreveu especialmente aqui pro blog de sete.

Clarice, cê me pegou de surpresa. (adooouro o nome do blogue dela. adooouro)

domingo, outubro 26, 2008

Nova Semana de Convidados

Povo,

Abro a Semana de Convidados com um escrito de uma encantadora moça, cujas letras vim a conhecer recentemente...
Mas pelas quais já estou apaixonado! Foi amor à primeira lida! =)

Apreciem!



Previsão

por Sabrina Sanfelice

Abro os olhos e torno a fechá-los
Num instante, como um relâmpago
Um gato amarelo que ronda os telhados alheios
Sinto saudade do futuro

De dentro da caixinha de música
A bailarina com a saia quebrada
Ainda dança a melodia
Que criei para nós dois

Meu sonho, uma relíquia guardada
Embora nunca vivida
É delineada, colorida, regada a cada dia
Para desabrochar amanhã

No meu jardim invísivel
Aquele que enxergo
Com as pupilas negras de luz
Mora o tempo que há de vir

Vindouro, venturo, destino
Eu traço cada detalhe
Do seu rosto, seus gestos
Do agora ao porvir

Pobre criatura!
Lambendo os lábios açucarados
Do mais puro placebo
Fruto de seu próprio desatino

Pobre menino!
Personagem arrancado da infância
Recém-saído do poster da parede
Para a vida eterna

Clarividência ou ilusão?
Presciência do amor
Remédio para dor
Previsão


Quem quiser um pouco mais dos escritos de Sabrina Sanfelice, não deixe de visitar seu blog - que não é um blog de poemas, mas, de qualquer forma, é imperdível, necessário até:

Good Night Captain

Espero que gostem tanto quanto eu!

sábado, outubro 25, 2008

Paz

Quero uma guerra
mas daquelas
das antigas

sem mira laser
sem radares
sem mentiras

uma guerra limpa
talvez santa
de bravura tal
e loucura tanta

uma guerra fria
sem estratégia
ou anestesia

uma guerra guerra
por questões de honra
ou conquista de terra

quero uma guerra por dia
pra me provar o valor
e me matar a poesia

pra que eu possa enfim
tirar essa venda dos olhos
e ver dentro de mim

*

Quero uma guerra a mais
quero lutar de peito aberto
como lutam os animais

quero uma luta desigual
que comece na Páscoa
e termine no Natal

quero uma guerra somente
pra desafogo da alma
e exercício da mente

quero brigar com você
de murro, soco e pontapé
como eu vi na tevê

quero ser herói de guerra
pra ver se o sono se encerra

quero morrer lutando
e depois, com medalha no peito
sair cagando e andando.

*

Quero uma guerra multilateral
que é pra dar porrada
em todo mundo por igual

quero bater pra valer
sentir seus ossos quebrando
sentir seu sangue descer

quero comemorar na taverna
um inimigo sem braço
e outro sem perna

quero ser o suor da batalha
a linha de tiro
e o fio da navalha

quero dormir numa tenda
contagem de corpos ao invés
de imposto de renda

*

Quero morrer
em solo inimigo
ao mesmo tempo
prazer
e castigo.

sexta-feira, outubro 24, 2008

a mulher e o atirador

pode me atirar
facas pedras pérolas
estou aqui
nua e oferecida

pode me atirar
balas bombas rosas
estou aqui
cega e estremecida

quero ser
seu alvo
sua vítima
a mulher de sua vida

quinta-feira, outubro 23, 2008

há vaga

cansei
de ser só

quero alguém
pra dar um nó

alguém que caminhe
comigo

do pó
ao pó

quarta-feira, outubro 22, 2008

lost

.
.
não há nada além do caos
repetidas linhas
espasmos líricos
tudo em vão
a poesia foi-se de vez
imaginar-me sem ela
doloroso demais
torno-me incapaz
andarei com pés descalços.

terça-feira, outubro 21, 2008

diagnóstico

Meu coração
sem juízo
deixa-me este aviso:
Músculo coronário em reforma!
Nada mais me informa

(Desconfio que esteja apaixonado!)

segunda-feira, outubro 20, 2008

finesse


me agrada teu jeito de galgo

de bicho todo delgado

desse milagre magro

esse paradoxo

de fundo de poço

de ser a um só tempo

o cão

e o osso


domingo, outubro 19, 2008

Pra desabafar

Abafado
aqui dentro, né?
Me sinto como
sufocado...

Preciso
abrir
as janelas
Arejar um pouco mais
o ambiente
A minha mente
precisa
respirar
Preciso abrir as vias
para o circular
dos novos ares

Preciso
expelir
o que está
dentro
de
mim!

sábado, outubro 18, 2008

Fábula Rasa

Sentado no vaso sanitário
(último refúgio de tranquilidade
no moderno mundo hiper-vário)
vejo no azulejo a aranha.
Dessa de perna fina,
indefesa e pequenina.

Tinha quatro pernas apenas.
(deveras, um probema!)

Pra aumentar a estranheza
três delas à sua direita
e à esquerda apenas uma.
E se equilibrava, assimétrica pluma,
entre as semi-retas sem esquadro dos rejuntes.
Aranha transeunte.

Resisto à imediata propensão ao esmagamento
que me acomete
sempre que uma aranha me cruza o carpete.
Analiso com comedimento
como é que uma aranha se porta
sem quatro pernas, desalinhada, toda torta.

O mais estranho em todo o quadro
é que a terceira perna de um dos lados
se estendia à frente antes do passo.
Tateava antevendo o chão vindouro,
como uma tacanha antena,
como que em busca de um tesouro.

E seguia a aranha, em círculos minúsculos,
quatro pernas apenas,
metade de seus músculos.
Será que uma aranha entende de poesia?
Haverá nos aracnídeos
algo que os diferencia?

Cansado da simpatia
- brincadeira tão infantil -
esmago de uma vez, sem senões,
aranha e divagações.
Afinal, não posso perder um minuto.
Sou do banheiro
o rei absoluto.

sexta-feira, outubro 17, 2008

marina

crio âncoras neste mar
que não me deixam partir
faço uma prece à Iemanjá
para que desembarques no meu cais
e faças morada no meu ventre

quinta-feira, outubro 16, 2008

quarta-feira, outubro 15, 2008

blue

imagine
minha dor latente
ao ar livre
aos quatro ventos
assim
servido quente
vivo
borbulhante
na verdade, fervente
fotografada em outdoors
visível
ofuscante, saliente
perceptível
debochada, escrachada
feito piada barata
em esquinas e meios-fios
no fundo do barril
blue feito anil
imagina
tudo aqui
dentro de mim
convívio nu
diário
e guardado dentro
no que chamo de armário.

terça-feira, outubro 14, 2008

rapidinha

Meu amor não demora
ele sabe a hora certa de chegar
Meu amor acerta os ponteiros da vida
no tique-taque do meu peito
Ele não tem jeito...
Atrasa aos nossos passeios
Esquece seus lábios em mim...
Meu amor é assim!
Está sempre fazendo agora
o que eu pensava depois
entre nós dois...
Para o meu amor nunca há pouco tempo
Num segundo ele está por dentro...
E se abandona... largado
adormecido...
faz do meu corpo travesseiro
E se doa inteiro pra mim!

segunda-feira, outubro 13, 2008

rebentos

Tinha a mente tão fértil
Que acabou tendo
Uma gravidez psicológica.

domingo, outubro 12, 2008

Comunhão

Tome
Beba

É meu sangue
que você
me fez sangrar

Mas nada disso importa
Eu te perdôo

Tome
Beba

E não me esqueça

sábado, outubro 11, 2008

Platéia

Poesia, minha gente,
é uma coisa completamente diferente!

Tem que ter ritmo,
tem que ter rima (ou não).
Tem que ter cadência,
estrutura
e emoção.

Não é só a idéia.
A idéia é um décimo da poesia.
A idéia é somente o impulso.
Falta todo o restante da acrobacia.

Então, amigos, continuem na platéia.
Quem sabe eu escorregue da corda bamba
e tudo acabe em comédia?

(É engraçado
um palhaço estilhaçado?)

sexta-feira, outubro 10, 2008

anunciação

se
tu vens
mel de abelha
eu derreto

se
tu vens
lava de vulcão
eu ardo

se
tu vens
eu deito

se
não vens
eu mato

quinta-feira, outubro 09, 2008

samba da montanha

vou juntar uma merreca
vou dar no pé
vou comprar uma passagem
para meca
vou falar com maomé
pra saber
como é que é
essa tal de guerra santa
que tanto me espanta
homem-bomba
terrorista
maldades a perder de vista
em nome de um deus
qualé
sai dessa maomé
isso não vai dar pé
maior roubada
pára com isso
suicidas não têm vez
no paraíso
aquele lance
das setenta e tantas
virgens
não passa de vertigens
balela
puro caô
coisa que algum
infiel desocupado
inventou
sai dessa maomé
pra que tanta religião
vamos fazer a revolução
antes de voltarmos
ao pó
pra que guerra
santa ou não
pra que tanta confusão
vamos nessa maomé
vou dizer
como é que é
vamos desfazer o nó
eis aqui a solução
uma só religião
respondendo
ao deus maior







quarta-feira, outubro 08, 2008

promessa

sim, serei tua
em nosso imaginário
dentro de gavetas
em e-mails guardados
nas tintas das canetas
tal como um relicário
assim serei
ante o fim do verso
mesmo que não restem folhas
existiremos
nos meus, nos teus, em nossos verbos
em nossas escolhas
ante o ponto final
nosso amor exclamado
em verso e prosa
almas conectas
em países distantes
sim, serei
pois sou teu verbo
e tu minha saliva.

terça-feira, outubro 07, 2008

fim de caso

Está acabado!
enfim
nosso sim
tão certo
chegou ao fim!
Estamos assim:
De novo
dois meios
Sem suas partes
metades
Nossa primeira verdade!
Sem lágrimas
nem mentiras
Nosso conto
sem enredo
Nosso caso
sem memória
Nossa história
final.

segunda-feira, outubro 06, 2008

aviso

Te ofereci uma nota
pela noitada
mas você me deu um tapa
(Tapada!)
E depois deu o fora,
sua desaforada,
você ainda me paga
você vai ser é
apagada,
e vai ver como eu me safo,

depois de te descer o sarrafo,

safada.

domingo, outubro 05, 2008

Voando baixo*

Um dia sonhei
que podia voar
Estar acima
de toda loucura
desse mundo...
Voar...
Era tudo que eu mais queria
Em meio a tanta correria
Pairar no ar
Parar pra descansar...
Um caça passou rasgando os céus
E eu deixei essa idéia pra lá:
fui voando atrás dele!
Fui correndo!
Não posso parar!
Culpa da tecnologia
da engenharia
da supremacia
dos homens
Não precisaram cortar minhas asas:
só bastou virá-las...
Meu caça tem suas asas
de cabeça pra baixo
Não posso estar acima
Só à frente
Eu, a 300Km/h...
Fazendo curvas pra esquerda...
Não posso sair do chão...
Minha mente, a mil...
E sem rumo...
Só queria voar...

sábado, outubro 04, 2008



Ouve...
ouve o vento...
ouve o sol...
ouve a canção
e diz
se eu não tenho razão!

Ouve a voz
das folhas que caem ao vento.
Ouve o som baixinho
do meu sentimento.
Ouve a imensidão
de um único
e simples momento.


Ouve,
do alto da tua infância,
os tristes soluços de nós, adultos,
que brincamos de preencher o espaço.

Ouve, e sorri,
sabendo como viver é fácil!

sexta-feira, outubro 03, 2008

pedido de tempo

que as horas se percam
entrem num labirinto obscuro
e caiam em armadilhas vis

que as horas mergulhem
no fundo do poço
bem longe daqui

só assim
eu acabo com sua pressa
e você acalma a minha pele

quinta-feira, outubro 02, 2008

sacrolavoro

escrevo porque sou escravo
e escrever desse lado
não é pecado

escrevo porque sou escriba
mesmo que o meu escrever
jamais me tire da pindaíba

escrevo porque sou escroto
e é por isso
que eu ando roto

escrevo porque me sacia
e as letras que sonho à noite
exponho-as à luz do dia

escrevo porque dá barato
e as palavras são para mim
como moças de fino trato

escrevo porque dá tesão
é coisa que vem de dentro
não tem explicação

quarta-feira, outubro 01, 2008

ode ao casamento V

nem vem, meu bem
não me veja em outras silhuetas
não me compre tamanhos errados
já avisei
eu sou aquela que dorme ao teu lado.

terça-feira, setembro 30, 2008

nossa dança

Te convido para um amor dançante
Entre véus transparentes...
e beijos esvoaçantes
Ensaio uma coreografia...
invento ritmos para essa poesia:
Os passos em harmonia...
reduzindo nossos espaços
Nosso vaivém em compassos
se movimenta sem distância
Em alternância de estilos
(teus lábios nos meus mamilos)
Um rebolado que serpenteia
quando teu jorro me presenteia...
e o corpo amolece em espasmos...
Exibindo nossos orgasmos

segunda-feira, setembro 29, 2008

dois curtinhos

Gosto do seu nome,
daqueles bom de dizer
com a boca cheia de farofa.
--

Boeing
Seria um nome de avião ainda melhor
Se em vez de cair
Ele quicasse.

domingo, setembro 28, 2008

Coração forjado

mas
o pedaço
de aço
não pulsa
junto
e o coração
descompassa
e passa a
sentir
o peso
do metal
que
des
cola

será preciso derreter
infinitas lâminas
pra forjar um coração
que não sinta mais
dor
alguma

nem
uma
se
quer

sábado, setembro 27, 2008

Tarde

Me segura as pernas.
Entra debaixo da minha saia
e só saia
quando eu enfim gozar.

Me segura es costas.
Eu bem sei do que gostas.
E só faço
pra te ver assim, sem ar.

Minhas fendas
se abrem uma a uma.
Abro tua pele
com minhas unhas.
Olha nos meus olhos e diz que me ama
e planta tuas raízes em minha cama...

Faz com que eu seja tua, mais uma noite só...
Depois podes voltar pra tua casa.
Pra tua vida sem graça.
Pros teus vôos sem asas.
Até que algum dia
a nossa poesia renasça do pó.

sexta-feira, setembro 26, 2008

inclassificável

Sou aquele que te deixa de quatro para satisfazer teu cio. Sou aquele que se veste de bombeiro para abrasar teu fogo. Sou o pau pra toda obra e atendo em domicílio.

quinta-feira, setembro 25, 2008

querência

me queres muda
me queres nada
me queres tudo
me queres quanto
me queres vezes
me queres vozes
me queres espanto
me queres
como queres
e preferes
me queres tanta
me queres tola
me queres tonta
me queres na neve
me queres na lua
me queres de leve
completamente tua
afinal de contas
me queres quantas

porque não te quero
e vou à luta
deixei de ser santa
agora sou puta


quarta-feira, setembro 24, 2008

ninar-te

menina
dia desses te escrevi uma canção
nessas noites de pura solidão
onde versos querem pular do papel
e fazer cócegas na gente
rindo feito bêbados idiotas
em busca de camas quentes
e olhos dormentes.

menina
vez por outra queria poder me esconder
embaixo da tua saia
e dentro dos teus sapatos
explorar o teu brinquedo
e lamber os teus dedos
descobrir-te , navegar-te
explorar o teu universo
(aquele, que nem todos podem ver)
ninar-te.

menina
deixa-me morar
na verdade deixa-me viver
dentro desse teu coração de plástico
nesses teus braços elásticos
nos teus caracóis na cabeça
nesse teu ideário
chamado arte.

terça-feira, setembro 23, 2008

Nem tire sua roupa,
menina!
se o que você quer
é fazer amor...
Não me venha dizer
que só quer transar...
que eu tenho horror!!
Ouça bem, garota,
caia na real:
essa coisa de acasalar
só rola no mundo animal
Todo esse papo aí...
tá fora de moda
sexo comigo
é foda.

segunda-feira, setembro 22, 2008

Macho que é macho
não faz poema
eu mesmo acho
a espada
mais rápida que a pena
macho que é macho
não sossega o facho
por nada
mas não faz drama
nem faz cena
macho que é macho
sabe o problema
que o buraco é mais embaixo
do que deveria
macho que é macho
não faz poema
faz poesia.

---
opa! como o jeff ainda não postou o dele, vou explicar essa semana mais que especial!
essa semana, meninos trazem doces e meninas trazem salga...digo, os meninos postam poemas como meninas e vice-versa!
ou seja, tudo trocado.
boa semana transsexual pra todos! ;)
(tudo bem explicado nesse azul-macho, né)

sábado, setembro 20, 2008

Roteiro

Eu sei, você não me entende...
Não acredita que eu seja assim.
É que chove dentro de mim.

E o frio
me gela cada um dos ossos.
Me gela até o âmago a alma.
Por isso me visto dessa calma.

Por isso minha alegria
é manufaturada dia-a-dia,
garimpada em minúscula bateia,
bichinhos presos em hesitante teia.

Por isso o equilíbrio
é tão delicadamente instável.
E um cataclisma é sempre provável.

Mas não me ame, se não quiser.
E se puder, me poupe o vexame.
Pois o enxame que me transporta
tem rotas imprevisíveis.
E não te quero quase morta
por minhas paixões invisíveis.

sexta-feira, setembro 19, 2008

fera e ferida

o que me perturba
picada de abelha
toque de urtiga
vidro no chão

o que me machuca
é o seu silêncio
preso na garganta
minha incompreensão

quinta-feira, setembro 18, 2008

crença e crescença

Tenho a virtude,
ou seria o defeito,
de acreditar em tudo
de tudo que é jeito.

Ver para crer,
desde quando?
Basta me contar
e já estou acreditando.

Neste poema, por exemplo,
eu acredito,
mesmo não estando escrito.

E por incrível que pareça,
eu acredito até
em dor de cabeça.

quarta-feira, setembro 17, 2008

nonsense

é só uma questão de tempo
descalçar os sapatos
e escrever de trás pra frente
assovios e calafrios
tudo na mesma rota
incerto caminho reto
tortuosamente descrente
enumerando letras
redefinindo domínios
em um tempo iminente
à espera de vazios
ao acaso importuno
capturando submarinos.

terça-feira, setembro 16, 2008

Um grito

quero gritar
pra me aquietar
e poder descansar
dormir, sonhar
pra acordar
e então voltar
voltar pra quê?
não quero saber,
não quero me prender
quero ser livre
caminhar solto
queria voar...
mas não posso
só me resta viver
e esperar
a morte chegar...

(releitura desse escrito aqui, da amiga Fernanda Leturiondo [blog: http://acasaoamanteeoexilio.blogspot.com/])

segunda-feira, setembro 15, 2008

na falta de um título melhor

Me bota no colo,
Me roda feito uma boneca
Me dê um tapa nas costas
Me faça cuspir moedas
( américa-quatro-dólares-e-vinte-e-sete-centavos)
Eu não sei,
É que eu me sinto assim de repente
A troco de nada
Sem valor, vazia, esvaziada
Me bota no colo,
Eu só quero ser cuidada
E essas unhas vermelhas me doem
E olha que é só tinta.
eu acho que já sei porque os poetas eram todos uns tuberculosos
é que a poesia não passa disso
desse cospimento de sangue
Me bota no colo,
Corta uma laranja
E me falsifica um tang
Eu não quero ficar doente
(o tempo urge, a vida ruge, a febre, rouge)
Eu tenho uma deficiência de vitamina C
Ou não sei, vamos dizer apenas
Eu tenho uma deficiência.
Me bota no colo
Me leva na feira
Vamos comprar abacates
Pepinos batatas roxas
Todas as verduras a la carte
Deixa eu morar na sacola listrada de lona
As sacolas de lona são tão bonitas
E eu sei muito bem que as sacolinhas plásticas
São os chapéus favoritos
Dos suicidas.

domingo, setembro 14, 2008

Fantasia

Deitada do teu lado,
Me toco...
Te exploro...
Acordo teu falo
Com a ponta da língua
(pronta e ambígua)
Faço jorrar teu sêmen noturno
... engulo teu gosto com ternura
Boca de santa
Garganta de puta
E durmo.

sábado, setembro 13, 2008

Fim de Semana Não

Um sábado pode ser
apenas a espera do outro sábado
apenas gaiola de pássaro
sabático sem graça sem graça
apenas mais um sábado que passa

Um domingo pode ser
como milhares de outros domingos
ou não
pode ser só saudade e solidão
pode ser só lágrimas e tédio
dor de cotovelo e nenhum remédio

E as noites
podem ser
assim sem você
assim só o frio
meio assim assim
sem você e sem mim

sexta-feira, setembro 12, 2008

secreto

quando me olha nos olhos
procura derrubar meus medos
e desvendar meus mistérios

mas meus segredos
guardo atrás dos joelhos

quinta-feira, setembro 11, 2008

tempo ao tempo

parei de jogar
parei de beber
parei de fumar

só não sei
aonde eu vou
parar

quarta-feira, setembro 10, 2008

espera

às vezes acaricio meu ventre
como se estivesse à espera
como se fosse conceber
a qualquer momento
um ser
independente e inteligente
um cometa
um caleidoscópio
que trocasse de lugar comigo por certo instante
o suficiente para me fazer compreender
o suficiente para me fazer digerir
que o tempo é mais
e que é além desse cais
onde amarrei meus pés
e me faço algoz de mim.

terça-feira, setembro 09, 2008

Uma nova [mu]dança

Houve mudança, sim
E essa dança eu não aprendi
O ritmo é outro
Tudo mudou
no mundo...
Eu
apenas
observo a tudo,
sigo mudo
e não danço

segunda-feira, setembro 08, 2008

dark side

outro do fundo do baú do sabedoria.
sorry pela falta de inspiração.

todo escritor
tem pensamentos obscuros
a massa cinzenta é preta
de nanquim

daí pros pensamentos
passarem pro papel
é simples
assim

domingo, setembro 07, 2008

ex-poemas e devaneios

Meus desejos
Deslizaram da tela
Para amarrotar
Os lençóis-do-dia
Na cama,
A poesia concreta
Me inspira outro estilo:
Retiro a lascívia do poema
- (in)deléveis rimas digitais...
Nas entrelinhas amenas:
Versos a mais

sábado, setembro 06, 2008

Um Caso

Um caso
Descaso-me do que já foi dito
E caso em mim pares dispares
Riso e Lágrima
Juízo e Loucura
Mistério e Exposição

Um caso sério
Juntar tanta coisa oposta!

Mas é que o acaso faz-me assim mesmo
Encontrando nos contrários
A mais intensa razão!

******************************************************

Uma nossa fiel leitora, que escreve muitíssimo bem e ainda por cima é linda de viver!
Com vocês: Grazielle!

Mais dela aqui:
http://conjuntodepalavras.blogspot.com/

sexta-feira, setembro 05, 2008

Bruno Barrett


a esperança foi

à praia

e jogou a toalha.


~~~~~


um poema

filhodaputa

não leva problema

pra casa

resolve na mão


~~~~~


deus vento

queria ser uma kombi

um kamikase cheio de rosas

a prosa pós-hecatombe

o lado feminino da crase

queria ser tudo

ou quase.


~~~~~



Conheço o blog do Bruno há algum tempo e gosto muito do que encontro por lá. Bom humor, leveza e originalidade. Não deixem de visitá-lo para conhecerem melhor seu Espaço em Des[Construção]. Eu sou fã! :-)

quinta-feira, setembro 04, 2008

pedro é pedra

reconheci
meio assustado
(os olhos fugindo
pra dentro)

o amor
que nunca tive
por outra flor

---x---x---

menina menina
cantigas de roda
antes de dormir

---x---x---

lençóis navegando
no corpo agregando
afagos e afins.

---x---x---

os olhos não
ou secam
ou são

---x---x---

SINUCA

Amanhã, menina, somos eu, tu, deitados sobre a mesa. Nossos poros, ouvidos, bocas e cús, sem medo do mundo. Acordamos, olhos desmaiados, beijos na nuca. É manhã, amor. É manhã, amor. Manhã.

---x---x---


Poeta em tom maior. Vem do Piauí, um cara com sacadas geniais, prosas e poemas sucintos com fortes teores, lições e dores. Com alegria o li pela vez primeira, e venho cá dividir com vocês. De nome Pedro, eis o poeta.


http://ocapimcomeuoboi.blogspot.com



quarta-feira, setembro 03, 2008

Ciúme


Atravessando a nossa passarela de convidados especiais, temos a poética única e especial de Yara. Tentar apresentá-la é pouco perto do grande sentir que seus versos proporcionam.
Deixe que esses versos te atravessem por completo aqui.

Sinta!


Ciúme

Tido e despossuído.
Ido.

Querer tanto
e tentar
e arder.
E despertar.

Querer ter
e des-ter
e despir o ter,
a tez,
um triz.

Um tanto querer ter-te
que para mim basta
abs-ter-te.

terça-feira, setembro 02, 2008

Tudo de novo =)

Zé Rosa [link: http://bizarrodeslumbre.blogspot.com] e Ady Cavalcante [link: http://adyverso.blogspot.com] já devem ter sido convidados antes pelo Moacir, em alguma outra Semana de Convidados... (Não tenho certeza...)

Mas, como eles são meus amigos também... E eu adoro o que eles escrevem, sou fã... Fiz questã de convidá-los também! =)

Apreciem!




Extremos

Hoje, a noite
É de precisões e vontades.
Eu com desejos
De penetrar sua alma
Com meus sentimentos.
E seu corpo
Com meus dedos,
Minha língua,
Meu pau.





Meu derradeiro amor
Vestido de eternidade
Trazia um sol no sorriso
Trazia o mundo nas mãos
Trouxe-me estrelas e sóis
Levou-me a outro universo
Plantou esperanças e sonhos
No árido solo de mim
Mas como nada é perfeito
Um dia o sonho passou
As plantas, ervas daninhas
Que me restaram, por fim
Por que o amor que me tinhas
Era luxúria, e se acabou.



segunda-feira, setembro 01, 2008

microcontos

Óquei, se você acessa blogues, existe uma grande chance de você acessar o twitter. E, se você acessa o twitter você deveria dar um follow no perfil do minicontos. Mistério, paixão, humor, intrigas, ahn, piadolas e afins. Tudo convenientemente empacotado em embalagens de 140 caracteres.

O perfil é atualizado freqüentemente por 4,anh, pessoas. O dono dos microcontos abaixo é o RS. Nascido de mãe caolha e pai perneta, RS pede que sua privacidade seja mantida a salvo dos papparazzi, revelando apenas suas inicais. E não. Ele não é o Rodrigo Santoro.Enjoy.


O convidado de hoje nos presenteia com quatro microcontos.

Dois inéditos:




O pior não foi ter nascido sem as pernas, foi suportar a vida inteira lhe provando que mesmo que as tivesse, não teria para onde correr.





Apoaxaidno. Qadnuo cvegaha ptreo dlea, svaua, egsagavna, guejvagaa. Mal csnoegiua flaar. Tseno, saus pvaralas saaím taods erabalhamads.



E dois usados, porém limpinhos:


Começou com um beijo roubado. Terminou numa noite de sexo alucinante. Depois, lambuzados e apaixonados, cada um voltou para sua esposa.





Quando a cega entrava no vagão do trem, o tarado gritava: senta aqui. Depois ficava quietinho no lugar esperando ela sentar em seu colo.

domingo, agosto 31, 2008

Pés

Vontade de caligrafar o infinito, ouvir a melodia dos teus olhos piscando... Vontade de deixar assim meus pés de mulher em cima da mesa branca, numa eterna preguiça em que os loucos vivem de amor. Esse quadro magnífico que te dou (fotografia); tua mulher, pés frescos já descansados por não precisarem correr, te buscar... Um quadro que pisca e aquece, coberto pela lembrança, por tua roupa macia que roça minha pele num momento de ninfa... Vontade de enrolar meu corpo por essas pautas, gozar nas letras para que te ficasse escrito um orgasmo... Criar nossa literatura particular, enigmas em que o doce e obscceno se mesclam na boca, olhos, ventre, palavra. Palavra que te grita e, nesse grito, o horror de te perder. Vontade de pés tão gelados que, se no inferno fossem te buscar, derretiam: um caminho líquido, córrego de rastro morto. Vida onde antes de você?

(Lindsey Rocha)

Na minha estréia nesta já consagrada "Semana de Convidados", trago LINDSEY ROCHA que tem em sua narrativa tanta poesia! Conheci os textos dessa curitibana quando ganhei seu livro: NERVURAS DO SILÊNCIO, de onde extraí essa verdadeira obra-prima que é "PÉS". Sua habilidade incomum em construir delicadas e contundentes imagens leva o leitor a ensurdecer com o seu atormentador silêncio! Vale a pena ler um pouco mais da prosa poética dessa moça em http://nervuras.blogspot.com

sábado, agosto 30, 2008

Dor de Cotovelo

Não há remédio
pro meu ódio.
Então ligo o rádio.

Que horror!
Mais uma canção de amor!

sexta-feira, agosto 29, 2008

revolto

preciso do caos
da desordem dos sentimentos
de um soco no estômago
seguido de um beijo
um lamber de feridas
para amaciar a dor
preciso da confusão
de ser o que for

quinta-feira, agosto 28, 2008

pane in circus

eu quero
é que o circo
pegue fogo,

para o povo
comer
pão assado.

quarta-feira, agosto 27, 2008

talvez

um dia talvez eu me despeça
talvez um dia eu resolva
(de uma vez por todas)
que minhas máscaras perderam a graça
que minhas fantasias perderam a cor
e que estive estancada
sendo voyeur de mim mesma
repleta de não
e fingindo amor.

terça-feira, agosto 26, 2008

Imitação da Vida

Se a Arte imita a Vida
Então...
O que a limita?
O que ela imita?
Não...
Não pode ser a Vida!
Não com tanta
limitação
Nessa Vida
há tantas barreiras
Obstáculos
Fronteiras
Demarcações
de território
- Cuidado aonde pisa...
A Arte não se importa
com essas limitações
A Arte se faz notória por isso, aliás...
Ora...
Se a Arte imita a Vida
Quero saber: qual Vida?
A Vida de quem ela imita?
Ora...
Se a Arte não se limita
ela imita
a Vida dos que não se importam
com essas formas de contenção!
Ela imita
a Vida dos que são
Não!
Dos que se fazem
maiores
e mais fortes
do que toda essa convenção!
Se a Arte imita a Vida
Se a Arte não se limita
ela imita
a Vida daqueles que vivem!
A Vida do Artista!
Pois o Artista é que dá Vida à Arte!
Pois o Artista é que vive da Arte!
Pois o Artista é que vive a Arte!
Pois o Artista é a Arte!
A Arte imita o Artista
Que testa os limites
Que não se limita
Pois a Arte imita a Vida
Mas a Vida que não se limita
Arte com limitação
não passa de uma
Imitação da Vida

segunda-feira, agosto 25, 2008

temporal

O tempo não passa
nada que aconteça
nada que se faça
O tempo não passa
E permanece
Em um mesmo instante impreciso
Um rastro de riso
Que não se apaga
O tempo não passa
O tempo passeia
Nas horas vagas

domingo, agosto 24, 2008

fetiche

Como a seda
Que cobre
Minha estrofe
Tua língua acesa
Se aninha
− precoce −
Em meu poema
E em segredo
Minha rima
escarlate
se abre
Sob os pêlos
Que a renda
ornamenta

sábado, agosto 23, 2008

Momento

Súbito,
o oásis estava diante de mim.
Ela era riacho,
água pura, cristalina.
E eu era todo sede.
Infinita, infinda sede.

Debrucei-me, porém não bebi.
Fiquei ali, parado,
entre o paraíso e o inferno,
entre aquela boca e o abismo.

Fiquei ali, parado,
prolongando o prazer do momento.

******************************************
Algo em torno de 1989.
Não foi o primeiro poema que escrevi.
Mas foi o primeiro com, digamos, alguma substância.
O primeiro a apresentar características da minha poesia de hoje.
O ritmo, principalmente.
Apesar de me parecer hoje inocente, bobinho, foi o poema que me fez pensar que poderia realmente um dia brincar de fazer poesia.

sexta-feira, agosto 22, 2008

Cinzas

I

Um traço de sangue

Entre os dedos
Separa minha dor
Dos teus medos

Um risco de luz
Entre os desejos
Separa teu silêncio
Dos meus devaneios

Cinzas de amor
E a vida abrasa


II

A paixão desmedida
O encontro de bocas
A alma lavada
O desejo bravio

Só o tempo acalma
As cinzas do fogo
e da dor
Isto que chamam
de amor


III

Meu corpo queima
Apetece de vontade
Tateia tua ausência
Nesta noite cinza


~~~

este poema é de fevereiro de 2006 e não sei explicar bem o porquê dele ser marcante. coisas do amor, sabe?

quinta-feira, agosto 21, 2008

porta-retrátil

Hoje faz ontem em mim.
caem do teto
gotas de lembranças.
abro a gaveta,
vejo em slides: dias de Brasília,
numa tardia primavera...
ouço Capital, Legião...
bato a “poeira
escondida pelos cantos...”,
dobro cartas re-lidas,
sinto, saudades em dobro
de vidas a granel.
rostos, vozes antigas,
idas num vento frio...
em copas,
fecho a gaveta,
e nos olhos meus,
noventa e um parece ontem.


este poema é um divisor de mágoas. marcante pelo que representa, retrato de um momento em minha vida que traçou caminhos para sempre.


quarta-feira, agosto 20, 2008

em minha noite


Meus versos amanhecem
Enquanto durmo
Deleitam-se ao meu lado
Brincam com meus cabelos
E me fazem quase acordar.

Amanheço em manjedoura
Lírica de verso e prosa
Banho-me no deleite poético
Alimento-me de rima e pranto.

Não sou vespertina
O pôr-do-sol assusta-me
Com seus crepúsculos
Contenho-me e chego a lagrimar.
Renasço ao anoitecer.

Sou noturna
Me visto de lua e a noite me basta.
Sussurros e delírios me acompanham
Devassa é a madrugada
E por dentro fervo e me desfaço.

Permito-me anoitecer todos os dias.
A noite é minha morada.


.
.
caros,
esta é minha contribuição para semana poema marcante
difícil foi escolher um poema dentre tantos que marcaram tanto
estes, particularmente, são noturnos.
é isto.

terça-feira, agosto 19, 2008

Narcisista*

Seus olhos são espelhos d'água
Um lago
límpido
claro...
Por um instante
me vi refletido nele...
Quis nadar
Mergulhar de cabeça
Invadir teu íntimo
Me buscar
Me perder
nas profundezas
de tua alma...
Mas meu reflexo se desfez
O espelho se quebrou
Seus olhos gélidos
Lago congelado
Me trouxeram uma imagem
Uma miragem
Ilusão
inalcançável...
- Eu não estou em você!
Mas eu me perdi
em teus olhos
Preciso me encontrar
Amor...


Este é um dos melhores poemas que consegui escrever, sem dúvida! Mas, dentre todos, "Narcisista" é o meu preferido! Por diversos motivos! Mas um, em especial...

Este poema tem uma história peculiar: foi a primeira tentativa minha em escrever algo que falasse de amor -- ou que, pelo menos, usasse a palavra "amor"...

E não é que ficou bonito, o bendito?

O que acham?

segunda-feira, agosto 18, 2008

farrah falsett

Me dá um pouco de paz, eu te dou um pouco do meu desassossego
Nasci de uma mãe com mancha castanha no olho verde e esquerdo
E é por isso
Eu sou habitada por um cardume de criaturas cegas
Que comem morcegos

E é por isso que eu tenho tantos nomes
E nenhum deles é meu.

Cuidado com o nome que chama,

Você pode trazer os demônios à baila
E me diga
Você já
Dançou com o demônio
À luz do luar*
?

Porque às vezes eu sou ciano
E às vezes, cianureto
E às vezes eu sou pinóquio
E às vezes, gepeto

Porque às vezes eu sou nuvem de inverno e às vezes
eu sou o demônio de mãos pequenas
e caninos vermelhos.

Cuidado com o nome pelo qual me chama
Não convide os monstros pra montar
Cidades de lego


Porquê às vezes eu sou bambuzal
e às vezes,
sou prego.

E Cuidado com o modo que me chama

porque

Enquanto Samantha canta

Enquanto Eduarda guarda

Enquanto Sônia sonha,

Clara pára
Rita grita
Emma toma.

--
bom, esse poema é de abril do ano passado e, bom, acho que dá pra ver que ele bem...meu.
rima, absurdez, humor, mau-humor...*tem até frase roubada do filme velho do bátima.
tá tudo aí.
e depois eu gosta dele. e pronto.
fim. bêjo.

domingo, agosto 17, 2008

Braile

Tenho em relevo, na pele,

os sinais e apelos

à espera das tuas digitais

para lê-los



POEMAS MARCANTES

Esta semana, neste blog, desfilarão os poemas que marcaram a vida destas cabeças!

Cada um postará aquele poema guardado com carinho no repertório... o poema que, seja lá por que for, é considerado o "mais mais"!



No meu caso, "BRAILE" é o poema abre-alas... É que foi com este poema, feito para Múcio como convidada na (Primeira) Semana de Convidados deste blog, que consegui criar "coragem" e mostrar minha escrita para pessoas que não frequentavam a "blogosfera"!

Este poema é um divisor de águas (adoro clichês!!) na minha correnteza poética!

Quem?

Olá, queridos!
Chegamos ao fim da nossa II Semana Divertida! Espero que todos tenham se divertido tanto quanto nós!

Aqui estão as revelações:

Lo(u)cação por Mary
Proposta por Moacir
lamento por Aline
Antídoto por Múcio
ringue et tone por Czarina
Contra o frio por Jefferson
jardim da infâmia por Sandra


Parabéns aos que acertaram (e aos que erraram também!) e a todos que somaram nessa semana tão especial. :-)

Valeu!


sábado, agosto 16, 2008

jardim da infâmia

me diz
que ficou feliz
com o poema
que eu fiz
no seu
quadro-de-giz
e rimando
com amor
você
apaga-dor
mas se
Lápis eu for
você
Aponta-dor

Alfabetizador

sexta-feira, agosto 15, 2008

Contra o frio

Não gosto nada desses tempos
cinzas e frios

Me conte uma história
onde faça calor
e que tenha também cor

Uma história
que me faça esquecer a dor

Pode ser uma história de amor

Que pareça vivaz
por mais fugaz
que venha a ser

Que seja leve brisa,
linda vista,
folha solta
a flutuar

Uma história
que me levante,
me faça voar

Me conte uma história
que eu possa lembrar,
que eu possa sentir,
que me faça sonhar

Para que eu possa adormecer com um sorriso no rosto
e de corpo e alma aquecidos

Deixe esse vento frio lá fora
Me conte mais uma vez
a nossa história


lará lerê lirismo

quinta-feira, agosto 14, 2008

ringue et tone

Fico sentado no escuro
O dia todo dentre muros
Esperando que saia do meu bolso
Um sinal
Eu aguardo e mal respiro
Se morrer, não foi de tiro
Foi ansiedade fulminante
Ou excesso de calmante
Que eu pus no meu Nescau
Pode haver uma chance
Na qual me agarro, luta e rinha
Esse aparelho vai dar linha
Todo túnel tem final


o temível telemóvel

quarta-feira, agosto 13, 2008

Antídoto

Guardo as minhas contas
por vencer
em páginas aleatórias
de um livro de poesia.

No dia do vencimento,
leio o poema,
e vou ao banco
feliz da vida.


Talvez o mesmo (a)

terça-feira, agosto 12, 2008

lamento

eu te observo do lado de dentro
de onde nunca saí
e de onde nos encontramos todos os dias
as vezes fecho os olhos
mas é para te esperar
e nem sempre vens
e não somos nada e além
do que foto e grafia
cifra e melodia
esperar-te é meu lamento.


pedra sabão

segunda-feira, agosto 11, 2008

Proposta

Ensino direitinho
o que você quiser.
Te ensino a ser meu homem,
te ensino a ser mulher.
Te ensino a ser anjo,
te ensino a ser demônio.
Te peço paciência,
te peço em matrimônio.
te faço um monte de poesia,
te chamo de minha princesinha,
te faço de gato e sapato,
te faço meu sonho, meu macho.

Só não me entenda mal:
depois de tudo isso,
não quero compromisso,
é tudo sexo casual!

HermesFlorDita

domingo, agosto 10, 2008

II Semana Divertida

Respeitável público! Que rufem os tambores! Vai começar nossa II Semana Divertida! Eis aqui as cabeças trocadas, misturadas, completamente embaralhadas! Participem do nosso espetáculo e arrisquem seus palpites!

Divirtam-se!


Lo(u)cação

Você tem que aceitar...
nosso romance acabou!
Chega de drama,
meu amor.
Esse seu falso desespero
é um terror!
Aqui não é ficção,
meu bem,
deixa de chororô!
Vai assistir uma comédia
e não me aluga mais.
É o nosso the end,
me deixa em paz!


mestre sem cerimônias

sábado, agosto 09, 2008

Outono

Meu membro,
duro como concreto,
acariciou, ereto,
tua pele suave em flor.
Urgência e amor.

Tuas raízes me buscaram
e tateando-me, enlaçaram
minha mais profunda fundação.
Despiram-me, deixando-me nu.
Meu pau e meu coração.

Esmaguei-te com meu peso.
Com minha quase falta de jeito.
Com meu corpo cinza e rude.
E penetrei...
o mais fundo que pude.

Tuas pétalas voaram ao vento.
Desfizeram-se em desejo e momento...

Ao longe, o sol nasceu.
A chuva lavou-nos o corpo.
E teu gozo misturou-se ao meu.

quinta-feira, agosto 07, 2008

falação

somente tu
sabes como
me causar relaxos

quando falas
tua língua
nos meus países
baixos


Múcio L Góes


quarta-feira, agosto 06, 2008

blowjob

olha, meu caro
do ofício eu nada entendo
mas obedeço
e desço
deep in side
não, não sou de papo
trabalho calada
conversando é mais caro
boca é ferramenta
e saliva alimento
so
take it easy
vem
faremos à moda
assim, like a beat
I’ll be your drums
one soul in a jazz song
come!
let’s get wet.

terça-feira, agosto 05, 2008

(In)Contidos*

Que o mundo inteiro nos ouça
A cada toque
Cada gemido
A cada movimento
Cada suspirar nosso
Que ouçam!
Nossos corpos falam
Em uníssono:
Mata-nos a sede!
Reproduzem o desejo
Do coração e da alma
Em sincronismo
Evocam o prazer
Todos precisam ouvir isso!
Nossa harmonia é perfeita
É a mais bela sinfonia já composta
Atingimos a perfeição
Quando estamos juntos
Quero mais é que todos saibam:
Somos perfeitos!
Tudo podemos!

E podemos
Em qualquer lugar

segunda-feira, agosto 04, 2008

destarte

Me beija me pesa me esmaga
deixa eu ter
o ainda não tido
Me cala me morde me rasga
eu nem faço caso
do meu vestido
Me acende, me inspira, me traga
a si próprio despido
Me fere, me amansa, me mata
até eu me esvair em sangue
de amor
correspondido*.

---
* sangue de amor correspondido é nome de um livro do manuel puig. roubei, roubei.

domingo, agosto 03, 2008

A quatro mãos

Tuas mãos hábeis
versejam sobre meus desejos
brincam no meio das minhas coxas teus beijos
Tuas mãos de poeta
completam minhas rimas obscenas
e me põem nos seios as conchas do teu poema
Tuas mãos de artesão
dedilham minha estrofe interna
(a poesia se molha com tua invasão)
Tuas mãos diretrizes me levam ao teu verso viril
e minhas mãos felizes acolhem teu lirismo escorregadio

Juntas: tuas mãos e as minhas
(nosso gozo nas entrelinhas)


Queridos amigos, leitores deste Blog,
Esta semana será dedicada ao estilo Sandra Souza. O que quer dizer isso?... Ah.. eu explico:
Sou a integrante mais nova por aqui... e por isso as demais cabeças decidiram me dar as boas-vindas postando poemas, digamos, mais "calientes"! E como isso seria mesmo muito "fácil" para mim, já que eu inauguro a Semana, escolhi um poema-padrão pra dar uma mãozinha aos meus colegas!
Degustem sem moderação!

sábado, agosto 02, 2008

O Escritor

Assassinato de primeiro grau
pra mim é normal.
Mato personagens
como quem mata moscas.
Troco de caráter
como quem troca de roupa.

Invisível, minha mão
desenha um rastro suave
de luto e destruição.

Cada estrofe nasce e fenesce
no ritmo desenfreado
do meu ódio e de tuas preces.

Se esperas por meu lirismo,
viro o mundo de cabeça pra baixo,
e atiro-me, abismo.

Assassinato, meu caro,
pra mim é normal.
Palavras são o meu pão.
E não há nada que me pague
o prazer de embrenhar-me
na selva do teu coração.

sexta-feira, agosto 01, 2008

wildness

não pise no meu jardim
agora planto flores selvagens
e elas podem te engolir

quinta-feira, julho 31, 2008

corpo seguro

ontem
choveu como
se fosse maio

e como se
não fosse
parar jamais

até choveu estrelas
para alegria
dos casais

só chove assim
quando eu caio,

tu cais.

Múcio L Góes


quarta-feira, julho 30, 2008

logout

expulsei de mim:
a que invadia
a que esmurrava tuas portas
a que mendigava tuas palavras
a que gritava em teus ouvidos
a louca
e a ludibriada.

expulsei de mim:
a falta de amor próprio
o desmazelo
a covardia
a fadiga
e as ausências.

vou me desconectar
arrancar os cabos
voltar pra mim
e podar minhas asas.

terça-feira, julho 29, 2008

segunda-feira, julho 28, 2008

bilhete

desculpa pelas maldades
que eu tenho escrito.
é que eu tenho vergonha
de sentimentos bonitos.

domingo, julho 27, 2008

Clássico

Domingo, em casa, é dia

de poesia e futebol

... driblar o tempo que passa

na ginga sobre o lençol

Dia de gol e de rima

Enquanto o Sol brilha

e o corpo comemora

numa só jogada

a mesma e mútua vitória!

sábado, julho 26, 2008

Epílogo

Escrever um fim
é assim...
Não adianta lápis de cor.
O quadro é negro
e não temos apaga-dor.

sexta-feira, julho 25, 2008

alvo

você está na minha mira.

eu só queria que na sua fila

chegasse logo a minha vez.

quinta-feira, julho 24, 2008

quarta-feira, julho 23, 2008

c'est la vie

flores se apaixonam
por trovões
e passam os dias
esperando por chuvas
que nunca virão.

terça-feira, julho 22, 2008

Despedida, ainda que nada seja definitivo na vida...

Por agora vou desistindo
de pertencer à geração,
de lecionar antigas réguas
e de muita pretensão.

São como malas
atiradas de um balão,
em que agora me avisto
e que, por ora nu, o visto
a voar por onde o são
(ou ainda serão)
salas... de estar,
valas... do errar,
cortes, tombos e talas,
desejos e outras estrelas.

Até onde não atinei, cantá-las,
mas me sei mais leve, as entôo.
E quero mesmo é algo que carregue-me
à margem de outra viagem
sem ancoragem desde já necessária,
mas plena de beleza em forma vária,
ou algo dessa natureza.


---------------------------
amigos,
sei que a semana é de poemas curtos.
Mas como hoje ainda não havia
meu substituto,
alonguei-me à despedida.
E com esse poema antigo,
pleno de algo novo que me invade,
do B7C me dispo e despeço,
já com essa doce saudade!